Klester Cavalcanti deixa a Fundação Renova para dedicar-se a livros e filmes

Klester Cavalcanti

Klester Cavalcanti deixou há pouco a função de coordenador de Comunicação na Fundação Renova, criada por Vale e BHP Billiton, acionistas da Samarco, para comandar as ações de reparação, restauração e reconstrução nas regiões atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 5 de novembro de 2015. Com passagens por Veja, Vip, Domingo (JB), Fut/A+ (Lance), IstoÉ Gente, Jornal da Tarde, Estadão e Diário do Pará, entre outras redações, decidiu que é tempo de dar uma pausa nas atividades jornalísticas tradicionais para dedicar-se exclusivamente a escrever livros, o que sempre fez em paralelo, e a roteirizar filmes, que começou mais recentemente. E o faz, bem a propósito, às vésperas da estreia (em 2/8) de O nome da morte, filme protagonizado por Marco Pigossi baseado em seu livro homônimo, ganhador do Jabuti em 2007, que conta a história do assassino de aluguel Júlio Santana, responsável por quase 500 mortes e que está em liberdade.

“Não estava mais conseguindo conciliar as atividades profissionais do dia a dia com esse lado de escritor e roteirista”, disse Klester a J&Cia. “Então, embora gostasse muito do trabalho que fazia na Renova, decidi abrir mão da segurança da carteira profissional para dedicar-me exclusivamente às outras tarefas”.

Aos 49 anos, ele também é autor dos livros Direto da selva: as aventuras de um repórter na Amazônia, Viúvas da terra (Jabuti de 2005), em que denuncia o extermínio de trabalhadores rurais no Brasil; Dias de inferno na Síria (2012), sobre sua prisão na Síria, onde esteve para fazer uma reportagem sobre a guerra e foi detido pelo exército daquele país; e A dama da liberdade (2015), com a história da auditora fiscal do trabalho Marinalva Dantas, que libertou 2.354 trabalhadores escravos no Brasil em pleno século 21 – este, cujo roteiro está no sétimo tratamento, negociou com a Paris Filmes e as filmagens devem começar daqui a seis meses.

Segundo Klester, cada livro levava alguns anos para ficar pronto. Agora, quando vai atrás de uma história, não pensa mais em escrever livro, mas em fazer filme: “Converso com os protagonistas e negocio os direitos. Assim, entro no filme como roteirista e produtor associado. Estou fazendo isso com um filme sobre violência contra a mulher e já tenho os direitos de dois outros projetos. Sempre histórias reais. O diretor Fernando Meirelles diz que a vida real é sempre mais fantástica do que a ficção”.

Na esteira do lançamento de O nome da morte, vai autografar em 14/8, na Livraria Saraiva do Shopping Eldorado, em São Paulo, a partir das 19h, nova edição do livro, cuja capa é igual ao cartaz do filme. Em setembro, a Planeta vai lançar o livro na Espanha. “Com isso, ele estará em 13 países e oito idiomas e eu, entre os mais publicados autores de livros-reportagem do mundo”, diz com orgulho

Na Fundação Renova, foi substituído por Cristiano Cunha (31-3289-9707 / 984-516-085 – imprensa@fundacaorenova.org), que atuava como seu assistente. Mas faz questão de enfatizar: “Minha saída não significa que vou abrir mão do Jornalismo. Até porque meus próximos livros e projetos de filmes são todos sobre histórias reais, o que fará com que eu continue atuando como jornalista, nas pesquisas, investigações, apurações e entrevistas que farei nesses trabalhos. Além disso, minha paixão por jornalismo e por redação continua viva. Se surgir algum convite interessante, para fazer algo estimulante e que seja novo na minha carreira, terei o maior prazer em voltar”.

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