-6.2 C
Nova Iorque
sexta-feira, janeiro 2, 2026

Buy now

" "
Início Site Página 605

Longo, o homem que mandava seguir a nuvem

Por Moacir Assunção

Quando soubemos, no caderno de Geral do Diário Popular, em meados de 1996, que o nosso futuro chefe seria um sujeito chamado José Luiz Longo, que desconhecíamos totalmente – a não ser o fato de que ele era próximo do diretor de Redação Josemar Gimenez, com quem havia trabalhado junto em O Globo –, certamente todo mundo pensou algo parecido: mais um burocrata para nos infernizar. Brincávamos dizendo que de uma coisa a gente tinha certeza: ele devia ser um cara alto e longilíneo, com aquele sobrenome. Quando o vimos, semanas depois do anúncio, todo mundo se surpreendeu com aquele homem baixinho, nervoso, com uma barba permanente em um rosto que denotava inteligência e sagacidade. Ato contínuo, ganhou dos repórteres-fotográficos, sob a liderança do gozador Rubens Gazeta (alguém que, com esse sobrenome, nasceu para trabalhar em jornal), o apelido de Toulouse Lautrec – referência ao pintor francês que viveu entre 1864 e 1901 e se tornou conhecido por ter revolucionado o estilo dos cartazes publicitários em sua época e por sofrer de uma doença recessiva que o transformou num homem adulto com pernas curtas de criança, medindo apenas 1,52m. De fato, ambos tinham características físicas em comum, como a barba, os óculos e a pequena estatura.

Aos poucos, fomos descobrindo que, se Toulouse Lautrec foi um gênio em sua época, ao pintar os cartazes de aviso do famoso Moulin Rouge, casa de espetáculos da boemia parisiense, de um modo completamente incomum, poder-se-ia dizer algo semelhante de Longo, um gênio em encontrar novos e interessantes ângulos para as matérias. Eu, então um jovem jornalista recém-formado, estava substituindo um repórter mais velho e experiente que convalescia de uma doença e, de cara, senti que ele gostou de mim. Houve uma tragédia causada pelas chuvas na região do Ipiranga e, junto com a colega Montserrat González, fui lá cobrir. Descobri, depois, que ele havia pedido para que ela, uma excelente repórter, acompanhasse meu trabalho. “O rapaz veio de assessoria de imprensa, sabe como é”, justificou. No fim do dia, a colega ofereceu um relatório muito favorável sobre minha atuação na reportagem.

Ele começou, então, a me encomendar matérias interessantes, boa parte ligadas a questões históricas, que havia percebido que eu gostava. Fui fazendo-as da melhor forma possível. Poucos meses depois que ele entrou, fiquei sabendo que o colega adoentado ia voltar, já estava recuperado. Perderia, então, o emprego. Coisas da vida, problema algum, sabia que seria provisória minha estada naquela que era uma fábrica de fazer bons repórteres, o Dipo, como chamávamos o jornal e estava feliz por ter aprendido em meses o que levaria muitos anos para aprender. No entanto, outra colega, creio que a Alessandra Pereira, me disse que ele havia reagido desfavoravelmente à ideia da volta do repórter. “Não vou abrir mão do Moacir, de jeito nenhum”, afirmara. Acabei ficando… e me tornei, de fato, repórter nessa época. Comprovei, na prática, a máxima de Gabriel García Márquez, segundo a qual jornalista é “a melhor profissão do mundo”.

Aos poucos, Longo tornava-se querido e admirado pelos repórteres do Dipo, uma turma que não perdia para ninguém em termos de cobertura, batendo com folga, especialmente em Cidades, Esporte e Polícia, os colegas de redações então poderosas como Estadão e Folha. E o chefe, também ativista dos direitos humanos e um dos fundadores do coletivo Democracia Corinthiana, sempre sugerindo pautas interessantes e inéditas, como já fizera em O Globo e no O Estado de Minas, onde trabalhou também. Lembro-me que, uma vez perguntou-me se Rego Freitas, nome da rua onde fica o nosso sindicato, era parente do Bento Freitas, rua vizinha. Queria fazer uma matéria com o mote “unidos para sempre”. Não eram, viveram em épocas diferentes.

Longo, que perdemos em 22 dezembro de 2019, aposentado, mas ainda em atividade, era de fato um mestre na pauta jornalística. Sacava da cartola, como um mágico, ideias geniais para transformar em texto de jornal. Dizia algo que repito para meus alunos hoje: a notícia está em todo lugar, basta observar.

Pouco mais de um ano depois, fez-me uma sugestão: queria criar uma pequena coluna no jornal, que sairia todo sábado, na qual contaríamos a história de um bairro. Morador da Zona Norte toda sua vida, ele sabia da importância dos bairros para uma cidade gigante como São Paulo, na qual, muitas vezes, a pessoa vive em um ou dois distritos, sem precisar deslocar-se para praticamente nada. Aceitei o desafio e começamos pela Mooca, região emblemática da cidade que, uma década depois, se tornaria quase uma parceira, já que comecei a ministrar aulas na Universidade São Judas Tadeu, que fica na Mooca e é um marco da região. Foi uma verdadeira aventura essa coluna, que batizamos de Conheça seu bairro. Em pouco mais de dois anos, contamos a história de nada menos que 120 bairros da capital. Descobri que tinha gente que colecionava os textos, outros que os mandavam para parentes em outras regiões. Conheci personagens interessantíssimos, muitos dos quais levei para o caderno Seu Bairro, do Estadão, no qual iria trabalhar depois. Enfim, a coluna fez-me conhecer São Paulo, algo que não tem preço.

Outra história curiosíssima, que o amigo Josmar Jozino conta em seu livro Meio que em off (Letras do Brasil), foi o texto que fiz sobre um bode fantástico que dava leite. Bicho enorme e forte, ele era hemafrodita e vivia em um sítio na cidade de Brazópolis, sul de Minas. Foi missão passada pelo Longo a partir de um sujeito meio louco que apareceu no jornal – e foi conosco até o lugar. Ele me disse na volta que havia sugerido ao prefeito da cidade que “desapropriasse” o animal. Parecia história do Festival de Besteiras que Assola o País (Febeapá), do saudoso Stanislaw Ponte Preta, que, em tempos de Bolsonaro, teria muito a escrever se estivesse por aqui.

Em 1999, quando fui trabalhar no Estadão, o fato de ter passado pelo Dipo era uma distinção importante. Os colegas que me conheciam da rua diziam que “se foi do Dipo é bom, pode confiar” para os novos chefes que ainda não tinham tomado contato comigo. Encontrei no Estadão e no JT gente como Josmar, Fábio Diamante, Marici Capitelli, Robson Morelli, entre outros, que eram, como eu, egressos do Dipo. Entre os motoristas, então, quase todos haviam trabalhado no matutino da Major Quedinho, nome que relembra um personagem da Guerra do Paraguai. Estava em casa, enfim.

Voltei a ouvir falar do Longo novamente porque ele havia mandado uma repórter, que depois soube tratar-se da Marici, para “seguir uma nuvem de chuva”. A razão para tão esquisito pedido era que o Dipo havia tomado um furo no dia anterior e isso o Longo não admitia, ainda mais em tragédias da cidade, algo em que éramos imbatíveis. A pobre repórter teve que ficar acompanhando, de carro, o deslocamento de uma nuvem escura. E a história virou um folclore do jornalismo. Era um pombo sem asa ou PSA, expressão com a qual Josmar designava as pautas mais estranhas.

Quando lancei o meu livro sobre a Revolução de 1924 – São Paulo deve ser destruída, a história do bombardeio à cidade na Revolta de 1924 (Record) –, tive o prazer de contar com a presença dele no debate na Livraria da Vila da Fradique Coutinho. Ele me falou, então, a frase que jamais esquecerei: “Quando lia seus textos da história dos bairros, pensava: esse rapaz é um historiador. Agora está aqui o historiador”. Ainda me sugeriu escrevermos juntos um livro sobre a Mooca. Foi a última vez que o vi com vida. Nos estertores de 2019, um choque: pelo Facebook a colega Gláucia Padilha avisava e, na sequência, o também colega Dario Palhares confirmava que ele havia morrido.

Longo, o grande repórter e chefe de Reportagem, uma das pessoas que mais reconheceu meu trabalho, jazia no velório de um cemitério da sua querida Zona Norte, na presença da mulher, Célia, dos filhos e da mãe. Mesmo adoentado, me disseram, não parava de bolar coisas para o jornalismo. Ainda era jovem, tinha apenas 62 anos, e se permitia sonhar. Foi enterrado em meio a palmas e sons da música Epitáfio, dos Titãs, que diz assim: “Devia ter amado mais, chorado mais, ter visto o sol nascer…”. Agora, como diz o colega Nelson Nunes, está seguindo nuvens no céu, na grande redação celestial. E, certamente, bolando pautas sensacionais. Abraço, amigo, siga em paz… tenha a certeza de que todos aprendemos muito com você.

Moacir Assunção

A história desta semana é uma colaboração de Moacir Assunção, jornalista, historiador e professor do curso de Jornalismo da Universidade São Judas Tadeu (SP).

-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

Tem alguma história de redação interessante para contar? Mande para [email protected].

Vaquinha online busca ajudar repórter cinematográfico incapacitado

Jesse Nilson

Jesse Nilson, o Jotinha, repórter cinematográfico da Band-RS, está impossibilitado de realizar suas funções há quase dois anos, devido a complicações pós-cirúrgicas no coração. Em janeiro de 2018, ele teve um infarto, e a intervenção médica resultou em três pontes de safena. Depois do ocorrido, ele teve dificuldades para dar continuidade ao tratamento, pois não obteve suporte do SUS e o INSS negou o benefício de saúde a ele. Com fortes dores, não conseguia mais trabalhar.

“Senti muita dor no peito e nos ombros, não conseguia mais segurar uma câmera”, contou Jotinha em entrevista ao Coletiva.net. Ele explicou também que, apesar de ainda ser funcionário da Rede Bandeirantes, não recebe o salário desde maio por causa do INSS. Jotinha foi diagnosticado tendinopatia do supraespinhal, uma evolução de uma tendinite no tendão do ombro.

Ele fez um desabafo em suas redes sociais, expondo sua situação: “Saí vivo do hospital, mas sem vida. Falhas no tratamento, diagnósticos equivocados, medicamentos prejudiciais, avaliações imprecisas, desrespeito médico, descasos judiciais sucessivos, desamparo do INSS, incapacidade de atendimento do SUS e outras tantas coisas”.

O desabafo comoveu amigos e ex-colegas, que organizaram uma vaquinha online para ajudar Jotinha a dar continuidade ao tratamento, pagar as contas e outras necessidades básicas. A meta é arrecadar R$ 5 mil. Até esta quarta-feira (29/1), tinha obtido aproximadamente R$ 3.7 mil. Contribua!

Jornal americano dá dicas de como conseguir financiamento para jornalismo independente

O jornal norte-americano The News & Observer desenvolveu um guia para ajudar empresas de jornalismo independente a conseguir financiamento para seus projetos. Com o crescimento de mídias independentes, aumentou muito a busca por organizações nacionais e internacionais que apoiam o jornalismo de qualidade e que possam providenciar a verba necessária para a produção dos trabalhos. E, nesse processo, surgem algumas dúvidas sobre o passo a passo para candidatar-se e conquistar a verba. O objetivo é acabar com essas dúvidas.

O guia explica algumas etapas essenciais no processo de financiamento, como um roteiro para encontrar os financiadores; os documentos necessários e recomendados para preparar antes de se candidatar; o estilo de texto que deve ser utilizado na candidatura para o financiamento; como calcular os orçamentos; o que fazer antes de assinar o contrato, entre outros. Confira o guia na íntegra (em inglês).

Com informações da Abraji.

O futuro do jornalismo pelas lentes do Instituto Reuters

Por Luciana Gurgel, especial para o J&Cia

Luciana Gurgel

No momento em que a tecnologia elevou à estratosfera o volume de notícias disponíveis e democratizou a forma de acesso a elas, um dos riscos para o jornalismo pode ser justamente a saturação. Essa é uma das ameaças apontadas pela relatório anual Journalism, Media and Technology Trends and Predictions 2020, elaborado pelo Instituto Reuters, sediado na Universidade de Oxford.

O estudo consolida a opinião de 233 profissionais que ocupam posições de comando em redações de 32 países, colhidas por meio de um questionário fechado e comentários livres. O fenômeno da “fadiga de notícias” não é o único paradoxo. Os entrevistados sinalizaram confiança no negócio, mas ao mesmo tempo expressaram incertezas quanto à qualidade da produção jornalística.

Quase 3/4 dos participantes disseram-se otimistas ou muito otimistas com as perspectivas de sustentabilidade financeira das organizações em que trabalham, o que o Reuters atribui ao sucesso de novos modelos de geração de receita que começam a frutificar. Por outro lado, 46% estão menos confiantes com o futuro do jornalismo. E menos ainda com o jornalismo de interesse público, salientando o declínio da imprensa regional e pressões para travar a atuação de profissionais que denunciam ricos e poderosos.

Karyn Fleeting, do conglomerado de mídia britânico Reach, classificou de “deprimentes e preocupantes” os ataques à mídia feitos por chefes de estado, que se tornaram rotina aqui. A despeito de o primeiro-ministro Boris Johnson ter sido jornalista, a relação de sua administração com a imprensa é tensa, com ameaças de suspender a taxa obrigatória que sustenta a BBC e a licença do Channel 4.

O estudo revelou que 85% dos consultados acham que a mídia deve fazer mais para esclarecer inverdades na política, mas parte deles se ressente do baixo reconhecimento de iniciativas nesse sentido pela audiência. E muitos observaram que tais iniciativas podem ser em vão em um quadro em que líderes seguem a fórmula do presidente Donald Trump, esvaziando a grande imprensa e dialogando com o público sem filtros por redes sociais.

Os movimentos para regular as plataformas tecnológicas, crescentes no Reino Unido e em outros países da Europa, não são vistos como resposta para elevar a confiança geral. Mais da metade (56%) dos editores que participaram da pesquisa acha que não haverá impacto sobre o jornalismo. Mas 25% temem consequências negativas. O universo pesquisado inclui representantes de mídias digitais, o que explica em parte esse temor.

Inteligência artificial, a próxima onda – Entre as tendências apontadas pela estudo está o avanço da inteligência artificial, que o Reuters chama de “a próxima onda de disrupção tecnológica”. As aplicações vão desde a apuração, produção de textos e distribuição até o uso comercial, como otimização de paywall. Na visão de 52% dos consultados, ela será muito importante este ano, mas empresas menores temem ficar para trás.

Além dos questionamentos sobre privacidade e democracia, entretanto, outra questão sobre inteligência artificial emergiu. Um total de 24% dos participantes prevê dificuldades para contratar e reter profissionais com expertise em programação diante dos altos salários a eles oferecidos pelas empresas de tecnologia. Por incrível que pareça, pode acabar sobrando vagas nas redações por falta de gente qualificada.

A chave do cofre – E de onde virá o dinheiro para a mídia? Para 50% dos que responderam ao questionário, sairá direto do bolso de quem consome notícias. Apenas 14% apostam em sustentabilidade financeira contando só com receitas publicitárias. E 35% acham que será uma combinação das duas.

O relatório prevê que organizações de mídia do mundo inteiro tentarão cada vez mais emular as experiências das que já celebram crescimento como resultado de ações para encantar leitores e espectadores, levando-os a pagar pelo conteúdo, principalmente na Europa e nos Estados Unidos. Florescem aqui modelos criativos que ressuscitaram títulos moribundos e deram origem a notáveis exemplos de bom jornalismo.

Em contrapartida, há o risco de o noticiário de qualidade ficar restrito à elite, restando aos menos abastados o território caótico das redes sociais. O estudo registra ações já em curso destinadas a neutralizar tal impacto, como eventos de engajamento e podcasts.

O vigor do áudio é confirmado, mas o Instituto alerta para o desafio da monetização. Muitos editores admitiram dificuldades para gerar receita com podcasts, ainda que reconheçam seu valor no engajamento do público, sobretudo jovens. O Brasil é destacado como segundo maior mercado consumidor de podcasts, com citação ao projeto do Estadão em parceria com a Ford para criar um produto diário no Spotify.

O documento do Instituto Reuters é uma compilação de visões a partir de realidades nem sempre comparáveis à do Brasil. Mas joga luz sobre tendências capazes de se estenderem para toda a indústria, que merecem ser observadas tanto por executivos e editores experientes como pelos que entram no mercado de trabalho.

Aprender programação pode ser a diferença entre um futuro na redação do futuro ou um diploma guardado na gaveta.

Grupos Globo e RBS lideram entre os +Premiados do Ano e da História

O Ranking dos +Premiados da Imprensa Brasileira, que apontou nas últimas semanas os profissionais e veículos de comunicação que mais conquistaram prêmios de jornalismo em 2019 e na história, chega nesta edição ao seu último recorte: o dos Grupos de Comunicação. Maior conglomerado de mídia do Brasil, o Grupo Globo segue isolado na primeira colocação tanto do recorte histórico quanto no de 2019, e em ambos os casos tem a RBS, sua afiliada no Rio Grande do Sul, na segunda colocação.

O terceiro lugar no levantamento dos +Premiados do Ano ficou com a Rede Record, que se valeu do ótimo desempenho de sua principal emissora de TV em 2019, enquanto que no recorte histórico os Diários Associados mantiveram-se na posição pelo segundo ano consecutivo.

Confira os resultados na edição 1.241 do Jornalistas&Cia.

Mercado formal do jornalismo encolhe em SP, diz pesquisa

O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) fez para o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) um relatório sobre os efeitos da crise no jornalismo para os profissionais da área. Segundo o estudo, que analisou dados de 2004 a 2018, o número de jornalistas com carteira assinada vem diminuindo desde 2013: Em 2018, foram registrados aproximadamente 13 mil profissionais, número que corresponde a uma redução de 20% do total de empregos com carteira assinada registrados em 2013 (pouco mais de 16 mil – maior número registrado no estudo).

A pesquisa aponta que o setor mais afetado é o de Jornais e Revistas, cujos empregos diminuíram drasticamente: Desde 2013, quando existiam aproximadamente três mil empregados, o segmento perdeu mais de dois mil empregos, e em 2018 registrava apenas 1.173 jornalistas com carteira assinada na área. O setor de Rádio e TV é o que mais se manteve estável em relação ao número de empregos registrados.

A função com maior índice de registro em carteira é a de editor (23%). Com apenas 4%, repórteres de Rádio e TV e produtores de texto representam os menores índices. Outro dado relevante é que a maioria absoluta dos profissionais atua em empresas privadas, cerca de 76% do total. O setor público corresponde a aproximadamente 10%.

Confira a pesquisa na íntegra.

BBC cortará 450 postos de trabalho no jornalismo

A BBC anunciou nesta quarta-feira (29/1) centenas de demissões em sua divisão de notícias, como parte da mais dolorosa redução de custos dos últimos tempos. Serão cortados na BBC News 450 postos de trabalho, o que visa a economizar 80 milhões de libras até 2022. Ainda não se sabe se os cortes atingirão a empresa no Brasil.

“A ideia é reunir equipes de apuração e produção dos vários programas, que hoje funcionam de forma isolada e com muita redundância, pequenos feudos”, analisa Luciana Gurgel, colunista deste Portal dos Jornalistas que vive em Londres. “É uma pena, mas empresarialmente faz sentido, principalmente no momento em que eles precisam fazer algo para se defender na questão da taxa.  Vai ser interessante observar se vão ficar apenas no jornalismo, ou vão tesourar também o entretenimento, que é onde tem mais gente, mais feudos e maiores salários”.

Segundo Luciana, o mais importante disso é o que está nas entrelinhas: “A mudança do modelo de broadcasting para o modelo digital, que está lá no meio do comunicado. Que demanda menos gente, menos equipamento, menos tempo de edição. É claro que o sistema de pool para os programas que ficam na grade da TV é uma forma de economizar muitos postos. Mas penso que é mais do que isso. É uma adaptação ao mundo em que vai ter mais gente consumindo notícias por meio digital do que assistindo TV. Estamos no meio de uma revolução”.

Luciana abordou a crise da BBC na semana passada, em sua coluna na edição 1.240. Confira!

O Povo refaz percursos da primeira expedição científica só com brasileiros

Após 160 anos da Imperial Comissão Científica e Comissão Exploradora das Províncias do Norte – mais conhecida como “Comissão das Borboletas” –, O Povo refez os percursos dessa que foi a primeira expedição científica formada só por brasileiros (entre 1859 e 1861). O objetivo foi, segundo o jornal, “buscar as histórias, os vestígios, as transformações e os saberes de hoje, produzidos por quem se debruça, nas universidades, sobre o que produziu a comissão no século XIX. E também o conhecimento da própria gente do povo, naturalistas de hoje, formados pela experiência”.

O resultado começa a ser publicado com o primeiro volume de Expedição Borboletas – Quando a ciência brasileira descobriu o Ceará, disponível em diversas plataformas: online (http://especiais.opovo.com.br/borboletas), webdoc e vídeos (YouTube) e Instagram (#ExpediçõesBorboletas). Confira bastidores e mais informações nos stories.

Kennedy Alencar será correspondente da CBN nos Estados Unidos com novo boletim diário

Kennedy Alencar

A partir de 3/2, Kennedy Alencar comandará na CBN uma nova coluna, diretamente de Washington: Pastoral Americana, para cobrir as eleições à Presidência dos Estados Unidos. O nome do boletim é inspirado no livro de mesmo nome do escritor Philip Roth, que ganhou um Prêmio Pulitzer em 1998.

“Depois de acompanhar a crise política brasileira nos últimos anos, será interessante cobrir uma eleição americana disputada entre Donald Trump, um exemplo clássico de masculinidade tóxica, e o candidato ou candidata democrata que será escolhido nas primárias”, escreveu Alencar em sua coluna no iG.

Pastoral Americana irá ao ar de segunda a sexta, sem horário definido, durante a programação da CBN. O comentarista despediu-se de sua coluna A Política como ela é em 16/1, afirmando que ela ficará “arquivada por um bom tempo”.

UOL estreia podcast sobre corrupção no futebol

O UOL estreou nesta terça-feira (28/1) o podcast Futebol Bandido, que discute escândalos de corrupção dentro do futebol no Brasil e no resto do mundo, como a organização da Copa do Mundo de 2014, João Havelange na Fifa, contratos obscuros envolvendo grandes craques do futebol mundial, entre outros.  

Fazem parte da equipe especialistas na cobertura de corrupção no futebol: Juca Kfouri, responsável pela denúncia da máfia da loteria esportiva nos anos 1980; Rodrigo Mattos, que ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva, ambos em 2012; e Jamil Chade, eleito o melhor correspondente brasileiro no exterior pelo Comunique-se.

O podcast terá oito episódios, lançados às terças-feiras, destacando bastidores, investigações jornalísticas, entrevistas e análises de personalidades corruptas. O episódio de estreia traz a história de Ricardo Teixeira, cartola que, em meio a polêmicas e casos obscuros, ascendeu à Presidência da CBF, até sua queda em 2012, devido a investigações internacionais. Segundo a reportagem, uma curiosidade é que Teixeira não gostava de futebol: “Ele não assistia aos jogos”, relata Rodrigo Mattos. “O Blatter (ex-presidente da Fifa) pelo menos gostava e assistia. O Ricardo Teixeira não assistia aos jogos de futebol. Às vezes, ia à final da Champions League ou Copa do Mundo e ficava vendo um tablet”.

Confira o podcast Futebol Bandido.

Últimas notícias

pt_BRPortuguese