Por Luciana Gurgel

O consumo de notícias acaba de atingir um marco histórico. Pela primeira vez desde o lançamento do Digital News Report, do Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, redes sociais e plataformas de vídeo superaram os sites e aplicativos de veículos jornalísticos e a televisão como principal forma de acesso à informação no mundo.
De acordo com a edição 2026 do relatório, baseado em pesquisas realizadas em 48 mercados, 54% dos entrevistados usam redes sociais e plataformas de vídeo para se informar. Mas apenas 22% dizem confiar nas notícias encontradas nesses ambientes.
A desconfiança também aparece no uso de inteligência artificial: embora 10% do público global já recorram a chatbots para acessar notícias, apenas 20% dizem confiar nas respostas geradas por eles.
Entre os veículos jornalísticos brasileiros, a credibilidade permanece mais elevada, ainda que distante dos níveis observados no passado. CNN Brasil, Record News, SBT News, BandNews, Folha de S.Paulo, O Globo, O Estado de S. Paulo e UOL registram índices de confiança entre 53% e 62%, indicando que a perda de credibilidade está mais relacionada ao ecossistema de notícias como um todo do que ao jornalismo profissional.
Consideradas todas as fontes de informação, a confiança global nas notícias chegou a 37% em 2026, o menor patamar desde que o relatório começou a medir o indicador, em 2015.
No Brasil, a confiança recuou seis pontos percentuais em apenas um ano e chegou a 36%, o menor nível registrado no País em 12 anos. O Brasil também apresenta elevados índices de evasão de notícias: 47% dos brasileiros afirmam evitar o noticiário às vezes ou frequentemente.
Embora apareça em todas as gerações, a mudança de comportamento é mais acentuada entre os jovens. Entre os entrevistados de 18 a 24 anos que não leram jornal impresso na semana anterior à pesquisa 56% afirmam nunca terem lido jornais regularmente.
Para os autores do relatório, o jornalismo enfrenta o desafio de preservar relevância e confiança em um ambiente cada vez mais dominado por plataformas digitais, criadores de conteúdo e ferramentas de inteligência artificial.
Leia a matéria completa e veja a íntegra do estudo em MediaTalks.
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