Morre Alberto Dines

Alberto Dines

Faleceu nesta terça-feira (22/5), aos 86 anos, Alberto Dines. Um dos mais respeitados e críticos jornalistas brasileiros, ele estava internado há dez dias no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, em decorrência de uma gripe que se agravou e virou pneumonia. O hospital confirmou sua morte às 7h15. O velório será nesta quarta-feira (23/5), no Cemitério Israelita de Embu, a partir das 10h e o enterro no mesmo local às 13h30. Ele deixa a mulher, Norma Couri, e quatro filhos.

Dines iniciou a carreira como crítico de cinema da revista A Cena Muda, em 1952, e no ano seguinte assumiu o posto de repórter na revista Visão, onde cobriu arte, teatro e cinema. Em 1957, uniu-se à produção da revista Manchete, na qual atuou como assistente de direção e secretário de Redação. Demitiu-se da publicação após desentendimentos com o proprietário, Adolpho Bloch.

Em 1959, começou a dirigir o segundo caderno do jornal Última Hora e no ano seguinte assumiu a chefia da revista Fatos & Fotos e colaborou com o jornal Tribuna da Imprensa. Pouco depois foi convidado para dirigir o Diário da Noite, de Assis Chateaubriand.

Foi ainda professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio) de 1963 a 1966. Convidado como paraninfo de uma turma da instituição logo após a edição do AI-5, durante o regime militar, criticou a censura e acabou preso e submetido a inquérito. Dines também criou o Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp, em Campinas, e recebeu o título de notório saber em história e jornalismo pela USP.

A partir de 1962, foi editor-chefe do Jornal do Brasil, chefe da sucursal da Folha de S. Paulo no Rio de Janeiro, colaborador do semanário O Pasquim e secretário editorial e diretor-editorial adjunto da Editora Abril. Entre 1988 e 1995, atuou como diretor do mesmo grupo em Portugal.

Foi em terras portuguesas, inclusive, que em 1994 criou o Observatório da Imprensa, projeto multiplataforma de crítica e debate sobre o jornalismo contemporâneo, que teve edição na TV Educativa. Voltou ao Jornal do Brasil, em 1998, para uma coluna semanal.

Foi um dos entrevistados da série Protagonistas da Imprensa Brasileira, produzida por Jornalistas&Cia e que recentemente ganhou uma versão em e-book. Em seu depoimento, criticou a imprensa e a qualidade jornalística brasileira, que considerava “muito aquém do razoável, fruto da visão pragmática que dominou o cenário da imprensa nas últimas décadas”.

Em 2012, quando completou 80 anos, a equipe do programa Observatório da Imprensa fez um vídeo em homenagem a ele,  uma compilação das várias reportagens e países por onde passou. Sempre com olhar crítico e analítico sobre o papel da imprensa, Dines falou sobre as coberturas de grandes temas. Em um dos trechos, aparece na Biblioteca Nacional para falar da cobertura que a imprensa fez da Segunda Guerra e do nazismo.

* Com informações de O Globo.

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