Cláudio Magnavita prepara uma edição diária do jornal Correio da Manhã feita em Campinas para o interior do estado de São Paulo, ainda fazendo ajustes, a ser lançada este mês. Vem se juntar à de São Paulo Capital. As edições são completas, com três cadernos e 12 jornalistas contratados – equipe oriunda do Correio Popular – apenas para local news. As redações têm estúdios de televisão para abastecer a versão digital. O impresso vai circular em 800 bancas na capital e interior, além das assinaturas.
O argumento de Magnavita, publisher do Correio da Manhã, é serem hoje nacionais os grandes jornais de São Paulo – a Folha já teve edições regionais –, em que o poder público local não tem protagonismo. O Correio vai cobrir Assembleia Legislativa e as prefeituras, levando notícias regionais do interior para a capital, e vice-versa. Ele conhece o mercado paulista, pois foi diretor-geral do grupo Visão, do DCI e do Shopping News.
O jornal passa assim a ter sete edições diferenciadas: Correio Nacional, a partir do Distrito Federal; Rio de Janeiro, com foco no estado; e as regionais Sul Fluminense, Serrano, Norte Fluminense e Petropolitano. Impressão e distribuição são estruturadas em gráficas próprias, pequenas e descentralizadas.
Nos últimos anos, criadores de conteúdo e influenciadores digitais – de jornalistas reconhecidos a celebridades sem vivência no universo da imprensa e conhecimento de padrões operacionais e éticos que regem a atividade – passaram a disputar com os veículos tradicionais a atenção do público nas redes sociais.
Mas quem são essas novas vozes que agora dominam o ecossistema de informação?
Um novo estudo do Instituto Reuters para Estudos de Jornalismo, publicado nesta semana, oferece uma radiografia global desses protagonistas – e revela que o Brasil está entre os países onde eles são mais influentes.
O relatório combina dados do Digital News Report e estatísticas de audiência em plataformas como X (Twitter), YouTube, TikTok e Instagram, traçando um panorama das figuras que hoje moldam a forma como as pessoas se informam e discutem política, sociedade e cultura.
Com base em mais de 40 mil nomes citados por usuários de redes em 24 países, o estudo identifica padrões desse novo cenário.
No Brasil, a atenção do público é predominantemente nacional: os brasileiros seguem, em sua maioria, criadores locais, o que reforça o papel dessas vozes na formação da opinião pública.
Esse padrão ajuda a explicar por que conteúdos políticos e de análise prosperam em ambientes polarizados – e como as fronteiras entre jornalismo, comentário e ativismo se tornaram mais difusas.
No conjuinto dos países mapeados, 85% dos influenciadores são homens, e há predominância de vozes de direita, um desequilíbrio observado em quase todos os mercados.
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Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de J&Cia no Rio de Janeiro
A operação policial no Rio de Janeiro em 28/10 repercutiu com força na mídia internacional. Segundo levantamento da Agência Brasil, The New York Times, na notícia, abriu espaço para o poder público, como eco das ações do presidente norte-americano, chamando a ação policial de “a mais mortal da história do Rio, com quatro policiais mortos e, ao menos, 60 pessoas mortas. Foi um ataque aos ‘narcoterroristas’, disse o governador do estado”.
Na França, Le Figaro apresentou o outro lado, afirmando que há muita “contestação sobre a eficácia destas operações policiais de grande porte no Rio de Janeiro, no entanto, elas são comuns na cidade”. O britânico The Guardian deu como título “Brasil: ao menos 64 mortos no dia mais violento do Rio de Janeiro em meio a batidas policiais” e ainda “Fotos terríveis com alguns dos jovens homens mortos se espalharam pelas redes sociais”.
O espanhol El País ressaltou o impacto sobre a população: “Rio de Janeiro vive uma jornada de caos colossal e intensos tiroteios por uma ação policial contra o crime organizado que já é a mais letal da história da cidade brasileira”. De Buenos Aires, o Clarín reproduziu o post de um brasileiro e postou em seu site: “Não é Gaza, é o Rio”.
O dia seguinte (Crédito: Tomás Silva/Agência Brasil)
Após quatro anos atuando como coordenadora de Projetos da Ajor (Associação de Jornalismo Digital), Géssika Costa anunciou na última semana sua saída da entidade. “Nesses anos, vi a Ajor crescer, se desenvolver e ocupar um espaço importante na agenda por um jornalismo mais diverso, forte e resiliente. Foi um privilégio acompanhar e construir de perto essa história coletiva, guiada por valores em que acredito”, destacou em mensagem de despedida encaminhada aos associados.
Com passagens por Gazeta de Alagoas, Rádio Difusora, Agência Radioweb, Agência Tatu e Portal Lunetas, Géssika também atuou como freelancer para diversos veículos de todo o Brasil e desde 2020 é editora de texto e repórter do coletivo de independente alagoano Olhos Jornalismo. Seu novo destino profissional será anunciado nos próximos dias.
Vencedores do Prêmio FIESC de Jornalismo 2025 (Crédito: Divulgação/FIESC)
A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) anunciou os trabalhos vencedores do Prêmio FIESC de Jornalismo 2025, que valoriza e reconhece produções jornalísticas sobre o papel da indústria de Santa Catarina. Os vencedores foram reportagens de CBN Floripa, Jornal Notícias do Dia e NDTV Record Florianópolis.
Na categoria Áudio, o primeiro lugar ficou com Elaine Simiano, Jean Raupp, Júlio Quadrado, Mariana Faraco, Mário César Gomes e Mateus Castro, da Rádio CBN Floripa, com a reportagem Riquezas da Serra, que fala sobre as mudanças econômicas provocadas pelos chamados “vinhos de altitude”, produzidos na serra catarinense.
Em Texto, o vencedor foi o Jornal Notícias do Dia, de Florianópolis, com a reportagem A revolução biotecnológica em Santa Catarina, assinada por Felipe Alves, Germano Rorato, Gil Jesus da Silva, Paulo Rolemberg e Valeska Loureiro.
E na categoria vídeo, o prêmio foi para a NDTV Record Florianópolis, com a reportagem Indústrias com DNA Alemão e a Inovação que moldou Santa Catarina (Série especial Bicentenário da Imigração Alemã), de Allan Postal, Ana Beatriz Azevedo, Bethânia Guenther, Elva Obeso, Ivan Neves, Luan Vosnhak, Marcelo Campanholo, Marcelo Feble e Rodrigo Fructuoso.
O jornalista brasileiro Fabrício Vitorino participou, no início de outubro, do Donbas Media Forum (DMF), maior encontro de mídia da Ucrânia, realizado em Kiev. Criado em 2015, o evento chegou à sua 10ª edição reunindo jornalistas, acadêmicos e analistas de mais de vinte países para debater jornalismo, liberdade de expressão e guerra informacional. Nascido em meio à ocupação russa da região do Donbas, o DMF consolidou-se como um fórum de resistência simbólica e profissional à desinformação e à censura – um espaço em que o jornalismo reafirma sua função essencial: defender a verdade em tempos de guerra.
Mestre em Cultura Russa pela USP e doutorando em Relações Internacionais pela UFSC, Vitorino foi um dos palestrantes do painel Is victory possible in the fight against Russian propaganda and disinformation?, ao lado de Andreas Umland (Stockholm Centre for Eastern European Studies), Svitlana Slipchenko (Vox Ukraine), Clara Marchaud (Le Figaro), Diana Petriashvili (Free Press for Eastern Europe) e Adam Sybera (The Kyiv Independent Insights). A moderação ficou a cargo de Yulia Dukach, especialista em desinformação da organização OpenMinds. O debate, que encerrou o primeiro dia do fórum, discutiu os limites e significados de uma possível “vitória” na guerra informacional – campo em que a Rússia atua como principal antagonista global.
Em sua fala, o jornalista destacou que o chamado Sul Global – conceito problemático, mas ainda funcional, segundo ele – tornou-se zona cinzenta da disputa informacional internacional. Países como Brasil, México e Colômbia, afirmou, são hoje peças-chave nesse tabuleiro: geograficamente distantes do conflito, mas politicamente relevantes e culturalmente vulneráveis. Vitorino defendeu que o combate à desinformação precisa ir além da alfabetização midiática tradicional, propondo o conceito de “alfabetização cultural” – uma abordagem que compreenda de que forma narrativas de pertencimento e ressentimento são manipuladas por regimes autoritários.
Diz ele que o público reagiu com atenção especial ao exemplo brasileiro, quando mencionou o golpe frustrado de 2023 e a crescente presença de narrativas pró-Rússia em redes e meios locais. Segundo Vitorino, essas campanhas não se limitam à mentira, mas se baseiam na apropriação da linguagem da verdade, incorporando termos como “transparência”, “checagem” e “multipolaridade” para legitimar desinformação. O argumento teria repercutido entre os demais painelistas, que abordaram a necessidade de reconstruir narrativas democráticas sem recorrer aos mesmos mecanismos da propaganda.
Realizado sob o monumento da Batkivshchyna-Maty (Mãe Pátria) – símbolo da resistência ucraniana –, o evento reafirmou a força e a resiliência do jornalismo ucraniano, que, segundo ele, segue atuando de forma colaborativa e ética mesmo em meio à guerra. Para Fabrício Vitorino, participar do fórum foi “um lembrete do valor político do jornalismo – não como instrumento de poder, mas como exercício cotidiano de liberdade”.
A PWTech, startup que produz estações de tratamento de água portáteis, com sistema de tratamento robusto e eficiente que gera água com 100% de garantia contra vírus e bactérias, é o primeiro cliente do projeto Inteligência ArteOficial, parceria J&Cia e JAL Comunicação, anunciada no evento de 30 anos de J&Cia, no final de setembro. Ela visa a oferecer ao mercado trabalhos que os artistas do humor gráfico e dos quadrinhos podem desenvolver além da pasteurização da IA.
Lígia Sato Puccioni, consultora de Sustentabilidade da PWTech, diz que conheceu o trabalho de JAL (José Alberto Lovetro) no evento de 30 anos do J&Cia e que ficou encantada com a forma como ele usa a ilustração para comunicar temas complexos de maneira simples e acessível. Daí ter sido natural convidá-lo para elaborar uma cartilha sobre água potável para a comunidade ribeirinha de Juruti, no Pará, onde começaram a atuar.
“O propósito da PWTech sempre foi gerar impacto positivo na vida de pessoas reais.”, afirma Lígia. “Ver nosso trabalho ganhar complementos em formas, cores e rostos que conversam com as comunidades com que trabalhamos para transformar é profundamente gratificante. No fim, é isso que nos move: levar água segura para o consumo, resultando em saúde, inclusão social e dignidade para todos”.
Interessados em contratar os serviços de J&Cia/JAL Comunicação podem entrar em contato com Silvio Ribeiro, pelo e-mail [email protected].
Veja a seguir a íntegra da conversa de JAL com Lígia:
JAL – Você viu nossa participação no evento de 30 anos do Jornalistas&Cia e nos procurou para este trabalho da cartilha. Pode contar como decidiu nos contratar?
Lígia Sato – Fiquei encantada com a forma como você usa a ilustração para comunicar temas complexos de maneira simples e acessível. Quando começamos a idealizar a cartilha para a comunidade ribeirinha de Juruti, no Pará, sabíamos que queríamos algo muito além de um material informativo, mas sim algo que fosse educativo, representativo, afetivo e que de alguma forma conversasse com a comunidade local, pois estávamos prontos para levar nossa solução de água potável para essa comunidade, que fica em uma área bem remota. Sua linguagem e estilo foram perfeitos para isso, então o convite veio de forma muito natural.
JAL− As ilustrações foram feitas através de informações de briefing que a PWTech nos passou. O que acharam do processo de criação conjunta para o resultado conseguido?
Lígia − O processo foi extremamente colaborativo e enriquecedor. Desde o início, buscamos que a cartilha representasse fielmente os moradores da comunidade de Juruti, enaltecendo as pessoas, suas casas e até suas roupas. Você teve uma sensibilidade incrível para transformar todas as informações do briefing em imagens que realmente traduzem a essência local. Foi uma construção conjunta, em que cada detalhe foi pensado para gerar identificação e pertencimento. O resultado ficou exatamente como imaginávamos: didático, bonito, humanizado, o que favorece a aproximação com a comunidade.
JAL− O que os fez dar preferência para a criação humana em vez do uso da IA? Qual a diferença para o resultado final?
Lígia Sato Puccioni
Lígia − Mesmo em uma era em que a inteligência artificial ganha cada vez mais espaço na criação de textos e imagens, optamos pela criação artística humana porque acreditamos que as relações e a sensibilidade humana são insubstituíveis quando o objetivo é falar com pessoas reais. Nós entendemos que em muitos cenários há o papel fundamental da tecnologia, que inclusive faz parte do nosso DNA; mas neste caso queríamos algo que transmitisse emoção e empatia. Você conseguiu captar até pequenas nuances que nenhuma inteligência artificial poderia reproduzir. Traduzir por meio do seu traço o olhar, a expressão das personagens e o ambiente das comunidades foi um grande diferencial. O resultado final tem personalidade e autenticidade, e isso faz toda a diferença quando se trata de comunicação social e educativa. Tenho certeza de que a entrega deste material nos auxiliará muito com o engajamento da comunidade em prol da nossa solução de água potável, impactando positivamente a vida de todos e colaborando para que a implementação da solução seja bem-sucedida, visto que serão eles os responsáveis pela manutenção do equipamento.
Lígia Sato Puccioni é profissional sênior com experiência em Sustentabilidade/ESG e Comunicação Corporativa. Atuou em empresas de grande porte como LATAM, Boehringer Ingelheim, Unibanco e GOL. Comunicadora social graduada pela Universidade de São Paulo (USP), tem pós-graduação em Comunicação Jornalística pela Cásper Líbero e MBA em Gestão da Comunicação Empresarial pela Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial). Atualmente, cursa o MBA em ESG pela Fundação Getulio Vargas e é mestranda em Ciências da Comunicação na USP.
Jornalistas&Cia e ESPM realizaram em 27/10 o sexto e último encontro do ciclo O presente e o futuro do jornalismo – Insights. O evento, cujo tema foi Democracia sob espreita, discutiu a relação entre o jornalismo e o estado democrático de direito, bem como os obstáculos e soluções para o futuro da imprensa no Brasil.
O debate reuniu, na sede da ESPM Tech, na Vila Mariana, em São Paulo, profissionais que são referência na discussão sobre os caminhos que o jornalismo pode e deve percorrer nas próximas décadas: Carla Jimenez, colunista do UOL e ex-diretora e editora-chefe do El País no Brasil; Leão Serva, ex-diretor de Jornalismo da TV Cultura e correspondente da emissora em Londres (que participou via Zoom); e Ricardo Gandour, ex-diretor de Jornalismo do Grupo Estado e atual ESPM/R.Gandour Estratégia e Comunicação. A mediação foi de Verónica Goyzueta, correspondente internacional no Brasil há quase 30 anos e professora do curso de Jornalismo da ESPM.
Na plateia, o evento reuniu, mais uma vez, diferentes gerações de indivíduos interessados no futuro do jornalismo, desde profissionais com anos de caminhada, entre diretores, editores, chefes e redação e professores, e gerações, representadas pelos estudantes de jornalismo, que carregarão nas costas o trabalho da profissão nas próximas décadas.
Na abertura do debate, EduardoRibeiro, diretor deste Portal dos Jornalistas e J&Cia, agradeceu à ESPM e aos presentes pela parceria ao longo do ano e ressaltou a importância de discussões do tipo para o futuro da profissão: “É uma honra para nós estarmos ao lado da ESPM, uma das principais escolas de comunicação do País, realizando este ciclo de debates tão essenciais para a nossa profissão. Somos um veículo de nicho, os jornalistas dos jornalistas, sempre fazendo esse trabalho de divulgação e para agregar à profissão. Este evento hoje coroa, encerra com chave de ouro este ciclo, falando sobre a relação entre democracia e o jornalismo, sobretudo as dificuldades da categoria, do ponto de vista de sobrevivência e prestígio, considerando os ataques que estamos sofrendo de todos os lados já há algum tempo”.
Verónica, mediadora do debate, ressaltou a importância do trabalho jornalístico em uma sociedade democrática: “Jornalismo é um dos pilares da Democracia. A profissão jornalística e a democracia andam de mãos dadas, sempre juntas. No último sábado, foram realizadas diversas homenagens em memória dos 50 anos do assassinato de Vladimir Herzog, em um contexto duríssimo, onde não havia democracia no Brasil. Hoje, 50 anos depois, nós, jornalistas, ainda continuamos sofrendo, obviamente que agora dentro de uma democracia, em contextos diferentes, mas os focos de ataque são outros: discursos de ódio, ameaças, ataques virtuais nas redes. Então, temos muito a discutir sobre esses obstáculos à nossa profissão que, mesmo com tantos ataques, segue atuante”.
Verónica, Carla e Gandour, com Leão no telão
Carla Jimenez destacou que o jornalismo enfrenta hoje uma dupla crise: a da descrença pública e a da banalização da informação. Desde o início da carreira, ouve previsões de extinção da profissão – agora reforçadas pela ascensão da inteligência artificial e pela proliferação de influenciadores digitais que ocupam o espaço dos jornalistas. Para ela, porém, o jornalismo é vital e resiliente, um organismo que se reinventa continuamente, embora as empresas pouco incentivem seus profissionais a compreender o mercado. Criticou a produção excessiva e a corrida por cliques, que esvaziam o interesse público em favor do trivial, e defendeu a retomada do papel do jornalismo como serviço e motor de transformação social. Diante da crise civilizatória e do poder dos algoritmos, Carla propôs recolocar o coletivo, a democracia e o bem comum no centro da prática jornalística, lembrando o exemplo do consórcio de veículos na pandemia. Defendeu ainda a regulamentação das redes sociais como uma simples questão de cumprimento das leis e de proteção da humanidade.
Leão Serva, em intervenção direta de Londres, refletiu sobre o desgaste histórico do jornalismo e comparou a ascensão da inteligência artificial ao ciclo de expansão dos meios de comunicação, que “vampirizam” a atenção do público. Observou que, no cenário atual, o jornalismo perdeu protagonismo nas novas mídias e enfrenta grave crise de sustentabilidade: antes sustentado por publicidade, hoje depende de assinaturas em queda, tornando-se menor e mais segmentado. Ressaltou que o interesse pelo jornalismo ainda existe, mas o modelo de negócios e as estratégias editoriais se desalinharam, especialmente quando veículos cedem espaço a celebridades e opiniões superficiais. Apontou também o erro estratégico de priorizar notícias pessoais e de entretenimento em detrimento do interesse público. Para ele, a incompreensão do ofício – inclusive entre jornalistas – enfraquece a credibilidade. Defendeu a regulamentação das redes sociais como instrumento essencial à democracia, capaz de conter abusos e restabelecer limites civilizatórios no debate público.
Ricardo Gandour abordou a ideia de “institucionalidade do jornalismo”, propondo que a profissão seja compreendida como uma instituição com liturgia própria – método, rigor e princípios, como separar fatos de opiniões e corrigir erros. Argumentou que a fragmentação digital corroeu essa liturgia ao dispersar a atenção social e acelerar o tempo de apuração, o que levou à banalização de conteúdos e à perda de autoridade jornalística. Para ele, preservar o método é a chave para que o jornalismo continue a ter função republicana, ao lado dos Três Poderes. Criticou a lógica algorítmica das big techs, que destrói o debate público ao reforçar bolhas de opinião, e defendeu o resgate da autoridade técnica e ética do jornalista sobre os assuntos que cobre. Como saída, propôs a criação de uma coalizão ampla – envolvendo associações de imprensa, ministérios e entidades educacionais – para promover a educação midiática nas escolas e fortalecer o vínculo entre jornalismo, democracia e cidadania.
A Câmara Brasileira do Livro anunciou na noite desta segunda-feira (27/10), no Rio de Janeiro, os vencedores da 67ª edição do Prêmio Jabuti. Entre as obras premiadas estão os livros Longe do Ninho(Intrínseca), de Daniela Arbex, na categoria Biografia e Reportagem, e O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim, de Ruy Castro, vencedor das categorias Crônica e Livro do Ano.
Coincidentemente, o prêmio para Daniela veio menos de uma semana após a justiça do Rio de Janeiro absolver sete acusados do incêndio no Ninho do Urubu, que resultou na morte de dez atletas da base do Flamengo. O caso, ocorrido em 2019, serviu como pano de fundo para Longe do Ninho, que além de trazer relatos emocionantes dos familiares que perderam seus filhos e dos atletas que sobrevivera, apresenta informações inéditas sobre o que ocorreu naquela madrugada de 8 de fevereiro de 2019.
“Agora eu não consigo dizer muito. Só agradecer. Longe do ninho é uma declaração de amor de dez pais e mães para seus filhos. É memória. E acima de tudo um ato de resistência contra a injustiça”, escreveu Daniela em suas redes sociais. É a segunda vez que ela vence o Jabuti. Em 2016, o prêmio veio com Cova 312, livro que narra a história de como as Forças Armadas torturaram, mataram e sumiram com o corpo do jovem militante político Milton Soares de Castro.
Em O ouvidor do Brasil, Ruy Castro se debruça na vida e obra do músico Tom Jobim, explorando um lado muitas vezes inesperado e desconhecido, que emerge sob diferentes ângulos em cada crônica. Em conjunto, os textos formam uma espécie de perfil biográfico fragmentado de um dos maiores artistas que o Brasil já teve. Também é a segunda vez que o autor vence o Jabuti. Em 2023 o prêmio veio na categoria Romance, com o livro Os Perigos do Imperador: Um Romance do Segundo Reinado.
Confira a relação completa dos vencedores do Prêmio Jabuti 2025.
No começo era uma via de mão única: o locutor falava, a marca aparecia, o ouvinte seguia viagem. Agora, o anúncio pergunta, oferece botões, aceita voz de volta – e mede o que aconteceu. A tese é simples e provocativa: o futuro da publicidade no rádio é interativo – e já começou. É a linha que Rick Murphy defende em reportagem publicada recentemente pela Radio Ink, lembrando que o rádio terrestre ainda soma alcance, confiança e custo eficiente, mas que a virada virá do que ele chama de “rádio que conversa” – campanhas que pedem resposta, registram intenção e conectam mídia ao resultado, da cabine do carro ao fone de ouvido. São menos jingles ao vento, mais funil completo.
A peça que faltava sempre foi o retorno. Ele aparece, primeiro, onde a tela já existe: CTA cards que surgem no app depois do áudio, levando direto ao site, cupom ou carrinho – padrão já consolidado em plataformas de streaming. Essa camada transforma o spot em ação rastreável e aproxima rádio/áudio de um e-commerce de bolso.
No “rádio expandido” – podcasts, streams e agregadores – a lógica vai além do clique: anúncios interativos convidam o ouvinte a responder por voz (“mandar por SMS?”, “lembrar depois?”), salvam o link para quando a pessoa parar o carro ou registram um “interesse” no perfil do usuário. Redes como a SXM Media vêm defendendo o formato como antídoto para a dispersão: sai o monólogo, entra a troca mensurável.
O argumento de Murphy ganha musculatura quando se olha para a cabine: dashboards conectados, Android Auto e CarPlay puseram uma camada de interface sobre a escuta linear – o que viabiliza botões, QR codes persistentes no head-unit e sincronização de ofertas com o app do ouvinte. Do lado do planejamento, dados de audio attention (Dentsu + Lumen) começam a colocar o áudio no mesmo patamar de comprovação que vídeo e display: dá para saber quando e quanto de atenção um spot recebeu, em rádio, podcast e streaming.
Essa “programabilidade” do áudio não é de hoje – a indústria vem ensaiando segmentação avançada desde o SmartAudio, da iHeart, que uniu escala do broadcast com dados de público. Mas a calibração fina (e o ROI) sobem de patamar quando atenção e interação entram na conta, e quando a compra e a mensuração ficam mais automatizadas nas plataformas.
Há, também, um ponto cego que o rádio preenche e a compra “só digital” costuma ignorar: as audiências subengajadas de internet e TV (quem quase não vê feed nem streaming de vídeo). Estudo recente da Katz mostra que esse público – que some em planos focados só em display/social – é alcançado por rádio com consistência. Em outras palavras: a mídia sonora liga a luz onde o resto do plano é escuro.
No agregado, a atenção do áudio não é pequena: benchmarks da própria Spotify indicam que spots de 30s em áudio superam plataformas de in-stream e sociais em métricas de atenção – o que explica a pressão por inventário com retorno visível (CTA, shoppable audio, form fills assistidos por voz). E, do lado do investimento, os relatórios mais recentes do IAB e de consultorias especializadas mostram áudio avançando em share (com podcast puxando o combo), justamente porque engaja e prova.
(Crédito: commons.wikimedia)
O que muda para quem compra (e para quem vende):
Briefs pedem ação: todo spot deve ter um gesto possível (salvar cupom, abrir mapa, pedir catálogo por WhatsApp, “me lembra depois”). Sem isso, a interação vira promessa vazia.
Mensuração sobe a bordo: combinar atenção (estudos Dentsu/Lumen) com métricas in-app fecha o loop entre ouvir e agir – atributo decisivo para a verba migrar.
Planejamento omnicanal de verdade: rádio cria alcance e frequência; streaming e podcasts entregam interatividade e segmentação; a TV do painel vira ponte. A chave é orquestrar – não escolher um contra o outro.
Mercado hispânico e afro-americano: redes de áudio com dados 1P (ex.: Katz Digital) permitem segmentar com profundidade e escala faixas demográficas muitas vezes subatendidas no plano digital comum – e com contexto cultural.
Se a propaganda de rádio foi, por décadas, um recado jogado ao vento – “alô, dona de casa!” –, o que nasce agora é o rádio que responde. O anunciante pergunta, o ouvinte devolve, o sistema registra, o vendedor liga depois (ou nem precisa). Não é a morte do jingle; é o seu segundo ato. O spot deixa de ser só memória sonora e vira evento de dados.
Há, claro, riscos e exageros: “interativo” não pode significar fricção (ninguém quer motorista digitando no painel), nem vigilância opaca de comportamento. Mas, quando bem desenhado – “salvar link”, “enviar oferta por SMS”, “abra quando parar” –, o formato honra a natureza do áudio: acompanhar a vida sem exigir a mão.
Se a web transformou o anúncio em clique, o áudio conectado transforma o som em gesto. E é por isso que a tese de Murphy encaixa: o futuro interativo não depende de ficção – ele já está no ar.
Fontes
Radio Ink – “Rick Murphy: The Future of Radio Advertising Is Interactive – And Already Here” (6 out. 2025). Radio Ink+1
Dentsu + Lumen Research – Estudos de atenção em áudio (rádio, podcasts e streaming). iheartmedia.com
Spotify Advertising – CTA Cards e formatos de áudio/vídeo; estudo de atenção em 2024/25. ads.spotify.com+2ads.spotify.com+2
Katz Radio Group – Engajamento e “buracos de plano” entre pouco-usuários de internet/TV; síntese de insights 2024/25. insights.katzradiogroup.com+1
IAB / análises setoriais (via RadioActive Media) – crescimento do investimento em áudio, com podcasts puxando o formato. Radio Active Media
iHeartMedia – SmartAudio: segmentação avançada combinando escala do broadcast e dados digitais (antecedente da programabilidade atual). iheartmedia.com
Spotify Newsroom (out. 2025) – Parcerias e automação para compra, criação e mensuração de anúncios em áudio. Spotify
Álvaro Bufarah
Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.
(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.