Por Luciana Gurgel

Ações judiciais movidas por empresas jornalísticas, escritores, músicos e atores contra companhias de IA alegando violação de direitos autorais estão quase virando rotina. Mas o processo aberto na semana passada contra o Grammarly pela jornalista americana Julia Angwin, especializada em tecnologia, privacidade e vigilância digital, é diferente de muitos deles.
O que está em pauta não é a apropriação de conteúdo para treinamento de modelos sem consentimento ou remuneração, mas a identidade profissional de um autor.
A controvérsia envolve o recurso Expert Review, desativado pelo Grammarly após a repercussão do caso. A ferramenta oferecia comentários e sugestões de escrita atribuídos a especialistas reais, como jornalistas, escritores e acadêmicos, revisando textos a partir do método e do estilo desses profissionais.
Pelo menos dois outros grandes nomes do jornalismo de tecnologia nos Estados Unidos, Casey Newton e Kara Swisher, também se surpreenderam ao descobrir que haviam sido transformados em “experts” da plataforma. O Grammarly incluiu ainda escritores vivos, como Stephen King, e mortos, como Carl Sagan.

Julia Angwin decidiu levar o caso à Justiça, acusando a empresa de usar sem autorização os elementos que formam a sua reputação profissional para vender uma funcionalidade paga. A ação foi protocolada como coletiva, permitindo que outros autores que se considerem prejudicados se juntem ao processo.
Depois da repercussão, o Grammarly desativou o recurso e admitiu que sua resposta inicial foi insuficiente. Antes disso, a empresa havia oferecido apenas um sistema de opt-out, em que os profissionais afetados precisavam pedir para não serem incluídos. O desfecho dessa disputa pode ajudar a definir o que é legítimo e aceitável empresas de IA utilizarem para treinar seus modelos de linguagem sem consentimento ou remuneração, indo além de elementos concretos como imagens, voz ou textos.
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