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domingo, abril 26, 2026

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Novas pesquisas confirmam local da primeira transmissão radiofônica do mundo

Hamilton Almeida, biógrafo do padre Roberto Landell de Moura, inventor brasileiro do rádio, em nova e recentíssima descoberta, comprovou que ela foi feita da Ponte Grande, no rio Tietê, para o Colégio Santana, em São Paulo Em suas mais recentes pesquisas, permitidas pela digitalização de vários veículos históricos – brasileiros e estrangeiros –, Hamilton Almeida, biógrafo do padre-cientista gaúcho Roberto Landell de Moura, conseguiu um novo avanço no trabalho de mais de 30 anos: a comprovação de que a primeira transmissão radiofônica do mundo, em 16 de julho de 1899, foi feita em São Paulo a partir da Ponte Grande, no Rio Tietê (onde hoje está a Ponte das Bandeiras), e o Colégio Santana, na rua Voluntários da Pátria, a uma distância de cerca de quatro quilômetros. Até agora, Hamilton tinha documentos sobre a transmissão, mas não o seu local exato nem detalhes de como ela teria sido feita. Diz ele: “As primeiras palavras emitidas pelo aparelho de rádio foram: ‘Toquem o Hino Nacional’, falou Landell lá do Colégio. E aí, da ponte, veio o som do hino…”. A experiência que Landell fez em 3 de junho de 1900, da Avenida Paulista para o mesmo Colégio Santana, foi mais longa, de 8 km. A descoberta reforça ainda mais o pioneirismo de Landell nas telecomunicações. O pesquisador tornou públicas essas informações em primeira mão, no último dia 13/2, no auditório Prestes Maia da Câmara Municipal de São Paulo, durante celebração do Dia Mundial do Rádio, realizada por aquela Casa em parceria com a Unesco e o Jornalistas&Cia. O evento foi, na realidade, um grande programa de rádio, com plateia e tudo, comandado pelo radialista e editor da Web Rádio Câmara Carlos Maglio, e que contou com a presença de personalidades do meio como Eli Corrêa (Rádio Capital), Márcio Bernardes (Transamérica), Osvaldo Luiz Vita (Colibri – Brasil Atual), Humberto Mesquita (Super Rádio/Iguatemi), Tânia Morales e Cristina Coghi (CBN) e Agostinho Teixeira (Band), entre outros, que falaram sobre a história do veículo e diversos aspectos de sua atuação. Eduardo Ribeiro, diretor de Jornalistas&Cia, aproveitou a celebração para pedir que os radialistas reforcem a campanha que desde 2011 o informativo vem encabeçando no sentido de promover o reconhecimento do padre Landell e da inclusão de sua vida e obra no currículo obrigatório do Ensino Fundamental. Confira o áudio do programa no http://webradio.camara.sp.gov.br (podcast nº 4). A Agência Radioweb produziu reportagem especial no local  e a deixou à disposição de seus associados, tendo registrado seu aproveitamento em 583 emissoras de 510 cidades brasileiras. 

Márcio Neves deixa a Folha de S. Paulo

Após quatro anos na sede da Folha de S.Paulo, o videorrepórter Márcio Neves (www.marcioneves.com.br) deixa o jornal e volta a morar em Brasília, onde atuará com produção de vídeos e redes sociais. Neves foi durante um ano e meio produtor do programa TV Folha, na sucursal de Brasília, e retornou para São Paulo em setembro do ano passado, após um período de afastamento por causa de um acidente durante uma reportagem no Haiti. Anteriormente, havia sido videorrepórter da RedeTV, repórter cinematográfico na Record e atuou em comunicação corporativa. 

Domingos Meirelles é contratado pela Record

A TV Record fechou nesta 2ª.feira (17/2) contrato de três anos com Domingos Meirelles para participação em um programa ainda não divulgado. Meirelles vem da TV Globo e, antes da tevê, foi do impresso. Começou na Última Hora, e passou à revista Quatro Rodas, em que ganhou um prêmio Esso em 1968. Esteve na Realidade, teve breve passagem por O Jornal, e transferiu-se para o Jornal da Tarde, onde fez uma série de reportagens sobre a Coluna Prestes, material que, anos depois, seria transformado em livro. Foi ainda de O Globo e, por quase dez anos, repórter especial de O Estado de S.Paulo. Estreou na TV Globo em 1985, a convite de Armando Nogueira, no Jornal Nacional; no Fantástico, recebeu o Prêmio Vladimir Herzog; no Globo Repórter, os prêmios Rei de Espanha e Líbero Badaró. Dez anos mais tarde, trocou a Globo pelo SBT, no programa SBT Repórter. Em 2000, voltou à Globo para apresentar o Linha Direta, por duas vezes finalista do Emmy Internacional. Como escritor, venceu o Prêmio Jabuti com os livros-reportagem As noites das grandes fogueiras – Uma história da Coluna Prestes e 1930: os órfãos da Revolução. Nas associações de classe, foi diretor do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio, da ABI e editor no jornal dessa entidade. Lá tem liderado forte oposição à atual diretoria, desde as eleições que reconduziram Maurício Azêdo à Presidência. 

Grupo Estado abre inscrições para Curso Estado de Jornalismo Esportivo

O Grupo Estado abriu nesta 3a.feira (18/2) as inscrições para o segundo Curso Estado de Jornalismo Esportivo, cujo objetivo é capacitar jovens profissionais para a cobertura da Copa do Mundo de futebol e das Olimpíadas Rio 2016. Podem participar estudantes de Jornalismo que cursem o quarto ano ou profissionais formados em dezembro de 2013, com inglês fluente. São apenas 24 vagas. Os selecionados terão na primeira semana de abril aulas e palestras com os principais nomes do jornalismo esportivo, além de participarem de entrevistas coletivas e realizarem atividades monitoradas na editoria de Esportes do Estadão. A divulgação dos aprovados será em 15 de março. Inscrições pelo http://bit.ly/1cXdLUc.

Luiz Carlos Reche deixa a Guaíba e começa na Band RS

Após quase três décadas na Rádio Guaíba, Luiz Carlos Reche está de casa nova. Ele acertou com o Grupo Band RS e terá espaços nas rádios Bandeirantes, BandNews FM e Ipanema, na Band TV e no jornal Metro. Torna-se âncora e comentarista esportivo, comanda os programas Manhã Bandeirantes e Apito Final, tem participações na edição local do Brasil Urgente (na tevê) e assina coluna semanal no Metro.

Igualdade racial na mídia será tema do 1º Enjira

Encontro ocorrerá em paralelo ao 36º Congresso dos Jornalistas O 1º Encontro de Jornalistas pela Igualdade Racial (Enjira), marcado para 2/4, em Maceió, paralelamente à programação do 36º Congresso Nacional dos Jornalistas, terá como ponto de partida o painel Os jornalistas e a construção da igualdade racial na mídia, com palestras de Cleidiana Ramos, repórter especial de A Tarde (BA); Washington Andrade, jornalista e diretor do portal Áfricas; e Rosane Borges, coordenadora do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra. O painel está previsto para as 9h30, logo após a solenidade de abertura do encontro, e será seguido de debate. À tarde, após o almoço, os participantes formarão grupos de trabalho para discussões pontuais de teses que servirão de base para a plenária, na tarde do mesmo dia, encerrando o evento. O Enjira vai reunir representantes das comissões estaduais de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojiras) e profissionais e estudantes interessados no tema. Para participar, é preciso fazer a inscrição no espaço destinado a ele no www.36congressojornalistas.com.br. O 36º Congresso O 36º Congresso Nacional dos Jornalistas será aberto no dia 2/4, às 20h30, com a conferência sobre o tema central O jornalista, o jornalismo e a democracia. Além do I Enjira, na mesma data haverá uma reunião ampliada da Comissão da Verdade dos Jornalistas da Fenaj com as comissões estaduais instituídas pelos sindicatos. Ao todo, o encontro, que segue até o dia 6, terá seis painéis, quatro Rodas de Conversa e seis oficinas. Entre os palestrantes confirmados estão Jim Boumelha, presidente da Federação Internacional dos Jornalistas, que vai falar sobre Defesa do trabalho, defesa da democracia; Alberto Dines, do Observatório da Imprensa, que participa de painel sobre a qualidade do jornalismo; Dominique Wolton, um dos mais importantes especialistas europeus em política e comunicação, a quem caberá a palestra Jornalismo para humanizar a comunicação; Luís Nassif, do Jornal GGN e portal Brasilianas.org, que participará do painel Jornalismo novo ou novas plataformas?; e Nelson Breve Dias, presidente da EBC, que falará sobre jornalismo no serviço público. Inscrições Observadores – Quem pretende participar do Congresso na condição de observador (jornalistas ou estudantes não delegados) deve se inscrever até 17/3 no site do congresso, onde também estão informações gerais sobre preços e logística do evento. Os observadores participam de toda a programação científica, mas apenas com direito a voz. Delegados – Com direito a voz e voto, os delegados deverão ser eleitos pela categoria em cada estado, em fórum específico convocado pelo sindicato dos jornalistas local. Para esses, as inscrições só serão realizadas pelo respectivo sindicato, após os congressos estaduais e/ou assembleias para escolha desses representantes, que devem acontecer a partir deste mês. O prazo para inscrição de delegados também se encerra em 17 de março. Teses – Base das discussões plenárias do Congresso Nacional, as teses também só poderão ser inscritas pelos sindicatos, após aprovadas nos congressos estaduais o assembleias, igualmente até 17 de março. Caberá à Fenaj a organização e sintetização dos trabalhos apresentados.  

José Nêumanne Pinto acerta com a TV Gazeta/SP

Após deixar no começo do mês o SBT, José Nêumanne Pinto foi confirmado pelo diretor de Jornalismo Dácio Nitrini como novo comentarista da TV Gazeta/SP. Ele estreou nesta 3ª.feira (18/2) durante a edição matinal do Jornal da Gazeta. Editorialista do Estadão, comentarista da rádio Jovem Pan, e com passagens por Folha de S.Paulo e Jornal do Brasil, Nêumanne fará companhia ao time de comentaristas da emissora paulista, que atualmente conta com nomes como Bob Fernandes, Vinicius Torres Freire, João Batista Natali, César Giobbi, Ricardo Carvalho e Maria Lydia Flandoli. Sua principal missão durante este ano será tratar principalmente de temas ligados às eleições.

Sobre Rodas, do Diário Catarinense, ganha versão digital

O caderno semanal Sobre Rodas, do Diário Catarinense, apresentou na última semana duas importantes novidades. A primeira foi a estreia, na 4ª.feira (12/2), de sua versão digital, disponível no site da publicação. “Estávamos com um volume muito grande de notícias, que muitas vezes acabavam ficando de fora do caderno impresso”, comenta o editor do caderno Jean Balbinotti ([email protected]). ”Com o lançamento da página, pretendemos explorar mais as informações do mercado, além de aumentar a interação com o nosso leitor”. A outra novidade foi o lançamento na 5ª.feira (13/2), na edição impressa, da seção Clássicos Sobre Rodas. Assinado por Leonardo Gomes e Fabiano Peres, o espaço trará quinzenalmente, encartado no Sobre Rodas, a história de modelos clássicos do automobilismo mundial. Na primeira edição, o especial abordou os 50 anos do Mustang e na próxima edição será a vez do Camaro. Integram ainda a equipe a repórter Karine Wenzel e o colaborador Jacson Almeida, responsável pelas avaliações e testes.

Infoglobo reformula organograma e sistema de trabalho na Redação

Mario Rigon deixou a Diretoria de Mercado da Infoglobo no começo do mês. Seu substituto, escolhido no mercado paulista, ainda não foi anunciado. Rigon estava no comercial da empresa desde os anos 1990, e foi um dos formuladores da política de exclusividade para os anunciantes – prática que valeu à empresa um processo por concorrência desleal movido por O Dia e Jornal do Brasil, encerrado em 2013, depois de oito anos, por meio de um acordo com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Além de Rigon, saíram Luis Claudio Vieira, diretor Financeiro, e Claudio Martini, de Tecnologia. Essas áreas passam a funcionar no nível de gerência. A financeira tende a ser administrada pelas Organizações Globo para todas as empresas do grupo. Tecnologia, ao contrário, deve ser descentralizada para adequar-se às necessidades de cada campo, bem diferente a que produz informação daquela que lida com finanças, e assim por diante. O novo diretor Comercial terá seu escritório em São Paulo, maior mercado do País, e a tarefa de crescer na esfera digital. Afinal, O Globo é carioca, mas a internet não tem fronteiras. A audiência da versão online aumenta a cada ano, o que não se reflete em retorno comercial – nó górdio para veículos de grande porte e, consequentemente, de grandes despesas, em todo o mundo. Para contorná-lo, em um primeiro momento, espera-se que sejam desenvolvidos formatos que se casem com os das agências de publicidade, por sua vez ainda pouco avançadas nesta esfera. A experiência tem mostrado que a qualidade do produto é um fator-chave para monetizar a mídia digital. Sendo assim, O Globo baseou-se nas pesquisas de audiência – que apontam para altos índices na parte da manhã até a hora do almoço, não são significativos à tarde, e voltam a crescer no início da noite – para traçar novo sistema de trabalho nas redações. Essa tendência, detectada já há algum tempo, resultou na edição autônoma do vespertino para tablets O Globo A Mais desde 2012. Apesar da boa aceitação, não foi o suficiente. Na reformulação prevista para ter início depois do Carnaval – talvez mais algum tempo depois – os horários dos editores titulares serão antecipados, para atender à audiência matinal. As editorias diárias – País, Rio, Economia, Mundo, Esportes e Segundo Caderno – já contam com responsáveis pela versão para internet, e eles agora chegam depois. A tropa de valor (também em termos de salário) começa mais cedo. Uma aposta ousada.

Memórias da redação ? Desbaratino

A história desta semana é de outro estreante no espaço: Ubirajara (Moreira da Silva) Júnior ([email protected]), que teve passagens por Folha de S.Paulo, Diário Popular, TV Globo, SBT, TV e Rádio Gazeta, Assessoria de Comunicação da Autolatina e Secretaria de Esportes e Turismo de São Paulo; também foi professor da Universidade Braz Cubas, em Mogi das Cruzes. Atua no jornalismo científico em Brasília há 17 anos; hoje, é coordenador de Comunicação Social da Agência Espacial Brasileira (AEB).  Desbaratino (*) Por mais que reflita sobre o assunto, até hoje não cheguei à conclusão se minha atitude, passados mais de 35 anos, deve ser classificada como audaciosa ou insana. Também, por mais que puxe pela memória, não consigo recordar se o fato ocorreu em 1978 ou 79. A verdade é que não havia completado meu primeiro quinquênio como jornalista profissional, portanto, ainda enquadrado na categoria foca. No meu tempo de Universidade ainda era recorrente nos cursos de Comunicação Social a recomendação de que “se não passar pela editoria de Polícia o repórter não será completo”. Então, estava, por assim dizer, fazendo a complementação do bacharelado, integrando a equipe de repórteres da editoria de Polícia da Agência Folhas. O chefe era o saudoso Hely Vanini de Araújo, que comandava, quando cheguei, um grupo formado por algumas das feras da época: Afanásio Jazadji (que depois se elegeu deputado estadual), Celso Sávio (Paçoca), Zaqueu Sofia, Roberto Moschela, o também saudoso José Luis Ribeiro (Zé do Caixão) e Sílvio Lincoln, a quem mantenho grata reverência pelo muito que me ensinou. Sob o comando do Hely passaram depois também Koichiro Matsuo (hoje empresário), Marco Antônio Zanfra, atualmente em Florianópolis, Fleury Tavares (Peninha), Assis Ângelo, Leiva Filho (já falecido), Valmir Salaro e Oswaldo Faustino, que são os de que me recordo. Na época, atravessávamos uma fase cinzentíssima da ditadura militar e não era nada fácil trabalhar. A pancadaria corria solta nas dependências policiais, corrupção nadava de braçada, denunciar falcatruas, deslize de conduta, era bastante temerário e complicado, até porque a relação entre repórteres do setor e policiais não era a recomendada para um convento, e a tensão entre PM e Polícia Civil andava à beira do abismo com os olhos vendados. Era uma fase de fartura para o noticiário policial. Foi um período muito profícuo para minha carreira. Confesso que palmilhava o caminho com as orelhas bem murchas e olhos bem abertos, pois trafegava entre grandes e renomados profissionais, como, por exemplo, Renato Lombardi, Percival de Souza, Sílvio Nunes (Spaghetti), João Bussab, Nelson Cioli, Ari de Moraes Possato (Napoleão), Inajar de Souza, Dirceu Alves, Fausto Macedo, Gil Gomes e Antônio Carlos Fon, meu ídolo até hoje. Certo dia estava na redação garimpando uma pauta para o período da tarde quando o telefonema de um informante avisa que rolava o maior barraco entre PMs e investigadores no 26º Distrito Policial, no bairro do Sacomã, na Zona Sul. Apensada na dica veio à advertência: a delegacia estava cercada, pois a PM não queria nem pensar na possibilidade da imprensa se aproximar ou tomar conhecimento dos fatos. Um PM de folga havia sido flagrado furtando objetos no quintal de uma casa. Preso por policiais civis, recorreu aos companheiros de farda e a situação ficou mais tensa do que troca de prisioneiros entre israelenses e palestinos. Acompanhado de um fotógrafo, que também não me recordo mais quem era, fui para a delegacia. Como naquele tempo os fuscas (amarelinhos) da Folha eram identificados facilmente até por deficientes visuais, paramos um quarteirão antes e combinei com o colega que iria a pé e sozinho. Tentaria entrar na delegacia e caso não retornasse dentro de uns 40 minutos ele deveria recorrer à chefia na redação, pois era bem provável que não tinha me dado bem. Assim que avistei o distrito percebi que seria complicadíssimo entrar. Era um mar de PMs portando lurdinhas (mestralhadoras) e calibres 12, misturados a tiras (investigadores) com rifles, 38s e pistolas automáticas na mão. Como atravessar aquela praça de guerra na qual alguns populares se arriscavam a perambular com cara de curiosidade? Parei num bar e pedi um café enquanto pensava em alguma estratégia. Jamais poderia tentar varar aquele cerco com o maço de laudas para anotação à vista. Então, fiz um canudo grosso com as folhas e enfiei na cinta por baixo da camisa, deixando à mostra um volume, como se estivesse portando uma arma na cintura. Fui me aproximando da delegacia. Quando estava a uma distância que já dava para distinguir bem o semblante dos PMs meu coração acelerou, pois os olhares que me eram dirigidos fariam gelar urso polar. Todos, sem exceção, olhavam para o volume na minha cintura e me encaravam, afinal seria mais um tira chegando. Sem encarar ninguém fui passando entre fardados e civis, cumprimentando a estes com leve balançar de cabeça. Os “colegas” também olhavam para a “arma” debaixo da camisa e retribuíam a discreta saudação. Entrei no distrito e vi que o angu de caroço não estava sendo cozido no plantão, mas no primeiro andar, na chefia dos investigadores. Na subida da escada tive que passar por outro corredor polonês formado por PMs, que rosnavam deixando escapar ameaças contra os tiras. Ali, confesso, fiquei temeroso e me perguntando se não havia feito a maior burrada da carreira até então. No corredor estreito do primeiro andar era difícil se locomover, tal a quantidade de paisanos e fardados. Fui me esgueirando entre o burburinho até faltar meia dúzia de passos para alcançar a porta da sala onde se decidia se haveria ou não lavratura de flagrante. Nesse ponto havia um paredão fardado e avaliei que seria suicídio tentar mais um passo, até porque os olhares a mim dirigidos aniquilaram os últimos vestígios de audácia que ainda pudesse ter. Do interior da sala vazava para o corredor um falatório do qual procurei gravar mentalmente o máximo de informações. Depois, me aproximei de um grupo de investigadores e comecei a indagar sobre os fatos. O que foi mesmo que aconteceu? Sabiam o local exato? O que o PM havia furtado? Quem chamou os tiras? O mais complicado era memorizar tudo sem poder fazer uma única anotação. Acho que exagerei nos questionamentos e detalhes, porque, em dado momento, um investigador me olhou desconfiado e perguntou. – De que delegacia você é? – Não sou de nenhuma –, respondi, o mais discreto que pude. – De onde é então? Corregedoria? – Não. Sou repórter da Folha –, respondi, o mais baixo possível. Todos os olhares do grupo se voltaram na minha direção e fiz a cara de paisagem mais boçal que consegui até hoje. Os policiais, embora avaliando que estava ali como um aliado e que minha presença era positiva para o interesse deles, me aconselharam a sair o mais rápido e discreto que pudesse. Se algum “adversário” apenas sonhasse que eu era jornalista seria muito difícil me proteger, porque o caldo já tinha atingido o máximo de fervura. Nem me despedi. Olhei o relógio e vi que os meus 40 minutos estavam praticamente se esgotando. Sai da delegacia procurando aparentar o mais calmo “não estou nem ai” possível, apesar do quadro de zoopsia reinante na portaria. Só após virar na primeira esquina, que me pareceu estar a quilômetros, é que retirei a “arma” da cintura, respirei ultra-aliviado e fiz ligeiras anotações. O fotógrafo ainda perguntou se dava para tirar umas fotos à distância. Achei mais prudente esquecer a proposta, pois já havia esgotado todo o meu estoque de sorte do semestre ou do ano. No dia seguinte, o Grupo Folhas foi o único a dar a notícia com detalhes, fato que desagradou bastante a Comunicação Social da PM, que ligou para o chefe Hely para reclamar e indagar quem era o solerte repórter que apurara os fatos. Ele, lógico, nunca contou a ninguém. E eu só o faço agora. (*) Gíria que nos anos 1970 significava, entre outras coisas, fazer-se de bobo, agir como João sem braço, fazer de conta que não é consigo etc.

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