Hackeada em 8/10, a Record teve documentos sigilosos e dos funcionários vazados na Deep Web, zona da internet que abriga conteúdo ilegal.
Hackeada em 8/10, a Record teve documentos sigilosos e dos funcionários vazados na Deep Web, zona da internet que não pode ser detectada facilmente pelos tradicionais motores de busca, conhecida por abrigar conteúdos ilegais e imorais.
Por causa do ataque, a emissora perdeu o acesso a todo o acervo gravado, como reportagens, quadros e material histórico, bem como o acesso dos funcionários aos números do Ibope pelo celular. Os criminosos exigiram US$ 5 milhões em bitcoins (cerca de R$ 25 milhões) para devolver a chave de acesso.
De acordo com Ricardo Feltrin, do UOL, os hackers divulgaram uma planilha digitalizada com os gastos detalhados do grupo Record, bem como documentos sigilosos das receitas com publicidade e até do departamento jurídico da casa. Além disso, divulgaram passaportes dos funcionários.
O alerta do vazamento dos dados foi dado pelo investigador de crimes digitais @akaclandestine.
Ainda segundo Feltrin, o ataque sofrido pela Record teve o mesmo modus operandi do que vitimou a JBS em 2021. A empresa fez o pagamento de US$ 11 mi, mas mesmo assim os seus dados estão à venda na Deep Web.
A Record tinha até 15/10 para efetuar o pagamento e não o fez pois nada garantia que seus dados não fossem à venda mesmo após isso.
O Intercept Brasil anunciou na sexta-feira (14/10) que se separou da redação do Intercept nos Estados Unidos e que precisa de doações para dar continuidade ao trabalho. Segundo comunicado, o site precisa arrecadar cerca de R$ 500 mil até esta sexta-feira (21/10).
A nota explica que o Intercept Brasil contou com apoio financeiro da redação americana, que possibilitou a produção de reportagens e investigações arriscadas: “Um jornalismo contundente e destemido, que desafia os poderosos e gera impactos concretos para a sociedade. Por causa disso, tivemos acesso a advogados, tecnologia e segurança. Somos muito gratos pelos sacrifícios e por todo o apoio que recebemos ao longo desses seis anos”.
“Ao invés de apenas encerrar o trabalho do Intercept no Brasil, nossos colegas nos ofereceram a possibilidade de darmos continuidade a esse trabalho. Agora é a hora de seguirmos em frente de forma independente! (…) O Intercept pode ser forçado a fechar permanentemente se não conseguirmos levantar R$ 500 mil nos próximos sete dias. Este não é um alarme falso. Estamos realmente no limite, mas nosso fechamento pode ser evitado com doações de apoiadores como você, que estão prontos para lutar com a gente em nome do jornalismo realmente independente que enfrenta os poderosos!”, diz o comunicado.
Nessa nova etapa, o veículo será comandado por Andrew Fishman e Cecília Olliveira. O Intercept Brasil reitera que continuará sendo uma organização sem fins lucrativos, financiada por doações, e que tudo o que for arrecadado será investido em jornalismo.
Em tempos em que a liberdade de imprensa vem sendo ameaçada por recorrentes ataques de Jair Bolsonaro e de parte do seu eleitorado, a saúde mental dos jornalistas cobra seu preço. Além da realidade estressante inerente à profissão, o aumento exponencial das agressões apontadas nos relatórios produzidos, por exemplo, pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) constata que a ascensão do presidente foi determinante para o aumento dos casos, que triplicaram desde 2018, chegando a 430 ataques, em 2021. Este panorama contribui para o desgaste emocional da categoria que exerce uma das profissões mais propensas à Síndrome de Burnout.
“Eu estou com quase 40 anos de profissão e nunca vi isso na vida”, diz a jornalista Cristina Serra, colunista da Folha de São Paulo, se referindo ao que ela chama de “degradação” sobre o quadro geral da profissão com os recorrentes ataques à democracia. Ela destaca que os jornalistas têm trabalhado num ambiente hostil e de vulnerabilidade, sobretudo, os que cobrem a movimentação de Bolsonaro. A jornalista compara a situação atual do país ao período da ditadura militar, quando começou sua carreira. “Eu só fui voltar a conviver com o risco autoritário neste atual governo”.
O psicólogo Renê Dinelli atende pelo Sindicato dos Jornalistas do Ceará. Ele afirma que a cobertura da Covid 19 e a exposição ao contágio do vírus, somado ao trabalho de desfazer as fakes news sobre a atuação da vacina, causaram inúmeros adoecimentos. Nessas eleições de 2022, se intensificaram no consultório de Dinelli as queixas sobre a tentativa de cerceamento da imprensa, principalmente entre mulheres, expostas a uma política de desqualificação do seu trabalho.
Apoio das organizações é fundamental
Instituições como a Associação de Jornalismo Digital (Ajor) e a FENAJ tem dado apoio no fortalecimento da saúde mental dos profissionais de imprensa. O bem-estar nas redações foi tema de uma mesa do Festival 3i, realizado pela Ajor. A presidenta da FENAJ, Samira de Castro, explica que a federação orienta os sindicatos filiados a disponibilizarem atendimento psicológico, por convênio, aos associados, e a tomar algumas medidas como o respeito à carga horária especial, o pagamento de hora extra e a remuneração sem discriminação de gênero, raça ou orientação sexual, estabelecendo cláusulas sociais para jornalistas que são mães. Outro amparo vem da associação TORNAVOZ, que oferece suporte jurídico aos profissionais que sofrem restrição ao exercício de sua liberdade de expressão.
Dinelli percebe em seus pacientes uma desmotivação e o sentimento de desvalorização da função. “Muitos jornalistas têm trazido a ideia de democracia ameaçada de seu fazer, que acaba afetando a saúde mental e limitando o exercício da profissão”. E acrescenta. “O ideal é que a pessoa busque cuidados psicológicos e o fortalecimento da rede de apoio, inclusive entre a categoria, para que não somatize mais questões e denuncie no contexto coletivo”.
Estratégias para cuidar da saúde mental
Para dar conta desse período de forte pressão, Serra bloqueia as ofensas que recebe nas redes sociais e procura se desconectar nos finais de semana, desligando o celular e evitando ler notícias. A rede de apoio também é apontada como uma estratégia. “Com meus colegas eu procuro conversar, oferecer a minha solidariedade. Nós não estamos sozinhos”. A colunista incentiva a denúncia aos sindicatos e organizações que podem oferecer assistência jurídica. “A impunidade é um combustível. É importante registrar nas entidades e buscar proteção”. Serra acredita na importância da sociedade apoiar os jornalistas. “O direito a informação é um direito social e é importante que a sociedade entenda isso”.
Rosiane Freitas, CEO do Jornal Plural, de Curitiba, faz um desabado sobre a crise que estamos vivendo. “Eu sempre tive orgulho de usar meu crachá e hoje tenho medo de usá-lo em certos ambientes”. Apesar de tempos difíceis, Freitas encontrou algumas estratégias para cuidar da sua saúde mental e seguir na cobertura. Ela usa medicações, para o controle da depressão e ansiedade, e evita o contato com conteúdos políticos agressivos se não forem essenciais para o seu trabalho. A jornalista ressalta, ainda, o cuidado com a equipe. “Aqui no Plural nós temos uma política de checar como cada um está. Também liberamos o repórter da pauta sempre que necessário e estimulamos o pessoal a sair de vez em quando do hard news e cobrir outras coisas”.
Freitas pontua que sempre foi difícil cobrir política, mas que o bolsonarismo tem uma estratégia de sufocamento dos jornalistas, inclusive financeira, processando quem cobre o governo ou seus apoiadores. Nesse sentido, o Plural junto com 33 organizações jornalísticas assinaram um editorial contra a reeleição do atual presidente. O documento destaca, por exemplo, como a campanha de Bolsonaro atacou os pilares da democracia ao mirar na imprensa, no judiciário e na urna eletrônica. “A perspectiva de uma imprensa séria e livre se o Bolsonaro for reeleito é a pior possível”.
Encerrada a votação do primeiro turno, estão definidos os finalistas do Prêmio +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças. O concurso, criado em 2016 por este Jornalistas&Cia, conta com patrocínio de BTG Pactual, Deloitte, Gerdau, Grupo Nexcom (que estreia este ano) e Telefônica | Vivo, apoio de, LATAM, Portal dos Jornalistas e Press Manager, além do apoio institucional do IBRI.
Classificaram-se para o segundo turno 109 jornalistas, de um total de 400 indicados (aumento de 52% no número de indicações em relação a 2021, que foi de 261). São no total 49 veículos representados entre os finalistas.
Do total de 359 indicados, 79 veículos, programas e podcasts classificaram-se para o segundo turno. Os destaques foram site/blog, com 71 diferentes indicações, e podcasts, com 68. Vale lembrar que as categorias de veículos são Agência de Notícias, Canal Digital, Jornal, Revista, Podcast, Programa de TV, Programa de Rádio e Site/Blog.
Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), apresentou uma queixa-crime contra Guilherme Amado e Fábio Leite, hoje do portal Metrópoles, por reportagens publicadas em 2020 nas revistas Época e Crusoé. As matérias relatam interferência de Ramagem e da Abin em favor do senador Flávio Bolsonaro no caso das rachadinhas.
As reportagens citam a existência de relatórios supostamente produzidos pela Abin e pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para orientar os advogados de Flávio Bolsonaro durante a investigação. Antes da publicação de uma das reportagens, Guilherme confirmou a existência dos relatórios produzidos pela Abin para a defesa de Flávio com a própria advogada dele, Luciana Pires.
Ramagem afirma que é vítima de calúnia e difamação. Nessa quinta-feira (13/10), a audiência de conciliação terminou sem acordo, e agora cabe ao juiz da 10ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Distrito Federal decidir se recebe ou rejeita a queixa-crime.
Segundo a defesa de Guilherme Amado, a atuação dele “foi absolutamente legítima e se deu sempre com o objetivo de disseminar informações e fatos relevantes para a população, não havendo por parte do jornalista qualquer análise subjetiva ou de juízo pessoal quanto aos fatos veiculados”.
Entidades defensoras da liberdade de imprensa repudiaram a ação criminal. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirmou que “considera extremamente preocupante que um agente público, que deve prestar contas à sociedade, tente criminalizar a conduta de repórteres de credibilidade e reconhecidos no País justamente pelo trabalho em apurações robustas. O assédio judicial contra jornalistas jogou o Brasil em um patamar constrangedor no ranking da liberdade de imprensa, tornando o exercício da profissão uma batalha constante contra acusações, sem provas, de que profissionais produzem, deliberadamente, ‘narrativas inverídicas e levianas’”.
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) declarou que “intimidações e assédios judiciais contra os jornalistas Guilherme Amado e Fábio Leite são um grave sintoma do enfraquecimento do Estado Democrático de Direito brasileiro e não podem ser admitidas”.
Jairo Marques, editor da Folha de S.Paulo, lançará agora o seu segundo livro, Crônicas Para Um Mundo Mais Diverso.
Um conteúdo:
Autor do livro Malacabado: a História de um Jornalista Sobre Rodas, Jairo Marques, editor da Folha de S.Paulo, lançará agora o seu segundo livro, Crônicas Para Um Mundo Mais Diverso. A obra é um conjunto de histórias sobre diversidade, amores e olhares.
Com lançamento previsto para 7 de novembro, o livro será publicado pela Editora Atena.
Criador do blog Assim Como Você, onde aborda, com leveza e bom humor, assuntos relacionados à vida dos deficientes físicos, Jairo participou do segundo episódio do #diversifica, projeto multimídia produzido pelo hub de Diversidade, Equidade & Inclusão (DEI) deste Portal dos Jornalistas.
Em quase uma hora de conversa com a apresentadora e coordenadora editorial Luana Ibelli, falou sobre os desafios para profissionais com deficiência e a cobertura do jornalismo brasileiro sobre o tema.
O #diversifica é um hub de conteúdo multiplataforma sobre Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) do Portal dos Jornalistas e da newsletter Jornalistas&Cia. Ele conta com os apoios institucionais da Associação de Jornalismo Digital (Ajor), International Center for Journalists (ICFJ), Meta Journalism Project, Imagem Corporativa e Rádio Guarda–Chuva.
Em sessão pública realizada nessa quinta-feira (13/10), a organização do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos anunciou os vencedores da 44ª edição. Entre os 20 finalistas, foram sete vencedores e nove menções honrosas nas categorias Arte, Fotografia, Texto, Vídeo, Áudio, Multimídia e Livro-reportagem.
A cerimônia de premiação será em 25 de outubro, das 20h às 21h30, no Tucarena, em São Paulo, com transmissão ao vivo pela TV PUC. Antes, haverá uma roda de conversa com os vencedores, das 14h às 17h, transmitida pelo Canal Universitário de São Paulo e pela TV PUC.
O jornalista e professor Marcio Gonçalves lançou o livro digital Mídia e Jornalismo na Escola: explorando a criatividade em sala de aula.
Em celebração ao mês dos professores, comemorado em outubro, o jornalista e professor Marcio Gonçalves lançou o livro digital Mídia e Jornalismo na Escola: explorando a criatividade em sala de aula. A obra gratuita está disponível para download no site da Pipa Comunicação.
Distribuído em 88 páginas e quatro capítulos, o livro chega para atender ao campo jornalístico-midiático da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e aborda a educação para o uso da informação e das mídias.
A obra traz também informações sobre a natureza do jornalista investigador e o jornalismo no universo escolar, bem como com as crianças e jovens.
A morte de Éder Jofre, em 2/10, embora devesse me provocar consternação pelo ser humano de qualidade que foi, traz-me apenas lembranças reconfortantes e até divertidas.
A primeira se refere ao seu pai, Kid Jofre, um homem sábio e consequente. Era argentino, veio para o Brasil, casou-se com Angelina Zumbano e dessa união surgiu nossa preciosa dinastia pugilística Jofre-Zumbano, que, num milagre genético, produziu nosso “galo de ouro”, Éder Jofre, campeão mundial dos pesos-galo na década de 1960 e, nos anos 1970, dos pesos-pena. A união também era temperada por ares esquerdistas, pois um dos tios de Éder, Ralph Zumbano, também pugilista, foi, salvo engano, deputado estadual em São Paulo pelo PCB e nele perseverou até o fim.
Nas coberturas rotineiras que fiz para a Manchete, durante a escalada do filho rumo ao título dos Pena nos anos 1970, estabelecíamos, eu e Kid, longas conversas sobre assuntos variados. Em um deles sinalizou-me sobre sua maneira de educar Éder e seu irmão mais novo. Levava-os ao centro de São Paulo na época de Natal para admirarem a vitrine do Mappin, que era um verdadeiro palácio de maravilhas natalinas. Mostrava o material ricamente exposto e prevenia que “papai não tinha recursos para comprar aqueles presentes, que se contentassem com coisas mais modestas”.
Era ironicamente bem-humorado. Nas apresentações do filho, costumava promover lutas preliminares amadoras de alunos da sua academia. Em certa ocasião, após perder as cinco lutas preliminares programadas, passou por mim e disse. “Espero que Éder quebre a minha invencibilidade de hoje”. (Éder faria a luta final daquela rodada com o mexicano Wong alinhado entre os dez primeiros do ranking de pesos-pena, que nosso campeão devia derrubar para chegar ao título.) A principal característica de Éder no ringue era a de liquidar o combate no primeiro round com seu célebre gancho de direita na ponta do fígado de adversário. Assim foi naquela noite. Robert Wong, bem mais alto do que Éder, girou sobre si mesmo, debruçou-se nas cordas e lançou sobre mim e um colega, que suponho ser, após tanto tempo, o querido Paulo Moreira Leite, do Jornal da Tarde, fartos borrifos de suor, saliva e alguns goles do Gatorade da época.
Outra brincadeira recorrente de Kid referia-se ao seu cunhado e também ex-lutador Waldemar Zumbano. Kid aconselhava-me como se fosse um mantra. Não fique perto dele durante a luta, que vai sobrar um “um/dois” para você. Tratava-se de um movimento veloz de dois diretos seguidos sobre o adversário, que devia ser a tática favorita de Waldemar nas suas antigas lutas, favorecido pelos braços mais longos; na sua peculiar maneira de torcer, distribuía golpes ao seu redor durante os combates do sobrinho supercampeão. Às vezes o movimento era tão intenso que seus óculos voavam.
Sinto-me ligeiramente protagonista do título mundial dos pesos-pena naquela noite de 5 de maio de 1973, um sábado, no ginásio de Brasília. Na verdade, penso que, indiretamente, minha participação foi decisiva ao abalar a segurança de Jose Legra, o então campeão, adversário de Éder na disputa. Eis o que se passou. Cubano naturalizado espanhol, ele fez seus últimos preparativos em São Paulo. Uns sete dias antes do confronto, levei-o para o estúdio da Manchete, anexo à redação, na Rua 24 de Maio, 24, 11º andar, para fazer a foto que ilustraria a capa da revista na edição a ser lançada na quarta-feira que antecederia o confronto.
Eder acerta direto em Legra na luta de 1973
Legra, que teria treino a seguir, esqueceu sua bolsa no táxi que o trouxera, com o par de luvas favorito; jamais soube dela. Na prática, responsabilizou-me pelo incidente. Se o olhar matasse, eu não estaria mais neste mundo. Mituo Shiguihara, que fez as fotos, confessou-me temer que a indignação de Legra iria velar os filmes, tanto bufava. Tempos depois, ao comentar o episódio com Éder, disse-lhe que a vontade de Legra seria aplicar-me um uppercut no queixo. Éder riu.
− Você estaria dormindo até hoje. Ele me pegou forte na testa, um verdadeiro coice.
(Se a lembrança não me trai, foi no terceiro round).
José Maria dos Santos (Foto: Zanoni Fraissat-Folhapress)
Esta é novamente uma colaboração de José Maria dos Santos, ex-Diários Associados, Manchete, Abril e Diário do Comércio, de São Paulo, entre outros.
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