“O Brasil não tem povo, tem público”. A frase, atribuída a Lima Barreto (1881-1922), define bem o impasse midiático na fase em que vive o País
* Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de J&Cia no Rio
Lima Barreto será o autor homenageado na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), de 26 a 30 de julho. Independentemente do cenário político, Joselia Aguiar – que substituiu Paulo Werneck na curadoria da Flip – afirmou que não há mesas previstas para se tratar da crise por que passa o País. Ao apresentar a programação completa da festa, na semana passada (30/5), falou também sobre a dificuldade em levar mais mulheres e autores negros, cuja ausência foi criticada em outras edições. A dificuldade existe mesmo quando o homenageado é um autor negro.
Se fôssemos hoje apresentar Lima Barreto aos leitores, veríamos que ele foi, antes de um expoente da literatura, um homem de jornal e um tipo bem carioca de sua época. Nasceu em 1881, na rua Ipiranga, próximo ao Largo do Machado, filho de pai tipógrafo e mãe professora, ambos filhos de mães escravas e pais portugueses. Apadrinhado por um nobre, o jovem Afonso teve educação esmerada.
Começou a carreira como jornalista por volta de 1903, publicando artigos no Correio da Manhã e no Jornal do Commercio. No mesmo ano, fez concurso público e foi contratado pela Secretaria de Guerra, emprego burocrático que manteve até o final da vida. Em 1907, integrou o grupo de escritores e ilustradores na fundação da revista Fon-Fon. Em 1911, publicou Triste fim de Policarpo Quaresma como folhetim no Jornal do Commercio, pagando depois, do próprio bolso, a edição em livro. Em 1915, iniciou uma longa colaboração com a revista ilustrada Careta, periódico em que ele mais escreveu, às vezes sob pseudônimos. Careta foi importante veículo para a divulgação de suas ideias, como uma visão crítica sobre o regime republicano. Por três vezes, candidatou-se, sem sucesso, à Academia Brasileira de Letras: recusado por duas vezes, desistiu ele próprio na terceira.
Barreto morreu em casa, no bairro de Todos os Santos, em 1922, aos 41 anos, de colapso cardíaco, com o organismo debilitado depois de algumas internações para tratar de alcoolismo e depressão. Foi sepultado no cemitério São João Batista, em Botafogo.
Até 1921, publicou os romances Recordações do escrivão Isaías Caminha, Vida e morte de M.J. Gonzaga de Sá, Numa e ninfa, Os bruzundangas e trechos do inacabado Cemitério dos vivos. Boa parte de sua obra literária foi publicada postumamente, como Clara dos Anjos, Diário íntimo e parcelas da correspondência pessoal, com base na pesquisa de Francisco de Assis Barbosa nos anos 1950, além de Sátiras e outras subversões, livro organizado por Felipe Botelho Corrêa, mais recentemente.
Na Flip, a Casa Azul, que responde pela organização do evento, atende a imprensa no [email protected] ou 11-3081-6331, ramal 106.





* Dal Marcondes (
Eduardo Salgado licencia-se por um ano de Exame, onde é editor executivo, para fazer mestrado de meio de carreira em administração pública na Kennedy School of Government da Universidade Harvard (Programa Mason), em Boston (EUA).

sendo feito, mas já incluímos na edição os rankings por grupo e por agências individuais, que será a fórmula adotada a partir do próximo ano, para que possamos oferecer comparações padronizadas e justas”.










