Congresso de Jornalismo Ambiental debateu crise na cobertura

A palestra Rumo a um futuro sustentável: a economia verde e a reapropriação social da natureza, do professor de Ecologia Política e Políticas Ambientais na Pós-Graduação da Universidade Nacional Autônoma do México Enrique Leff, teve grande repercussão no V Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental, realizado semana passada em Brasília.

Ele destacou que vivemos um momento de queda de interesse pela luta ambiental, processo gerado por uma dinâmica construída do ideal de crescimento econômico sem limites, que não considera a natureza da vida. Indagou, ainda, sobre a responsabilidade dos jornalistas em relação à verdade: “Mas qual é a verdade? Da crise ambiental, da Economia Verde? O mundo não se mostra com essa transparência”. Para ele, é preciso reconverter a lógica do crescimento econômico, crescer incorporando a lógica ecológica, com desmaterialização da produção, o reconhecimento da conexão da Economia com o desenvolvimento do Planeta. Claudio Angelo, que foi editor de Ciência da Folha de S.Paulo, reconheceu que a cobertura ambiental diminuiu nos últimos quatro anos, lembrando do fechamento da editoria de Meio Ambiente do New York Times, no ano passado.

Destacou ainda que o acordo do clima ficou para 2015; e que as condições internacionais são desfavoráveis. Para ele, o Brasil vive um momento desenvolvimentista, em que o assunto ambiental ocupa-se de administrar a vantagem da queda do desmatamento da Amazônia e licenciar obras, entre outros fatores, e que os conflitos políticos e ambientais são muito mal cobertos. Na opinião de Claudio, não é apenas o profissional de imprensa que sofre, mas as fontes também: “Os ambientalistas não tinham se recuperado do fracasso de Copenhague quando veio o baque do Código Florestal. A dependência financeira do governo tirou a capacidade crítica. Discurso da sustentabilidade é corporativo, é governamental e convenientemente sem sentido. Que pedaço do tripé convém para cada um?”.

Apesar disso, acredita que o jornalismo ambiental não morreu, mas que se mistura à pauta geral. “Precisamos de bons jornalistas com enfoque para o meio ambiente, que também entendam de economia”, sugeriu. A ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira disse que um ano depois da Rio+20 caminhos de negociação da agenda do Desenvolvimento Sustentável estão sendo traçados em três frentes: primeiro o governo, aproveitando-se da estrutura montada para a Conferência; depois o Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+), que começou a operar em junho deste ano; e a sociedade civil. “A mídia tem que fazer parte desse multilateralismo”, destacou. A próxima edição do evento está marcada para 2015, em uma capital ainda a ser definida.