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Pela culatra: Justiça derruba censura prévia e reportagem da RBS TV ganha destaque no Fantástico

Liminar impediu por 11 dias as divulgações do nome e imagem da comerciante gaúcha Ana Paula Brocco

Após 11 dias de censura prévia, a desembargadora Maria Isabel de Azevedo Souza, da 19ª Câmara Cível do TJ do Rio Grande do Sul, derrubou em 26/6 a liminar que impedia a exibição de uma reportagem de Giovani Grizotti, para a RBS TV, sobre pessoas que receberam irregularmente o auxílio emergencial do Governo. A magistrada reconsiderou sua decisão inicial, que mantinha a censura imposta pelo juiz Daniel da Silva Luz, da comarca de Espumoso, no noroeste do Estado.

A liminar impedia que o nome e a imagem da comerciante Ana Paula Pagnussatti Brocco, também de Espumoso, fossem divulgados, sob pena de multa de R$ 50 mil. A reportagem mostrava que Ana Paula havia sacado o benefício de R$ 600,00, mesmo esbanjando em suas redes sociais inúmeras fotos de viagens internacionais, em hotéis de luxo, além de estar com casamento marcado para o fim do ano, no Caribe.

Com a derrubada da liminar, o material foi exibido em 28/6 pelo Fantástico, da TV Globo, em uma reportagem especial com mais de 12 minutos de duração, e que mostra que mais de 620 mil pessoas receberam o auxílio emergencial sem terem direito, segundo o TCU. Além de Grizotti, assina a reportagem Mahomed Saigg.

Marcelo Rech

“Vimos com tristeza e preocupação ter sido concedida uma liminar na Justiça estabelecendo a censura prévia, que é claramente vedada pela Constituição e imaginávamos sepultada”, disse Marcelo Rech, vice-presidente Editorial e Institucional do Grupo RBS, em entrevista ao Coletiva.net. “Apesar de trabalho intenso das áreas jurídicas para liberar a reportagem, por 11 dias o público foi proibido de tomar conhecimento de um conteúdo de alto interesse público. Felizmente, como não podia deixar de ser, a censura acabou sendo derrubada na própria Justiça”.

Prêmio CICV de Cobertura Humanitária tem categoria especial e espaço para reportagens sobre o coronavírus

Crédito: Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV)

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) realiza a quarta edição do Prêmio CICV de Cobertura Humanitária, que visa a valorizar e incentivar a produção de reportagens e trabalhos jornalísticos sobre temas humanitários. Além da tradicional categoria CICV de Reportagens e Documentários, a edição deste ano traz como novidade a categoria ACNUR 70 anos, para trabalhos sobre refugiados e apátridas atendidos pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), que em 2020 completa 70 anos de existência.

O prêmio também aceitará trabalhos sobre o impacto da Covid-19, que devem ter como foco o Brasil; nos demais temas, o foco é internacional. As inscrições começam nesta quarta-feira (1º/7) e vão até 1º de setembro. Os vencedores das duas categorias, que serão anunciados em novembro, ganharão uma viagem no primeiro trimestre de 2021 com despesas pagas e agenda organizada para cobrir uma realidade humanitária onde o CICV ou o ACNUR tenha atuação. Caso não haja condições sanitárias para realizar a viagem, o prêmio será revertido em dinheiro. O segundo e o terceiro lugares da categoria principal receberão prêmios em dinheiro.

Pare ler o regulamento completo, acesse o site do prêmio.

Repórteres sem Fronteiras anuncia programa de apoio a mídias independentes brasileiras

A OnG Repórteres sem Fronteiras, por meio do Programa de Apoio ao Jornalismo (PAJor), anunciou que apoiará durante três anos uma rede de oito veículos independentes de comunicação brasileiros. O projeto reúne organizações de quatro estados: Amazônia Real e Rede Wayuri (Amazonas), Ação Comunitária Caranguejo Uçá e Marco Zero Conteúdo (Pernambuco), Data_labe e Fala Roça (Rio de Janeiro), e Alma Preta e Nós, mulheres da periferia (São Paulo).

Segundo a entidade, os veículos selecionados vêm exercendo papel decisivo na mobilização em torno da defesa dos direitos humanos e na divulgação da cultura periférica, representando a garantia do direito à informação para camadas da população que estão à margem dos processos de comunicação hegemônicos. Entretanto, esse trabalho, de acordo com a RSF, vem trazendo como contrapartida um clima de insegurança para os jornalistas, uma vez que a polarização do debate político no País tornou seus comunicadores alvo recorrente de ameaças, assédio digital e agressões físicas.

“Na última década, mais de 40 jornalistas foram assassinados no Brasil”, ressalta Emmanuel Colombié, diretor do escritório para a América Latina da RSF. “O que vemos hoje é um ambiente cada vez mais hostil à prática do jornalismo. Comunicadores são frequentemente ameaçados e assediados por estarem realizando seu trabalho, afetados diretamente por um discurso oficial por parte do governo que estigmatiza a profissão”.

Para combater essa situação, o PAJor seguirá uma lógica de colaboração e apoiará os veículos na elaboração de protocolos de segurança digital e física. Também serão promovidas oficinas sobre desenvolvimento institucional e sustentabilidade financeira, voltadas para o fortalecimento de cada mídia enquanto organização. O debate sobre liberdade de expressão será transversal aos três anos de projeto, com a realização de rodas de conversas e conferências sobre o tema. O programa prevê ainda intercâmbios entre os grupos participantes e a produção de reportagens em parceria.

O Programa de Apoio ao Jornalismo faz parte da iniciativa internacional Defending Voices, desenvolvida em parceria com a Repórteres sem Fronteiras Alemanha e financiada pelo Ministério da Cooperação e Desenvolvimento alemão. A iniciativa também inclui um braço de atuação no México, organizado pela ONG Propuesta Cívica. Brasil e México, a propósito, são dois dos países mais perigosos para se praticar jornalismo no continente americano. O México ocupa a 143ª posição, enquanto o Brasil está em 107ª entre os 180 países listados no Índice Mundial de Liberdade de Imprensa publicado em 2020 pela RSF.

Conheça os projetos apoiados pelo PAJor:

  • Ação Comunitária Caranguejo Uçá: Desde 2002, a organização atua na Ilha de Deus, comunidade da grande Recife, reivindicando direitos básicos como acesso a educação e serviços de saúde. Comunica suas demandas por meio de uma rádio comunitária, de um telejornal exibido via internet e emissora pública, e ainda promove ações culturais ligadas a cinema, teatro e música.
  • Alma Preta: Agência especializada na temática racial no Brasil. Fundada em 2015, produz reportagens, colunas, análises, audiovisuais e ilustrações, e ainda divulga eventos da comunidade afro-brasileira. Tem como objetivo construir um formato de gestão de processos, pessoas e recursos por meio de um jornalismo que evidencie as desigualdades de raça.
  • Amazônia Real: Agência voltada à democratização e ao acesso à comunicação na Amazônia, a partir da valorização de grupos sociais que estão na invisibilidade ou de temas poucos explorados na mídia nacional. Desde 2013, produz reportagens, artigos, infográficos, fotografias e vídeos/documentários sobre temas como proteção ambiental; mudanças climáticas; povos indígenas e tradicionais; conflitos agrários; política; economia; migrações; e defesa dos direitos humanos, das crianças, dos adolescentes e das mulheres.
  • Data_labe: Laboratório que trabalha paralelamente com jornalismo; formação; monitoramento e geração cidadã de dados. Nasceu em 2015 na favela da Maré e desenvolve reportagens, consultorias, relatórios analíticos, oficinas e eventos que levam em conta as potências e complexidades dos territórios populares e de seus moradores.
  • Fala Roça: Jornal feito por e para moradores da Rocinha, favela carioca considerada a maior do Brasil. Criada em 2013, a publicação trabalha questões de identidade, representatividade, cultura e direitos humanos através da comunicação. Ampliou sua produção com narrativas em vídeo, sempre buscando combater visões estereotipadas do território.
  • Marco Zero Conteúdo: Organização de Recife, fundada em 2015, que aposta na produção de conteúdo que dê destaque a temas de interesse público invisibilizados pela grande mídia. Aborda questões relacionadas a direitos humanos, democracia, identidade, gênero e direito à cidade. Suas pautas contemplam ainda grupos de territórios periféricos, ao falar sobre a perda de direitos, a violência praticada por agentes públicos e ao acompanhar demandas como o direito à moradia e à livre manifestação.
  • Nós, mulheres da periferia: Coletivo jornalístico formado por mulheres da periferia de São Paulo. Lançou-se como portal de notícias em 2014 e hoje atua nas mais diferentes plataformas de comunicação. Sua meta é construir narrativas mais humanas e contextualizadas, dialogando com a tríplice gênero, raça e classe social, tendo a periferia como território e suas moradoras como protagonistas.
  • Rede Wayuri: Iniciativa que surgiu em 2017 a partir da necessidade de melhorar a comunicação e a circulação de notícias na região do Rio Negro. Mensalmente, a rede publica boletins de áudio feitos com a participação de comunicadores dos diversos territórios indígenas que fazem parte da região. Os boletins são, por muitas vezes, gravados nas línguas originais dos comunicadores e traduzidos para o português.

UOL e TV Cultura formam parceria de conteúdo

O UOL e a TV Cultura anunciaram nesta segunda-feira (29/6) uma parceria de conteúdo, pela qual todos os trabalhos, reportagens, debates e informações em geral publicadas na emissora serão disponibilizados no UOL.

Em comunicado, a TV Cultura destacou crescimento de 239% em suas plataformas digitais em comparação a 2019. José Roberto Maluf, presidente da Fundação Padre Anchieta, controladora da TV Cultura, disse que “a nova parceria fortalecerá ainda mais essas duas importantes marcas, consagradas pela credibilidade, por seus conteúdos relevantes e por um jornalismo plural e isento, que prioriza o debate e a informação de interesse de todos”.

Com a parceria, o site da TV Cultura passa a ficar integrado ao conteúdo do UOL. Vale lembrar que o portal já exibia ao vivo o programa Roda Viva.

Folha lança campanha em defesa da democracia

Crédito: Evandro Teixeira

A Folha de S.Paulo lançou em 27/6 uma campanha publicitária em defesa da democracia. O comercial foi ao ar no mesmo dia, durante o intervalo do Jornal Nacional, da TV Globo. O objetivo do projeto é relembrar os acontecimentos da ditadura militar e destacar a importância da democracia e da preservação das instituições democráticas. É também uma homenagem ao jornal, que completa 100 anos em fevereiro de 2021.

O comercial usa a foto de um estudante sendo perseguido por um militar em Cinelândia, no Rio de Janeiro. A fotografia foi tirada pelo até então fotógrafo do Jornal do Brasil Evandro Teixera, em 21 de junho de 1968, e tornou-se um símbolo contra a ditadura militar.

A narração da campanha convida o povo brasileiro a usar a cor amarelo em defesa da democracia. O uso de pontos brancos é uma homenagem ao comercial Hitler, premiada campanha publicitária da Folha de 1988 que utilizava os mesmos pontos brancos, e conforme a imagem vai abrindo, o rosto do ditador nazista é revelado.

A Folha divulgou no domingo (28/6) uma pesquisa Datafolha que indicou que 75% dos brasileiros apoia o regime democrático. Também como parte da campanha em defesa da democracia, o jornal lançou um curso de quatro aulas digital e gratuito sobre o período militar no Brasil e começou nesta segunda-feira (29/6) uma série de lives sobre o assunto. O projeto durará a semana inteira, e abordará temas como o Ato Institucional nº 5 (AI-5), o papel da imprensa durante o regime ditatorial e a possibilidade de uma nova ditadura no Brasil.

O tema da primeira live foi as origens do golpe militar de 1964, e por que ele ocorreu. O debate, mediado pela repórter Fernanda Mena, contou com a participação de Oscar Pilagallo, autor do livro Folha Explica a História do Brasil no Século 20, e Ingrid Fernandes, da Agência Mural.

As lives vão ao ar às 11h, no site da Folha e no canal do jornal no YouTube. Confira a programação completa:

Terça-feira (30/6): Por que tudo piorou com o AI-5, em 1968?

Janio de Freitas − Colunista da Folha, recebeu prêmios como o Esso e o Internacional Rei de Espanha.

Quarta-feira (1º/7): A imprensa foi muito censurada durante a ditadura?

João Montanaro − Chargista da Folha

Quinta-feira (2/7): Por que nós, brasileiros, sabemos tão pouco sobre a ditadura?

Maria Rita Kehl − Psicanalista e escritora, integrou a Comissão Nacional da Verdade

Maria Bopp − Atriz e roteirista, faz vídeos em que interpreta a personagem Blogueirinha do Fim do Mundo

Sexta-feira (3/7): Estamos próximos de um novo regime autoritário?

Flavia Lima − Ombudsman da Folha

Tabata Amaral − Deputada federal (PDT) e colunista da Folha

Renúncia de editor do NYT evidencia que leitores não diferenciam notícia de opinião

Crédito: Joe Raedle / Getty Images

Kevin Lerner, professor assistente de jornalismo no Marist College, dos EUA, escreveu um artigo que tenta explicar a diferença entre opinião e notícia, e mostra que essa distinção é feita facilmente por jornalistas, mas leitores não conseguem percebê-la.

Ele usou como exemplo a recente renúncia do editor de Opinião do New York Times James Bennet, após a publicação de um artigo controverso assinado pelo senador Tom Cotton, que defendia o uso da força militar para reprimir protestos. O texto foi alvo de diversas críticas por parte dos leitores, direcionadas ao jornal e não ao autor do artigo. Tais críticas provocaram a saída de Bennet.

Lerner explica que “é um princípio do jornalismo norte-americano que os repórteres que trabalham para as seções de notícias dos jornais permaneçam totalmente independentes das seções de opinião”. O artigo também faz um histórico da editoria de Opinião nos veículos, e reitera o papel da tecnologia e da internet, que, por conta da grande quantidade de informações compartilhadas, acabam aumentando essa dificuldade em distinguir o que é notícia e o que é opinião. Também alerta para os cuidados que os editores devem tomar para deixar bem clara para os leitores essa distinção.

Leia o artigo na íntegra em português, traduzido pelo Poder360.

A TV-relâmpago do Jornal do Brasil

Reprodução de chamada da novela

Por Eduardo Brito

No seu período áureo, os gloriosos tempos da condessa Pereira Carneiro e de Nascimento Brito, o Jornal do Brasil teve duas chances de criar sua emissora de televisão. Era um sonho, mas o custo, tanto financeiro quanto político, parecia alto demais. Não deu certo. O JB só teria sua televisão quase quarenta anos depois, em 2007, quando o jornal e os ativos que restavam foram assumidos pelo empresário Nelson Tanure, com o nome de Companhia Brasileira de Multimídia.

A essa época, Tanure falava em lançar um novo jornal impresso, de circulação nacional, a partir de sua sede em Brasília. Ficava em um andar do Brasília Design Center, em um belo espaço herdado da Gazeta Mercantil, também incorporada por Tanure na nova CBM. O objetivo do empresário, ao criar a CBM, era escapar do elevado passivo trabalhista deixado pelos antigos donos do JB e da Gazeta. Não conseguia: na Justiça do Trabalho, perdia todas as ações. O novo veículo seria mais uma tentativa de escapar disso tudo.

O conjunto de salas, com ampla vista para o Parque da Cidade, fora redesenhado e comportava duas redações. A primeira reunia os repórteres das edições nacionais do JB e da Gazeta. A segunda abrigava o time da Edição Brasília do JB, que tinha faturamento garantido por conta de contratos locais, evidentemente com grande parcela de dinheiro público.

O projeto nacional teria, de início, a coordenação da jornalista Belisa Ribeiro, mas foi interrompido e, tempos depois, ressurgiu com o empresário Pedro Grossi, um insighter governamental enviado por Tanure a Brasília para desatar nós pendentes – não só dos jornais, vistos pelo empresário como peanuts, mas de brigas de gente grande, como a Companhia Docas e a Oi, também controladas por ele.

Aparentemente do nada, Pedro Grossi comunicou à equipe, de repente, que uma rede nacional de TV começaria a funcionar ali. Quando? Já. Explica-se: após conversas privadas, Tanure acertara com Flávio Martinez, dono da Central Nacional de Televisão, a transferência de sua rede. Falava-se até em compra, mas não era bem isso. A CNT também tivera seus tempos áureos, quando dirigida pelo deputado José Carlos Martinez, presidente nacional do PTB e um dos principais sustentáculos de Fernando Collor, então instalado no Planalto. Chegou a funcionar como rede nacional, a partir de Curitiba, em canais de sua propriedade e outros afiliados.

À queda de Collor seguiu-se a do avião particular que transportava o deputado e a programação se desfez. A CNT passou a alugar seu tempo para igrejas, produtores independentes e, principalmente, canais de vendas. O que Tanure e Flávio Martinez, irmão do falecido José Carlos, acertaram foi um arrendamento. O sinal da CNT foi cedido a Tanure, de início na faixa horária a partir das 18h, diariamente. Ao que se informou, o custo seria de R$ 3 milhões por mês, pagos no início do seguinte, com um de carência.

A redação de Brasília se transformou. De um dia para outro ficou superlotada. Até a contratação da TV, contava com apenas 22 funcionários: 12 da edição brasiliense, aí incluídos estagiários, cinco repórteres do JB e três da Gazeta, mais dois da administração. De repente, materializaram-se mais 60 pessoas, entre repórteres da TV, câmeras, contatos publicitários e até um diretor comercial que posava de mandachuva daquilo tudo. O âncora já contratado era Boris Casoy, que não iria a Brasília, mas conseguiu incorporar antigos integrantes – todos excelentes profissionais – de sua equipe anterior.

A nova programação, já com o selo JB, estreou em abril de 2007. O telejornal, só uns meses mais tarde. A sede, no Rio de Janeiro, ficava em estúdios da própria CNT, mas havia sérios problemas com transmissões e sinal, o que contribuiu para manter a emissora no traço durante a maior parte de sua curta vida. No entretenimento, Clodovil ficou algum tempo no ar, mas acabou demitido; Sérgio Mallandro, contratado, nem chegou a estrear. Arranjou-se até uma novela, de origem lusitana, Coração Navegador (O Segredo, no título original).

O forte mesmo era o jornalismo, apresentado por Boris Casoy a partir do Rio, com alguma produção local e a maior parte feita pela frenética equipe de Brasília. Havia ainda um talk show com Augusto Nunes. Mesmo com as dificuldades de sinal, era o jornalismo que garantia alguma repercussão à TV JB.

Tudo esbarrou, porém, no pagamento da locação. Passou-se o primeiro mês, o da carência. Quando se chegou ao terceiro, a CNT começou a reclamar de atraso. No quarto, falou em calote. Em agosto, Martinez desistiu do contrato e pediu judicialmente sua rescisão. No dia 6 de setembro desligou a tomada. A TV Jornal do Brasil simplesmente saiu no ar. A turma do jornalismo deixou a sucursal como chegou, num estalar de dedos.

O epílogo é conhecido. A edição brasiliense do Jornal do Brasil, assim como a sucursal JB-GZM na capital, desapareceu em dezembro de 2008. A edição nacional, com sede no Rio, resistiu até setembro de 2010.

No caso da TV foi pior para quem seguia a novela Coração Navegador. Nunca se soube como ela terminaria. Acabou ficando mesmo O Segredo.

Eduardo Brito

A história desta semana é novamente uma colaboração de Eduardo Brito, editor executivo no Grupo JBr de Comunicação.


Tem alguma história de redação interessante para contar? Mande para [email protected].

Pública lança projeto colaborativo para investigar mortes por Covid-19

Arte: Bruno Fonseca e Larissa Fernandes / Agência Pública

A Agência Pública lançou o projeto Histórias que Contam, investigação participativa que convida os leitores a contarem histórias de familiares e conhecidos que morreram em decorrência do coronavírus. O objetivo é produzir reportagens especiais baseadas nestas informações, para investigar as circunstâncias em que estas mortes ocorreram e contar a história das vítimas.

Para participar, é preciso responder ao questionário no site da Pública. As respostas ajudarão a verificar determinadas tendências em relação à subnotificação de mortes por Covid-19. As histórias das vítimas serão guardadas.

O projeto é coordenado pela repórter Anna Beatriz Anjos e pela editora de audiências da Agência Pública Giulia Afiune, que tiveram experiência com outros projetos de investigação participativa nos Estados Unidos. A ideia é trazer para o Brasil esse tipo de conteúdo, feito com a ajuda dos leitores, servindo como nova ferramenta para a elaboração de reportagens.

O coronavírus e os veículos de comunicação – XVI

Veículos independentes formam parceria para monitorar violência doméstica durante a pandemia

Ilustração: Hadna Abreu (Amazônia Real)

Amazônia Real, Agência Eco Nordeste, #Colabora, Portal Catarinas e Ponte Jornalismo formaram uma parceria colaborativa para monitorar a violência doméstica durante a pandemia de coronavírus, com o objetivo de dar visibilidade a esse “fenômeno silencioso”. O projeto Um vírus e duas guerras trará ao longo de 2020 diversas reportagens e dados sobre feminicídio durante o isolamento social.

A iniciativa fará um levantamento quadrimestral sobre violência doméstica. Os primeiros dados, obtidos entre março e abril deste ano, apontaram um aumento de 5% nos casos de feminicídio no País, em comparação ao mesmo período de 2019. Nesses dois meses, 195 mulheres foram assassinadas, contra 186 no mesmo período de 2019.

A pesquisa usou dados das secretarias de Segurança Pública de 20 estados. Nove deles registraram juntos um aumento de 54% nos casos de feminicídio. A média observada foi de 0,21 feminicídio a cada 100 mil mulheres. A taxa ficou acima da média em 11 estados.

Leia a íntegra da reportagem da Agência Eco Nordeste sobre a iniciativa.

Pesquisa da Fenaj mostra como a pandemia afeta os jornalistas

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou em 18/6 os resultados de uma pesquisa sobre os impactos da pandemia de coronavírus nos profissionais de imprensa nas redações, com ou sem vínculo formal de trabalho. Cerca de 55% dos entrevistados declararam aumento de pressão por acúmulo de tarefas, sobrecarga de horário e cobrança por resultados ocasionados pela pandemia.

Norian Segatto, do Departamento de Saúde da Fenaj, explicou que esse aumento de pressão está relacionado às reduções de salário e demissões, que atingiram boa parte das redações. Segundo os dados, houve redução salarial em cerca de 30% dos veículos, e demissões em 20% deles. Segatto disse que isso causa “sobrecarga para quem ficou, com consequente aumento da cobrança e pressão sobre os/as jornalistas”.

A pesquisa, que ouviu 457 profissionais de todo o País, indicou também uma contradição no que se refere à segurança dos profissionais: aproximadamente 79% dos participantes responderam que as empresas têm garantido condições de saúde e segurança para o exercício da profissão, mas apenas 17,5% consideram satisfatória a quantidade de equipamentos de proteção individual fornecida. Além disso, quase 48% dos entrevistados acreditam que as empresas poderiam melhorar as condições de trabalho durante a pandemia.

A presidente da Fenaj Maria José Braga declarou que “a pandemia agravou a situação que já era grave e, principalmente, em relação às condições de trabalho e salário, porque pode não ser maioria, mas é indicativo o contingente de profissionais que teve o salário reduzido, que é gravíssimo para qualquer trabalhador e ainda mais para um trabalhador que não tem um alto salário, como é o caso do jornalista. Ao contrário do que a maioria pensa, a categoria é mal remunerada e, em um salário já baixo, ter 25% de corte é muitíssimo grave”.

Com informações do Sindicato dos Jornalistas de SP.

RSF destaca projetos brasileiros entre os “heróis da informação” contra o coronavírus

A ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF) apresentou em 16/6 uma lista com 30 jornalistas, meios de comunicação e projetos de todo o mundo destacados como “heróis da informação” no combate à pandemia da Covid-19. São profissionais e plataformas que estão contribuindo para difundir informações confiáveis e vitais no contexto da crise sanitária. Entre os trabalhos reconhecidos, dois são brasileiros.

São eles o Gabinete de crise, projeto criado pelas organizações de mídia alternativa Papo RetoVoz das Comunidades e Mulheres em Ação para informar as populações negligenciadas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro; e a Rede Wayuri, que reúne 17 jornalistas de oito etnias da Amazônia para evitar a propagação do vírus na região e informar mais de 750 comunidades indígenas. A rede vem produzindo e traduzindo boletins informativos em áudio para diversas línguas nativas.

A organização também prestou homenagem especial a profissionais de imprensa de Guayaquil, primeiro epicentro da epidemia na América Latina. Até o final de abril, pelo menos 13 jornalistas do Equador haviam sucumbido à doença.

Outras iniciativas

Pesquisa da ECA “antecipou” o conceito de redação virtual jornalística

Com a pandemia e o consequente isolamento social, o local do trabalho do jornalista e de outros profissionais de comunicação foi deslocado para o ambiente digital. Contudo, esse processo de “virtualização” das atividades jornalísticas já havia começado e a pandemia tem acelerado essa transmutação.

Defendida no final de 2019, a dissertação A redação virtual e as rotinas produtivas nos novos arranjos econômicos alternativos às corporações de mídia, de Ana Flávia Marques, pesquisadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho, ensejou o conceito de redação virtual e seu impacto no jornalismo. O trabalho científico avança no desenho conceitual desse novo espaço de produção jornalística.

Para a pesquisadora, a redação é o espaço físico que permite o acompanhamento das transformações do jornalismo. Ela diz que ao olhar para os arranjos alternativos de comunicação foi possível identificar aspectos estruturais da virtualização desta atividade: “É o ambiente em que se modulam e se padronizam as relações de trabalho e é o local possível para se observar como esses jornalistas falam sobre no trabalho em termos ideológicos; como constroem valor de uso e de troca; e como se dão as novas formas culturais das relações de produção, bem como os valores mobilizados para o trabalho e o que levam do trabalho para a sociedade”.

A dissertação pode ser acessada aqui e de forma resumida em artigo aqui

O vírus versus nós

Estamos reproduzindo charges sobre a Covid-19 publicadas na exposição O vírus versus nós, em cartaz no site da Associação dos Cartunistas do Brasil. A desta semana é do brasileiro Custódio (José Custódio Rosa Filho), que desde 1988 faz charges, personagens, tiras e animações para agências de publicidade, sindicatos, revistas, jornais e canais de TV, inclusive do exterior.

Marketing de conteúdo faz jornalistas ganharem mais, diz pesquisa

O setor de marketing de conteúdo é a nova tendência do mercado jornalístico, segundo pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Dos 980 profissionais de imprensa consultados, cerca de 50% de repórteres e editores de redação que migraram para essa área tiveram aumento de salário.

A pesquisa indicou que a grande maioria dos jornalistas que integram o setor são mulheres (72%), com mais de sete anos de formação (70%), e que se concentram na região Sudeste (45%). Além disso, cerca de 46% dos integrantes de marketing de conteúdo vieram de redações.

Apesar de indicar um aumento na remuneração, o estudo indicou também alguns problemas para quem migrou para o setor, como o fato de que quase metade dos profissionais desempenham suas funções sozinhos, sem nenhum colega de profissão (48%). Outro problema identificado no estudo é a falta de formação, treinamento e especialização em marketing de conteúdo, dado que fica ainda pior pelo fato de que parte dos profissionais da área são freelances (22%).

O curso gratuito Estrategista de Marketing de Conteúdo no Instagram, do Berkeley Institute, visa a ajudar a resolver o problema, com dicas e ferramentas essenciais contidas em cartões educacionais que podem ser baixados a qualquer momento. Confira!

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