15.9 C
Nova Iorque
sexta-feira, abril 24, 2026

Buy now

Início Site Página 1147

Ricardo Feltrin é novo desfalque na Folha

Depois de Fernando Rodrigues e de Eliane Cantanhêde , mais um colunista longevo deixou a Folha de S.Paulo: Ricardo Feltrin, há 21 anos na empresa, não mais escreverá sua coluna às 6as.feiras no F5, canal de entretenimento no site do jornal que ele ajudou a criar em 2011.

Feltrin seguirá, porém, escrevendo a coluna Ooops!, do UOL, às 3as. A J&Cia, ele disse ter preferido dedicar-se só ao UOL, “já que o programa e as colunas lá estão bombando. Também venho fazendo palestras pelo interior, isso tira parte do tempo para fazer a coluna do F5, que era imensa e dava um trabalhão”.

Profissional desde 1991, quando integrou a 9ª turma de trainees da Folha, foi posteriormente repórter, redator, editorialista, colunista político e de tevê na extinta Folha da Tarde, e colunista principal do Agora, que substituiu a FT a partir de março de 1999. Estreou a coluna Ooops! em outubro de 2000 na Folha Online, onde também exerceu os cargos de editor de Brasil e Cotidiano (2001-2002). No site, ganhou destaque em 2001 ao assumir o posto de editor-chefe.

Em 2007, passou a secretário de Redação, cargo em que ficou até 2010, quando foi para a Secretaria de Redação de Novas Mídias do jornal, função em que ficou até sua saída do dia a dia da Redação, em 2012, permanecendo apenas como colunista. Pianista e tecladista, entre 1983 e 1988, trabalhou como músico profissional. Mantém uma coluna sobre tevê em A Tarde, da Bahia.

Líbero Badaró será entregue na Câmara Municipal de São Paulo 

O Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo (viaduto Jacareí, 100) será palco, na próxima 2a.feira (24/11), às 19h30, da premiação da 11a edição do Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo, promovido por revista e portal Imprensa. Foram mais de 1,8 mil trabalhos inscritos de todas as regiões, número superior ao da edição passada, que registrou em torno de 1,3 mil inscritos. As categorias que mais receberam inscrições foram Jornalismo Impresso e Webjornalismo, com 479 e 337, respectivamente. Emissoras de tevê estão concorrendo com 259 reportagens. Rádio e Fotojornalismo, com 125 e 116 trabalhos.   Concorrem matérias veiculadas de 8/4/2013 a 7/4/2014 em dez categorias, mais dois prêmios especiais: Grande Prêmio Líbero Badaró e Contribuição à Imprensa.

Fred Melo Paiva estará na TV Gazeta-SP em 2015

Fred Melo Paiva  é o novo contratado da TV Gazeta de São Paulo. Ele fará parte do time de apresentadores da casa. Sob direção do Núcleo de Criação da TV Gazeta, comandará um programa – já em fase de produção – na faixa das 23h30, reservada pela emissora ao público jovem. A estreia deverá acontecer no primeiro semestre de 2015.

Em seu mais recente trabalho na televisão, Fred foi o protagonista e o responsável pelo texto da série O Infiltrado, do History Channel, cuja segunda temporada estreou em setembro. A atração, que coloca o repórter como jornalista “gonzo”,  foi indicada ao Emmy Internacional na categoria non-scripted entertainment.

Os vencedores do prêmio serão conhecidos em 24/11, em Nova York. Além da série e do novo programa na Gazeta, o jornalista é colunista de Esportes do Estado de Minas. Foi diretor de redação das revistas Trip e Tpm, editor-executivo de Época Negócios, editor do Estadão e repórter de Veja, IstoÉ e Playboy. Atualmente trabalha no lançamento do filme baseado em O atleticano vai ao paraíso”, livro de sua autoria.

Regina Escheverria lança biografia da Princesa Isabel

Regina Escheverria lança A história da Princesa Isabel – Amor, liberdade e exílio, biografia da polêmica regente do Império no Brasil que assinou a Lei do Ventre Livre e a Lei Áurea. Escritora de perfis para jornais e revistas, Regina lançou-se como biógrafa em 1985, com a obra Furacão Elis. Outros nomes como Cazuza, Luiz Gonzaga, Pierre Verger e José Sarney também tiveram suas vidas contadas pela autora. Natural de São Paulo, Regina estudou Comunicação na FAAP e iniciou sua trajetória profissional no jornalismo esportivo do Estadão. Em passagem pelo Jornal da Tarde, especializou-se em música popular. Também passou pela gravadora WEA, revistas Veja e na IstoÉ, Abril Vídeo, TV Bandeirantes, RedeTV e SBT.

Projor e Google Brasil realizam workshop sobre inovação digital

O Projor – Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo, entidade que mantém o Observatório da Imprensa, realizará nos dias 28 e 29/11, com apoio do Google Brasil, o workshop Grande Pequena Imprensa de Inovação Digital, direcionado a jornais regionais. O objetivo é ensinar os pequenos veículos de comunicação a desenvolverem aplicativos móveis monetizáveis na plataforma Android, que poderão ser utilizados como canais de distribuição de notícias e serviços em âmbito local.

Nas dependências do Google Brasil, em São Paulo, os participantes terão no primeiro dia palestras e apresentações, que definirão o arcabouço teórico e informativo do workshop, e no segundo, uma maratona de criação de aplicativos, na qual as equipes participantes serão desafiadas a desenvolver protótipos.

Os trabalhos serão avaliados por um júri de especialistas convidados e os melhores serão premiados. O workshop será restrito à participação de convidados pelo Projor, entre eles os jornais que participam este ano do projeto Grande Pequena Imprensa.  Outros 18 veículos regionais também estarão presentes, além de estudantes de jornalismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Bauru, a fim de aproximar esse público do mercado de trabalho e aproximar os veículos regionais do público jovem e de suas demandas.

As equipes terão ajuda de desenvolvedores e mentores durante a maratona de programação: Leandro Beguoci, editor-chefe da F451 (Gizmodo, Kotaku, Trivela e Extratime), e Angela Pimenta, ex-representante da Online News Association (ONA) no Brasil. Marina Atoji, gerente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), e Daniel Bramatti, do Estadão, farão parte do júri da competição.

O evento tem a curadoria da jornalista Adriana Garcia, fundadora e diretora criativa da OrbitaLab. Mais informações com Celestino Vivian ([email protected] e 11-996-865-504) ou Sandra Muraki ([email protected] e 992-634-746).

Lauro Quadros aposenta-se da RBS 

Após mais de 50 anos dedicados ao jornalismo no Rio Grande do Sul – 31 deles no Grupo RBS –, o apresentador e comentarista Lauro Quadros despediu-se da Rádio Gaúcha nesta 2a.feira (17/11), em edição especial do programa Polêmica, que ele comandava há 15 anos.  Quadros começou sua trajetória profissional como repórter esportivo em 1959, na Gaúcha. Também integrava a bancada do Sala de Redação desde 1985. Ao longo da carreira passou por Rádio Guaíba, Folha da Manhã, TV Difusora, Zero Hora, RBS TV e TVCOM. Em 1985 voltou à rádio Gaúcha, em sua terceira passagem pela emissora, onde permaneceu até agora. Acompanhou dez Copas do Mundo, inúmeros títulos brasileiros, Libertadores da América, excursões da Seleção Brasileira e dos times de Grêmio e Internacional, além de cobrir outros eventos fora do esporte.   Com coletiva.net

Vaivém das Redações!

Veja o resumo das mudanças que movimentaram nos últimos dias redações de São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais e Rio Grande do Sul: São Paulo Ex-editor-chefe do Metrô News, Luís Alberto Alves, o Caju, está disponível para novas oportunidades. Atualmente ele escreve para os blogs blackmusicworld.blogspot.com.br (música), shalomgospelmusic.blogspot.com.br (música gospel), salcompimenta.blogspot.com.br (crônicas), yorahautomotors.blogspot.com.br (veículos) e hourpress.blogspot.com.br (noticiário geral), além de manter a coluna semanal Cajuísticas no Metrô News. Seus contatos são [email protected] e 11-999-644-434. Distrito Federal Mariângela Gallucci deixou na última semana a sucursal do Estadão, onde cobria Judiciário. Na vaga dela entrará em dezembro Talita Fernandes, vinda da Veja.com, em São Paulo. Ela dividirá o trabalho com Beatriz Bulla. Mariângela, vale lembrar, é casada com Fernando Rodrigues, que saiu da Folha de S.Paulo também na semana passada.   Minas Gerais Celso Martins, ex-Hoje em Dia e TV Record, é agora editor-chefe do Tudo Viagem, blog que ajuda os leitores com dicas de economia na compra das passagens de avião, ônibus e trens, além de roteiros e promoção de milhas. Ele é também responsável pelo Folha Vitória, do Espirito Santo, em que mantém a mesma linha de dicas de viagens, porém com conteúdos mais regionais. O Folha Vitória foi o primeiro a divulgar o fim dos voos diretos da TAM de Vitória para o Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Outras informações no [email protected] ou pelo 31-9709.7548. A página de Opinião do Hoje em Dia volta às mãos de Ruy Pales, que vinha editando Mundo e Brasil. Artigos opinativos com aproximadamente três mil caracteres podem ser enviados ao [email protected] ou [email protected]. Rio Grande do Sul Integrante do programa Sala de Redação, da Rádio Gaúcha, Kenny Braga foi demitido da emissora nesta 2ª.feira (10/11) após xingar seu colega Paulo Sant’Anna no ar. O episódio aconteceu após discussão sobre o resultado do clássico Gre-Nal do final de semana, que terminou 4 a 1 para o Grêmio. Kenny, identificado como torcedor do Internacional, ia começar a falar quando foi interrompido por Paulo, gremista apaixonado. Braga não admitiu o ato e a partir daí começou a discussão. Sant’Anna está afastado por tempo indeterminado. Procurado por Coletiva.net, ele disse que não tem nada para falar sobre o assunto. Kenny Braga ainda não foi localizado. Em comunicado à imprensa distribuído na tarde de 2ª, o Grupo RBS pediu “desculpas ao público, aos anunciantes e aos seus profissionais” pelo incidente. A Gaúcha também confirmou o nome de Fernando Carvalho (ex-presidente do Internacional) para substituir Braga. Por compromissos pessoais, inicialmente, Fernando não participará de todas as edições do Sala de Redação.   A partir de 1º/12, o Bom Dia Rio Grande e o RBS Notícias terão novidades para os telespectadores. Carla Fachim, que comanda o Bom Dia atualmente, passará a apresentar o RBS Notícias ao lado de Elói Zorzetto. No comando do Bom Dia, Simone Lazzari e Léo Saballa Jr. serão os novos âncoras. O programa matinal também passará a ter duração maior e começará mais cedo, indo ao ar de 2ª a 6ª.feira, das 6h às 7h30

Livio Oricchio despede-se do UOL

Durou pouco menos de um ano a parceria entre o repórter Livio Oricchio ([email protected]) e o UOL. Com mais de 25 anos na cobertura da Formula 1, sendo 20 deles pelo Grupo Estado, desde março ele vinha atuando como repórter de automobilismo para o portal, onde também mantinha hospedado seu blog. “Nesse período, me impressionou profundamente a forma de trabalhar do pessoal do UOL, com bastante liberdade e dinamismo, algo muito diferente do que eu estava acostumado depois de tantos anos atuando em veículo impresso”, comenta Livio.

Ele explica ainda que o fim da parceria foi uma decisão pessoal, motivada por novos rumos tomados pelo portal na cobertura da Formula 1: “Infelizmente as coisas não fluíram como poderiam e chegou a hora de eu pôr um ponto final na minha participação no UOL. As razões são basicamente nossas leituras profissionais distintas e a forma de se relacionar muito diferente da minha cultura”.

Em post de despedida publicado no começo do mês, durante o fim de semana do Grande Prêmio de Austin, no Estados Unidos, Livio agradeceu ao público que acompanha seu blog: “Estivemos juntos, este ano, em boa parte da temporada. E, acredite, foi um prazer compartilhar minhas emoções nesse espaço com vocês que, como eu, tanto apreciam esse ainda fantástico universo da Fórmula 1”.

Sobre o futuro ele garante que recebeu algumas propostas durante o Grande Prêmio do Brasil, mas ainda irá analisar quais serão seus próximos passos profissionais. “O que é certo é que continuarei na Formula 1 em 2015”, conclui

Começam as comemorações pelos 30 anos da Rede Minas

A Fundação TV Minas Cultural e Educativa (Rede Minas) inicia a comemoração dos 30 anos de atuação com uma nova grade de programação. Até 8/12, data da celebração, vários projetos serão apresentados. O Jornal Minas 2ª Edição, às 19h30, estreou novos formato e visual. O noticiário passou a contar com dois apresentadores: Raquel Capanema, que já comandava o telejornal, e Luciano Correia, também apresentador do Palavra Cruzada. O Minas 2ª vai adotar um tom mais descontraído e informal, ampliando a participação de repórteres, inclusive de emissoras afiliadas, além de receber até três especialistas para debaterem os temas noticiados. O Opinião Minas também tem nova apresentadora, Érica Toledo, em substituição a Luciano Correia. O programa redireciona a linha editorial, passando a tratar assuntos diretamente ligados às áreas de saúde, psicologia, educação e cidadania. Érica começou em 1995, como estagiária na própria Rede Minas, passando posteriormente por Rede Globo, SBT, TV Alterosa e Rede Record. A emissora estreou ainda o novo slogan, Rede Minas – ligada ao seu mundo, que está incluído na proposta de reformulação da identidade visual, reforçando as comemorações de aniversário de 30 anos. Foram desenvolvidos novos menus, chamadas, vinhetas e trilhas sonoras originais. A logomarca da emissora passou por revitalização, adotando um traço mais leve em sua tipologia. Ao mesmo tempo, foi criada a marca de 30 anos, com a própria silhueta do número trinta. Novos projetos serão apresentados até o final do ano.

Memórias da redação ? Efeito colateral

A história desta semana é uma nova colaboração de Ubirajara (Moreira da Silva) Júnior ([email protected]), que teve passagens por Folha de S.Paulo, Diário Popular, TV Globo, SBT, TV e Rádio Gazeta, Assessoria de Comunicação da Autolatina e Secretaria de Esportes e Turismo de São Paulo; também foi professor da Universidade Braz Cubas, em Mogi das Cruzes. Atua no jornalismo científico em Brasília há 17 anos; hoje, é coordenador de Comunicação Social da Agência Espacial Brasileira (AEB). Efeito colateral Nos anos 80 do milênio passado estava na TV Globo de São Paulo, funcionando à época num carcomido sobrado cinza na praça Marechal Deodoro, bem em frente da atual estação do metrô, cujo nome não poderia ser outro que não o do velho marechal republicano. Era um local insalubre, situação infausta, que a reunião de uma boa quantidade de pessoas sangue bom ajudava a suportar. Entre elas estava o Herivelto, um caboclão que trabalhava no setor de reprografia. Muito prestativo, praticamente desconhecia a palavra não. Sempre que sobrava um tempinho ia até seu setor para jogar um pouco de conversa fora. Gostava de conversar com ele, que sempre tinha interesse em absorver o conhecimento e a experiência de vida dos mais velhos. Ele também tinha curiosidade de saber dos colegas, principalmente dos casados, de quais estratégias lançavam mão para driblar suas companheiras para puladas de cerca. Era pura curiosidade, pois confessava ser incapaz de adotar qualquer dos estratagemas apresentados, não por santa fidelidade, mas por “puro medo da patroa”. Segundo ele, sua mulher era uma fera. Tal qual um inquisidor do Santo Ofício, tinha tolerância zero diante da menor desconfiança de infidelidade. Por mais banal que fosse a suspeita, apresentava uma coleção de ameaças, começando pela famosa “coloco você no olho da rua com a mala de roupa e aqui você não entra nunca mais”. Levava tão a sério as advertências que as via como a Espada de Dâmocles, que morria de preocupação em se meter em qualquer situação que pudesse suscitar o mais leve malentendido por parte da esposa. Assim, não adiantava convidá-lo para uma simples amenidade que significasse chegar em casa fora do horário habitual. Se surgia um imprevisto que exigisse esticar o trabalho além do horário, sua primeira preocupação era ligar para casa. Além de informar sobre o fato ainda fornecia o telefone do superior ou de quem estivesse na Chefia de Redação para que a esposa checasse a informação caso quisesse. Que me lembre, a mulher nunca checou, aceitando os contatos como garantia e confiando em suas reiteradas advertências. Mas, algumas vezes, ligou para conferir se ele ainda estava no trabalho, ou apareceu sem avisar para se certificar da tal necessidade da hora extra. Na época eu tinha amizade com um dos sócios do Motel Fantasy, que ficava na região de Interlagos, Zona Sul da cidade. Certo dia o amigo me perguntou se poderia levar sua mulher para conhecer as dependências da Globo, pois ela tinha curiosidade em conhecer as instalações de uma emissora de televisão e ver o estúdio do programa TV Mulher. No dia combinado o casal compareceu e lhes mostrei praticamente o prédio todo. Como cortesia, meu amigo deixou uma dúzia de kits que eram dados aos clientes do motel contendo aquelas coisas que praticamente são as mesmas até hoje: pente, escova de dente, creme dental, toca de banho, sampo, condicionador etc.. Um dos kits ofereci para o Herivelto, que recusou com a mesma ênfase que Drácula recusaria um crucifixo de presente. Insisti, alegando não ter nada de mais e que poderia usar em casa, além de aproveitar o estojo para carregar pequenos acessórios, uma vez que era feito de material resistente e sem identificação do estabelecimento. Não consegui convencê-lo, mas resolvi guardar um exemplar do brinde. Dias depois voltei a insistir para que ficasse com o kit, pois percebi que, apesar da ferrenha recusa, ele ficara interessado. Foram necessárias mais do que as duas investidas para que finalmente aceitasse o kit, pois o convenci a repassá-lo para outra pessoa. Durante um bom tempo ele guardou o kit em sua gaveta de trabalho até que um dia me contou que já tinha para quem dar. Era um amigo que trabalhava em outra emissora com quem tinha conseguido junto à esposa um alvará-permissão para participar de uma pelada de fim de semana. Foi ai que a Lei de Murphy se fez valer mais uma vez. Empolgados com a conquista do time deles no minitorneio disputado, que rendeu uma boa cervejada aos atletas, Herivelto e o amigo se esqueceram do kit, que ficou no porta-luvas do carro até que foi encontrado pela esposa dias depois. “Quando dobrei a esquina de casa avistei minha mulher no portão com a cara mais fechada que já tinha visto desde que a conhecera”, contou ele. Tinha tanta fúria nos olhos que, “mesmo distante dava para sentir a agulhada das chispas que soltava”. Sabia que tinha ocorrido alguma merda, que a situação era gravíssima, sendo o único consolo não ver sua mala na calçada. Naquele tempo não existiam computadores, mas Herivelto passou a rodar o disco rígido do cérebro em busca de qualquer vestígio de informação que pudesse ajudar a identificar qual deslize tinha cometido. A barafunda de pensamentos a serem esmiuçados era muito superior ao espaço que tinha entre a esquina e sua casa. “Meu coração quase saiu pela boca quando cheguei perto e ela retirou as mãos das costas segurando o kit do motel”. A mulher estava possessa, contou ele. “Estava com tanta raiva que fazia duas, três perguntas de uma vez e não aceitava nem a introdução das respostas”, me contou relembrando a situação de pânico. Segundo sua mulher, sua mala só não estava prontinha ali no portão porque a descoberta fatídica havia ocorrido havia menos de meia hora, quando ela retornava de carro de uma pequena compra no supermercado. Quando finalmente Herivelto conseguiu emitir um argumento com princípio, meio e fim, disse que o kit fora um presente meu, que por sua vez havia recebido de um dos donos do motel em visita à tevê. Herivelto me disse que não obteve permissão para entrar em casa e teve que voltar ao trabalho para que a mulher tirasse a limpo aquela história. “Pelo caminho”, me disse ele, “rezava para que você não tivesse ido embora, caso contrário teria que procurá-lo em casa, pois só o seu testemunho garantiria que eu voltaria a dormir na minha cama”. Quando o casal entrou em minha sala de trabalho com a mulher segurando o pomo de discórdia só não cai na gargalhada em consideração ao colega, ainda lívido e com expressão de socorro no olhar. Esclareci a situação detalhadamente e para dissipar totalmente a menor sobra de dúvida e chancelar a argumentação mostrei uns dois kits que ainda tinha guardado. Para afastar todo e qualquer resquício de um cartão vermelho ainda reforcei que o Herivelto havia recusado veementemente o brinde e que só estava com ele porque eu havia pedido que o repassasse ao colega em comum, que eu só conhecia por telefone. Pensei que perderia a amizade do Herivelto, afinal tinha parte da culpa no quase rompimento de seu casamento. Mas para minha surpresa, no dia seguinte me chamou para conversar e segredou que o ocorrido tivera até um efeito colateral. “Voltei para casa falando mais grosso e dizendo que não aceitaria mais a situação de viver sob eterna desconfiança, afinal tinha comprovado minha total fidelidade”. Como diz o surrado adágio popular: há males que vêm para o bem.

Últimas notícias

pt_BRPortuguese