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quarta-feira, dezembro 31, 2025

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CIDH lista recomendações para preservar a liberdade de imprensa e expressão durante a pandemia do coronavírus

Edison Lanza, relator especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), listou cinco pontos essenciais para a defesa e preservação da liberdade de imprensa e de expressão em meio à pandemia do novo coronavírus.

O primeiro é a obrigação dos governos em fornecer informações confiáveis sobre a ameaça da Covid-19, com foco em garantir o acesso à informação. Além disso, a CIDH destaca a importância da internet no contexto atual, reiterando que os governos devem evitar o bloqueio a seus sites e dados.

Em relação aos profissionais de imprensa, a entidade destaca que os Estados devem ter a obrigação de proteger o trabalho dos jornalistas, que colocam a própria saúde em risco para trazer informações confiáveis e relevantes sobre a pandemia. Outro ponto é a luta contra as fake news, que podem gerar pânico e desordem. Segundo a entidade, governos e empresas de internet devem realizar um rigoroso trabalho de checagem e fiscalização do conteúdo que circula em suas redes, mas evitar ao máximo a censura e retirada de postagens, que devem ser utilizados apenas em casos confirmados e extremos.

O quinto e último ponto trata sobre o uso da tecnologia de vigilância para fiscalizar o cumprimento das recomendações de saúde e a propagação da Covid-19. A CIDH reitera que essas práticas devem “respeitar as proteções mais estritas e ser coerentes com as normas internacionais de direitos humanos (privacidade, não discriminação e outras liberdades)”.

Com informações da Abraji.

Sergio Leo começa a colaborar com El País

Sergio Leo

Após cinco anos como diretor de Políticas de Imagens da Febraban, Sergio Leo, a quem João Borges sucedeu na última semana (ver edição 1241), passou a colaborar com a edição brasileira de El País. Retoma, assim, sua carreira jornalística, que inclui passagens, entre outros, por IstoÉ Dinheiro, Estadão, TV Globo O Globo, Folha de S.Paulo e JB. Em seu texto de estreia, escreveu sobre o imbróglio diplomático do Brasil com a China.

Especialista em Relações Internacionais pela UnB, residindo em Brasília desde 1985, em 2014 publicou, pela Nova Fronteira, o livro-reportagem Ascensão e queda do Império X, sobre o fracasso empresarial do ex-bilionário Eike Batista; e Segundas pessoas, pela coleção Formas Breves, da e-galáxia, que tem a leitura como personagem.

Google anuncia novas iniciativas de apoio ao jornalismo na pandemia

Crédito: Arnd Wiegmann/Reuters

O Google anunciou na manhã desta quarta-feira (15/4) uma série de iniciativas de apoio a jornais e jornalistas em meio à pandemia do coronavírus. O principal lançamento é o Fundo de Auxílio Emergencial ao Jornalismo: avaliado na casa de “milhares de dólares”, servirá para auxiliar pequenos e médios veículos de todo o mundo, com foco especial em empresas que cobrem noticiário local. As informações são do Estadão.

“O noticiário local é um recurso fundamental para que pessoas e comunidades se mantenham conectadas. No momento atual, ele desempenha um papel ainda mais importante”, destacou em texto Richard Gringas, vice-presidente de notícias do Google, ao anunciar as medidas. Segundo ele, os valores vão de “alguns milhares de dólares para redações pequenas a dezenas de milhares para organizações de maior porte” e devem variar de acordo com a região. Veículos interessados podem se inscrever para receber recursos no site do projeto, até o próximo dia 30 de abril.

A empresa anunciou ainda a doação de US$ 1 milhão para o International Center for Journalists (ICFJ), que planeja oferecer recursos de apoio imediato a repórteres de todo o mundo, em especial àqueles que estão na linha de frente das reportagens sobre a Covid-19, bem como para o Dart Center for Journalism and Trauma, da Columbia Journalism School, que está ajudando jornalistas expostos a situações traumáticas durante esta crise.

“Acreditamos que temos a responsabilidade de fazer o que estiver ao nosso alcance para aliviar a pressão financeira imposta às redações. Continuaremos buscando novas maneiras de ajudar, com novos anúncios que serão feitos em breve”, declarou ainda o executivo.

Eduardo Zebini assume a direção de mídia da CBF

Eduardo Zebini, que em março deixou a VP da Fox Sports, é o novo diretor de mídia da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ele será responsável pela CBF TV, administração de direitos esportivos e distribuição das transmissões de torneios produzidos pela própria CBF.

Em nota publicada no site da entidade, o diretor Rogério Caboclo afirmou que a meta é “veicular ao vivo todas as 20 competições coordenadas pela CBF hoje. Queremos proporcionar futebol de qualidade de segunda-feira a domingo, em várias plataformas, na medida da demanda do torcedor”.

Com 30 anos de carreira, Zebini destacou-se em funções executivas de televisão. Era vice-presidente da Fox Sports desde 2012 e foi diretor de esportes da Record TV de 1996 a 2009. Nas duas emissoras, ajudou na conquista de direitos de transmissão de grandes eventos esportivos, como Copa do Mundo, Olimpíadas, Libertadores, Moto GP e Nascar.

Paulo Roberto Silva lança portal sobre inovação corporativa

Paulo Roberto Silva, ex-subeditor do DCI e ex-gerente de núcleo da Imagem Corporativa, lançou o portal Inovação Aberta, que traz notícias sobre projetos de inovação corporativa, transformação digital, empreendedorismo e tecnologias exponenciais. Ele atua como diretor de redação e editor-chefe do projeto.

Segundo Paulo, “os estudos que fizemos mostraram que há um interesse crescente do público por informações sobre projetos corporativos de inovação, transformação digital, indústria 4.0 e tecnologias exponenciais. Contudo, a oferta de conteúdo disponível ou é técnica demais ou muito apegada ao hype, sem interesse nos projetos e tecnologias que melhoram a produtividade das empresas. (…) Queremos ajudar o País a destravar sua competitividade”.

Sugestões de pautas e releases podem ser enviadas para [email protected] ou [email protected].

Lucas Strabko, o Cartolouco, deixa a TV Globo

O repórter esportivo Lucas Strabko, o Cartolouco, deixou em 13/4 a Rede Globo. Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, ele confirmou a saída, agradecendo a emissora e lembrando momentos marcantes: “Empresa que me fez conhecer lendas do futebol, empresa que fez eu conhecer meus ídolos Tiago Leifert, Felipe Andreoli, Luiz Roberto, Galvão Bueno”. Contratado em 2015, Cartolouco era conhecido por seu jeito despojado e reportagens cômicas, que davam muita audiência à emissora.

Em nota curta, a Globo declarou apenas que ele não fazia mais parte da equipe do Esporte. Segundo o UOL, a relação dele com a emissora estava desgastada por causa de diversos episódios polêmicos.

Em 2018, foi suspenso do programa É Gol após dizer que o “Fortaleza era pequenininho”, durante a transmissão da partida entre Ceará e Vasco, válida pelo Campeonato Brasileiro. Em fevereiro deste ano, apareceu em uma entrada ao vivo fazendo uma “guerra” de álcool em gel com um colega de redação, o que o fez ser afastado da equipe do Globo Esporte SP e voltar ao Rio de Janeiro. O estopim teria sido uma foto que postou em março, em que aparecia sentado em uma privada, satirizando o desafio do papel higiênico, campanha que viralizou nas redes sociais, em que atletas faziam embaixadinhas com papel higiênico. Segundo o UOL, a postagem foi excluída após reclamação formal de um dos chefes da Globo.

Covid-19: Jornais e revistas de SP propõem suspensão de contrato e redução de até 70% no salário

O Sindicato dos Jornalistas de SP promoverá nesta quarta-feira (15/4) quatro assembleias com jornalistas da capital paulista para discutir a possibilidade de suspensão temporária de contratos de trabalho e a redução de até 70% no salário por causa do impacto do novo coronavírus.

As reuniões ocorrerão remotamente e têm como objetivo dar uma resposta ao sindicato patronal, que apresentou aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho com o Sindicato dos Jornalistas para autorizar as empresas a aplicarem as MPs 927 e 936 e suspender pontos da CCT, como a multa por atraso no pagamento dos salários.

Em nota, o Sindicato manifestou oposição às medidas previstas nas MPs, que, “num momento de crise humanitária, precarizam as relações de trabalho e reduzem o rendimento dos trabalhadores. Os jornalistas, cuja atividade é considerada “essencial” no combate à pandemia, vivem uma situação de trabalho intenso, com jornadas extensas – e muitos ampliando o risco de contágio para realizar suas pautas. Nesta situação, falar de redução de salários parece ainda mais fora de propósito”.

Confira a agenda das sessões:

  • 11h: Grupo Estado
  • 12h: Grupo Folha
  • 13h: Editora Globo, Valor e Globo Condé Nast
  • 14h: Editora Abril, Editora Caras e demais jornalistas

Confira mais informações e orientações para participar das assembleias.

Jornalistas do SBT pedem a saída de Marcão do Povão; editor-chefe é afastado

Os jornalistas do SBT enviaram em 10/4 uma carta conjunta à direção da emissora pedindo a demissão do apresentador Marcão do Povão, que sugeriu em uma edição do Primeiro Impacto a criação de um “campo de concentração” para pessoas infectadas com o novo coronavírus. A informação é do UOL.

Na carta, os jornalistas afirmam que o apresentador – que foi suspenso por 15 dias pelo ocorrido – vai contra as recomendações de higiene e prevenção estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e coloca em risco a saúde de seus colegas de trabalho. Além disso, escreveram que ele “não está à altura de representar o nome e a história do SBT”.

Vale destacar que a carta foi assinada por quase todos os jornalistas da emissora. Dudu Camargo, colega de Marcão no Primeiro Impacto, foi uma das exceções. Marcão não respondeu aos contatos feitos pela reportagem do UOL.

O SBT também suspendeu por uma semana o editor-chefe do programa Rafael Bianco, por não ter avisado a emissora sobre a fala de Marcão na própria quarta-feira (8/4), dia do ocorrido. Há três anos no comando da atração, Bianco confirmou o afastamento ao UOL, mas esclareceu que não concorda com as opiniões expressas pelo apresentador no telejornal. Ele já reassumiu o posto.

Em seu perfil no Instagram, Marcão publicou um pedido de desculpas, explicando que ele queria ter dito “hospital de campanha” ao invés de “campos de concentração”. Ele disse que “um programa de televisão transmitido ao vivo está sujeito a erros e palavras mal colocadas” e que jamais quis se referir a “práticas nazistas, ou mesmo hostilizar pessoas doentes, foi apenas uma palavra mal colocada que trouxe grande repercussão negativa”.

Atualizado em 15/4/20

O adeus a Randau Marques, percussor do jornalismo ambiental brasileiro

Randau Marques. Foto: Museu da Pessoa

Morreu em São Paulo em 9/4, aos 70 anos, vítima de um infarto fulminante, Randau de Azevedo Marques, considerado o primeiro jornalista brasileiro especializado na cobertura do meio ambiente, responsável por trazer à tona grandes temas da área, como o desmatamento da Amazônia. Nascido em Icaçaba, subdistrito de Pedregulho, na divisa com Minas Gerais, em um antigo aldeamento indígena que virou cemitério, Randau trabalhou na redação do Jornal da Tarde por mais de 21 anos. Devido à Covid-19, o corpo foi cremado sem velório. Deixou mulher e três filhos.

Em Jornal da Tarde: uma ousadia que reinventou a imprensa brasileira, Ferdinando Casagrande conta que Randau ele cresceu entre lavouras infestadas por pesticidas que matavam lavradores e a fauna, garimpeiros intoxicados por mercúrio e sapateiros contaminados pelo chumbo das tachinhas usadas na indústria calçadista de Franca: “Em 1963, todas essas angústias levaram o menino de 14 anos a rodar em mimeógrafo seu primeiro jornal de denúncias, chamado Boca no Trombone”. Em Franca, para onde se mudara com a família, foi repórter de rádio e dos jornais A Tribuna e Comércio da Franca.

Anthony de Christo, que o conheceu no JT, informa que, em 1967, com 17 anos, Randau “foi preso pela ditadura, torturado e nas sessões de eletrochoque adquiriu sequelas para o resto da vida, como epilepsia e outros problemas neurológicos graves”. O motivo foi uma reportagem em que denunciava justamente a contaminação dos sapateiros por chumbo.

Quando deixou a prisão, no DOI-Codi, na capital paulista, procurou o JT, que acompanhava desde o lançamento, um ano antes. Começou como freelance e foi contratado em 1968. Passou também pelo Estadão e pela Agência Estado.

Embora tenha atuado em diversas áreas, especializou-se na cobertura do meio ambiente, Entre as grandes reportagens que marcaram sua carreira, estão a do deslizamento da Serra do Mar que quase soterrou Caraguatatuba, em 1967; as que impediram a construção de um aeroporto em Caucaia do Alto, na região metropolitana de São Paulo, e de usinas nucleares em Iguape, no litoral Sul do Estado; e as que conseguiram evitar a continuidade da poluição na região de indústrias em Cubatão (Baixada Santista). Sobre estas últimas, Rodrigo Lara Mesquita, ex-diretor da Agência Estado e do JT, diz que “foi ele que levantou toda a tragédia de Cubatão. Tem fotos da Serra do Mar que estava desmoronando. Ele acabou nesse processo de cobertura e cunhou o termo ‘Vale da Morte’, algo muito forte”.

Ainda na área ambiental, Randau participou da fundação da ONG Oikos, em plena ditadura militar, da Fundação SOS Mata Atlântica (da qual Rodrigo Mesquita foi o primeiro presidente), da Comissão de Problemas Ambientais da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Associação Brasileira de Jornalismo Científico. “Ele fez com que o Jornal da Tarde acabasse indiretamente sendo um dos fatores de articulação do movimento ambientalista em São Paulo”, lembra Mesquita

Christo diz que assim ele justificava seu foco no meio ambiente: ”A minha vida inteira foi dedicada a essa questão. Não tenho outra lembrança senão a de muito trabalho, muita briga, muita luta”.

Sérgio Vaz, que começou no JT na mesma época em que Randau (como conta em seu blog), afirma que muito antes da internet ele tinha um Google particular: “Ficava embaixo da mesa dele no JT; depois foi crescendo, crescendo, crescendo – passou a ocupar o chão de umas três ou quatro mesas. Eram caixas e mais caixas e mais caixas de papéis. Textos datilografados, xerox de matérias, de documentos, fotos, documentos originais. Ivan Ângelo, o grande escritor mineiro, durante anos e anos secretário de Redação do JT, volta e meia ameaçava mandar a segurança jogar tudo aquilo fora. Argumentava que documento tinha que ser guardado no Arquivo (o Arquivo da S.A. O Estado de S. Paulo era uma coisa extraordinária, maravilhosa, competente, organizadíssima). Randau não dava a menor bola. Sabia que ninguém teria coragem de fazer aquilo. E o fantástico era que o Google dele funcionava. Se surgisse com uma pauta pedindo um levantamento de tal e tal dado, Randau punha-se de joelhos, fuçava durante uns poucos minutos naquela zorra e saía de lá com um sorriso no rosto e os dados pedidos na mão. Que figura! Não era à toa que os ambientalistas todos daqueles anos 1970 e 80, quando o ambientalismo ainda dava seus primeiros passos no País, o respeitavam”.

Campanha agradece jornalistas que cobrem a Covid-19

A Associação Nacional de Jornalistas Hispânicos (NAHJ, em inglês), o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e mais de 40 entidades internacionais defensoras do jornalismo estão lançando uma campanha nas redes sociais para agradecer e valorizar o trabalho dos jornalistas em meio à pandemia do novo coronavírus.

Com as hashtags #PRESSential e #ThankaJourno, a ação incentiva as pessoas a postarem mensagens de agradecimento aos jornalistas que, sob risco de contágio e sofrendo ataques por parte de alguns governos e autoridades públicas, trazem informações confiáveis e relevantes sobre a Covid-19.

Alberto Mendoza, diretor executivo da NAHJ, acredita que os jornalistas merecem reconhecimento pelo trabalho que estão fazendo no contexto atual: “Em tempos onde a desinformação representa vida ou morte, nós passamos a confiar ainda mais em nossos jornalistas para que providenciem informações acessíveis e precisas. Eles merecem um reconhecimento por fornecer ao público as informações necessárias, para que as pessoas permaneçam saudáveis e que cada um faça a sua parte no combate a essa pandemia”. 

Conheça a campanha!

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