Jornalistas são demitidos após não aceitarem corte de salários e mudança de horas de trabalho, sem as vias legais de negociação

O Jornal Hoje em Dia comunicou a demissão de 21 funcionários, após meses de tentativas de negociação de salários. Às vésperas do Natal, jornalistas receberam a informação de que seus salários seriam reduzidos à metade e essa condição foi imposta. Porém, diversos deles foram contra a decisão e buscaram negociações até que, no início de março, foi divulgado o comunicado de que estavam demitidos os jornalistas que tiveram seus salários reduzidos e suas condições de trabalho modificadas à margem da legislação trabalhista e não aceitaram essa condição. Além disso, os dirigentes do jornal Hoje em Dia disseram que os funcionários que quisessem aceitar as imposições poderiam se manifestar para uma possível não demissão.

De acordo com um desses jornalistas, que decidiu ter seu nome preservado por medo de represálias por parte da direção do jornal − mesmo porque ainda não recebeu o que lhe é devido −, o Hoje em Dia passava por problemas de má gestão administrativa, em decorrência da presidência de Ruy Muniz, que segundo o ex-funcionário, é amador nesse quesito, uma vez que exige que as matérias e pautas sejam voltadas para o seu benefício e de suas empresas. Ele ressalta que o trabalho feito não era jornalístico: não era possível realizar algumas pautas de cunho investigativo, notícias e furos importantes não podiam ser cobertos em detrimento de publicidades para Ruy Muniz. Em resumo, dispara: “Deixamos de fazer jornalismo para fazer publicidade para Ruy Muniz e seus grupos empresariais. Além disso, as questões trabalhistas fazem com que as pessoas não tenham o mesmo empenho que deveriam ter”.

Outro afirma que “desde aquela decisão no fim do ano penso em sair, mas o mercado está muito difícil. Não tem vaga mesmo, excesso de jornalistas para poucas vagas. Pela minha experiência, já teria conseguido me colocar no mercado, tenho promessa de amigos que falam que assim que pintar uma vaga, vão me colocar. O mercado está ruim e complicado nesse momento. É essa fase que nossa profissão está vivendo”. Um terceiro acrescenta que “é difícil a recolocação, pois o jornalismo em Minas está restrito. As perspectivas de quem já estava no mercado e com um bom salário é muito difícil, porque, atualmente, pagam mal. Acredito que irei migrar pra outra área, e não só eu”.

Apesar de o mercado de trabalho não estar favorável, principalmente pela crise generalizada decorrente da pandemia com a Covid-19, as expectativas de Alessandra Mello, presidente do Sindicato dos Jornalistas, são boas em relação aos trabalhadores que sofreram com questões trabalhistas no Hoje em Dia. Ela afirma que ninguém ali está preso num determinado nicho, mesmo porque não existe isso mais, os meios de comunicação exigem profissionais multiplataforma: “Ademais, como a equipe das redações é muito reduzida, as pessoas fazem tudo ao mesmo tempo. Todos têm competência de fazer todo o trabalho, são profissionais preparados para estar em qualquer ambiente de trabalho”. Alessandra destacou que espera que a justiça seja feita e eles encontrem o caminho em uma empresa que respeite seus direitos e entenda a importância do jornalista para a sociedade.

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