Mário Sabino deixa Veja e o jornalismo

Mario Sabino, redator-chefe da Veja e segundo na hierarquia da publicação, deixará a revista no início de janeiro, para dedicar-se a outras atividades profissionais, conforme informou à empresa e, particularmente, ao diretor de Redação Eurípedes Alcântara, na última semana.

A confirmação de sua saída deu-se no dia 24/11, conforme a própria Veja.com divulgou, mas dias antes os rumores já corriam fartamente no mercado, cercados de inúmeras hipóteses e comentários. Em função do cargo, da longevidade e importância na hierarquia da revista, dos embates em que se envolveu, das denúncias que abrigou na revista, era natural que a saída de Sabino ensejasse boatos.

Entre o que se divulgou, havia a informação de que Sabino estava deixando Veja para assumir uma vice-presidência executiva na CDN, agência de comunicação liderada por João Rodarte. Ele de fato recebeu esse convite, mas, segundo J&Cia apurou, até o fechamento desta edição ainda não havia batido o martelo por ter outras propostas em mãos.

Sabino esteve na Abril por 17 anos, os últimos oito no atual cargo. Ficaria mais 20 se quisesse, segundo afirmou o presidente do Conselho Deliberativo da Abril, Roberto Civita, a Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Também seus colegas, como Reinaldo Azevedo, da Veja.com, o elogiaram publicamente. E de Eurípedes, que não quis falar com nossa equipe, recebeu o seguinte depoimento, feito para a redação, mas que certamente foi escrito e planejado para ser vazado para a mídia:

“Antes que prevaleçam a maledicência e a desinformação, matérias-primas dos bucaneiros da internet, gostaria de esclarecer o que existe de factual sobre a decisão do Mario Sabino de deixar o jornalismo e, como consequência, seu cargo de redator chefe de Veja. Havia um ano eu tentava dissuadir o Mario da determinação de deixar a profissão. Ele argumentava que o exercício do jornalismo já não lhe proporcionava a mesma satisfação. Embora eu apontasse que ele continuava a desempenhar suas atribuições com a responsabilidade, brilhantismo, ousadia e originalidade de sempre, Mario foi consolidando sua decisão de mudar de rumos profissionais. Na semana passada, finalmente, Mario Sabino me procurou para dizer que seguiria mesmo outro caminho. A decisão do Mario representa uma grande perda – para nós da redação de Veja e para o jornalismo. Ele esteve ao meu lado durante quase oito anos, no cargo que ainda exercerá até o início do próximo ano, sempre como a melhor companhia que um diretor de redação pode ter na trincheira do jornalismo rigoroso e independente. Perco o convívio de um amigo, mas não a sua amizade. Fica conosco sua lição de profissionalismo intenso e de apego exacerbado à busca da verdade, para ele mais do que uma simples virtude, uma razão de vida. Sob essa ótica, farei e anunciarei nas próximas semanas as mudanças que a decisão do Mario acarreta”.

Essa decisão ainda não havia sido tomada até o fechamento desta edição.