O Google lançou nesta sexta-feira (16/10) o Journalist Studio, espaço que visa a ajudar profissionais repórteres em seu trabalho, unindo tecnologia, eficiência, segurança e criatividade. O projeto apresenta duas novas ferramentas, segundo a empresa, “muito úteis para o jornalismo em geral”.
O Pinpoint possibilita que os profissionais examinem rapidamente vários documentos, identificando e organizando automaticamente as pessoas, organizações e locais mencionados com mais frequência. A ferramenta pode ser utilizada com PDFs digitalizados, imagens, notas manuscritas, e-mails e arquivos de áudio.
A ferramenta The Common Knowledge Project ajuda repórteres a compartilharem dados sobre questões importantes para suas comunidades locais. É possível produzir gráficos interativos em questão de minutos, incorporá-los em matérias e compartilhá-los nas redes sociais.
Profissionais de imprensa da RedeTV decidiram recusar os novos contratos de redução de vencimentos e jornada de trabalho impostos pela direção da empresa, pelo oitavo mês consecutivo. A decisão foi tomada em assembleia realizada em 14 de outubro.
Em carta publicada no site do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, eles reiteram que estão sendo “coagidos a assinar esses aditivos contratuais sob a ameaça e aceno de que quem não o fizer será demitido. (…) Muitos de nós, profissionais, já no vermelho pelos cortes anteriores nos salários, ficaremos ainda mais endividados com as reduções agora de novembro, dezembro e, eventualmente, do décimo terceiro”.
O texto destaca certas atitudes da RedeTV que, segundo eles, entram em contradição com as reduções de salários, “como as contratações milionárias de Luís Ernesto Lacombe e Sikêra Jr., além dos vários sorteios realizados pela emissora, publicidade, merchands, e engajamento nas redes sociais, que geraram aumento de caixa”.
“Nós, jornalistas da RedeTV, frequentemente, lutamos para manter a nossa função social de garantir informação à população brasileira, e muitas vezes nos desdobramos, com a situação no limite do caos e da falta de infraestrutura, com falta de equipamentos, jornadas reduzidas e equipes muito menores, para informar a população durante a pandemia. Nós nos posicionamos contra e recusamos qualquer nova redução que coloque ainda mais em risco a nossa função social de informar e que ameace o cumprimento do dever constitucional e da responsabilidade com a população que tem uma emissora, com concessão pública, como a da RedeTV”, diz a carta.
A Editora Abril avisou Paulo Zocchi que vai antecipar em dez meses o fim de sua liberação sindical, convocando-o a retornar à empresa a partir de 30 de outubro. Ele tem vínculo com a Abril, mas desempenha as funções de presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) e de vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
Em assembleia realizada em 15/10, mais de 40 profissionais de imprensa decidiram, por unanimidade, fazer uma campanha de denúncia contra a Editora Abril. O ato mobilizará diversos sindicatos de diferentes categorias, com publicações nas redes sociais e cartas direcionadas à empresa, explicando a necessidade de manter a liberação do presidente do sindicato até o prazo combinado.
Segundo o SJSP, “a atitude da empresa ataca o exercício do mandato sindical, pois a jornada normal de trabalho impede o desempenho pleno das atividades ligadas à Presidência da entidade. (…) A Abril está rompendo uma prática acordada desde os anos 1960 entre empresas de comunicação e o Sindicato dos Jornalistas, quando todos os presidentes do Sindicato começaram a ser liberados pelas empresas durante o mandato, mantendo os salários e os direitos recebidos no emprego”.
Nesta segunda-feira (19/10), haverá uma reunião para discutir estratégias e diretrizes da campanha de denúncia contra a Abril. É possível inscrever-se previamente por meio deste link.
Jornais impressos expostos na banca da rodoviária. 23-01-209. Foto: Sérgio Lima/PODER 360
Jornais impressos expostos na banca da rodoviária. 23-01-209. Foto: Sérgio Lima/PODER 360
O PoderData, divisão de estudos estatísticos do Poder360, divulgou uma pesquisa sobre credibilidade e características em geral da imprensa brasileira. Os números indicam que 61% dos entrevistados têm certa desconfiança das notícias veiculadas pelas empresas jornalísticas, classificando-as como “mais ou menos confiáveis”.
Vale destacar que esse número aumentou seis pontos percentuais desde a última pesquisa sobre o assunto, em agosto passado, na qual 55% achavam o trabalho jornalístico “mais ou menos confiável”. Apenas 16% disseram que as notícias publicadas pela imprensa são “muito confiáveis”, número que fica próximo aos 17% que as classificam como “pouco confiáveis”.
O PoderData identificou que participantes apoiadores do governo Bolsonaro duvidam mais da imprensa. Cerca de 34% daqueles que avaliam o presidente como “ótimo” ou “bom” classificam a imprensa como “pouco” ou “nem um pouco confiável”. Entretanto, 85% das pessoas que enxergam o governo Bolsonaro como “ruim” ou “péssimo” consideram a mídia como “mais ou menos” ou “muito confiável“.
Outro dado relevante da pesquisa é que 41% dos entrevistados usam veículos jornalísticos na internet como principal fonte de informação. TV e rádio são usados por 27%, redes sociais foram escolhidas por 16% e jornais impressos e revistas, por apenas 13%.
O Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor), em parceria com o Insper, lançou o Manual GPI Eleições 2020, que serve como guia para profissionais de imprensa e outros cidadãos interessados em temas sobre as eleições municipais.
O Manual oferece as informações e recursos necessários para cobrir as eleições de 2020, abordando temas como impostos, políticas públicas, ferramentas de gestão, transparência e prestação de contas, análise de dados municipais, entre outros.
O guia apresenta um Raio X dos Municípios, que compara cidades por meio de estatísticas sobre educação, habitação, meio ambiente, mobilidade, saúde e segurança. Há também seções dedicadas ao impacto do trabalho jornalístico durante eleições, à desinformação e a como as fake news prejudicam o debate público e a cobertura do tema.
FinCEN Files: matéria investigativa do BuzzFeed com participação de Poder360, Época e piauí (Crédito: Reprodução/BuzzFeed)
Em comemoração ao Dia Mundial da Notícia (World News Day), iniciativa da Fundação de Jornalismo do Canadá e do Forum Mundial de Editores, o site britânico journalism.co.uk compilou sete grandes trabalhos que marcaram 2020 até agora, sobre temas como a pandemia, o movimento Black Lives Matter e o meio ambiente. MediaTalks by J&Cia traz um resumo de todos eles e links para o conteúdo original.
E tem brasileiros na lista. Uma das matérias destacadas, publicada pela revista AreWeEurope, é assinada por uma jornalista brasileira, Fernanda Buriola, baseada em Bruxelas.
A lista inclui também a investigação liderada pelo BuzzFeed sobre os documentos financeiros vazados do tesouro americano, que teve a participação de Poder360e das revistas Épocae piauí.
O Radar Aos Fatos lança, em parceria com a Twist Systems, seu monitoramento público automatizado de desinformação no WhatsApp. Hoje, mais de 270 grupos públicos de discussão política são monitorados e mais de um milhão de mensagens são coletadas e analisadas todas as semanas em busca de padrões linguísticos e de imagens com potencial desinformativo.
O Radar Aos Fatos está em sua versão beta e continua em desenvolvimento. Até novembro, a empresa planeja expandir o número de grupos monitorados e implementar a análise de imagens, vídeos e links, fundamentais para a compreensão do panorama desinformativo que há no WhatsApp. (Veja+)
O Google lançou nesta quarta-feira (14/10) o Treinamento de Imersão em Produto para Redações de Pequeno Porte, que visa a ajudar pequenas redações a pensar em seus produtos e encontrar novos caminhos de sustentabilidade comercial.
Podem se inscrever no treinamento, gratuito, profissionais que trabalhem em redações com menos de 50 jornalistas no Brasil e em todos os países das Américas do Sul, Norte e Central. Não é necessário ter nenhum conhecimento prévio.
Ao longo de oito semanas, com início em janeiro de 2021, os participantes vão definir uma estratégia executiva, equilibrar as necessidades do usuário e as regras do bom jornalismo. Além da teoria, será possível colocar em prática o que foi aprendendido, em empresas jornalísticas de diferentes perfis.
As inscrições vão até 11 de novembro. O grupo de participantes será anunciado em dezembro. Inscreva-se!
A Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) divulgou nesta quarta-feira (14/10) os dados de um monitoramento para contabilizar todos os ataques feitos pelo presidente Jair Bolsonaro à imprensa nacional em 2020. De janeiro a setembro, foram 299 declarações ofensivas ao jornalismo. Os números indicam a média de 33 ataques por mês.
O levantamento levou em conta discursos do presidente, entrevistas, lives, declarações oficiais e postagens em redes sociais. Do total de ataques, 259 são classificados como descredibilização da imprensa, ou seja, investidas contra o jornalismo em geral ou contra um veículo específico; 38 casos são ataques diretos a um profissional de imprensa; e outros dois ataques a organizações sindicais.
A Fenaj preparou uma linha do tempo, que contém todos os ataques de Bolsonaro à imprensa em 2020 ordenados cronologicamente. Confira!
No livro The Fleet Street Girls, a jornalista Julie Welch relata as barreiras enfrentadas por mulheres para ocupar espaço nas masculinas redações britânicas, em uma época em que a discriminação era tamanha que os pubs das redondezas só atendiam a homens. Welch abriu caminho para profissionais como Katharine Viner, que comanda o The Guardian, e Roula Khalaf, editora-chefe do Financial Times.
Mas a representação das mulheres no jornalismo continua sendo um desafio, e não apenas como chefes. Cientistas e médicas têm sido citadas com muito menos frequência do que seus colegas do sexo masculino na cobertura do coronavírus, de acordo com estudos feitos em diversos países.
Seria simples se o problema estivesse apenas nas mãos da imprensa. No relatório Mulheres na Saúde Global, publicado em abril, o British Medical Journal contabilizou apenas 20% delas no comitê de emergência da OMS, embora respondam por 70% da força de trabalho global em saúde.
Registrou que não havia à época mulheres no comitê italiano; apenas 10% delas no grupo de saúde pública americano; e 22% no Sage, o time de assessoria científica do governo britânico. A entidade examinou 24 forças-tarefa nacionais contra o coronavírus e encontrou paridade de gênero ou mais mulheres do que homens em apenas três.
A imprensa acaba por refletir a baixa participação. Pesquisa feita pela City University encontrou 2,7 homens para cada mulher nas reportagens sobre a Covid-19 em veículos britânicos em março. A Universidade de Zurique calculou que havia apenas duas mulheres entre os 30 cientistas mais citados pela imprensa no país no primeiro semestre deste ano.
O mais abrangente estudo sobre o tema foi publicado em setembro. Comissionado pela Fundação Gates, examinou a cobertura online da pandemia em cinco nações − Reino Unido, Estados Unidos, Nigéria, África do Sul e Índia − entre 1º de março e 15 de abril. E apurou que:
As mulheres representaram19% dos especialistas citados nas matérias;
matérias com uma mulher como fonte traziam também três, quatro ou até cinco homens como entrevistados;
elas raramente foram retratadas como especialistas ou detentoras de poder, tendo aparecido mais vezes expressando opiniões pessoais ou como vítimas da doença;
a cobertura jornalística da pandemia privilegiou fatos, deixando menos espaço para um enfoque no ser humano, o que na opinião da autora do estudo, Luba Kassova, reflete melhor o interesse das mulheres.
Exemplo da predominância masculina entre os especialistas
Para aliviar a culpa da imprensa, o trabalho assinala a menor presença de mulheres no universo da política como uma das razões para o domínio dos homens, fazendo com que jornalistas tenham à disposição mais fontes masculinas. E faz recomendações para empresas jornalísticas equilibrarem o jogo, adotando procedimentos para elevar a presença de mulheres como fontes em suas reportagens.
Também na França estão sendo feitas recomendações à mídia, só que pelo Governo. Um levantamento publicado pelo Ministério da Cultura em setembro constatou o domínio masculino nas capas de jornais do país durante a crise – 83,4%. E formulou 26 orientações para as empresas de mídia equilibrarem a presença entre homens e mulheres em seu noticiário.
Médicas e cientistas reagem
Enquanto a igualdade não chega, há as que se intimidam e as que não deixam barato.
Em maio, um grupo de 35 cientistas publicou um artigo coletivo no site do The World University Ranking protestando contra o patriarcado na ciência. Elas se disseram “fartas” e classificaram os jornais de tendenciosos ao darem voz apenas aos homens, apesar de haver mulheres na linha de frente da Covid-19.
No Canadá o tempo esquentou durante uma entrevista na CBCNews sobre medidas de isolamento. A médica Nili Kaplan-Myrth reagiu com energia quando um colega que participava da entrevista disse que ela estava falando alto. Classificou o comentário de sexista e seguiu com a defesa de sua tese. Depois postou nas redes o protesto:
“NUNCA diga a uma mulher (profissional ou não) que ela não pode falar com autoridade. NUNCA diga que não somos preparadas o suficiente, especialistas o suficiente ou boas o suficiente. Temos a mesma autoridade para falar”.
Nili Kaplan-Myrth reage com energia durante a entrevista
Mais sobre as pesquisas que mostram a baixa presença de mulheres na imprensa (e no comando das redações) e as recomendações do relatório da Fundação Gates para as redações