“Essa conquista é como se o Juventus, time da Mooca, ganhasse o Campeonato Brasileiro”. Assim Oswaldo Luiz Colibri Vitta, diretor da pequena e recente Rádio Brasil Atual, define a vitória de sua equipe na 35a edição do Prêmio Vladimir Herzog. “E foi numa dobradinha muito rara de acontecer. Somos pequenininhos, mas somos bravos”, diz, orgulhoso. A dobradinha a que se refere é a de Marilu Cabañas, que venceu em Rádio com a série Voz Guarani-Kaiowá, e Anelize Moreira, Menção Honrosa na mesma categoria, com Dores do parto. No ar há cerca de um ano, a paulista Rádio Brasil Atual (frequências 93,3 FM em São Vicente, 98,9 FM na Capital e 102,7 FM na região Noroeste do Estado) é obra da Fundação Cultura e Trabalho, que tem os sindicatos dos Metalúrgicos e dos Bancários como sócios. “Quando os metalúrgicos conseguiram a concessão da emissora, implantamos o Jornal Brasil Atual (com duas horas de duração) e boletins de aproximadamente cinco minutos nas horas cheias. Para isso montamos uma equipe de Jornalismo mínima. Temos três repórteres [Marilu, Anelize e Cláudia Manzano] mais uma coordenadora [Terlânia Bruno]. Quer dizer: a Anelize e a Marilu ganharam prêmio, e as outras duas ganharão depois”, brinca Colibri. Além das repórteres, estão no time da RBA os técnicos de áudio Carlos Amaral, André Paroche e Emerson Ramos, que editou as duas matérias vencedoras; o produtor Nelson Calura; os locutores Eli Santos e Fabiana Ferraz; os colunistas Paulo Vanucchi, Frei Betto e Clemente Ganzlúcio; e o correspondente em Berlim Flávio Aguiar. “Estamos começando humildemente, mas mostrando que sabemos fazer Jornalismo. Abordamos o tema Direitos Humanos há muitos anos, quando ainda produzíamos programas isolados para outras rádios, atividade que começou em 2004. Para termos uma democracia plena, ainda precisamos resolver as questões indígena, agrária e de democratização dos meios de comunicação”, comenta. “O prêmio é importante para validar o seu esforço. Sabemos que se não podemos ser os maiores, temos que ser diferentes. Em Jornalismo é necessário investir, tem que mandar o repórter ao local. Eu sou contra a rádio por telefone. Uso o telefone para dar a notícia do dia a dia. Mas quando é preciso aprofundar o tema a repórter tem que estar lá. E isso custa dinheiro, o que considero investimento, não despesa. Estamos agora na expectativa de que, com o prêmio, possamos crescer. Isso anima muito. Eu falo de futebol, mas a comparação é pertinente, porque competimos com equipes grandes, que produzem jornalismo 24 horas por dia. Como nosso time é pequeno, ao mandar uma repórter para um especial, os outros têm que se virar no dia a dia. Logo, o prêmio também é da equipe, que segura esse cotidiano. Temos vários projetos para a rádio, para os quais estamos aguardando investimentos. Os colaboradores que vêm trabalhar conosco sabem que vão ter liberdade para abordar os assuntos. E nós somos alternativos”. A experiência da heptacampeã Sete vezes vencedora, duas vezes Menção Honrosa. Habitué do Herzog, Marilu Cabañas fala com especial emoção da conquista deste ano: ”Para mim é uma honra, por vários motivos. Primeiro, por ser uma rádio alternativa, pequena, mas grande na liberdade. E isso é um valor raro hoje em dia no jornalismo brasileiro. Segundo porque o tema, os guarani-kaiowá, é pouco abordado pela mídia conservadora, já que mexe com os interesses de latifundiários, da bancada ruralista… O terceiro motivo é que eu tenho raízes guaranis. Minha mãe e minha avó são paraguaias e falam o guarani fluentemente. Infelizmente eu não sou fluente, mas estou aprendendo! Por esses três motivos, esse prêmio tocou de forma especial a minha alma: pela rádio, pela amizade de todos lá; pelo tema dos guarani-kaiowá e por mexer com minhas raízes”. Marilu diz que a ideia da pauta se deu quando foi acompanhar um encontro de professores indígenas e percorreu algumas aldeias. Os cinco capítulos vencedores do Herzog – denominados A voz guarani-kaiowá – fazem parte de uma série que vem sendo produzida constantemente pela rádio. O recorte trata da luta pela terra da etnia guarani-kaiowá em municípios de Mato Grosso do Sul. ”Na verdade, abordar a questão indígena virou rotina para a Rádio Brasil Atual. A gente faz com prazer, porque sabe que vai tentar ajudar, dar visibilidade a quem precisa, fazendo com que eles tenham seus direitos respeitados. A minha ideia é dar visibilidade aos guarani-kaiowá do Mato Grosso do Sul que, proporcionalmente ao resto do País, são os indígenas que mais sofrem ameaças e são assassinados. Uma cacique, por exemplo, já perdeu cinco pessoas da família. Seria um absurdo você pensar que aqui em São Paulo existisse caso semelhante, mas como são indígenas, são invisíveis no Brasil. Ficaríamos muito felizes, como ganhadores do prêmio, se a PEC 215, que determina que a demarcação de terras passe a ser feita pelo Legislativo, não fosse aprovada. É preciso que a presidente Dilma tenha pulso firme”, diz. O discurso em guarani Marilu surpreendeu o público que assistia à entrega do prêmio em 22/10 por proferir seu discurso em guarani: “Foi uma maneira respeitosa que encontrei de me dirigir à nação indígena. Era o mínimo que eu poderia fazer: me esforçar para falar o guarani”. Reproduzimos a seguir o texto em português: “A vitória é deles” Este prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos é dos guarani-kaiowá. A vitória é deles. Um povo forte, que conseguiu manter até hoje sua língua, o guarani, apesar de todo o massacre que sofreu e continua sofrendo no Mato Grosso do Sul. Líderes assassinados, desaparecidos e jurados de morte. Crianças e adultos atropelados à beira da estrada onde ficam seus acampamentos porque foram expulsos de suas terras, proibidos de plantar, colher e comer suas culturas como milho e mandioca. Muitos passam fome. Mas são fortes. Tenho certeza de que o jornalista Vladimir Herzog sabia da importância cultural dos povos indígenas para o País. E tenho muito orgulho de ter em minhas veias o sangue guarani, herdado de minha mãe Ambrosia Cabañas, de 81 anos, que ainda tem mãe, minha avó Sixta Cabañas, que completou 100 anos, ambas paraguaias que falam o guarani fluentemente. E para terminar desejo que a presidente Dilma Rousseff, os parlamentares e os juízes sejam firmes na defesa dos direitos indígenas consagrados na Constituição Brasileira e não se curvem aos ruralistas. Se isso não ocorrer, esse prêmio não fará o menor sentido. (Tradução: Tonico Benites e Aty Guassu) Presente promissor Formada há apenas três anos, Anelize Moreira completou a história de sucesso da Rádio Brasil Atual no Herzog deste ano ao receber Menção Honrosa já em seu primeiro especial produzido profissionalmente, com a série Dores do parto. “Foi uma surpresa para mim! Você não pensa que vai ganhar já na primeira série. O prêmio me estimula a fazer outras matérias de fôlego, a sair um pouco da ideia a que somos levados na faculdade de que o bacana é fazer assessoria de imprensa, comunicação interna, deixando as grandes reportagens de lado. Me estimulam reportagens com esse olhar mais humano, mais sensível”, diz. E faz coro com Marilu – que também ganhou menção honrosa pela edição desse especial – quando o assunto é o ambiente de trabalho na rádio, que inclui a liberdade para sugerir e desenvolver pautas. “Eu sugeri o tema porque me senti ofendida como mulher. Não sabia o que acontecia, tanto em maternidades públicas quanto privadas”, comenta. Cria do projeto Repórter do futuro, da Oboré, Anelize participou de três módulos do curso: dois sobre Amazônia e um sobre conflitos armados. “Foi fundamental para minha escolha de carreira. Aprendi muito, mais até do que na faculdade”.
Luís Artur Nogueira é o novo editor de Economia de IstoÉ Dinheiro
Luís Artur Nogueira assumiu nesta 2ª.feira (28/10) o cargo de editor de Economia de IstoÉ Dinheiro, na vaga de Carla Jimenez, que será editora-chefe do projeto do El País em português. Luís continua com dois boletins diários de Economia na Rádio Bandeirantes de São Paulo (AM 840 e FM 90,9). No lugar dele como editor Multimídia, começa na próxima 2ª.feira (4/11), Marcio Juliboni, que está deixando Exame.com, onde era editor de Negócios. Márcio trabalhará diretamente com o diretor de Conteúdo Digital Ralphe Manzoni Jr.. Carla estava na Dinheiro havia três anos. O projeto brasileiro do El País, sobre o qual afirma não poder ainda dar detalhes, é a terceira start up de sua carreira, pois integrou as equipes inaugurais de Época e Brasil Econômico. Foi também de Estadão, Canal RH e teve sua própria agência de produção de conteúdo.
Prêmio J&Cia/HSBC de Sustentabilidade anuncia os vencedores
Acabam de ser anunciados os vencedores da 4ª edição do Prêmio Jornalistas&Cia / HSBC de Imprensa e Sustentabilidade. Reunida na última 2ª.feira (28/10), a Comissão de Premiação definiu os vencedores desta edição, que contou com 732 trabalhos inscritos, de 387 jornalistas de todo o Brasil. Foram duas etapas de julgamento que resultaram em 79 finalistas (Comissão de Seleção) e, agora, nos 13 vencedores (Comissão de Premiação). Estes dividirão R$ 107 mil em valores líquidos com o vencedor do Grande Prêmio, a ser anunciado na festa de premiação (marcada para 13/11, no restaurante Capim Santo – al. Ministro Rocha Azevedo, 471, São Paulo). Confira a relação dos vencedores: Mídia Nacional: Melquíades Júnior (Diário do Nordeste – CE), com Viúvas do Veneno – Jornal; Rafael Freire e Rodrigo Caetano (IstoÉ Dinheiro – SP), com Muito além do lucro – Revista; Renata Colombo e Fábio da Silva de Almeida (Gaúcha FM – RS), com Império da Areia: a dragagem que mata o Jacuí – Rádio; Vladimir Netto, Helio Gonçalves, Edivaldo Simão e Rafael Benaque (Jornal Nacional/TV Globo – DF) com a série Manguezais brasileiros – Televisão; Marina Amaral, Ana Lima de Souza Aranha, Carlos Juliano Barros, Fernanda Ligabue, Ana Castro e Marcelo Min (Agência Pública de Reportagem e Jornalismo Investigativo – SP), com Amazônia pública – Webjornalismo; Amaurício Cortez, Gil Dicelli e Pedro Turano (O Povo – CE), com Planeta Seca – Imagem Criação Gráfica; Magnus Nascimento (Tribuna do Norte – RN). com No interior do RN, rebanho não resiste e morre de sede e fome – Imagem Fotografia. Especial Água: Célia Rosemblum, do Valor Econômico, com o trabalho Conta gotas, que teve a participação de André Lachini, Andrea Vialli, Angela Klinke, Eduardo Belo, Martha San Juan França, Patricia Amaral, Paulo Vasconcellos, Rosangela Capozoli, Salete Silva, Silvia Czapski e Sergio Adeodato. Mídia Regional: Norte – Celso Freire e Cira Pinheiro (O Liberal CBN – PA), com Indústria descobre o caroço de açaí; Nordeste – Lucas Malafaia, com Valdemir Soares e Renata Pais (TV Pajuçara – AL), com Mata da Sálvia em perigo; Centro-Oeste – Ana Lúcia Caldas, com Nádia Coelho Faggiani, Thais Cristina Alves Passos e Marcus Vinicius Lima Tavares (Rádio Nacional – DF), com Reciclagem – Do combate ao desperdício à oportunidade de negócio; Sudeste – Flávia Milhorance, com Renato Grandelle e Vinicius Sassine (O Globo – RJ), com O desafio dos parques nacionais; Sul – Henrique Kugler (Ciência Hoje Online – PR), com Em nome do ouro: rastros do mercúrio. Prêmios Especiais – Também foram definidos pelo Conselho Consultivo do Prêmio Jornalistas&Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidade os vencedores das categorias especiais: o ambientalista e economista Sérgio Besserman Vianna foi escolhido Personalidade do Ano em Sustentabilidade; o jornal O Estado de S. Paulo, Veículo de Comunicação do Ano em Sustentabilidade; e o Portal Mercado Ético, Veículo de Comunicação do Ano Especializado em Sustentabilidade. Comissão de Premiação A Comissão de Premiação foi integrada por Luciano Martins Costa (relator), Albino Castro, Kaíke Nanne, Filomena Salemme, Inacio Teixeira, Leão Serva, Marion Strecker, Nelson Graubart e Reinaldo Canto, com coordenação de Lena Miessva. Os trabalhos foram abertos por João Rached, diretor de Relações Institucionais do HSBC; Renata Binotto, assessora-sênior de imprensa do HSBC; e Eduardo Ribeiro, diretor do Portal dos Jornalistas. Valores Com um total de R$ 107 mil em valores líquidos (equivalentes a R$ 152 mil brutos), o Prêmio Jornalistas&Cia/HSBC de Imprensa e Sustentabilidade está entre os cinco maiores do País em valores e número de trabalhos inscritos. Vão receber R$ 10 mil líquidos os vencedores de Mídia Nacional dos segmentos Jornal, Revista, Rádio, Televisão e Webjornalismo e o vencedor da categoria Especial Água; R$ 6 mil líquidos os vencedores de Mídia Nacional dos segmentos Imagem – Criação Gráfica e Imagem – Fotografia; R$ 5 mil líquidos os vencedores de Mídia Regional das regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul; e R$ 10 mil líquidos (cumulativos) o vencedor do Grande Prêmio.
Folha de S.Paulo extingue Núcleo de Cultura
A Folha de S.Paulo extinguiu nesta 2ª.feira (28/10) seu Núcleo de Cultura, criado em junho último, que incorporava os cadernos Ilustrada e Ilustríssima. Heloísa Helvécia, até então editora do núcleo, passa a editar somente a Ilustrada. Cassiano Elek Machado, repórter especial, é o novo editor de Ilustríssima, com o apoio da editora-adjunta Francesca Angiolillo, que já estava no caderno, e de Marco Rodrigo Almeida, redator e repórter. Formada pela Cásper Líbero, Heloísa está no jornal desde 2007. Antes foi por 11 anos da Editora Globo. Cassiano começou na Folha em 1996, como estagiário, e lá permaneceu até 2005, passando pelas funções de redator, repórter, editor-adjunto e editor-interino, sempre na Ilustrada. Até retornar ao jornal, em 2012, passou por piauí, Flip e Cosac Naify, da qual foi diretor Editorial. Ainda por lá, o jornal reforçou na última semana sua equipe de colunistas do caderno Poder, que desde então passou a contar com três novos colaboradores: Reinaldo Azevedo (6as.feiras), Demétrio Magnoli (sábados) e Ricardo Melo (2as.feiras). Eles se juntam a Janio de Freitas, que continuará escrevendo aos domingos, 3as e 5as.feiras, e a Elio Gaspari, às 4as e domingos.
Corte Interamericana analisará caso do Jornal JÁ
Em virtude de denúncia da ONG internacional Artigo 19, a Corte Interamericana de Direitos Humanos, que atua no âmbito da OEA, analisará pedido de responsabilização do estado brasileiro e reparação de danos ao Jornal JÁ, de Porto Alegre, e a seu diretor Elmar Bones, por violação de seus direitos constitucionais, da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa.
O recurso a uma corte internacional é a última possibilidade que resta à JÁ Editores de tentar reverter decisão judicial que comprometeu a receita da empresa. Duas ações decorrentes de uma reportagem publicada pelo Jornal JÁ, em 2001, agravaram a situação financeira da empresa.
Em processo penal, acusado de calúnia, injúria e difamação, Elmar Bones foi absolvido. Mas em ação cível, movida a partir da mesma reportagem, a editora foi condenada a pagar R$ 130 mil por dano moral.
Os dois processos foram protocolados pela família Rigotto, tendo como objeto a reportagem Uma tragédia em três atos, que abordava fraude na estatal CEEE, com envolvimento de Lindomar Rigotto, filho de Julieta e irmão do ex-governador Germano Rigotto.
Na denúncia, a ONG destaca que “toda a reportagem é baseada em relatórios investigativos e documentos públicos, portanto, plenamente pautada por fatos verídicos e pelo animus narrandi, ou seja, tinha a única intenção de narrar fatos e informar seus leitores, sem qualquer pretensão ofensiva”.
Vale lembrar que o JÁ venceu o Esso de Reportagem de 2004 com A tragédia de Felipe Klein, de Renan Antunes de Oliveira, numa conquista épica, em que derrotou Época e o Caso Valdomiro Diniz. A íntegra da denúncia encaminhada à Corte pode ser conferida em http://bit.ly/1f1DnBG.
Congresso de Jornalismo Ambiental debateu crise na cobertura
A palestra Rumo a um futuro sustentável: a economia verde e a reapropriação social da natureza, do professor de Ecologia Política e Políticas Ambientais na Pós-Graduação da Universidade Nacional Autônoma do México Enrique Leff, teve grande repercussão no V Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, realizado semana passada em Brasília.
Ele destacou que vivemos um momento de queda de interesse pela luta ambiental, processo gerado por uma dinâmica construída do ideal de crescimento econômico sem limites, que não considera a natureza da vida. Indagou, ainda, sobre a responsabilidade dos jornalistas em relação à verdade: “Mas qual é a verdade? Da crise ambiental, da Economia Verde? O mundo não se mostra com essa transparência”. Para ele, é preciso reconverter a lógica do crescimento econômico, crescer incorporando a lógica ecológica, com desmaterialização da produção, o reconhecimento da conexão da Economia com o desenvolvimento do Planeta. Claudio Angelo, que foi editor de Ciência da Folha de S.Paulo, reconheceu que a cobertura ambiental diminuiu nos últimos quatro anos, lembrando do fechamento da editoria de Meio Ambiente do New York Times, no ano passado.
Destacou ainda que o acordo do clima ficou para 2015; e que as condições internacionais são desfavoráveis. Para ele, o Brasil vive um momento desenvolvimentista, em que o assunto ambiental ocupa-se de administrar a vantagem da queda do desmatamento da Amazônia e licenciar obras, entre outros fatores, e que os conflitos políticos e ambientais são muito mal cobertos. Na opinião de Claudio, não é apenas o profissional de imprensa que sofre, mas as fontes também: “Os ambientalistas não tinham se recuperado do fracasso de Copenhague quando veio o baque do Código Florestal. A dependência financeira do governo tirou a capacidade crítica. Discurso da sustentabilidade é corporativo, é governamental e convenientemente sem sentido. Que pedaço do tripé convém para cada um?”.
Apesar disso, acredita que o jornalismo ambiental não morreu, mas que se mistura à pauta geral. “Precisamos de bons jornalistas com enfoque para o meio ambiente, que também entendam de economia”, sugeriu. A ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira disse que um ano depois da Rio+20 caminhos de negociação da agenda do Desenvolvimento Sustentável estão sendo traçados em três frentes: primeiro o governo, aproveitando-se da estrutura montada para a Conferência; depois o Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+), que começou a operar em junho deste ano; e a sociedade civil. “A mídia tem que fazer parte desse multilateralismo”, destacou. A próxima edição do evento está marcada para 2015, em uma capital ainda a ser definida.
Abear divulga finalistas de seu Prêmio de Jornalismo
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas divulgou os finalistas da primeira edição do Prêmio Abear de Jornalismo. Dos 65 trabalhos inscritos, foram escolhidos cinco em cada uma das quatro categorias: Cargas, Competitividade, Experiência de voo e Sustentabilidade, cujos vencedores receberão R$ 5 mil. Também será entregue o Grande Prêmio Abear, que distinguirá com R$ 10 mil o melhor entre todos os finalistas. A cerimônia de premiação será em 22/11, em São Paulo. Vale ressaltar que Ricardo Gallo, da Folha de S.Paulo, foi finalista em três categorias, com trabalhos diferentes. Em Cargas, os finalistas são Solange Galante (Revista Flap Internacional), com Os desafios das companhias aéreas cargueiras; Amanda Claudino (Folha de Pernambuco), com Recife na rota das grandes cargas; Marcos Carrieri (Agência de Notícias Brasil Árabe), com Aeroporto de Guarulhos amplia capacidade de cargas; Alex Cavalcanti e equipe (TV Vitória/ES), com Logística é a solução; e Priscila Marçal (TV Anhanguera Anápolis), com Aeroporto de Cargas de Anápolis deve começar a operar em 2014, diz governo. Em Competitividade, estão na final Fabio Steinberg (Viagens S.A), com Reforma geral; Cristiane Barbieri (Época Negócios), com Para onde ele vai levar a GOL?; Solange Galante (Revista Flap Internacional), com Novo incentivo para as regionais brasileiras; Cíntia Borsato e equipe (Jornal da Globo – TV Globo), com Recorde de passageiros e prejuízos / custos; e novamente Ricardo Gallo (Folha de S.Paulo), com Tempo da ponte aérea SP-Rio pode cair oito minutos. Estão na final em Experiência de voo Luísa Alcântara (Folha do Turismo), com Quem tem medo de avião?; Ricardo Gallo (Folha de S.Paulo), com Tirada com celular, foto ‘proibida’ em avião vira hit na web; Rafael Sette Câmara e equipe (Portal 360meridianos), com Como perder o medo de voar de avião; Vanessa Martinelli e equipe (Ver Mais TV – TV Record), com A importância dos fiscais de pátio; Victor Affonso (Portal A Crítica); com Quando o medo de voar é superado pelo prazer. Em Sustentabilidade, os finalistas são Danielle Nogueira (O Globo), com O duelo da nova geração de aviões; Edson Franco (IstoÉ), com Voo verde; João José Oliveira (Valor Econômico), com Camelina expõe os desafios do biocombustível; Gizelle Mendes e equipe (DFTV 1° edição – TV Globo), com DF+Limpo faz blitz no Aeroporto JK; e outra vez Ricardo Gallo (Folha de S. Paulo), com Gol estabelece bônus polêmico para pilotos por economia de combustível. A íntegra das matérias finalistas você confere em www.premioabear.com.br/premio.
O adeus a Carmem Santos
Faleceu na última 6ª.feira, 25/10, aos 44 anos, no Hospital Samaritano, onde estava internada, Carmem Santos, colega que atuou por 20 anos na Record (praticamente seu único emprego). Desempregada, desde que deixou a emissora, meses atrás, Carmem convivia com sequelas de um acidente ocorrido dois anos antes, num passeio de balão, em Boituva, interior de São Paulo, na comemoração de 23 anos de casamento. Houve mortes, mas Carmen e o marido se salvaram, ele ileso e ela com traumatismos diversos, que a fizeram ficar em coma por cerca de 25 dias e mais de um ano em tratamento médico, impedida de trabalhar. Quando teve alta e retornou ao trabalho, já não tinha as mesmas condições físicas e convivia permanentemente com fortes dores de cabeça. Na Record, ela deixou o link (entrada ao vivo de matérias de outras praças) e passou a realizar trabalhos mais leves, mas ainda assim acabou afastada novamente em decorrência dos problemas que enfrentava. Teve um segundo acidente de graves proporções, no dia em que regressaria ao trabalho, caindo nos trilhos do metrô, salvando-se, como dizem vários amigos, por milagre, não sem outros ferimentos. Mesmo adoentada e sem condições físicas ideais, teve alta e voltou à Record. Dada como apta para o trabalho pelo INSS, não conseguiu se manter no emprego pelos inúmeros problemas que enfrentava. Internada recentemente no Hospital Samaritano em decorrência das fortes dores de cabeça que a perseguiam, veio a falecer no dia do seu aniversário e às vésperas de ter nova alta. Deixou o marido Claudio e um casal de filhos. O velório reuniu mais de 150 pessoas, entre familiares, amigos e colegas de trabalho de várias emissoras, com quem ela conviveu nas duas décadas em que atuou pela Record. Foi sepultada no Mausoléu do Sindicato dos Jornalistas, localizado no Cemitério São Paulo, em Pinheiros.
Câmara paulistana inaugura praça Vladimir Herzog
Espaço vai se transformar no Memorial da Liberdade de Imprensa, com três obras de Elifas Andreato Sob uma leve garoa, cerca de cem convidados participaram na última 6ª.feira (25/10) da inauguração da praça Vladimir Herzog, localizada no começo da rua Santo Antônio, ao fundo da Câmara Municipal de São Paulo, no Centro da cidade. Nela já se vê com destaque, no paredão da Câmara, a reprodução, em mosaico de cerâmica, da tela 25 de outubro, que Elifas Andreato criou em 1981 para retratar o suplício dos que passaram pelo DOI-CODI. À sua direita, será afixada uma placa com o nome de todos os jornalistas ganhadores do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos; e à esquerda, relação dos 1.004 jornalistas que, em 6 de janeiro de 1976, tiveram a coragem de assinar e publicar o manifesto Em defesa da verdade, contestando a farsa da versão de suicídio de Vlado dada pelo Exército. Inspirada em Guernica, de Pablo Picasso, 25 de outubro foi ao mesmo tempo uma homenagem de Elifas ao centenário de nascimento do pintor espanhol, que faria aniversário exatamente nessa data, e uma denúncia contra a foto farsante de 1975 de Vlado Suicidado. Patrimônio do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, a tela está em exposição permanente na sede da entidade. Outras duas obras de Elifas integrarão o Memorial da Liberdade de Imprensa: ao centro, a reprodução em tamanho natural da escultura Vlado Vitorioso, que o artista concebeu, em 2008, a pedido das Nações Unidas, para celebrar os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos; e à esquerda, próximo à escadaria que dá para a praça da Bandeira, uma reprodução ampliada do Troféu Vladimir Herzog que, anualmente, desde 1979, é entregue aos vencedores do Prêmio Vladmir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. A praça foi inaugurada pelo presidente da Câmara Municipal, vereador e jornalista José Américo Dias, com as participações dos vereadores José Police Neto, Gilberto Natalini, (ex) Italo Cardoso, além do deputado estadual Adriano Diogo. Estiveram presentes ainda o atual presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo Guto Camargo, e os ex-presidentes Audálio Dantas, Lu Fernandes, José Hamilton Ribeiro, Antonio Carlos Fon, Everaldo Gouveia e Fred Ghedini, além de Ivo Herzog, filho de Vlado e presidente do Instituto Vladimir Herzog. ABI contestada – A celebração dos 38 anos de assassinato de Vladimir Herzog teve um momento de tensão, quando Ivo Herzog, ao fazer uso da palavra, reafirmou o que havia dito anteriormente sobre o uso dos veículos de comunicação da Fundação Padre Anchieta, da qual é conselheiro, para manifestações e ironias contra os que se empenham na defesa dos direitos humanos, caso do próprio instituto que preside: “Não podemos admitir que numa instituição como a Fundação Padre Anchieta, em que meu pai trabalhou e de onde saiu para ser assassinado, pessoas usem seus microfones e câmaras para achincalhar aqueles que defendem os direitos humanos. É um ultraje à memória do meu pai e daqueles que tanto se empenharam e se empenham pela justiça social nesse País. Não se pode admitir que numa emissora pública como a Fundação Padre Anchieta, cujos valores em defesa da pessoa humana todos nós conhecemos, esse tipo de coisa aconteça. E não aceito a pecha de censor, como me chamaram, porque não sou, tanto que estou aqui, nessa bela manifestação a favor das liberdades democráticas. Vou continuar incomodando e se as coisas não mudarem posso até entregar o mandato de conselheiro da Fundação”. O episódio que deu origem ao desabafo foi o repúdio manifestado por Ivo à Fundação Padre Anchieta em decorrência de comentários que considerou desairosos de Salomão Schwartzman, em seu programa Diário da Manhã, que vai ao ar de 2ª a 6ª.feira pela Cultura FM. Salomão referiu-se com ironia aos defensores dos direitos humanos como “aquela turma dos direitos humanos”, aludindo à parcela de culpa que esta teria pela triste realidade da segurança pública nos dias atuais. A manifestação de Ivo gerou manifestações de solidariedade a Salomão, entre elas uma da ABI-SP, assinada por seu presidente Rodolfo Konder, em que afirma ter causado espanto a notícia de que um “conselheiro da Fundação havia pedido que um jornalista seja banido de seu trabalho por ter feito um comentário sobre a triste realidade da segurança pública dos dias atuais” e que “querer calar um jornalista é algo parecido com o que faziam os censores do regime militar”. Curiosamente, a ABI é uma das instituições signatárias do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos desde que este foi instituído. E mais curiosamente ainda sua representação São Paulo teve como presidente, antes de Konder, Audálio Dantas, figura reconhecida nacional e internacionalmente por sua incansável luta pelos direitos humanos. Presente ao ato de inauguração da Praça Vladimir Herzog, Audálio, ao saber da manifestação contra Ivo e o Instituto Vladimir Herzog, repudiou veementemente a ABI e Konder, por entender que prestaram um grande desserviço à causa da democracia e dos direitos humanos. Pouco depois, Sérgio Gomes, diretor da Oboré e idealizador do movimento que levou a Câmara Municipal de São Paulo a dar àquele espaço o nome de praça Vladimir Herzog, tomou a palavra e, aplaudido, sugeriu que, a partir daquele momento e “enquanto essa diretoria da ABI estiver entronada no poder”, fosse afastada da organização do Prêmio Vladimir Herzog. Por triste coincidência, na mesma noite faleceu o presidente nacional da ABI Maurício Azêdo, que, acusado por vários de seus próprios pares de centralizador e autoritário, levou, em 2007, Audálio e todo o Conselho Consultivo da Representação São Paulo a renunciar – no caso de Audálio, houve ainda a renúncia ao mandato de vice-presidente nacional que ocupava. Logo depois, Azêdo nomeou Konder para o cargo. Recentemente, o próprio Azêdo protagonizou outro embate, desta vez com a oposição liderada por Domingos Meirelles, que, ao ser impedida de concorrer, levou as eleições da entidade à Justiça, onde ainda aguarda decisão. Aniversário da sentença – E no dia 27/10, completaram-se 35 anos da histórica sentença do juiz Marcio José de Moraes que, ainda em plena ditadura militar, considerou a União responsável pela morte de Herzog, também um marco no processo de redemocratização do País. A propósito desse episódio, a GloboNews exibiu o especial A sentença que mudou o Brasil, que teve produção e reportagem de Cláudio Renato (confira em http://glo.bo/1azVRbu).
Vaivém das Redações!
Veja o resumo das mudanças que movimentaram nos últimos dias as redações de São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Bahia e Ceará: São Paulo Fábio Pescarini, que teve passagens por Correio Popular, Bom Dia Jundiaí e Jornal de Jundiaí, entre outros, é o novo editor-chefe da Tribuna Impressa, de Araraquara. Daniel Dotoli, editor do Jornal Propmark, passou a integrar o time de colunistas do programa Reclame no Rádio, na Estadão 92,9 FM), em que fará todas as 2as.feiras o Intervalo com Dotoli, trazendo informações sobre o mercado de comunicação, o que as agências estão fazendo de novo e as últimas notícias sobre a publicidade mundial. Há quase 20 anos escrevendo sobre o setor, Daniel começou na área de esportes do extinto Diário Popular (atual Diário de S. Paulo) e passou pelas rádios Transamérica e Bandeirantes antes de ingressar na Editora Referência, onde antes do Propmark atuou nas revistas Propaganda e Marketing. O Reclame tem apresentação de João Faria. Distrito Federal Patrícia Portales, ex-Rádio Justiça, TV do STJ, TV Brasília e TV Brasil, além de assessorias de órgãos públicos, integrou-se recentemente à equipe do Aqui-DF como subeditora de Cultura e Geral. Ainda por lá, Letícia de Souza entrou de licença-maternidade. Minas Gerais O repórter Cedê Silva deixou Veja BH e está de volta ao mercado. Formado também em Relações Internacionais, segue atualizando o blog 1000grandesleads.wordpress.com e quer voltar a organizar simulações da ONU em colégios. Enquanto não define seus novos passos profissionais, atende pelo [email protected]. Após sete anos no Grupo Band Minas, Elói Oliveira despediu-se da BandNews MG, onde ultimamente era chefe de Reportagem. A substituição dele ainda não foi definida. Rio Grande do Sul Dança de cadeiras de apresentadores na Record/RS. De volta à emissora, Simone Santos é a nova âncora do Rio Grande Record, substituindo a Rafael Rocha, que segue para o Direto da Redação no lugar de Gisa Guerra, que passa a apresentar o Esporte Record, pela manhã, dentro do Rio Grande no ar. A repórter da Rádio Gaúcha Giane Guerra estreou nesta 3ª.feira (22/10) uma coluna semanal sobre Economia no Diário Gaúcho. O espaço, semanal, batizado de Acerto de Contas, leva o mesmo nome de seu quadro na rádio. Na coluna ela aborda questões que refletem diretamente no bolso do leitor, com dicas e orientações sobre contas, dívidas e compras, além de temas relacionados aos direitos e comportamento do consumidor. Santa Catarina A apresentadora do Jornal do Almoço da RBS SC Laine Valgas estreou em 21/10 como colunista do jornal Hora de Santa Catarina, onde aborda temas relacionados a questões comunitárias. No impresso, a exemplo do que já acontece na bancada do JA, divide o espaço com Mário Motta, No quadro diário ela esclarece dúvidas de leitores e telespectadores, compartilha histórias de vida e dialogar com o público do jornal. Bahia Depois de quase vinte anos no Correio – com algumas idas e vindas –, Cláudia Pedreira deixa a edição do Vida, editoria de variedades. Ela continua na Revista Lets GO. Milene Rios, que integrava o quadro de produção do Jornalismo da Record Bahia, seguiu para a Rádio Metrópole como produtora do programa Bom Dia, com Mário Kertész. Márcia Luz está de volta ao iBahia, agora como editora de Cidade. Andrea Santana, editora do A Tarde Online, deixa o portal. Flávio Oliveira, que também já passou pelo jornal A Tarde, não mais integra a Comunicação da Bahia Mineração. Monique Marins passou a integrar a equipe de produção artística da Rádio Bahia FM, da Rede Bahia. Ela também é responsável pelo conteúdo do portal Tudo de Axé. Ceará Dalwton Moura assumiu a assessoria de imprensa da Secretaria de Cultura do Ceará. Carolina Campos já responde pela assessoria de imprensa da Secretaria de Esporte do Estado. Camila Garcia responde pela divulgação das atividades dos 14 anos do Shopping Benfica.







