Carine Pereira, que deixou a Rede Globo em 5/1, fez um desabafo no Instagram relatando que foi vítima de assédio moral dentro da emissora. Ela trabalhou no grupo por sete anos, foi apresentadora do Globo Esporte Minas de 2017 a 2019, e recentemente estava à frente Bom Dia Minas.
No vídeo publicado, ela contou que sofreu assédio de superiores, denunciou o ocorrido e foi “mudada de horário e de função” após realizar a denúncia na ouvidoria da empresa. Ela se sentiu a única prejudicada depois da denúncia.
“Enfrentei muito preconceito por ser mulher e por não ser desse meio”, declarou Carine. “No começo eram piadinhas dos colegas, algum tratamento diferenciado porque eu não era dali, mas depois foi o meu chefe. Ele dizia: ‘Ah, a Carina consegue essa exclusiva porque é mulher, tem o que você não tem, oferece o que você não oferece…’ Quando era colega, eu retrucava, mas quando era o chefe, não, porque era alguém que eu admirava. E as coisas foram piorando”.
Segundo Carine, ela e colegas resolveram entrar em contato com o RH, mas a ação não resolveu o problema: “Depois a gente fez uma denúncia na ouvidoria da empresa. Fui mudada de horário, de função. Para mim, as coisas pioraram. Eu era a única mulher dessa galera que denunciou e sinto que fui a única prejudicada”.
O Lance entrou em contato com a Globo, que comunicou que não comenta casos como o de Carina e reafirmou que os assuntos internos são investigados por uma equipe especializada.
Paulo Jeronimo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), enviou em 14/1 uma representação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Jair Bolsonaro por repetidos atentados cometidos por ele ao estado democrático de direito.
O documento destaca atos de incitação à violência e declarações públicas de Bolsonaro contra o sistema eleitoral, os partidos políticos e o próprio TSE: “Não se trata da primeira vez que o representado assaca aleivosias contra o sistema representativo brasileiro, devendo ser notificado para comprovar suas alegações, sob pena de incorrer em crime de responsabilidade”. A ABI relembra a fala de Bolsonaro de que as eleições de 2018 foram fraudadas e que somente foi eleito porque teve muito voto.
O texto cita também o comentário do presidente em relação à invasão do Capitólio nos EUA. Ele comentou que, “se nós não tivermos o voto impresso em 2022, uma maneira de auditar o voto, nós vamos ter um problema pior que os Estados Unidos“. Segundo a ABI, o comentário incentiva grupos radicais que o apoiam a atentar contra as instituições democráticas e republicanas.
Tijolinho era um dos repórteres esportivos mais queridos onde quer que trabalhasse. Com ele não tinha mimimi, era pra fazer, feito estava – gostava de dizer. Uma semana antes da decisão pelo título estadual entre Flamengo e Vasco, no Maracanã, o chefe o escalou para uma importantíssima pauta. Prevendo a vitória do mengão, o que acabou acontecendo, o editor começou a elaborar a cobertura das comemorações, sabidamente muitas. E mandou Tijolinho para o morro da Mangueira, onde, lhe avisaram, haveria um espetáculo de fogos de artifício comandado pela torcida rubronegra que morava na favela.
Antes de ir morro acima, Tijolinho ficou sabendo que precisaria “pedir licença ao homem”, o poderoso chefão da comunidade, que tinha o sugestivo apelido de Ricardo Coração de Leão. Achou melhor passar por lá uns dias antes, conhecer o ambiente, fazer uns contatos, essas coisas muitas vezes indispensáveis para o sucesso desse tipo de matéria. Passou por algumas biroscas, tomou umas cachaças “para dar coragem”, conversou com uns, com outros, até que ficou combinado: o encontro entre ele e “seu” Coração de Leão (ele gostava de ser chamado assim). Seria num lugar conhecido como Buraco Quente, onde funcionava a principal boca de fumo da Mangueira naquela época. Já meio cá meio lá por conta das cachaças, Tijolinho foi pontual. O traficante-chefe também não se fez de rogado.
Ricardo Coração de Leão chegou montado numa motocicleta poderosa. Trazia na cintura duas pistolas calibre 45, arma só permitida às Forças Armadas. Todo cerimonioso, Tijolinho explicou que precisava fazer umas fotos da torcida mangueirense comemorando o título do Flamengo. Precisava de sua autorização. Cheiradão, o homem tirou o capacete, virou-se para o repórter e, entre dentes, debochou: “Festa do Flamengo, é? Pois eu quero que você, seu patrão e seu jornal vão tomar…” Dito isso, ainda berrou: ” Eu só é Vasco. E já que você tá querendo um show pirotécnico, vai ter agora”. E puxou as pistolas da cintura, dando vários tiros para o alto, no que foi seguido pelos comparsas que, confusos, já não sabiam quem estava atirando em quem.
Os que assistiram à cena disseram mais tarde ao próprio Tijolinho que ele parecia uma perereca descendo o morro em meio ao tiroteio que se seguiu. Chegou na redação roxo de susto, mas inteiro. Ricardo Coração de Leão cumpriu pena no presídio de segurança máxima Bangu 3. Tijolinho faleceu no final dos anos 1990, deixando no setor um vazio que ainda não foi preenchido em jornal algum, dizem os que com ele conviveram.
Magda Almeida
A história desta semana é novamente uma colaboração de Magda Almeida. Carioca, hoje residindo em Porto Alegre, no Rio teve passagens por Jornal do Brasil (repórter especial e editora), Jornal da Tarde e O Estado de S. Paulo (repórter especial) e O Dia, onde foi ombudsman e criou e administrou o Instituto Ary Carvalho, braço social, cultural e de educação do grupo O Dia.
Tem alguma história de redação interessante para contar? Mande para [email protected].
A vacinação da enfermeira Mônica Calazans foi um marco histórico e sinaliza para dias melhores. Mesmo assim, o pensamento negacionista contra a vacina segue sendo difundindo, principalmente nas redes sociais. Não só aqui no Brasil, mas no mundo inteiro.
Com isso em mente, o Instituto Reuters para Estudos do Jornalismo divulgou um relatório consolidando o que se aprendeu em 2020 a partir das pesquisas sobre a relação do público com o noticiário sobre a Covid-19. Há boas reflexões para jornalistas e comunicadores empenhados em conscientizar a sociedade sobre medidas de controle e vacinas, como a necessidade de usar múltiplas plataformas, o risco da fadiga de notícias e as desigualdades no consumo de informações.
O estudo sugere evitar políticos como fontes e valorizar os grupos que emergem como altamente confiáveis e percebidos como capazes de ajudar a entender a crise, como autoridades de saúde, cientistas e médicos.
Nós acrescentamos mais um grupo à lista: os idosos. Itália, Reino Unido e França estão lançando mão deles para endossar a segurança da vacina. A Itália foi bem longe na ideia: escalou a Dona Fiorina Fiorelli, que com nome de flor completou em 12 de janeiro 108 anos e foi uma das primeiras a tomar a vacina para mostrar que não há o que temer.
Como Portal dos Jornalistas e Jornalistas&Cia adiantaram em dezembro, nos próximos meses a Redação do Valor Econômico e a Redação Integrada Infoglobo passarão por mudanças em suas estruturas. As alterações foram informadas em dois comunicados do diretor-geral Frederic Kachar.
Vera Brandimarte
No Valor, Vera Brandimarte, diretora de Redação desde 2003, deixará o cargo em abril. Até lá, vai focar em realizar a passagem da gestão para Maria Fernanda Delmas e depois continuará assessorando o jornal em novas iniciativas. Ela foi responsável por importantes projetos, como Valor PRO e Valor Investe.
Vera iniciou a carreira na Gazeta Mercantil, onde trabalhou por 15 anos em diferentes funções, incluindo a liderança das editorias de Agronegócio e Finanças, coordenação de editorias e foi chefe de Redação. Também passou por Jornal do Brasil, como repórter especial, editora de Economia, editora executiva e chefe da sucursal São Paulo; e O Estado de S.Paulo, onde atuou na Chefia de Redação. Em 1999, uniu-se a Celso Pinto e Carlos Eduardo Lins da Silva para conceber o Valor Econômico, lançado em maio de 2000.
Maria Fernanda Delmas, que desde 2017 atua como editora executiva de Integração da Redação Integrada, mudará do Rio para São Paulo e assumirá a posição de diretora de Redação do Valor. A transição ocorrerá até março.
Formada em Jornalismo pela UFRJ, ela iniciou a carreira na Gazeta Mercantil, em São Paulo. Foi repórter de Economia na revista IstoÉ e na sucursal do Estadão no Rio de Janeiro. Ingressou em O Globo em 2000 como repórter e foi editora de Economia. Por dois anos, atuou no mercado em outras atividades na área de comunicação e retornou para a Redação como editora executiva da Mesa Central.
Letícia Sander, que hoje responde pela Redação Integrada na sucursal São Paulo, mudará para o Rio para assumir as funções de Maria Fernanda na Mesa Central. O substituto de Letícia na sucursal de São Paulo será Renato Andrade.
Editores executivos
O grupo de editores executivos do Valor atuará em uma nova configuração a partir deste mês, com as saídas de Célia Franco, Pedro Cafardo e Cláudia Safatle, que fizeram parte do time fundador do veículo. Eles vão se dedicar a novos projetos, mas continuarão colaborando com o jornal.
Cláudia Safatle chegou ao Valor em 2000. Antes, passou por Gazeta Mercantil, Folha de S.Paulo e Jornal do Brasil, e foi assessora do Banco Central. Ultimamente liderava a redação em Brasília. Cristiano Romero mudará para Brasília e assumirá a função de diretor adjunto. Zínia Baeta, que vinha atuando como editora de Legislação, assumirá a posição de Cristiano como editora executiva.
Célia Franco iniciou a carreira em jornalismo na Folha de S.Paulo, onde foi repórter de Economia. Ficou por 20 anos na Gazeta Mercantil, onde atuou em diversas posições de chefia da redação e dirigiu a Gazeta Mercantil Weekly Edition, em Londres.
Sérgio Lamucci, editor de Brasil, será promovido a editor executivo e assumirá as funções de Célia. Pedro Cafardo começou a carreira como repórter da Folha de S.Paulo, onde foi também editor de Economia. Trabalhou em outros jornais, como a Gazeta Mercantil, onde atuou na editoria Nacional, e em O Estado de S. Paulo, onde foi editor-chefe. Foi também editor de Economia em outras publicações.
Robinson Borges, que atuava como editor do EU& Fim de Semana, substituirá Pedro na função de editor executivo.
A ADS Comunicação Corporativa comemora neste domingo (17/1) 50 anos de atuação. Com o sloganinovando desde sempre, a empresa informa marcar sua trajetória “com responsabilidade social corporativa, prevenção e gerenciamento de crises, programas de relacionamento com stakeholders, gestão de redes sociais, marketing digital, marketing de influência, eventos, entre outros.
Fundada por Antonio De Salvo, falecido em 2008, a ADS foi uma das primeiras a abrir portas em um mercado que na década de 1970 era praticamente desconhecido. Desde então, atendeu a centenas de clientes de todos os setores da economia e conquistou os principais prêmios nacionais e internacionais da categoria. Por seu quadro de colaboradores passaram alguns dos principais nomes do mercado de Relações Públicas e do Jornalismo do País.
Ingrid Rauscher, CEO da ADS, diz que a agência tem quatro pilares principais: “Compreensão do ambiente de mudanças que norteia a comunicação, a confiança de seus clientes, a capacidade da agência de oferecer soluções criativas e inovadoras e o talento de uma equipe de profissionais comprometidos com a entrega de resultados consistentes para os clientes”.
Lúcio Flávio Pinto (Crédito: Paulo Santos/Acervo H)
Ao escrever a J&Cia para corrigir um equívoco na divulgação dos rankings dos +Premiados Jornalistas da História, de que teria se aposentado – “Não me aposentei ainda. Continuo alimentando meus quatro blogs” –, Lúcio Flávio Pinto, que se mantém na liderança dos mais premiados da Região Norte, aproveitou para informar sobre os três livros que lançou nos últimos meses, todos em edição do autor: Cabanagem – O Massacre (354 páginas), Memória do Cotidiano, volume 12 (101 págs.) e O Inferno no Paraíso (136 págs.). Ele falou ao Portal dos Jornalistas sobre as obras:
Portal dos Jornalistas – Alguma razão especial para você lançar conjuntamente esses três livros?
Lúcio Flávio Pinto – Não. Minha vida sempre se condicionou pelo acompanhamento das conjunturas, por imposição profissional do jornalismo. Impôs tanto o meu interesse por questões específicas quanto o volume da minha produção. Lançar três livros em sete meses foi um fato aleatório. Produto das circunstâncias que me motivaram a publicá-los.
Portal – Eles são recentes ou foram escritos em épocas diferentes?
Lúcio – Memória do Cotidiano era uma publicação anual, tendo por base a seção com o mesmo título do Jornal Pessoal. Como o próprio nome deixa claro, é uma história com base nas coleções de jornais. Informações que costumam desaparecer nos arquivos e que coligi, rescrevendo as matérias.
O livro sobre a Cabanagem é produto de uma pesquisa que comecei em 1971. Era para ser uma edição em dois volumes. O primeiro, com a documentação primária sobre a revolta que eclodiu em 1835. O segundo, com a interpretação dos dados primários. Mas como perdi em dois acidentes tudo que escrevera, decidi antecipar o volume documental antes que ampliasse a perda (por causa da minha desorganização e das ondas conjunturais). Não sei quando conseguirei concluir o segundo volume. Se conseguir.
Já o Inferno no Paraíso é a sistematização dos textos que escrevi no meu blog sobre a violência na Amazônia, com ênfase na periferia da região metropolitana de Belém. Foi um projeto que teve o apoio do site Amazônia Real, de Manaus, coisa raríssima nas minhas empreitadas. Mais de 90% dos meus livros foram edições do autor.
Portal – São todos livros-reportagem?
Lúcio – Parte do material tem essa marca. Mas são, sobretudo, livros de jornalismo. Jornalismo que se estende ao trabalho acadêmico, como história, ciência política ou sociologia, em função da minha formação como bacharel em Sociologia.
Portal – Coletâneas de trabalhos que você já publicou ou textos inéditos?
Lúcio – O livro da Cabanagem não só é original como contém uma documentação inédita, publicada pela primeira vez, que existe no Arquivo Público do Pará, em Belém, um dos mais ricos do Brasil em história colonial e imperial. Um livro sobre a Jari, de 1984, também foi de material novo.
Portal – A Amazônia é o palco principal das três obras?
Lúcio – A Amazônia e o jornalismo, conectados ao Brasil e ao mundo.
Portal – Eles foram lançados em versão impressa e digital?
Lúcio – Só em papel. Respeito, admiro e uso do meio digital, mas minha opção preferencial quando se trata de livro é pela versão em papel. Sei que sou uma espécie em extinção, mas capricho para não desmerecer o museu que se interessar por mim.
Portal – Que comparações poderiam ser feitas entre os conteúdos das obras e o momento atual vivido pelo País e pela sociedade contemporânea.
Lúcio – A série de 12 livros sobre a memória do cotidiano, que continua no meu blog, após o fim do Jornal Pessoal, em dezembro de 2019, fundamenta-se na certeza que tenho de que a história aprisionada nas coleções dos jornais deve ser libertada desse confinamento. Mais do que útil, ela é valiosa, se vista com distanciamento crítico, mas respeitando o momento dos acontecimentos.
O livro da Cabanagem apresenta os protagonistas de uma revolta popular que, em choque com a repressão, ocasionou um massacre como não houve igual na história brasileira. Em vez de continuar a tratar os cabanos como um conceito abstrato, no livro eles aparecem conforme foram registrados pelo sistema que os prendeu ou matou. A sobrevivência de uma documentação de tal importância pelos autores do massacre é incrível. Só faltava alguém ler os registros, sistematizá-los e publicá-los. Foi o que fiz.
O Inferno no Paraíso retira a tarja sensacionalista da cobertura da imprensa sobre mortes na periferia da grande cidade e revela os personagens contemporâneos de uma tradição sanguinária e brutal deste país parquidérmico.
Portal – Onde podem ser comprados e quais os valores?
Lúcio – Infelizmente, só estão disponíveis em livrarias e bancas de Belém. Podem ser encomendados à maior delas, a Fox. Dois livros custam 30 reais e o da Cabanagem, o mais volumoso, R$ 50.
Portal – Que outras obras você já lançou?
Lúcio – Sinceramente, perdi a conta. Individuais, certamente mais de 30, sem contar participação em obras coletivas.
Mário Rezende, nascido em Pirassununga, no interior de São Paulo, desde cedo ouviu contar a história do isolamento de Hélio Fernandes na cidade. Agora, produziu o documentário Confinado, com 30 minutos, que traz os depoimentos de parentes e amigos sobre esse episódio na vida do jornalista e empresário.
Hélio Fernandes
Em 1962, Fernandes adquiriu o jornal Tribuna da Imprensa, que pertencia a Carlos Lacerda, e permaneceu à frente da publicação até 2008, quando encerrou as edições impressas. Em 1967, sem condenação judicial, foi enviado a Fernando de Noronha para um período de confinamento. Um mês depois, o governo militar transferiu Fernandes para um quartel em Pirassununga, tema do documentário.
Na opinião de Luís Erlanger, “um dos jornalistas mais vezes preso na história do Brasil, único julgado pelo STF (…), um grande polemista, implacável com outros veículos da imprensa (…), sua história profissional confunde-se com a própria história da briguenta e resistente Tribuna da Imprensa”.
A data de 11/1/1921 é considerada a oficial para as comemorações do seu centenário. Fernandes ainda escreve comentários de análise política em seu perfil no Facebook.
Rezende trabalha na Band e foi de Globo, SBT e Record. A notícia é de Mauricio Stycer, no UOL. O documentário pode ser visto aqui.
As palavras proferidas por Donald Trump no seu infame discurso na semana passada – “a imprensa é inimiga do povo” – são talvez a principal senha para aqueles que veem o bom jornalismo como um empecilho para seus desígnios: ajam agora. Palavras, como sabemos, têm consequências no mundo real. Assim como as tem o jornalismo investigativo, que expõe ilegalidade e crimes cometidos por pessoas que antes se achavam invencíveis.
Se lá nos EUA os seguidores de Trump pintaram em uma porta do Capitólio “assassinem a imprensa“, por aqui os agressores dos jornalistas têm se valido de estratagemas cada vez mais extravagantes para tentar nos calar. Ainda estamos na segunda semana do ano e notícias recentes já mostram que esse será um ano de muitas agressões aos jornalistas.
Esta semana a Repórter Brasil, nossa grande parceira em investigações sobre os malefícios dos agrotóxicos, sofreu uma série de ataques on-line que levaram o site a ficar fora do ar diversas vezes. Os atacantes enviaram uma chantagem anonimamente: ou a equipe apagava todos os arquivos dos anos de 2003 a 2005, ou o site permaneceria sob ataque.
A Repórter Brasil não cedeu, e em seguida os bandidos tentaram arrombar a sede da entidade. Organizações de defesa do jornalismo, como a Abraji, emitiram comunicados veementes exigindo uma investigação.
Aqui na Pública, temos recebido um tipo diferente de achaque de criminosos digitais. Desde o ano passado, e-mails falsos pedem que retiremos do ar a reportagem “O império de Isabel“, que detalha como a filha do antigo ditador de Angola, José Eduardo dos Santos, aproveitou o poder político do pai para, com empresas de fachada e informações privilegiadas, se tornar a mulher mais rica da África. A obsessão com essa reportagem demonstra a preocupação dos autores dos ataques com o fato de que a Pública é bastante lida pelos angolanos desde que investigamos a presença da Odebrecht naquele país.
O primeiro email vinha assinado como um editor do Le Monde, nosso parceiro na investigação transnacional sobre o vazamento dos e-mails de Isabel dos Santos coordenada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ). Dizia que estávamos violando o copyright sobre fotos deles e deveríamos tirar a matéria do ar.
O email era falso, segundo os próprios editores do Le Monde comunicaram ao ICIJ. A pessoa em questão jamais havia trabalhado no jornal francês.
Há algumas semanas, a turma voltou à carga, e dessa vez foi além: forjaram um email em nome de Tiago Mali, chefe de redação do site Poder 360, pedindo que a mesma reportagem fosse retirada do ar também por quebra de copyright. Comunicamos a equipe do Poder 360 e soubemos que também era falso. Trata-se de falsidade ideológica e fraude para silenciar a imprensa por uma coação.
As comunicações tentaram assustar nosso provedor de serviços digitais, uma empresa brasileira que se orgulha de seguir a lei, tentando afirmar que eles seriam responsabilizados pela pretensa ilegalidade. Queriam boicotar nossa infraestrutura.
Ainda bem, todos os parceiros da Pública entendem a importância do nosso trabalho e não vão ser intimidados. E nada disso vai nos calar.
A apresentadora Adriana Araújo deixará a Record TV em março, mês em que seu atual contrato se encerra. Segundo Sandro Nascimento, colunista do NaTelinha (UOL), a renovação é dada como “muito improvável” dentro da diretoria.
Adriana trabalhou por 11 anos no grupo Globo até chegar à Record, em 2006. Ela foi por 14 anos âncora do Jornal da Record, mas deixou o posto em junho de 2020 após criticar nas redes sociais o governo atual sobre a falta de transparência no combate ao coronavírus. Segundo o colunista do UOL, a postagem incomodou o alto comando da emissora, que busca evitar críticas ao presidente. Desde então, ela apresenta o Repórter Record Investigação.
Após o término do contrato, Adriana deve assinar com a CNN Brasil. Segundo apurou o NaTelinha, a apresentadora tem boas relações com a emissora e sua contratação é bem avaliada.