Segue o clima de incertezas no Grupo Abril

Sem outras novidades após o anúncio do afastamento da família Civita do comando do Grupo Abril em 19/7 – pelo menos até o fechamento desta edição –, o clima na empresa segue de incerteza. Marcos Haaland, sócio da consultoria especializada em reestruturação financeira Alvarez & Marsal, que assumiu a Presidência no lugar de Giancarlo Civita, ainda não se manifestou sobre os rumos que dará ao negócio.

Fontes da empresa e próximas reforçam o grau de incertezas que paira sobre ela. Embora as avaliações divirjam nos detalhes, todos preveem cortes, em maior ou menor grau. Um dos executivos ouvidos, por exemplo, acredita que este seja o melhor momento para a empresa encerrar títulos que não dão retorno e que, por isso, acabam por comprometer o desempenho dos que são rentáveis.

Outro lembra que, “afinal, é a entrada de (mais) uma consultoria de reestruturação (o que deve significar lupa nos custos, revisão dos ativos talvez para ver se algo pode ser vendido para render dinheiro, talvez mais enxugamento de quadros e por aí vai). Se, por um lado, são profissionais que chegam com especialização financeira e organizacional, por outro, não têm ligação com a história da empresa. Portanto, podem certamente trazer a solução, mas com a imposição de uma certa dor. Vivendo, veremos”.

Um terceiro, bem mais crítico, afirma que esse acontecimento era esperado e faz uma análise mais profunda: “Gianca e Titti jamais quiseram comandar a Abril e não sabem o que fazer diante da rápida deterioração econômica da empresa. Os bancos credores já haviam imposto a presença de uma consultoria financeira. Agora, devem ter exigido que um reestruturador assumisse a gestão total. O grande medo de todos na Abril é que a ameaça de uma recuperação judicial se concretize – o que, por sinal, já foi cogitado. O clima na empresa é de certa apatia. Quem ficou trabalha. Mas falta ânimo e, sobretudo, perspectiva. A sensação é: o último que sair apaga a luz. Infelizmente, porque a Abril ainda tem pessoas e ativos incríveis. Os mais jovens têm ido embora. Ficam os mais antigos de casa – não são mandados embora porque os custos trabalhistas são muito altos. E ninguém quer pedir demissão e deixar o Fundo de Garantia. Agora, as coisas podem mudar. A perspectiva é de mais redução de custos com a Alvarez e Marcal”.

Marcos Haaland

Marcos Haaland, o novo presidente, já atuou em projetos de renegociação de dívidas e melhoria de desempenho para empresas dos setores industriais, químico entre outros. Segundo o Estadão, a Alvarez & Marsal vai montar uma equipe para iniciar os trabalhos e desenhar o plano de reestruturação da editora. Procurada pelo jornal, a consultoria confirmou que assumiu a gestão do grupo para “dar continuidade ao processo de reestruturação operacional da companhia”.

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