Sílvio Barsetti morreu nessa terça-feira (13/10), aos 61 anos, de câncer. Vitimado por um melanoma metastático, que o acometeu no ano passado, passou por cirurgia no cérebro e sessões de radioterapia. Voltou a ser internado em 11/10, mas não resistiu. O velório foi nesta quarta (14/10), no cemitério Jardim da Saudade, Zona Oeste do Rio. Formado pela Facha, começou a carreira em 1988 no Jornal dos Sports. Esteve ainda em Jornal do Brasil e O Dia, antes de seguir para a sucursal carioca de O Estado de S. Paulo, onde permaneceu por cerca de 20 anos, como repórter e editor de Esportes, e cobriu alguns dos capítulos mais importantes da história recente do futebol brasileiro. Mais tarde, escreveu para o portal Terra. Era o jornalista dos bastidores e das perguntas inconvenientes nas coletivas de imprensa, em que todos os presentes prestavam tanta atenção a ele quanto às respostas. Além do esporte, atuou nas áreas de cultura, como crítico de música, e na de política.
Barsetti foi autor de A farra dos guardanapos: O último baile da era Cabral, primeiro livro lançado pela editora Máquina de Livros, em 2018, e, quatro anos depois, de O outro lado do phoder, em que investigou episódios da política brasileira a partir das relações entre prostituição e autoridades. “Eram incursões por assuntos aparentemente distantes do futebol, mas ligados pelo interesse em compreender o funcionamento das estruturas de poder e aquilo que acontece longe dos olhos do público”, definiu Thales Machado, que conheceu Barsotti quando iniciou na profissão e hoje é editor de Esportes do Globo.
Em 2023, assumiu a coordenação de comunicação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e também editava o site da entidade. Cobriu viagens e competições de diversas categorias, e divulgou todos os campeonatos, dando espaço aos clubes filiados à entidade; atuou ainda nas convocações das Seleções. Em homenagem a sua contribuição para a CBF, houve um minuto de silêncio antes do amistoso da seleção feminina, na mesma noite de terça-feira, em Pernambuco.
O jornalista e comentarista Gustavo Castellucci é o novo integrante da equipe esportiva Dona da Bola, da BandNews FM Salvador (99,1 FM). O emissora fez o anúncio em 8/10, após a saída de Janayna Moradillo, que segue para a equipe da BandNews FM em São Paulo. Com passagens por TV Bahia, Band Bahia e Salvador FM, Castellucci já fazia parte do jornalismo da emissora e agora também dividirá os comentários esportivos com Nelsinho Góes.
O profissional ainda participará da versão radiofônica do Jogo Aberto, ao lado de Juliana Guimarães, de segunda a sexta-feira, das 17h às 18 horas. Além disso, estará nas transmissões dos jogos de Bahia e Vitória pelas principais competições nacionais. Neste ano, o comentarista também integrou a cobertura da Copa do Mundo pela rede BandNews FM.
Ana Julião despediu-se neste início de outubro da Edelman, organização em que esteve por 12 anos, 5 como vice-presidente executiva e 7 como general manager, cargo equivalente a CEO fora do país-sede. Ex-repórter de O Globo e editora do Jornal do Commercio, entrou para o mundo corporativo por meio da InPress Porter Novelli, onde foi diretora por 16 anos.
Ainda não revelou o novo destino, mas ele certamente já está definido, pelo que revelou em sua mensagem de despedida no Linkedin: “As páginas em branco desse caderno vou preencher em uma nova jornada para a qual sigo entusiasmada, confiante e muito feliz. Em breve, novidades!” J&Cia apurou que ela seguirá no segmento das agências de comunicação.
Depois de três anos atuando como analista política da CNN Brasil, e âncora dos programas O Ponto e CNN Eleições, Clarissa Oliveira anunciou em 13/10 sua saída do canal. Destacou em seu perfil no Linkedin que “deixo uma casa repleta de gente talentosa e que se entrega todos os dias a esta profissão linda. Por isso, faço aqui meu agradecimento imenso a todos os amigos e colegas que dividiram comigo esta jornada. Tiro um tempinho para cuidar da vida e da família. Mas logo espero dar notícias sobre próximos passos!”.
Antes da CNN Brasil, Clarissa foi colunista de Veja, repórter especial do Grupo Bandeirantes, editora de Política do Estadão, diretora do escritório de Brasília do iG, e diretora de gerenciamento de crise na JeffreyGroup.
Levantamento realizado pela Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor), em parceria com o Laboratório de Internet e Ciência de Dados (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo, registrou 14.182 ataques online contra jornalistas e veículos de comunicação no X e no Instagram entre 16 de agosto e 4 de outubro. Com a aproximação da votação, a violência contra a imprensa aumentou: A média passou de 188 ataques diários no início da campanha para 327 nos oito dias que antecederam o primeiro turno, crescimento de aproximadamente 74%. Ao todo, foram analisadas cerca de 3,7 milhões de publicações e comentários nas duas plataformas.
Este monitoramento da CDJor, em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo, será realizado ao longo de toda a campanha eleitoral, até o final do ano. A cada duas semanas, o estudo analisará e atualizará os dados sobre ataques digitais à imprensa. A iniciativa abordará também casos de violência contra jornalista fora das redes. Confira as atualizações no site da CDJor.
A Rede de Jornalistas Pretos (Rede JP) anunciou que o ComuniHub, projeto de infraestrutura digital cívica voltado ao fortalecimento do jornalismo independente e comunitário, entrou na reta final de desenvolvimento. Idealizada pela jornalista e pesquisadora Marcelle Chagas, a iniciativa vem sendo desenvolvida há dois anos e pretende conectar jornalistas, comunicadores, pesquisadores, profissionais de tecnologia e financiadores no Brasil e na América Latina.
Com princípios de descentralização de recursos, colaboração e tecnologias abertas, a plataforma busca reduzir a dependência das grandes empresas de tecnologia e ampliar o acesso a oportunidades, financiamento e inovação. O projeto, que conta com interlocução do Public Tech Media Lab, da Universidade de Wisconsin–Madison, prevê a expansão de suas funcionalidades no primeiro semestre de 2027. (Saiba +)
Circulou em 13/10 a edição especial com os finalistas do Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar, iniciativa realizada pelo Einstein Hospital Israelita, com organização deste Jornalistas&Cia e do Portal dos Jornalistas.
Seguem na disputa do segundo turno 97 profissionais, que concorrem nas categorias Geral, Regionais, Colunista e Jornalista Especializado em Ciência, e 73 veículos, que disputam agora a uma posição entre os TOP 3 mais votados nas categorias Agência de Notícias, Áudio, Jornais e Revistas, Programa ou Quadro de TV, Site/Portal, Veículo Especializado em Jornalismo Científico e Veículo Especializado em Saúde e Bem-Estar.
Na segunda fase, que segue aberta até 22 de outubro, os eleitores poderão selecionar, do 1º ao 5º colocado, seus profissionais e publicações favoritos em cada categoria. Cada posição renderá uma pontuação, seguindo a ordem de 100 pontos para o 1º colocado, 80 para o 2º, 65 para o 3º, 55 para o 4º e 50 para o 5º.
O resultado final será obtido da soma dessas pontuações e definirá, além dos TOP 25 +Admirados Jornalistas do Brasil, os TOP 3 +Admirados profissionais e veículos nas demais categorias especiais. Na cerimônia de premiação, marcada para 17 de novembro, serão anunciados os jornalistas e veículos vencedores em cada uma das categorias, além dos TOP 5 +Admirados Jornalistas do País.
Para participar do segundo turno, basta acessar a cédula de votação e preencher um rápido cadastro.
A sociedade brasileira não pode pagar pra ver. E o jornalismo brasileiro não pode vacilar: é hora de adotar uma posição clara em defesa da democracia e contra o autoritarismo. Trata-se de uma situação que já vivemos antes. Em 2018, muitos acreditaram na ilusão de que o status quo político acabaria por moderar Jair Bolsonaro. Hoje, podemos afirmar com toda a certeza: foi o bolsonarismo que radicalizou o status quo.
O governo de Jair Bolsonaro apresentou sinais documentados de ataques à democracia: investidas contra a credibilidade das eleições, hostilidade à imprensa, uso político das Forças Armadas e tolerância a manifestações antidemocráticas, contestação da alternância de poder e confronto aberto com o Judiciário. O fato de as instituições terem resistido não significa que esses sinais não existiram e nem indica ausência de gravidade. Significa que os mecanismos de contenção funcionaram.
Não há nenhuma razão no horizonte para crer que seu filho teria uma relação melhor com o jornalismo e a democracia. O fato de não ser tão verborrágico e agressivo quanto o pai não faz com que seus atos se tornem menos graves. A promessa primordial de Flávio Bolsonaro é a libertação de Jair e a anulação do julgamento por tentativa de abolir o Estado democrático. Soma-se a isso a ameaça declarada de mudanças na Constituição.
Durante os quatro anos de bolsonarismo, o jornalismo conviveu com o horror da repressão. Agressões verbais promovidas quase diariamente pelo presidente da República contra os repórteres que cobrem o Planalto. Intimidações em todo o território nacional, decorrentes do clima de hostilidade que Bolsonaro promovia contra o exercício da profissão.
Os números ajudam a dimensionar essa escalada de violência. Segundo a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), foram registrados 1.442 casos de violência contra jornalistas e ataques à imprensa entre 2019 e 2022, uma média anual mais de três vezes superior à observada entre 2010 e 2018. Somente em 2022, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) documentou 557 alertas de violações à liberdade de imprensa, dos quais 41,6% envolveram ao menos um integrante da família Bolsonaro.
A mudança de cenário a partir de 2023 é igualmente reveladora: os registros da Abraji caíram para 330 naquele ano e 204 em 2025, enquanto o Brasil passou da 110ª posição no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, da Repórteres Sem Fronteiras, em 2022, para a 52ª em 2026.
Gráfico de linha que apresenta a evolução anual dos casos de violência contra jornalistas e ataques à imprensa no Brasil, entre 2009 e 2024, segundo a Fenaj. Os registros passaram de 135 em 2018 para 208 em 2019, 428 em 2020 e 430 em 2021, o maior valor da série apresentada. Em 2022, foram 376 casos. Após esse período, os números caíram para 181 em 2023 e 144 em 2024. O intervalo de 2019 a 2022, correspondente ao governo Jair Bolsonaro, está destacado.
A defesa do jornalismo, porém, vai além do interesse de uma categoria profissional: diz respeito ao direito de toda a população à informação e à própria qualidade da democracia. Esse direito depende de um ambiente de informação íntegro, onde informações confiáveis, verificáveis e plurais possam circular livremente. O jornalismo tem papel essencial na construção desse ambiente, ao investigar casos de corrupção, abusos de poder e violações de direitos, produzindo evidências que ajudam a sociedade a compreender a realidade, cobrar responsabilidades e dar visibilidade a populações frequentemente negligenciadas.
Por isso, ataques sistemáticos à imprensa não atingem apenas jornalistas e veículos de comunicação. Ao intimidar profissionais e desacreditar suas investigações, comprometem o acesso da população a informações de interesse público e enfraquecem a capacidade da sociedade de fiscalizar quem governa e exigir a responsabilização de quem viola a lei.
O que aconteceu durante o governo Jair Bolsonaro tem um longo histórico. Em 1999, ele declarou que, se fosse presidente, fecharia o Congresso Nacional e daria um golpe de Estado. Em 2016, homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça como torturador da ditadura militar.
Já na Presidência, participou, em 2020, de uma manifestação que defendia a intervenção militar e o fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2022, reuniu embaixadores estrangeiros para lançar acusações sem provas contra o sistema eleitoral brasileiro, episódio que levou à sua inelegibilidade.
A escalada culminou em um plano de assassinato de autoridades – nomeadamente, Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes –, na tentativa de impedir a alternância de poder após a derrota nas urnas, pela qual Bolsonaro foi condenado pelo STF em 2025.
Esse histórico é indispensável para avaliar as propostas de Flávio Bolsonaro. O senador também tem manifestações próprias que merecem atenção. Em livro publicado em 2017, negou a existência do golpe militar de 1964 e elogiou Ustra. Em julho de 2026, repetiu diante de diplomatas estrangeiros informações falsas sobre a origem das urnas eletrônicas brasileiras.
Não é possível ignorar a trajetória de um grupo político que questionou a legitimidade das eleições, confrontou instituições responsáveis por fiscalizar o poder e agora pretende modificar algumas dessas mesmas instituições.
O risco não se resume a um novo golpe de Estado: está também na possibilidade de enfraquecimento progressivo dos mecanismos que impedem a concentração de poder e garantem a responsabilização de governantes.
A população depende de uma imprensa livre para fiscalizar o poder. E uma imprensa livre depende de instituições capazes de assegurar direitos, garantir acesso a informações públicas, proteger profissionais contra intimidações e responsabilizar quem tenta impedir seu trabalho.
A experiência do governo Bolsonaro mostrou como a hostilidade promovida pelo presidente pode repercutir sobre a liberdade de imprensa. Se os mecanismos de controle do poder também forem enfraquecidos, tornam-se mais frágeis as condições para que jornalistas investiguem e publiquem informações de interesse público com independência. É assim que ataques ao jornalismo, enfraquecimento institucional e erosão democrática podem se alimentar mutuamente, abrindo caminho para o avanço do autoritarismo.
Nesse sentido, este editorial é também um apelo a veículos de comunicação e jornalistas para que reflitam sobre sua responsabilidade neste momento histórico. Não se trata de defender governos, partidos ou tribunais, mas de reconhecer que a liberdade de imprensa, a independência das instituições e o direito da sociedade à informação são inseparáveis. Em nome de um futuro viável, o Brasil precisa preservar sua democracia, com todas as suas imperfeições, contradições e conquistas. Afinal, a história mostra que o autoritarismo pode chegar ao poder pelas urnas, mas seus efeitos sobre os direitos e as liberdades podem levar décadas para ser revertidos.
A organização do Prêmio CNT de Jornalismo anunciou os 35 finalistas de sua 33ª edição. Com o tema Sempre em movimento, o prêmio reconhece e valoriza trabalhos jornalísticos sobre a importância do transporte para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Cerca de 500 projetos jornalísticos concorreram à premiação.
Ao todo, foram selecionados cinco trabalhos finalistas em cada uma das sete categorias: Áudio, Comunicação Setorial, Fotojornalismo, Meio Ambiente e Transporte, Multiplataforma, Texto e Vídeo. O vencedor de cada categoria receberá R$ 35 mil, além de troféu e certificado. E o trabalho com a maior pontuação geral será agraciado com o Grande Prêmio, no valor de R$ 60 mil. Os vencedores serão anunciados durante a cerimônia de premiação, marcada para dezembro, em Brasília.
Agência Mural e Fala Roça lançaram o dossiê O futuro é local: o jornalismo das favelas e periferias como ferramenta de transformação social, que aborda os caminhos para o fortalecimento do jornalismo local e independente. A publicação foi lançada durante o encontro Redes de Narrativas e Territórios, no final de setembro.
O dossiê traz experiências, relatos e aprendizados de profissionais que trabalham com jornalismo, além de reflexões e propostas sobre o fortalecimento de mídias independentes e os desafios relacionados às desigualdades de informação nos territórios. Anderson Meneses, diretor de negócios e tecnologia da Mural, explicou que o dossiê é fruto das discussões realizadas na 3ª Conferência de Jornalismo das Favelas e Periferias, realizada em 2025, na Rocinha, no Rio de Janeiro.
“Estamos muito felizes com o lançamento. Todos os resultados, as recomendações, tudo que a gente acredita para o jornalismo do nosso território estão neste dossiê”, explicou Menezes. Os debates da conferência foram organizados na publicação, com o objetivo de servir como material de consulta para comunicadores e organizações que atuam localmente, além de trazer soluções e reflexões sobre o papel do jornalismo na valorização das narrativas dos territórios e na transformação social.
Na conferência, Menezes comandou um painel ao lado de Karen Fontoura, coordenadora de jornalismo e projetos do Fala Roça; com participação de Thais Siqueira, diretora da Coalizão de Mídias Periférica, Favelada, Quilombola e Indígena e do Desenrola e Não me Enrola; Márcia Guena, professora da Universidade do Estado da Bahia (UNEB); e Nina Santos, pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital.