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Produtor rural ataca equipe de afiliada da TV Globo no MT

Uma reportagem sobre prevenção e combate a incêndios no campo acabou em ataque a jornalistas da TV Centro América, afiliada da Rede Globo em Mato Grosso, na semana passada. O repórter Bruno Motta e o cinegrafista Alexandre Perassoli estavam produzindo a pauta para o programa Globo Rural, quando foram agredidos e ameaçados pelo agricultor Jorge Meinerz, de Lucas do Rio Verde.

Segundo relatos dos jornalistas, eles pretendiam mostrar que a atividade algodoeira é de alto risco e que por isso necessita de procedimentos reforçados de segurança contra incêndios, principalmente com tempo seco. Após ter a gravação negada na propriedade de Meinerz, que dias antes havia perdido 1.100 rolos de algodão em um incêndio, a dupla decidiu fazer uma tomada na beira de uma estada de terra além dos limites da fazenda, quando acabou surpreendida pelo proprietário.

Exaltado, o produtor rural tentou pegar a câmera da equipe e chegou a tomar com violência o aparelho celular de Bruno Motta. Imagens feitas pelo cinegrafista mostram o agricultor descontrolado durante o ataque. Além dos insultos, ele chegou a segurar no colarinho do repórter e ameaçou a dupla, dizendo que se as imagens fossem exibidas “sobraria” para eles e que os “buscaria em casa”.

“Quer militar? Vai militar pra lá”, atacou o produtor rual

Em um trecho da gravação, que só mostra parte do ataque, é possível ouvir ainda o produtor mandar os jornalistas apagarem as imagens, e falar: “Quer militar? Vai militar pra lá”. A equipe registrou queixa na delegacia de polícia e o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) está acompanhando o inquérito policial. A Abraji condenou o ataque.

Conheça os indicados ao 34º Troféu HQMIX

Com 27 categorias, foi divulgada a lista dos indicados como os melhores lançamentos de 2021 pelo 34º Troféu HQMIX.
Com 27 categorias, foi divulgada a lista dos indicados como os melhores lançamentos de 2021 pelo 34º Troféu HQMIX.

Com 27 categorias, foi divulgada a lista dos indicados como os melhores lançamentos de 2021 pelo 34º Troféu HQMIX, premiação que contempla a produção de quadrinhos no Brasil.

Os indicados já estão na cédula que será usada por mais de dois mil votantes da área de quadrinhos nas próximas semanas. Além das 27 categorias em votação nacional contempladas na cédula, TCC, Mestrado e Doutorado também serão premiados por um júri especializado e por membros da comissão organizadora.

Os vencedores serão anunciados no final de novembro e a cerimônia de entrega dos troféus será virtual, como nos dois últimos anos, no canal do YouTube do Sesc CPF, em 10/12, às 19 horas.

Confira os indicados.

Ato em Defesa do Jornalismo e da Democracia será nesta terça-feira (27/9)

A Abraji promoverá nesta terça-feira (27/9), em parceria com 12 organizações, Ato em Defesa do Jornalismo e da Democracia.
A Abraji promoverá nesta terça-feira (27/9), em parceria com 12 organizações, Ato em Defesa do Jornalismo e da Democracia.

Em resposta aos constantes ataques sofridos por jornalistas, a Abraji promoverá nesta terça-feira (27/9), em parceria com 12 organizações, Ato em Defesa do Jornalismo e da Democracia. O encontro será no Auditório 239 – Prof. Paulo Barros de Carvalho, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), às 19 horas.

O evento discutirá ameaças, agressões, ataques físicos e virtuais, e tentativas de censura e intimidação contra a classe, bem como as dificuldades enfrentadas pelos profissionais diante desse cenário. Também será divulgado um manifesto em defesa do livre exercício do jornalismo e da democracia.

Estarão presentes Patricia Campos Mello, repórter da Folha de S.Paulo e diretora da Abraji; e a jornalista e escritora Bianca Santana. Elas estão entre as vítimas de agressões e ataques promovidos pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores e vão compartilhar suas histórias com os participantes.

O ato conta com a participação de organizações da sociedade civil em defesa dos direitos humanos, como OAB, Grupo Prerrogativas, Grupo Tortura Nunca Mais e Comissão de Justiça e Paz, do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), além do apoio e parceria do Curso de Jornalismo da PUC-SP.

ESPN demite comentaristas e adota tolerância zero contra preconceito

Fábio Sormani e Felippe Facincani
Um conteúdo:

Duas demissões agitaram os bastidores da ESPN na última semana. A emissora do Grupo Disney anunciou as saídas dos comentaristas Felippe Facincani, em 21/9, e Fábio Sormani, dois dias depois. As demissões não tiveram relação uma com a outra, apesar de terem acontecido com apenas dois dias de diferença e sido decididas pela área de Compliance da empresa.

Segundo apurou Ricardo Guimarães, para o Lance!, a saída de Facincani deu-se por um problema de relacionamento com a produção do canal. O caso foi levado a instâncias superiores e acabou culminando na demissão do jornalista.

Já Sormani foi demitido após uma acusação mais grave, que envolve homofobia. O jornalista teria feito uma piada de conotação sexual contra um funcionário LGBTQIA+ em um banheiro da emissora. O episódio teve testemunhas e o funcionário levou a reclamação ao RH.

Fábio Sormani e Felippe Facincani foram desligados da ESPN

Uma fonte ouvida pelo Lance citou a expressão ‘tolerância zero’ e que a Disney preza pela igualdade e o respeito dentro de sua empresa, independentemente de raça, gênero ou classe social. A ESPN, inclusive, tem um departamento específico para realizar palestras e treinamentos recorrentes sobre os temas.

Em nota divulgada na noite desta segunda-feira (3/10) pelo advogado Daniel Bialski, que representa Sormani, o jornalista se defendeu da acusação de homofobia, que classificou como fake news, e esclareceu que tudo não passou de uma “brincadeira feita com um velho companheiro de trabalho e que entendia ser meu amigo”.

Confira a íntegra:

Sou jornalista há 43 anos e sempre pautei minha vida pessoal e profissional regido por alguns princípios que me são muitos Valiosos e valorosos: ética, verdade, respeito, retidão e moralidade.

Dentro dessa minha história não posso aceitar a aleivosa divulgação que fui desligado da ESPN por homofobia. Isso é o que popularmente se diz fake news, o que é inaceitável.

E preferi me manifestar, porque quem cala, consente, diz o velho ditado. Por harmonizar com o secular axioma, estou aqui pedindo um minutinho de sua atenção para esclarecer os fatos.

Na última sexta-feira, dia 23/09/22, fui desligado da ESPN. Mas, ao contrário do que sites inveridicamente disseram, meu desligamento não se deu por homofobia. O comunicado do meu desligamento por parte da ESPN não cita, em momento algum, essa pratica preconceituosa. Aliás, nem mesmo o compliance da empresa entendeu o episódio desta maneira, ao contrário do que foi divulgado por alguns meios de comunicação.

Há uma distância e uma diferença enorme entre essa infundada adjetivação e a brincadeira feita com um velho companheiro de trabalho e que entendia ser meu amigo (por isso senti-me à vontade para fazê-la). A ESPN entendeu que feriu cláusulas contratuais, asseverando desrespeito e quiçá indevida, mas, repito, jamais discriminatórias.

A própria carta elaborada pelo Jurídico da ESPN sobre o meu desligamento não fala em trecho algum em ato homofóbico, e que isso, pois, fique bem claro para descartar narrativas excessivas sobre o ocorrido.

O comunicado da ESPN sobre o rompimento do meu contrato, entregue aos veículos de comunicação, também não fala, em momento algum, de alguma forma de homofobia ou ilicitude. Diz o comunicado: “O jornalista Fábio Sormani deixa de fazer parte do time de comentaristas dos canais de esporte da Disney. Agradecemos por todo seu empenho e desejamos sucesso à sua nova etapa profissional”.

Um dos princípios básicos do bom jornalismo é apurar corretamente os fatos. Isso JAMAIS ocorreu; por isso, cometeram o equívoco e expuseram meu nome e minha reputação ao julgamento público por um preconceito que não possuo e por infração que eu não cometi.

Nem preciso externar, mas faço questão de fazê-lo, que passei dias horríveis. Refleti a respeito da minha carreira, minha profissão e fiquei terrivelmente abalado por conta dessa atitude dos veículos de comunicação que informaram de maneira incorreta o motivo do meu desligamento.

Aliás, sinto-me ainda assim. Minha família também sofre neste momento. Por isso estou aqui, usando esse espaço, para clarear a situação. Repito: fui desligado da ESPN por uma brincadeira e não por homofobia. Nunca o fui, sou ou serei. E quem me conhece, sabe que faz parte do meu caráter e formação.


O #diversifica é um hub de conteúdo multiplataforma sobre Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) do Portal dos Jornalistas e da newsletter Jornalistas&Cia. Ele conta com os apoios institucionais da Associação de Jornalismo Digital (Ajor), International Center for Journalists (ICFJ), Meta Journalism Project, Imagem Corporativa e Rádio Guarda–Chuva./

Especial de aniversário de J&Cia abordará nativos digitais do Jornalismo

Com reportagem de Fernanda Giacomassi, coordenadora de Comunicação da Ajor (Associação de Jornalismo Digital), especialista em estratégia digital, gestão de mídias sociais e jornalismo nativo digital e empreendedor, a edição especial em comemoração aos 27 anos da newsletter Jornalistas&Cia circulará na próxima quarta-feira, 28 de setembro.

Ela vai mergulhar no universo dos veículos nativos digitais para mostrar como elas estão encontrando seu lugar ao sol em um mercado que há décadas vinha sendo dominado pelas mídias tradicionais.

Discutirá tendências e soluções presentes no dia a dia dessas publicações, além do impacto do jornalismo local no ecossistema de mídia; os modelos de financiamento e sustentabilidade financeira; as novidades em inovação e diversificação de formatos; a formação de jovens jornalistas com perfis cada vez mais diversos e o ensino de jornalismo inovador; o trabalho de fôlego em investigações que impactaram e ajudaram a pautar a história recente do Brasil.

Também relatará casos em que esses veículos tiveram papel preponderante na vida das pessoas; a preocupação deles com a diversidade de suas equipes e a consequente busca de pautas mais inclusivas e com foco em direitos humanos; e a atuação regional de muitos deles em áreas antes conhecidas como desertos de notícias.

Como de costume, a edição será distribuída para o mailing de assinantes de Jornalistas&Cia, e também divulgada na quinta-feira (29/9) neste Portal dos Jornalistas.

STF derruba censura a reportagens de imóveis da família Bolsonaro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça liberou na noite dessa sexta-feira (23/4) as reportagens do UOL que revelaram que a família Bolsonaro teria comprado 51 imóveis com dinheiro vivo. A decisão derruba a exigência do desembargador Demetrius Gomes Cavalcanti, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, de que o conteúdo fosse retirado do ar. O magistrado havia atendido a um pedido interposto pela defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

As duas reportagens em questão, produzidas pelos repórteres Juliana Dal Piva Thiago Herdy, foram publicadas nos dias 30 de agosto (Metade do patrimônio do clã Bolsonaro foi comprada em dinheiro vivo) e 9 de setembro (Clã Bolsonaro: as evidências de dinheiro vivo em cada um dos 51 imóveis).

Entenda o caso

O UOL revelou que a família do presidente adquiriu metade do patrimônio com o uso de dinheiro vivo. Dos 107 imóveis adquiridos pelo presidente Jair Bolsonaro, seus filhos, ex-mulheres e irmãos desde os anos 1990, em 51 deles as aquisições foram feitas total ou parcialmente com o pagamento em dinheiro.

Conforme as escrituras, os 51 imóveis custaram, em valores da época, R$ 13,5 milhões. A parte apenas em dinheiro vivo destas transações é de pelo menos R$ 5,7 milhões, ainda em valores da época. Se corrigidos pelo IPCA a partir da data da compra de cada imóvel, este valor equivale a R$ 11,1 milhões apenas em dinheiro vivo, de um valor total de R$ 25,6 milhões.

Para reconstituir três décadas de transações imobiliárias do Clã Bolsonaro, repórteres se basearam em documentos públicos dos cartórios, investigações do Ministério Público, entrevistas com funcionários de cartórios e de pessoas que venderam imóveis à família e confirmaram os pagamentos em dinheiro vivo.

A reportagem preferiu correr o risco de subestimar o número de imóveis pagos com dinheiro. Dos 107 imóveis negociados entre os anos 1990 e 2020, em 26 casos não foi descrita a forma de pagamento e, portanto, estes foram eliminados da conta do dinheiro vivo.

Também na segunda-feira (19/9), o UOL mostrou que o senador Flávio Bolsonaro, que tem 16 imóveis comprados parcialmente com dinheiro vivo, também fez uso de valores em espécie para pagar despesas pessoais, funcionários e impostos. Além disso, a conta bancária de sua antiga loja de chocolates registrou alto volume de depósitos de dinheiro vivo sem identificação. Ao todo, esse montante movimentado em espécie ultrapassa os R$ 3 milhões.

Os dados constam das quebras de sigilo obtidas pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio). Flávio ainda foi apontado nas investigações como líder de uma organização criminosa que funcionava em seu antigo gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa fluminense). O total de desvios apurado pela Promotoria foi de, no mínimo, R$ 6,1 milhões.

A decisão judicial que autorizou o acesso do MP-RJ aos dados financeiros foi anulada em fevereiro de 2021. Atualmente, a PGJ (Procuradoria-Geral de Justiça) refaz a investigação. Na época da denúncia, o senador Flávio negou que tenha cometido crimes.

Aberto o período de indicações aos +Admirados de Economia

Conheça os finalistas dos +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças

Começou nesta quinta-feira (22/9) o primeiro turno de indicação para a sétima edição do Prêmio +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças. O concurso, criado em 2016 por Jornalistas&Cia, conta com patrocínio de BTG Pactual, Deloitte, Gerdau e Telefônica | Vivo, apoio de Captalys, LATAM, Portal dos Jornalistas e Press Manager, além do apoio institucional do IBRI.

No primeiro turno, que vai até 6/10, os TOP 5 nas oito categorias de veículos e os TOP 50 Jornalistas são de livre indicação. As categorias de veículos são Agência de Notícias, Canal Digital, Jornal, Revista, Podcast, Programa de TV, Programa de Rádio e Site/Blog. O segundo turno irá de 12 a 24 de outubro.

O Prêmio segue o modelo da série +Admirados, iniciada em 2013 com o prêmio +Admirados da Imprensa Brasileira e que hoje também contempla jornalistas e veículos +Admirados nas editorias de Agronegócio, Automotiva, Esportes, Ciência, Saúde e Bem-Estar, e Tecnologia.

Para participar da eleição dos +Admirados da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças, basta acessar o link de votação, preencher um breve cadastro (ou fazer login caso já tenha participado de outras votações) e fazer até cinco indicações por categoria. Importante ressaltar que não é necessário indicar em todas as categorias nem ter cinco indicações para cada uma delas. Todos os votos, ainda que parciais, serão computados.

Canal Rural fecha acordo com principal rede de tevê da Bolívia

O Canal Rural, empresa controlada pelo grupo J&F, anunciou nesta semana o início de sua expansão internacional. A emissora firmou parceria com a Unitel, maior rede de televisão da Bolívia, e lançou o Canal Rural Bolívia. O objetivo é potencializar a agropecuária e a alimentação na América Latina por meio da transmissão de leilões bolivianos e conteúdos jornalísticos.

“A audiência boliviana já estava habituada a assistir aos leilões brasileiros, por meio do sinal do Canal Rural”, explica Plínio Queiroz, diretor de Pecuária da emissora. “Agora, com a parceria, todo o conteúdo transmitido será pensando no mercado boliviano, com a intenção de envolver ainda mais o pecuarista e desenvolver o mercado local. A Unitel tem a audiência desse público, que é o produtor rural, e nós, do Canal Rural, temos o pioneirismo do formato de comercialização da pecuária, via leilões”.

A programação será dividida entre a transmissão de leilões bolivianos e programação jornalística do Canal Rural, com destaque para os programas Giro do Boi, Mercado e Cia e Rural Notícias, que serão transmitidos via Canal Rural Brasil. Os demais programas serão de conteúdos bolivianos.

Todos os leilões do país serão retransmitidos pelo Lance Rural, por YouTube, Facebook, site e aplicativo. A Unitel completará a grade com a transmissão de conteúdos locais e, no futuro, a parceria tem como meta a expansão para outras áreas do agronegócio.

Justiça volta atrás e censura reportagens do UOL sobre imóveis do clã Bolsonaro

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios revogou a decisão da 4ª Vara Criminal de Brasília, tomada na última segunda-feira (19/9), e determinou a retirada do ar de duas reportagens do UOL sobre o uso de dinheiro vivo para a compra de imóveis pela família do presidente Jair Bolsonaro (PL).

A decisão, do desembargador Demetrius Gomes Cavalcanti, atendeu a recurso interposto pela defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O magistrado entendeu que as reportagens sobre a compra e a venda de imóveis do clã Bolsonaro utilizaram informações sigilosas, contidas em inquérito policial que já havia sido anulado pelo Superior Tribunal de Justiça.

As reportagens em questão, produzidas pelos repórteres Juliana Dal Piva Thiago Herdy, foram publicadas nos dias 30 de agosto (Metade do patrimônio do clã Bolsonaro foi comprada em dinheiro vivo) e 9 de setembro (Clã Bolsonaro: as evidências de dinheiro vivo em cada um dos 51 imóveis).

Segundo alegam os advogados de Flávio Bolsonaro, as suspeitas de que os valores empregados nas transações imobiliárias poderiam ser provenientes de operações ilícitas, como “rachadinha” e com pagamentos em dinheiro vivo, basearam-se em uma investigação considerada nula pela Justiça.

Ao deferir a liminar em favor do recurso apresentado por Flávio Bolsonaro, Demetrius Cavalcanti determinou “a imediata retirada do ar das reportagens sobre o tema, até o julgamento do caso”.

Entenda o caso

O UOL revelou que a família do presidente adquiriu metade do patrimônio com o uso de dinheiro vivo. Dos 107 imóveis adquiridos pelo presidente Jair Bolsonaro, seus filhos, ex-mulheres e irmãos desde os anos 1990, em 51 deles as aquisições foram feitas total ou parcialmente com o pagamento em dinheiro.

Conforme as escrituras, os 51 imóveis custaram, em valores da época, R$ 13,5 milhões. A parte apenas em dinheiro vivo destas transações é de pelo menos R$ 5,7 milhões, ainda em valores da época. Se corrigidos pelo IPCA a partir da data da compra de cada imóvel, este valor equivale a R$ 11,1 milhões apenas em dinheiro vivo, de um valor total de R$ 25,6 milhões.

Para reconstituir três décadas de transações imobiliárias do Clã Bolsonaro, repórteres se basearam em documentos públicos dos cartórios, investigações do Ministério Público, entrevistas com funcionários de cartórios e de pessoas que venderam imóveis à família e confirmaram os pagamentos em dinheiro vivo.

A reportagem preferiu correr o risco de subestimar o número de imóveis pagos com dinheiro. Dos 107 imóveis negociados entre os anos 1990 e 2020, em 26 casos não foi descrita a forma de pagamento e, portanto, estes foram eliminados da conta do dinheiro vivo.

Também na segunda-feira (19/9), o UOL mostrou que o senador Flávio Bolsonaro, que tem 16 imóveis comprados parcialmente com dinheiro vivo, também fez uso de valores em espécie para pagar despesas pessoais, funcionários e impostos. Além disso, a conta bancária de sua antiga loja de chocolates registrou alto volume de depósitos de dinheiro vivo sem identificação. Ao todo, esse montante movimentado em espécie ultrapassa os R$ 3 milhões.

Os dados constam das quebras de sigilo obtidas pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio). Flávio ainda foi apontado nas investigações como líder de uma organização criminosa que funcionava em seu antigo gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa fluminense). O total de desvios apurado pela Promotoria foi de, no mínimo, R$ 6,1 milhões.

A decisão judicial que autorizou o acesso do MP-RJ aos dados financeiros foi anulada em fevereiro de 2021. Atualmente, a PGJ (Procuradoria-Geral de Justiça) refaz a investigação. Na época da denúncia, o senador Flávio negou que tenha cometido crimes.

Grupo Globo anuncia cobertura mais que especial para Copa do Mundo do Catar

Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de Jornalistas&Cia no Rio de Janeiro

O braço de imagem do Grupo Globo – TV Globo, SporTV, Globoplay e GE (ge.globo.com) – fez uma coletiva nessa terça-feira (20/9) para apresentar sua cobertura multiplataforma para a Copa do Mundo do Catar. A Globo sempre apresenta novidades nas Copas, mas desta vez o volume dedicado ao grande evento surpreende. Sob o mote Tamo Junto Pela Copa, pela primeira vez o grupo faz uma coletiva sobre a cobertura da Copa, com a participação de diretores, narradores e comentaristas.

Por certo, uma cobertura superlativa está ligada à importância do negócio que a competição representa para a Globo. A emissora detém os direitos de transmissão por rádio e TV, e vai manter a exclusividade na TV aberta, mas na TV fechada pode sublicenciar. Nos contratos estão especificados os direitos de cada concorrente não detentor, como minutagem de gols, dos melhores momentos e outros. Sabe-se que sete rádios já compraram direitos, como a Itatiaia, de Belo Horizonte, a Gaúcha, de Porto Alegre, e a Jornal, de Pernambuco.

Quem tiver credencial para cobrir a Copa nos estádios não pode gravar qualquer imagem em movimento, nem postar lives nas redes ou YouTube, sob pena de ter sua credencial cancelada. Como aliás em todas as Copas da Fifa no mundo. Porém, a Globo não tem exclusividade para streaming e internet. A empresa perdeu esse direito numa questão polêmica sobre pagamentos dos contratos. Dessa forma, a Fifa pode vender esses direitos mas, ao que se sabe, ainda não os vendeu para o Brasil. A Globo, durante a coletiva, prometeu transmissão pelo Globoplay e pelo GE. Ao que parece, essa dificuldade foi contornada.

Bárbara Coelho, apresentadora do Esporte Espetacular, foi mestre de cerimônias da coletiva. Os executivos Renato Ribeiro, diretor de Esportes, Joana Thimóteo, diretora de Eventos Esportivos e Raymundo Barros, diretor de Estratégia e Tecnologia, trouxeram as linhas gerais de suas áreas.

Bárbara Coelho (esq.) apresenta os executivos Joana Thimóteo, Renato Ribeiro e Raymundo Barros (Crédito: Globo/Maurício Fidalgo)

Ribeiro ressaltou a importância da emoção de uma Copa do Mundo para os brasileiros. Como a Globo responde pelas transmissões desde 1970, muitos que nasceram depois não sabem o que é uma Copa sem a Globo. A grande diferença é que esta ocorre aqui três semanas depois do segundo turno das eleições. E acredita que uma Copa pode unir o Brasil em torno de uma ideia.

Thimóteo lembrou que o planejamento vem sendo feito há dois anos. Adiantou que o enviado Erick Faria já está no Catar, com o cinegrafista Marcelo Bastos, e preparam um Globo Repórter sobre a região. Tiago Leifert fará uma transmissão alternativa por dia de um jogo pelo Globoplay. Haverá efeitos visuais, além do “elenco”, como é chamada a equipe da cobertura, e tudo isso só é possível por haver tecnologia muito próxima no Catar, onde as sedes da Copa distam apenas 50 km umas das outras. Para a equipe, ainda há grandes nomes em fase de contratação, possivelmente estrangeiros.

Barros, que se definiu como “um engenheiro no meio de tantos jornalistas”, anunciou que todos os jogos serão transmitidos em resolução 4K, uma imagem rica em detalhes. A área de tecnologia trabalha para isso desde o início do ano. Haverá um estúdio especial construído no Rio de Janeiro, que terá projeções em tempo real de três câmeras de alta definição, instaladas no mercado Souq Waqif, do Catar.

Com 20 horas de operação todos os dias, o estúdio servirá de cenário para os jogos e para programas como o Central da Copa e o Esporte Espetacular da TV Globo, e para o Seleção Catar, do SporTV. A programação ficará ao vivo 18 horas por dia, das 6h da manhã à meia-noite. Com câmeras multiângulo, serão oferecidas entre seis e oito imagens diferenciadas em cada jogo, dependendo do que a Fifa liberar. Compactos de 50 min estarão disponíveis on demand no Globoplay, com um menu organizado por jogos e por seleções.

As plataformas Globo assim dividiram seu conteúdo: serão mais de 300 horas de transmissão no SporTV e 160 horas na TV Globo, com coberturas exclusivas tanto na aberta como na por assinatura. Globoplay fará uma transmissão alternativa de jogos e GE investirá no tempo real, com vídeos curtos e cobertura que mistura informação e entretenimento.

Mais de 500 pessoas estão envolvidas na cobertura, sendo que 73 delas estarão no Catar. Todos os 64 jogos serão transmitidos ao vivo, e depois de cada jogo o programa Troca de Passes, ancorado por Marcelo Barreto, virá com comentários.

Vimos, assim, na coletiva, Galvão Bueno, nome histórico que completa 50 anos de profissão e encerra nesta Copa do Mundo sua carreira como narrador. Ensaiou uma frase para dizer quando terminar o último jogo: “Desejo é estar ao lado da Seleção”. Disse ainda que prepara um documentário sobre sua vida profissional e pessoal.

Galvão Bueno e o mote da cobertura para a Copa do Mundo do Catar

Entre os narradores, estarão Luiz Carlos Jr., do SporTV; Cléber Machado, uma tradição na Globo; e Gustavo Villani, ex-Fox Sports. A cota de gênero para mulheres terá três contempladas, como Renata Silveira, considerada por alguns como “narratriz”, pelo desempenho emocionado na função.

E há jornalistas também, com a função dar notícias: Alex Escobar, apresentador do Troca de Passes, do Globo Esporte; Lucas Gutierrez, do Esporte Espetacular, entre outros. Mas a cobertura terá ainda talentos pouco reconhecidos, que vão ao Catar, como Marcelo Courrege e Débora Gares, nomes importantes da reportagem.

Independentemente da muita tecnologia exibida e do muito planejamento posto em prática, o que vai nortear a cobertura, em termos jornalísticos, mais uma vez, deve ser o mantra de Armando Nogueira: “Elogiar sem bajular, criticar sem humilhar”.

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