Um ataque aéreo do exército israelense contra o Hospital Nasser, em Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, matou pelo menos 20 pessoas na segunda-feira (25/8). Entre as vítimas, estavam cinco jornalistas. Segundo a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), já são mais de 200 profissionais de imprensa que foram mortos desde o início da guerra entre Israel e o Hamas.
Os jornalistas assassinados são Hossam al-Masri, fotógrafo freelancer da Reuters; Mariam Abu Daqqa, jornalista independente que colaborava com o Independent Arabia e a Associated Press; Moaz Abu Taha, correspondente da rede americana NBC; Mohamad Salama, fotógrafo da Al Jazeera; e Ahmed Abu Aziz, que atuava em veículos locais palestinos e para a rádio tunisiana Diwan FM. Segundo o porta-voz da Defesa Civil de Gaza, foram dois ataques separados ao hospital: O primeiro foi executado com um drone explosivo e o segundo foi um bombardeio realizado enquanto equipes de resgate prestavam socorro aos feridos.
As Forças Armadas israelenses confirmaram os ataques, mas lamentaram “a morte de pessoas não envolvidas”, e declararam que vão abrir uma investigação “o mais rápido possível”.
Dois dias antes, no sábado (23/8), o exército israelense assassinou o cinegrafista da Palestine TV, Khaled al-Madhoun, morto no norte de Gaza enquanto filmava a distribuição de alimentos. Segundo informações da RSF, um tanque israelense teria mirado diretamente no cinegrafista.
Vale lembrar que, há duas semanas, pelo menos seis jornalistas foram mortos em um ataque israelense à Cidade de Gaza. O bombardeio foi direcionado a uma tenda que abrigava profissionais da imprensa, localizada em frente ao portão principal do Hospital al-Shifa. O Exército Israelense admitiu o ataque, alegando que o alvo era o correspondente Anas Al-Sharif, considerado terrorista pelo governo de Benjamin Netanyahu.
Entidades defensoras do jornalismo e do trabalho da imprensa condenaram os assassinatos. A RSF destaca que, desde outubro de 2023, mais de 200 jornalistas foram mortos pelo exército israelense, incluindo pelo menos 56 em decorrência direta de seu trabalho.
“Até onde irá o exército israelense em seu esforço gradual para eliminar as informações que vêm de Gaza? Até quando continuarão a desafiar o direito humanitário internacional?”, questionou a RSF. “A proteção dos jornalistas é garantida pelo direito internacional, no entanto, mais de 200 deles foram mortos pelas forças israelenses em Gaza nos últimos dois anos. (…) A RSF pede uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para garantir que esta resolução seja finalmente respeitada, e que medidas concretas sejam tomadas para acabar com a impunidade dos crimes contra jornalistas, proteger os jornalistas palestinos e abrir o acesso à Faixa de Gaza a todos os repórteres”.
Nesta terça-feira (26/8), o Escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas (ACNUDH), da ONU, afirmou que Israel deve ser responsabilizado pelos ataques e as mortes. Thameen al-Kheetan, porta-voz da ACNUDH, afirmou que os jornalistas “são os olhos e os ouvidos do mundo inteiro e devem ser protegidos. É preciso haver justiça. É responsabilidade de Israel, como potência ocupante, investigar. Mas essas investigações precisam gerar resultados. Ainda não vimos qualquer responsabilização ou consequência”.










