Edison Lanza, relator especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), listou cinco pontos essenciais para a defesa e preservação da liberdade de imprensa e de expressão em meio à pandemia do novo coronavírus.
O primeiro é a obrigação dos governos em fornecer
informações confiáveis sobre a ameaça da Covid-19, com foco em garantir o
acesso à informação. Além disso, a CIDH destaca a importância da internet no
contexto atual, reiterando que os governos devem evitar o bloqueio a seus sites
e dados.
Em relação aos profissionais de imprensa, a entidade
destaca que os Estados devem ter a obrigação de proteger o trabalho dos
jornalistas, que colocam a própria saúde em risco para trazer informações
confiáveis e relevantes sobre a pandemia. Outro ponto é a luta contra as fake news, que podem gerar pânico e
desordem. Segundo a entidade, governos e empresas de internet devem realizar um
rigoroso trabalho de checagem e fiscalização do conteúdo que circula em suas
redes, mas evitar ao máximo a censura e retirada de postagens, que devem ser
utilizados apenas em casos confirmados e extremos.
O quinto e último ponto trata sobre o uso da tecnologia de
vigilância para fiscalizar o cumprimento das recomendações de saúde e a
propagação da Covid-19. A CIDH reitera que essas práticas devem “respeitar as
proteções mais estritas e ser coerentes com as normas internacionais de
direitos humanos (privacidade, não discriminação e outras liberdades)”.
Após cinco anos como diretor de Políticas de Imagens da Febraban, Sergio Leo, a quem João Borges sucedeu na última semana (ver edição 1241), passou a colaborar com a edição brasileira de El País. Retoma, assim, sua carreira jornalística, que inclui passagens, entre outros, por IstoÉ Dinheiro, Estadão, TV Globo O Globo, Folha de S.Paulo e JB. Em seu texto de estreia, escreveu sobre o imbróglio diplomático do Brasil com a China.
Especialista em Relações Internacionais pela UnB, residindo em Brasília desde 1985, em 2014 publicou, pela Nova Fronteira, o livro-reportagem Ascensão e queda do Império X, sobre o fracasso empresarial do ex-bilionário Eike Batista; e Segundas pessoas, pela coleção Formas Breves, da e-galáxia, que tem a leitura como personagem.
O Google anunciou na manhã desta quarta-feira (15/4) uma série de iniciativas de apoio a jornais e jornalistas em meio à pandemia do coronavírus. O principal lançamento é o Fundo de Auxílio Emergencial ao Jornalismo: avaliado na casa de “milhares de dólares”, servirá para auxiliar pequenos e médios veículos de todo o mundo, com foco especial em empresas que cobrem noticiário local. As informações são do Estadão.
“O noticiário local é um recurso fundamental para que pessoas e comunidades se mantenham conectadas. No momento atual, ele desempenha um papel ainda mais importante”, destacou em texto Richard Gringas, vice-presidente de notícias do Google, ao anunciar as medidas. Segundo ele, os valores vão de “alguns milhares de dólares para redações pequenas a dezenas de milhares para organizações de maior porte” e devem variar de acordo com a região. Veículos interessados podem se inscrever para receber recursos no site do projeto, até o próximo dia 30 de abril.
A empresa anunciou ainda a doação de US$ 1 milhão para o International Center for Journalists (ICFJ), que planeja oferecer recursos de apoio imediato a repórteres de todo o mundo, em especial àqueles que estão na linha de frente das reportagens sobre a Covid-19, bem como para o Dart Center for Journalism and Trauma, da Columbia Journalism School, que está ajudando jornalistas expostos a situações traumáticas durante esta crise.
“Acreditamos que temos a responsabilidade de fazer o que estiver ao nosso alcance para aliviar a pressão financeira imposta às redações. Continuaremos buscando novas maneiras de ajudar, com novos anúncios que serão feitos em breve”, declarou ainda o executivo.
Eduardo Zebini, que em março deixou a VP da Fox Sports, é o novo diretor de mídia da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ele será responsável pela CBF TV, administração de direitos esportivos e distribuição das transmissões de torneios produzidos pela própria CBF.
Em nota publicada no site da entidade, o diretor Rogério
Caboclo afirmou que a meta é “veicular ao vivo todas as 20 competições
coordenadas pela CBF hoje. Queremos proporcionar futebol de qualidade de
segunda-feira a domingo, em várias plataformas, na medida da demanda do
torcedor”.
Com 30 anos de carreira, Zebini destacou-se em funções
executivas de televisão. Era vice-presidente da Fox Sports desde 2012 e foi
diretor de esportes da Record TV de 1996 a 2009. Nas duas emissoras, ajudou na
conquista de direitos de transmissão de grandes eventos esportivos, como Copa
do Mundo, Olimpíadas, Libertadores, Moto GP e Nascar.
Paulo Roberto Silva, ex-subeditor do DCI e ex-gerente de núcleo da Imagem Corporativa, lançou o portal Inovação Aberta, que traz notícias sobre projetos de inovação corporativa, transformação digital, empreendedorismo e tecnologias exponenciais. Ele atua como diretor de redação e editor-chefe do projeto.
Segundo Paulo, “os estudos que fizemos mostraram que há um
interesse crescente do público por informações sobre projetos corporativos de
inovação, transformação digital, indústria 4.0 e tecnologias exponenciais.
Contudo, a oferta de conteúdo disponível ou é técnica demais ou muito apegada
ao hype, sem interesse nos projetos e
tecnologias que melhoram a produtividade das empresas. (…) Queremos ajudar o País
a destravar sua competitividade”.
O repórter esportivo Lucas Strabko, o Cartolouco, deixou em 13/4 a Rede Globo. Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, ele confirmou a saída, agradecendo a emissora e lembrando momentos marcantes: “Empresa que me fez conhecer lendas do futebol, empresa que fez eu conhecer meus ídolos Tiago Leifert, Felipe Andreoli, Luiz Roberto, Galvão Bueno”. Contratado em 2015, Cartolouco era conhecido por seu jeito despojado e reportagens cômicas, que davam muita audiência à emissora.
Em nota curta, a Globo declarou apenas que ele não fazia
mais parte da equipe do Esporte. Segundo
o UOL, a relação dele com a emissora estava desgastada por causa de
diversos episódios polêmicos.
Em 2018, foi suspenso do programa É Gol após dizer
que o “Fortaleza era pequenininho”, durante a transmissão da partida entre
Ceará e Vasco, válida pelo Campeonato Brasileiro. Em fevereiro deste ano,
apareceu em uma entrada ao vivo fazendo uma “guerra” de álcool em gel com um
colega de redação, o que o fez ser afastado da equipe do Globo Esporte
SP e voltar ao Rio de Janeiro. O estopim teria sido uma foto que postou em
março, em que aparecia sentado em uma privada, satirizando o desafio do papel
higiênico, campanha que viralizou nas redes sociais, em que atletas faziam
embaixadinhas com papel higiênico. Segundo o UOL, a postagem foi excluída após
reclamação formal de um dos chefes da Globo.
O Sindicato dos Jornalistas de SP promoverá nesta quarta-feira (15/4) quatro assembleias com jornalistas da capital paulista para discutir a possibilidade de suspensão temporária de contratos de trabalho e a redução de até 70% no salário por causa do impacto do novo coronavírus.
As reuniões ocorrerão remotamente e têm como objetivo dar uma resposta ao sindicato patronal, que apresentou aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho com o Sindicato dos Jornalistas para autorizar as empresas a aplicarem as MPs 927 e 936 e suspender pontos da CCT, como a multa por atraso no pagamento dos salários.
Em nota, o Sindicato manifestou oposição às medidas previstas nas MPs, que, “num momento de crise humanitária, precarizam as relações de trabalho e reduzem o rendimento dos trabalhadores. Os jornalistas, cuja atividade é considerada “essencial” no combate à pandemia, vivem uma situação de trabalho intenso, com jornadas extensas – e muitos ampliando o risco de contágio para realizar suas pautas. Nesta situação, falar de redução de salários parece ainda mais fora de propósito”.
Confira a agenda das
sessões:
11h: Grupo Estado
12h: Grupo Folha
13h: Editora Globo, Valor e Globo Condé Nast
14h: Editora Abril, Editora Caras e demais jornalistas
Os jornalistas do SBT enviaram em 10/4 uma carta conjunta à direção da emissora pedindo a demissão do apresentador Marcão do Povão, que sugeriu em uma edição do Primeiro Impacto a criação de um “campo de concentração” para pessoas infectadas com o novo coronavírus. A informação é do UOL.
Na carta, os jornalistas afirmam que o apresentador – que
foi suspenso por 15 dias pelo ocorrido – vai contra as recomendações de higiene
e prevenção estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e coloca em
risco a saúde de seus colegas de trabalho. Além disso, escreveram que ele “não
está à altura de representar o nome e a história do SBT”.
Vale destacar que a carta foi assinada por quase todos os jornalistas da emissora. Dudu Camargo, colega de Marcão no Primeiro Impacto, foi uma das exceções. Marcão não respondeu aos contatos feitos pela reportagem do UOL.
O SBT também suspendeu por uma semana o editor-chefe do programa Rafael Bianco, por não ter avisado a emissora sobre a fala de Marcão na própria quarta-feira (8/4), dia do ocorrido. Há três anos no comando da atração, Bianco confirmou o afastamento ao UOL, mas esclareceu que não concorda com as opiniões expressas pelo apresentador no telejornal. Ele já reassumiu o posto.
Em seu perfil no Instagram, Marcão publicou um pedido de desculpas, explicando que ele queria ter dito “hospital de campanha” ao invés de “campos de concentração”. Ele disse que “um programa de televisão transmitido ao vivo está sujeito a erros e palavras mal colocadas” e que jamais quis se referir a “práticas nazistas, ou mesmo hostilizar pessoas doentes, foi apenas uma palavra mal colocada que trouxe grande repercussão negativa”.
Morreu em São Paulo em 9/4, aos 70 anos, vítima de um infarto fulminante, Randau de Azevedo Marques, considerado o primeiro jornalista brasileiro especializado na cobertura do meio ambiente, responsável por trazer à tona grandes temas da área, como o desmatamento da Amazônia. Nascido em Icaçaba, subdistrito de Pedregulho, na divisa com Minas Gerais, em um antigo aldeamento indígena que virou cemitério, Randau trabalhou na redação do Jornal da Tarde por mais de 21 anos. Devido à Covid-19, o corpo foi cremado sem velório. Deixou mulher e três filhos.
Em Jornal da Tarde: uma ousadia que reinventou
a imprensa brasileira, Ferdinando
Casagrande conta que Randau ele cresceu entre lavouras infestadas por
pesticidas que matavam lavradores e a fauna, garimpeiros intoxicados por
mercúrio e sapateiros contaminados pelo chumbo das tachinhas usadas na
indústria calçadista de Franca: “Em 1963, todas essas angústias levaram o
menino de 14 anos a rodar em mimeógrafo seu primeiro jornal de denúncias,
chamado Boca no Trombone”. Em Franca, para onde se mudara com a família, foi
repórter de rádio e dos jornais A Tribuna e Comércio da Franca.
Anthony de Christo,
que o conheceu no JT, informa que, em 1967, com 17 anos, Randau “foi preso pela
ditadura, torturado e nas sessões de eletrochoque adquiriu sequelas para o
resto da vida, como epilepsia e outros problemas neurológicos graves”. O motivo
foi uma reportagem em que denunciava justamente a contaminação dos sapateiros
por chumbo.
Quando deixou a prisão, no DOI-Codi, na capital paulista,
procurou o JT, que acompanhava desde o lançamento, um ano antes. Começou como freelance e foi contratado em 1968.
Passou também pelo Estadão e pela Agência Estado.
Embora tenha atuado em diversas áreas, especializou-se na
cobertura do meio ambiente, Entre as grandes reportagens que marcaram sua
carreira, estão a do deslizamento da Serra do Mar que quase soterrou
Caraguatatuba, em 1967; as que impediram a construção de um aeroporto em
Caucaia do Alto, na região metropolitana de São Paulo, e de usinas nucleares em
Iguape, no litoral Sul do Estado; e as que conseguiram evitar a continuidade da
poluição na região de indústrias em Cubatão (Baixada Santista). Sobre estas
últimas, Rodrigo Lara Mesquita, ex-diretor
da Agência Estado e do JT, diz que “foi ele que levantou toda a tragédia
de Cubatão. Tem fotos da Serra do Mar que estava desmoronando. Ele acabou nesse
processo de cobertura e cunhou o termo ‘Vale da Morte’, algo muito forte”.
Ainda na área ambiental, Randau participou da fundação da
ONG Oikos, em plena ditadura militar, da Fundação SOS Mata Atlântica (da qual
Rodrigo Mesquita foi o primeiro presidente), da Comissão de Problemas
Ambientais da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da
Associação Brasileira de Jornalismo Científico. “Ele fez com que o Jornal da
Tarde acabasse indiretamente sendo um dos fatores de articulação do movimento
ambientalista em São Paulo”, lembra Mesquita
Christo diz que assim ele justificava seu foco no meio
ambiente: ”A minha vida inteira foi dedicada a essa questão. Não tenho outra
lembrança senão a de muito trabalho, muita briga, muita luta”.
Sérgio Vaz, que
começou no JT na mesma época em que Randau (como conta em seu blog),
afirma que muito antes da internet ele tinha um Google particular: “Ficava
embaixo da mesa dele no JT; depois foi crescendo, crescendo, crescendo – passou
a ocupar o chão de umas três ou quatro mesas. Eram caixas e mais caixas e mais
caixas de papéis. Textos datilografados, xerox de matérias, de documentos,
fotos, documentos originais. Ivan Ângelo,
o grande escritor mineiro, durante anos e anos secretário de Redação do JT,
volta e meia ameaçava mandar a segurança jogar tudo aquilo fora. Argumentava
que documento tinha que ser guardado no Arquivo (o Arquivo da S.A. O Estado de
S. Paulo era uma coisa extraordinária, maravilhosa, competente,
organizadíssima). Randau não dava a menor bola. Sabia que ninguém teria coragem
de fazer aquilo. E o fantástico era que o Google dele funcionava. Se surgisse com
uma pauta pedindo um levantamento de tal e tal dado, Randau punha-se de joelhos,
fuçava durante uns poucos minutos naquela zorra e saía de lá com um sorriso no
rosto e os dados pedidos na mão. Que figura! Não era à toa que os
ambientalistas todos daqueles anos 1970 e 80, quando o ambientalismo ainda dava
seus primeiros passos no País, o respeitavam”.
A Associação Nacional de Jornalistas Hispânicos (NAHJ, em inglês), o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e mais de 40 entidades internacionais defensoras do jornalismo estão lançando uma campanha nas redes sociais para agradecer e valorizar o trabalho dos jornalistas em meio à pandemia do novo coronavírus.
Com as hashtags #PRESSential e #ThankaJourno, a ação
incentiva as pessoas a postarem mensagens de agradecimento aos jornalistas que,
sob risco de contágio e sofrendo ataques por parte de alguns governos e
autoridades públicas, trazem informações confiáveis e relevantes sobre a
Covid-19.
Alberto Mendoza,
diretor executivo da NAHJ, acredita que os jornalistas merecem reconhecimento
pelo trabalho que estão fazendo no contexto atual: “Em tempos onde a
desinformação representa vida ou morte, nós passamos a confiar ainda mais em
nossos jornalistas para que providenciem informações acessíveis e precisas.
Eles merecem um reconhecimento por fornecer ao público as informações
necessárias, para que as pessoas permaneçam saudáveis e que cada um faça a sua
parte no combate a essa pandemia”.