iG e Diário de S. Paulo anunciam parceria 

Maria João Abujamra, vinda do jornal, é a nova VP de Operações do portal

 

iG e Diário de São Paulo anunciaram em 11/12 uma parceria “com o objetivo de compartilhar conteúdo”. De acordo com Lauro Jardim, em O Globo, a ligação entre as duas empresas não se restringiria a isso; seria, sim, uma incorporação do iG à Cereja, de Mário Cuesta, detentora do título Diário de S. Paulo.

A informação oficial, porém, dá conta de que é uma parceria operacional, em que Cuesta assume a gestão e Nuno Vasconcellos, da Ongoing (dona do iG), segue como presidente do Conselho. Nuno, por sinal, vê-se diante de uma crise sem precedentes, que inclui problemas financeiros e uma rusga na relação com seu padrinho e ex-primeiro-ministro de Portugal Francisco Pinto Balsemão, conforme publicado no portal português Sol. Ele também enfrenta problemas na Ejesa, no Rio, dona de O Dia, Meia Hora e do título Brasil Econômico, que deixou de circular na versão impressa em julho (veja mais à frente).

Como parte do “pacote iG”, chega para assumir a vice-presidência de Operações do portal Maria João Abujamra. Neta do recentemente falecido ator Antonio Abujamra e afilhada do ator global Antonio Fagundes, Maria geria a área de projetos especiais e integração de conteúdo do Diário de S. Paulo. Também atriz, formou-se em Jornalismo e Publicidade e Propaganda e tem especialização em Marketing. Foi repórter do Programa Amaury Jr. durante dez anos, quando também fundou A Produtora, que mais tarde se transformou na NaJaca Comunicação.

Ela chega ao iG com a missão de ligar as duas empresas, cujas bases estão em plataformas diferentes. Terá ainda como desafio aproximar as editorias com a parte comercial, com o objetivo de gerar conteúdos especiais e, claro, receita.

“Essas dificuldades devem servir como motivação para que pensemos em saídas criativas para o nosso modelo de negócio, informando de maneira cada vez mais ágil, relevante e irreverente nossos internautas e levando soluções aos anunciantes”, disse em nota a vice-presidente. “Não é hora de reclamar, mas de fazer a coisa dar certo, motivando as pessoas e pensando no melhor caminho para informar bem nossos leitores e crescer com nossos anunciantes”.

Na Ejesa No Rio, hoje sede da Ejesa, houve nesta 2ª.feira (14/12) manifestação dos demitidos em julho passado, quando da extinção do Brasil Econômico, acompanhados dos profissionais que foram dispensados na mesma época de O Dia e Meia Hora, jornais que mantiveram a circulação. Ao todo, foram dispensados então cerca de 40 profissionais.

Diante do prédio na rua dos Inválidos 198, os manifestantes exibiram uma faixa com os dizeres: “Jornalistas do Brasil Econômico, O Dia e Meia Hora exigem respeito”.

Quando da demissão, ficou acertado que as verbas rescisórias seriam pagas parceladamente, em até dez vezes, conforme o tipo de contrato e a faixa salarial. Em troca, a empresa oferecia uma extensão do plano de saúde e, para alguns, mais três meses de vale-alimentação. A empresa pagou os meses de julho e agosto, depois disso, não mais.

Também descumpre a multa contratual prevista nos casos de atraso, e tem ainda mais de um ano de depósitos atrasados do FGTS. Os ex-empregados pediram uma reunião, na semana passada (10/12), com a diretoria da empresa, mas não obtiveram resposta.

O Sindicato do Município, como era de se esperar, acolheu a demanda e a presidente Paula Máiran acompanhou os manifestantes até o Consulado de Portugal, onde foram recebidos pelo secretário do cônsul geral. A ele entregaram uma carta com o relato da situação. Pretendem, com isso, constranger a empresa, portuguesa de origem, a cumprir o que prometeu no Brasil. Quem manteve o emprego nos jornais O Dia e Meia Hora está com os salários atrasados e sem previsão de receber o 13º.