Estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostrou que o jornalismo brasileiro teve saldo negativo de empregos formais no último ano. O levantamento, feito de janeiro de 2025 a janeiro de 2026, registrou 10.132 admissões contra 10.176 desligamentos no período, o que equivale a um saldo negativo de 44 postos de trabalho no País.
Outro dado preocupante do estudo refere-se a reajustes salariais: a maioria ficou limitada à reposição da inflação. Segundo o Dieese, 77,3% dos reajustes ficaram no mesmo patamar do INPC, enquanto a variação real média foi de apenas 0,87% no conjunto das categorias analisadas.
Além disso, o mercado do jornalismo brasileiro segue marcado pela informalidade, que chegou a 37,6% no quarto trimestre de 2025. No mesmo período, 72,6% dos trabalhadores por conta própria não tinham CNPJ. Tais números refletem o cenário de pejotização e de queda nas garantias trabalhistas para jornalistas.
Para a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), os números confirmam um quadro de fragilidade no setor: “O que os dados mostram é que a precarização no jornalismo vem se aprofundando de forma persistente, com redução dos postos formais, ampliação da multifunção, pejotização e sobrecarga de trabalho”, declarou Fernanda Gama, diretora de Mobilização, Negociação Salarial e Direito Autoral da Fenaj. “Esse processo não pode ser tratado como algo natural do mercado, porque compromete direitos, enfraquece a profissão e afeta diretamente a qualidade da informação oferecida à sociedade. Por isso, o combate a essa lógica precisa seguir no centro da ação sindical e das campanhas salariais da categoria”.
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