Por Assis Ângelo

Pois bem, há pouco eu disse inté. Isso a gente diz quando se despede de alguém e coisas e loisas. Aliás, não custa lembrar da importância histórica representada pela presença feminina no mundo das artes, incluindo a poesia de bancada e a poesia de improviso desenvolvida ao som de violas.

– Assis, posso interromper um pouquinho?

– Claro, Flor Maria.

– Não sei se já perguntei, mas a minha curiosidade é tanta que me leva a querer saber mais da existência das mulheres batendo viola em desafio com os marmanjos dos tempos de ontem Brasil afora.

– Bom, não foram tantas. Mas também dá pra dizer que não foram assim tão poucas.

– Teve uma mulher chamada Chica Barrosa. Até onde sei, ela era – no dizer comum – “o Cão comendo cocada”.

Chica Barrosa (Crédito: Ilustração de Chicoshico)

– Sim, há registros curiosíssimos sobre ela e outras do seu tempo e de tempos que chegam até nós. Pra começo de história, a Chica a quem você se refere era uma negrona bonita, alta, charmosa e cheia de nove horas, batizada com o santo nome de Francisca Maria da Conceição. Paraibana do sertão patoense. Era chegada a uma boa cana e conversas fora de cantoria. Morreu antes do tempo, assassinada por um calhorda que se achava dono do mundo. Foi em 1916. Andava na casa dos 40. Há fragmentos de pelejas com sabichões do mundo machista representado por um tal de Manoel Martins, o Neco Martins. E mais e mais.

– Nessa história, a cegueira onde fica?

–  Peço licença ao truliso/Dos olbus das periférias/Dos chuás das pontulínias/Dos chomotós das matérias/Das grotas dos veluais/Das mimosas deletérias. Brincadeira, brincadeirinha aos moldes do conterrâneo Zé Limeira.

Agora, sério: a cegueira se acha até nos olhos mais lindos e vivos possíveis. Dou-me ao luxo de falar no modo popular e figurativo. Mas é bom que se diga da importância do Cego Sinfrônio na história do cego rabequeiro Nordeste adentro. Muita coisa ele disse sobre pelejas entre ele e outros, como Cego Aderaldo. Tinha também o Cego Oliveira. No entanto, os cegos cantadores do Brasil estão desaparecendo e no lugar deles ninguém de novo surge.

Ceguinhas de Campina Grande

– E as famosas ceguinhas de Campina Grande?

– Maravilhosas, mas uma delas já foi cantar pra Deus: Maroca, a mais velha das três. Sobre elas fiz uma cantiga, Vida Cega. Clique.

Contatos pelos [email protected], http://assisangelo.blogspot.com e 11-98549-0333

 

 

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