Reportagens sobre florestas tropicais ganham fundo de US$ 5,5 milhões

Daniela Chiaretti (Valor Econômico), Eliane Brum (El País) e Fabiano Maisonnave (Folha de S.Paulo) integram comitê consultivo sobre cobertura da Amazônia

O Pulitzer Center lançou em 12/9 o Rainforest Journalism Fund, iniciativa que deve investir U$ 5,5 milhões nos próximos cinco anos para aumentar a consciência ambiental do público com relação a temas urgentes das florestas tropicais pelo mundo.

Subvencionado pelo Ministério de Clima e Meio Ambiente da Noruega, por meio da NICFI (Norwegian International Climate and Forest Initiative), o fundo investirá nesse período em perto de 200 projetos originais de reportagens internacionais sobre clima e meio ambiente. Ele também financiará treinamento de primeiros socorros e de sobrevivência em ambientes hostis a 75 jornalistas que operam em regiões de florestas tropicais.

A ideia ganhou corpo quando um grupo de repórteres da América do Sul propôs a constituição de um fundo para o jornalismo amazônico a fim de aumentar a cobertura dessa importante região. As florestas tropicais estão entre os principais campos de batalha das mudanças climáticas, além de serem um dos mais promissores caminhos para a mitigação, e até a reversão, de suas consequências adversas para o meio ambiente e a saúde pública. Os meios de comunicação crescentemente carecem de recursos para bancar reportagens que tragam à luz esses temas; jornalistas que fazem esse tipo de cobertura frequentemente enfrentam grandes riscos à sua segurança. Segundo o Pulitzer Center, esse tipo de reportagem é um bem público essencial, que requer apoio externo para ter sucesso em atingir audiências tanto em nível local como internacional, o que o Rainforest Journalism Fund proverá.

Como parte do apoio do fundo a repórteres locais com experiência regional, o Pulitzer Center trabalhará com comitês consultivos de jornalismo e coordenadores com experiência em cada uma das principais regiões de florestas tropicais do mundo: Amazônia, África Central e Sudeste da Ásia. Eles terão papel preponderante nas decisões de alocação das subvenções.

No comitê da Amazônia, o primeiro a ser constituído, estão o coordenador Jonathan Watts (editor global de meio ambiente do jornal inglês The Guardian, que atuou por muitos anos no Brasil), Eliane Brum (produtora de vídeos e colunista do El País, atualmente baseada em Altamira, no Pará), Daniela Chiaretti (repórter do Valor Econômico em São Paulo, especialista em questões ambientais), Thomas Fischermann (correspondente do semanário alemão Die Zeit na América do Sul), Adriana León (correspondente do Los Angeles Times e diretora para liberdade de imprensa do Ipys – Instituto Prensa y Sociedad no Peru), Fabiano Maisonnave (correspondente da Folha de S.Paulo em Manaus) e Simon Romero (correspondente do The New York Times no Rio de Janeiro)

“O Rainforest Journalism Fund é uma iniciativa de repórteres da América do Sul que querem mais apoio para a cobertura local e internacional da Amazônia”, diz Watts. “Sabemos por experiência própria que fazer reportagens na região é difícil e caro. Mas é de crucial importância para a humanidade entender e responder às ameaças do desmatamento, das perdas da biodiversidade e das mudanças climáticas”.

Para Daniela Chiaretti, o sucesso da criação do fundo deve-se principalmente ao empenho de Jonathan, que há dois anos trabalha para viabilizá-lo: “Foi dele a iniciativa de procurar Ola Elvestuen, ministro norueguês do Clima e Meio Ambiente, que, coincidentemente, já pretendia fazer algo com relação às florestas tropicais. E foi de Ola a sugestão de propor a gestão do fundo ao Pulitzer Center, o que dá mais credibilidade ao projeto”. Segundo ela, eles agora discutem com o comitê os critérios tanto para as subvenções às reportagens quanto para a disseminação delas.

Nos próximos meses, o Pulitzer Center constituirá comitês e coordenadores regionais na África e na Ásia, além de fazer no pulitzercenter.org uma chamada para propostas de reportagens sobre florestas tropicais.

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