São Paulo ganha, na semana de seu aniversário de 466 anos (25/1), uma série inédita no formato podcast que resgata histórias da formação da cidade e de sua gente. Idas&Vindas é a primeira produção ficcional de um órgão público no País e a primeira ficção em podcast 8D, tecnologia que reproduz além do plano horizontal, permitindo que o ouvido humano tenha uma experiência realmente imersiva.
A série completa está disponível nas principais plataformas de streaming de áudio, onde pode ser ouvida de forma gratuita. Também pode ser acessada diretamente no site da Prefeitura.
Dividida em oito episódios, Idas&Vindas é protagonizada por uma personagem (Dona Teresa) que se desloca de ônibus pelos bairros de São Paulo. Em seus passeios, ela vai relembrando fatos históricos, que sempre têm em comum, como pano de fundo, alguma relação familiar com a protagonista. Diálogos e trilha sonora ajudam a compor os cenários de época, um dos diferenciais da produção.
A Secom, responsável pelo trabalho, é comandada por Marcus Vinicius Sinval. A liderança do projeto é de Alec Duarte, head de Digital da Prefeitura.
Além da série, a Prefeitura produz desde abril do ano passado conteúdo informativo em áudio com frequência semanal. São dois programas: Aproveite Sâo Paulo, pílulas de um minuto que têm o objetivo de descrever serviços e equipamentos públicos para orientar o cidadão; e Acontece em SP, bate-papo semanal com convidados sobre assuntos que dizem respeito à cidade.
A surpreendente demissão voluntária de Tony Hall do cargo de diretor-geral da BBC, anunciada nessa segunda-feira (20/1) em meio ao que vem sendo considerada a mais grave tormenta da história da emissora, pode até fazer lembrar a regra náutica que prevê que um bom capitão é o último a deixar o barco.
A leitura desse movimento, no entanto, é de que Lord Hall of Birkenhead
– ele detém o pomposo título honorífico – resolveu sair como uma tentativa de
amortecer a tensão entre a BBC e o Governo. E assim facilitar o embate iminente
com a administração de Boris Johnson para manter a taxa obrigatória de £ 154
por residência que permite acesso aos canais – fora custos de sinal de cabo ou
satélite
Hall deixa um salário anual de £ 450 mil (quase R$ 2,5 milhões) e vai
assumir o comando da National Gallery. Deixa também boas encrencas para o
sucessor, em um momento crucial para o futuro da rede.
A Beeb ou Auntie Beeb, como é chamada a BBC,
nasceu em 1922, tem 22 mil funcionários e receita de £ 4,9 bilhões em 2018/19,
sendo 75% provenientes da taxa e o restante principalmente da venda de
conteúdo, formatos e licenciamentos. Fechou no vermelho, com déficit
operacional de £ 69 milhões. O fim da taxa compulsória, paga hoje por 25,8
milhões de domicílios, pode ser um golpe mortal.
Há quem aponte perseguição política. A emissora foi acusada de
parcialidade na campanha de 2019 pelos dois partidos majoritários. Para o lado
vencedor, o estopim foi a pressão para Boris Johnson ser sabatinado pelo
programa de Andrew Neil, disparando
um mar de críticas nas redes sociais.
Durante a campanha Johnson já mostrava suas intenções, falando sobre os
planos de descriminalizar em breve a
evasão da taxa, em torno de 7%, que hoje dá processo e multa de £ 1 mil. E
depois acabar de vez com ela, levando a emissora a competir com outros players do mercado, como a Netflix.
Foi um bom lance político, que soou como música em especial para
aqueles acima de 75 anos, alarmados com os planos anunciados pela emissora de
passar a cobrar o valor dos idosos, hoje isentos. Isso já era previsto desde
que a isenção foi concedida há vários anos. Só que não agrada a quem conta com
o benefício.
Audiência em queda entre jovens – Mas os desafios da BBC não se limitam a manter a taxa. A pedreira
maior é queda de audiência, principalmente entre jovens. Uma turma que consome
conteúdo das plataformas como Netflix e Amazon Prime ou canais do YouTube em smartphones, tablets e computadores, muitos sem TV em casa. O volume amealhado
com a taxa já caiu 4% em relação ao exercício anterior, sinalizando que nem
todo mundo vê a BBC como obrigatória hoje em dia.
A emissora tenta se reinventar com projetos como os serviços de streaming BritBox e Sounds, e programas
com linguagem leve, distante da seriedade que é sua marca. Anunciou até o Beeb,
um assistente de voz para rivalizar com o Alexa da Amazon, capaz de entender
sotaques regionais do inglês. Na bolsa de apostas para o sucessor de Hall
emergiu o nome do atual diretor responsável pelo IPlayer, familiarizado com
esse universo.
Equal Pay e altos salários – Ela sofre também com processos movidos por jornalistas que se acham
discriminadas em relação a colegas homens, principalmente após a vitória de Samira Ahmed no tribunal, sobre a qual
falamos aqui semana passada. Especula-se sobre a nomeação de uma
diretora-geral, demonstrando respeito às mulheres.
Há ainda o imbroglio dos
salários de celebridades como o ex-jogador de futebol Gary Lineker, que fatura
£ 1,750 milhão. Famosos sempre ganharam mais do que anônimos na mídia e no show business, pela capacidade de atrair
audiência e anunciantes. Como estatal que cobra até dos aposentados, no
entanto, os valores astronômicos jogam mais lenha na fogueira.
É difícil encontrar emissora comparável à BBC, tanto para quem a
assiste hoje quanto pelo seu papel na sociedade britânica, com transmissões
históricas e programas que marcaram época. Ao ponto de emprestar o nome à
pronúncia padrão do inglês no Reino Unido, chamada de “BBC English”.
Mas a fila anda. Outro interlocutor pode até melhorar o diálogo com o
Governo e obter conquistas em relação à taxa. Os demais obstáculos, no entanto,
vão demandar muito mais do que acordo político para serem transpostos.
Em uma das mais equilibradas apurações envolvendo veículos de comunicação
desde a criação, em 2011, deste Ranking dos +Premiados da Imprensa
Brasileira, as tevês Globo e Record encerraram 2019 separadas pela
diferença mínima de cinco pontos na disputa pela primeira colocação dos +Premiados
Veículos do Ano.
Com 420 pontos, a emissora do Grupo Globo ficou mais uma vez
à frente na pesquisa, a oitava em nove anos deste levantamento. Foram 13
troféus em 2019, entre eles os prêmios Comunique-se, Aceesp, CNT, Estácio, Vladimir
Herzog e Direitos Humanos de Jornalismo.
Já a Record comemorou um dos anos mais vitoriosos da história de seu
Jornalismo. Grande parte desse bom desempenho deve-se ao programa Câmera Record, que conquistou em 2019
duas das mais relevantes premiações internacionais do Jornalismo, os
prêmios Rei da Espanha e SIP, ambas tendo como
pano de fundo os mandos e desmandos na Amazônia brasileira. Foram 415
pontos e dez prêmios. Entre eles estiveram também o Grande
Prêmio Abrafarma e os MPT, Estácio e República de Telejornalismo.
Vale lembrar que esses bons resultados também contribuíram para a emissora
emplacar cinco profissionais nos Top 10 dos +Premiados Jornalistas do Ano.
A terceira colocação ficou com o jornal gaúcho Zero Hora, que, com 13
conquistas em 2019, terminou o ano com 295 pontos. Completam
os Top 10: Folha de S. Paulo (4º – 275 pontos por sete
prêmios), Bandnews FM (5º – 250/nove), Rádio Gaúcha (6º – 230/11),
Correio Braziliense (7º – 220/oito), O Globo (8º – 215/seis),
SBT (9º – 170/oito) e, empatados na décima posição, com 165
pontos, o site Metrópoles (quatro prêmios) e o jornal Valor Econômico (cinco).
Paulo Vinícius Coelho, o PVC, está de casa nova. Ele assinou com o Grupo Globo e fará parte da equipe de esportes da emissora. A estreia será em 3/2, no programa Bem Amigos, do SporTV.
Considerado por muitos como um dos mais renomados nomes do
jornalismo esportivo do Brasil, PVC trabalha hoje como comentarista na rádio
CBN e como colunista na Folha de S.Paulo. Anteriormente, passou por Placar,
ESPN, Lance, Fox Sports e UOL.
O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) começou a divulgar as reportagens da série Luanda Leaks. Reunindo 120 profissionais, de 36 veículos e 20 países, a série teve como base mais de 715 mil registros financeiros e comerciais confidenciais e entrevistas para expor duas décadas de acordos corruptos que tornaram Isabel dos Santos, filha do ex-presidente da Angola José Eduardo dos Santos, a mulher mais rica da África e a nação angolana, rica em petróleo e diamantes, uma das mais pobres da Terra. No Brasil, participaram da apuração e divulgação o site Poder360, a revista piauí e a Agência Pública.
Os documentos utilizados como fonte para as reportagens, que incluem também e-mails pessoais da família Santos, relatórios de assessores, auditorias privadas e vídeos de reuniões, foram fornecidos ao ICIJ pela Plataforma de Proteção de Denunciantes na África (PPLAFF, em inglês).
Alexandre Freeland deixa a Infoglobo, onde esteve nos últimos dois anos, ultimamente como diretor de Projetos Estratégicos da redação integrada de O Globo, Extra e Época, e volta para a In Press Porter Novelli como diretor executivo. Vai dirigir o escritório do Rio, posição que ocupava antes na empresa, cuidando de branded content e projetos especiais em comunicação. A nova atividade, porém, tem um modelo que ainda está sendo elaborado – ele deve atuar também na produção de conteúdo, em conjunto com o estúdio de criação, que tem sua base em São Paulo. A propósito, Infoglobo é cliente da In Press.
Em mensagem de despedida, Freeland disse: “Cheguei com muitos planos e expectativas. Saio realizado pela sorte de ter encontrado tanta gente talentosa e guerreira. Levo ótimas lembranças, amizades de dar gosto e uma enorme admiração pelo trabalho desse time. Sou fã, em resumo. Ou brand lover, como gostam de dizer nesse mundo da comunicação corporativa, para onde estou de mudança”.
O Ministério Público Federal denunciou nesta terça-feira (21/1) o diretor do The Intercept Brasil (TIB) Glenn Greenwald por envolvimento com hackers que invadiram celulares de autoridades públicas. Segundo a acusação, ele teria orientado os criminosos a apagar parte do conteúdo vazado para a publicação de reportagens. Greenwald não foi investigado ou indiciado, mas segundo o MPF, foi comprovado que ele ajudou o grupo na invasão de celulares. O TIB usou o material para denunciar irregularidades na Operação Lava-Jato.
Outras seis pessoas também foram acusadas no âmbito da Operação Spoofing, responsável por investigar as invasões. A denúncia, assinada pelo procurador da República Wellington Divino de Oliveira, aponta práticas ilícitas como lavagem de dinheiro, fraudes bancárias e interceptação de ligações telefônicas, além da invasão de aparelhos celulares.
Greenwald defendeu-se das acusações afirmando que “a denúncia é uma tentativa óbvia de atacar a imprensa”, criticando o atual governo: “O governo Bolsonaro e o movimento que o apoia deixaram claro que não acreditam em liberdade de imprensa. Não seremos intimidados por essas tentativas tirânicas de silenciar jornalistas. (…) Continuarei a fazer meu trabalho jornalístico. Muitos brasileiros corajosos sacrificaram sua liberdade e até suas vidas pela democracia brasileira, e sinto a obrigação de continuar esse nobre trabalho”.
Em nota, os advogados do diretor do TIB afirmam que a denúncia é um “expediente tosco”, que “fere a liberdade de imprensa” e serve como “instrumento de disputa política, depreciando o trabalho jornalístico de divulgação de mensagens realizado pela equipe do The Intercept Brasil”. Eles também disseram que “preparam medida judicial cabível” e que “pedirão à Associação Brasileira de Imprensa (ABI) que cerre fileiras em defesa do jornalista agredido”.
Em carta aos assinantes do The Intercept Brasil (TIB), o
editor executivo Leandro Demori afirmou que o ministro da justiça Sérgio
Moro, que será entrevistado no programa Roda
Viva desta segunda-feira (20/1), teve acesso à lista de entrevistadores e
aprovou os nomes que integrarão a bancada: “Ele aprovou os nomes dos
jornalistas que estarão na bancada para entrevistá-lo, nós confirmamos com
fontes. Não me espanta: Moro não sentaria em um canal ao vivo por duas horas
sem saber quem estaria na sua frente”. No mesmo comunicado, ele convidou os
assinantes a assistirem à live que o TIB
fará no horário do programa, em que os jornalistas do site reagirão à
entrevista com Moro ao vivo.
Antes da divulgação da lista dos jornalistas que
entrevistarão Moro, Glenn Greenwald, diretor do TIB, afirmou que “seria indesculpável e um tanto
covarde para o Roda Viva permitir que
Sergio Moro aparecesse sem colocar um jornalista do The Intercept Brasil no
painel para participar da discussão”. Ele publicou a hashtagInterceptNoRodaViva, que foi muito repercutida nas
redes sociais. Algum tempo depois, a TV Cultura divulgou a lista dos
jornalistas, sem a presença de nenhum integrante do The Intercept Brasil: Alan
Gripp (O Globo), Andreza Matais (Estadão), Leandro Colon
(Folha), Malu Gaspar (Piauí) e Felipe Moura Brasil (Jovem Pan).
Em entrevista
ao UOL, Leão Serva, diretor de Jornalismo da emissora, classificou a
frase de Greenwald como “indelicada” e afirmou que a escolha do entrevistado e
dos entrevistadores é feita pela própria TV Cultura: “Não pedimos sugestões nem
submetemos a bancada ao entrevistado. Alguns já fizeram sugestões, mas nenhuma
foi acatada”, disse Serva. Ele, porém, não detalhou os critérios da escolha.
Vale lembrar que o The Intercept Brasil foi o primeiro
veículo a publicar o vazamento de mensagens entre Sérgio Moro e os procuradores
da Operação Lava Jato, em junho de
2019.
O presidente Jair Bolsonaro ironizou o levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) sobre ataques à imprensa em 2019. Segundo o estudo, ocorreram 208 ataques a jornalistas ou veículos de comunicação no ano passado. Bolsonaro foi responsável por 121 casos, o que equivale a 58% do total.
Nas redes sociais, o presidente ironizou e riu dos dados registrados no levantamento. Além disso, em resposta a um internauta que perguntou como foi obtido o índice, ele escreveu: “Pegaram o QI médio da galera da imprensa. Deu 58”.
O relatório da Fenaj mostrou também um aumento de 54% no número de ataques registrados: em 2019, foram 208, enquanto que em 2018 foram 135.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) passou a integrar o projeto Voces del Sur, que monitora e denuncia ameaças à liberdade de expressão e de imprensa na América Latina. Além do Brasil, entidades de Argentina, Equador, Peru, Venezuela, Uruguai, Bolívia, Honduras e Nicarágua fazem parte da rede.
O projeto visa a garantir o cumprimento dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela ONU, como o acesso público à
informação e a proteção das liberdades fundamentais. As ameaças são
classificadas em restrições ao acesso à informação, abuso de poder, agressões
físicas e verbais, e desaparecimentos forçados.
A Abraji fornecerá dados de ameaças à liberdade de
expressão e imprensa no Brasil ao projeto, ampliando o seu alcance na América
Latina.