O Grupo Bandeirantes cancelou o programa Melhor Agora, apresentado por Mariana Godoy, depois de menos de três meses no ar. Toda a equipe de produção e edição foi demitida. A informação é de Daniel Castro (Notícias da TV).
A Band contratou Mariana em junho para comandar um programa matinal, mas não ficou satisfeita com os pilotos apresentados. Após uma mudança de planos, a ideia era criar um talk show semanal noturno para Mariana, o que foi feito às pressas, o Melhor Agora. O programa foi ao ar no final de setembro.
A assessoria de comunicação da Bandeirantes emitiu o seguinte comunicado oficial: “Em relação às recentes notícias veiculadas na imprensa, a Band reitera que Mariana Godoy está se recuperando das sequelas da Covid-19, conforme ela explicou em suas redes sociais. A emissora está dando todo o apoio e Mariana terá um novo projeto na Band assim que sua saúde estiver restabelecida”.
Morreu nessa segunda-feira (15/12) o ex-comentarista esportivo Orlando Duarte, aos 88 anos, vítima de complicações da Covid-19. Ele contraiu a doença há três semanas e estava hospitalizado desde então. Orlando sofria também com o Mal de Alzheimer desde 2018.
Ao longo da carreira, cobriu dez edições da Copa do Mundo, com passagens pelas rádios Jovem Pan e Bandeirantes. Na TV, trabalhou em Globo, SBT, Band e Cultura; nesta última, chegou a ser diretor.
A Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Estado do Ceará anunciou em 14/12 os vencedores da 2ª edição do Prêmio MPCE de Jornalismo, que valoriza trabalhos sobre temas relacionados a fiscalização da lei, promoção dos direitos coletivos e individuais indisponíveis, e indução de políticas públicas.
Ao todo, 15 profissionais e dois estudantes foram agraciados nas categorias Impresso, Telejornalismo, Radiojornalismo, Webjornalismo, Fotojornalismo e Acadêmico. O primeiro colocado de cada categoria recebeu R$ 5.000, enquanto a segunda e terceira posições foram agraciadas com um certificado.
O SBT não vai renovar o contrato do apresentador do SBT BrasilCarlos Nascimento, que deixará a emissora após 14 anos de casa. José Occhiuso, diretor de Jornalismo do canal, anunciou a decisão em comunicado interno. O âncora, de 65 anos, que chegou ao SBT em 2006, estava afastado do telejornal preventivamente desde abril por causa da pandemia de coronavírus.
Nascido em Dois Córregos (SP), Nascimento iniciou a carreira como radialista, narrando esportes em uma rádio local. Teve passagens por Diário Popular e Diário de S.Paulo, Rádio Globo, até chegar à TV Globo, onde ficou por 11 anos e foi repórter dos telejornais Bom Dia São Paulo, Globo Rural, Globo Repórter e Jornal Nacional. Tornou-se âncora na TV Cultura, onde apresentou o Jornal da Cultura.
Passou pela TV Record, onde comandou o Jornal da Record. Em 1990, voltou à Rede Globo, para comandar o São Paulo Já. Apresentou Jornal Hoje, SPTV e Fantástico. Em 2004, assinou com a Bandeirantes, onde foi âncora e editor-chefe do Jornal da Band, até fechar com o SBT, dois anos mais tarde.
MediaTalks by J&Cia acaba de publicar o segundo capítulo da série especial Efeitos da Pandemia sobre o Jornalismo, que reúne pesquisas, dados e entrevistas sobre como a Covid-19 afetou a imprensa ao redor do globo.
A capa tem uma frase de Charlie Beckett, professor da London School of Economics, que ilustra muito bem as transformações e os desafios que os jornalistas enfrentaram nos últimos meses: “Faça jornalismo. Ele nunca foi tão interessante e vital como vocação. Mas faça diferente”.
O especial aborda temas que incentivam a discussão sobre o jornalismo e sobre como ele vem reagindo aos efeitos da pandemia. Entre os temas abordados estão migração para o teletrabalho, desemprego, abalo à saúde mental de profissionais de imprensa, consequências mais severas para mulheres jornalistas, mortes por Covid-19 na categoria, como os governos de vários países adotaram – ou não – transparência na relação com a mídia, ameaças à liberdade de imprensa, avanço das fake news e movimento para regular as plataformas digitais,
MediaTalks entrevistou referências na área para promover o debate sobre o tema, como Nic Newman, pesquisador sênior do Instituo Reuters; Meera Selva, diretora do programa de Fellowship do Instituto Reuters; Anthony Bellanger, secretário-geral da Federação Internacional de Jornalistas; e Kate McCure, presidente da Foreign Press Association de Londres.
O especial contou com a colaboração das correspondentes brasileiras Claudia Wallin (Suécia), Liz Lacerda (Austrália), Monica Yanakiew (Argentina), Michele Oliveira (Itália), Silvana Mautone (Estados Unidos), Karina Gomes (Alemanha) e Deborah Berlinck (França).
Por Ana Lima, de Recife, especial para o Portal dos Jornalistas
Maior empregador de profissionais de comunicação em Pernambuco, o Sistema Jornal do Commercio começou a semana com o anúncio de mais de 20 demissões no Jornalismo. Naquilo que comumente se chama de “passaralho de final de ano”, foram dispensados repórteres e editores, alguns com mais de 30 anos de casa. É o caso do editor de Esportes Marcelo Pereira, que comentou o assunto em sua rede social:
“30 anos, 8 meses e 6 dias. Hoje um importante ciclo se encerra em minha vida, dedicado ao Jornal do Commercio, ao jornalismo cultural, quase todo ele, mas também aos esportes. Anos de comprometimento, de muito trabalho, feito com o máximo de zelo dentro de minhas capacidades e competências. Saio realizado e com orgulho, reconheço que falhei em alguns momentos, mas sabendo que honrei a profissão que abracei e a empresa que escolhi para dedicar um período tão longo de minha vida e sem medir esforços, porque fruto de uma paixão, desde que fui estagiário em 1985 até ir para a Rede Globo (Globo Esporte) em 1987 e decidir voltar exatos três anos depois, em 1° de abril de 1990 − por um desejo pessoal de realização profissional. (…) Sonhava, sim, deixar o Sistema Jornal do Commercio de Comunicação um dia, já aposentado − e falta tão pouco −, para abrir caminhos às novas gerações. É a única frustração que levo comigo. Mas, como sempre disse a quem conviveu comigo: ‘Jornalismo é dinâmico’. Um novo e desconhecido ciclo se inicia hoje. E dele ainda nada sei. Mas perseverarei e buscarei um sonho dentro dele a realizar.”
Muitos jornalistas se solidarizaram com os demitidos, lamentando o definhar do jornal de papel e também do jornalismo como profissão. No decorrer deste ano, tivemos muitas notícias de profissionais demitidos, veículos extintos e inúmeras dificuldades para trabalhar. Quando saem das redações, os profissionais se perguntam sobre o que será dali para a frente. A resposta é sempre pessoal, depende dos objetivos de cada um, da carreira construída, do mercado de trabalho. Porém, em um ano de incertezas como este 2020, ninguém sabe mais de nada.
Além de Marcelo Pereira, deixaram o Sistema Jornal do Commercio:
Mona Lisa (JC Economia)
Adriana Victor (TVJornal)
Leo Spinelli (JC)
Arnaldo Carvalho (JC Fotografia)
Diana Moura e Priscila Miranda (Rádio Jornal)
Gabriela Máxima e Carlyle Paes Barreto (JC Esportes)
Marina Padilha e Mariana Dantas (Mídias Digitais)
Ciara Carvalho e Betânia Santana (JC Cidades)
Felipe Amorim, Juliana de Melo e Thiago Wagner (JC Online)
Rostand Tiago, José Teles, Valentine Herold e Karoline Albuquerque (JC Cultura).
Os donos do Sleeping Giants Brasil, iniciativa que denuncia anúncios de empresas em sites de notícias falsas, decidiram sair do anonimato e revelar suas identidades em entrevista para Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Criado há sete meses, o perfil agia de forma anônima devido aos diversos ataques e ameaças diários.
Os responsáveis pelo projeto são Leonardo de Carvalho Leal e Mayara Stelle, casal de 22 anos de Ponta Grossa, no Paraná. Estudantes de Direito do sétimo período, eles não recebem nada pelo trabalho no Sleeping Giants, mas têm assessoria jurídica e de comunicação gratuita pela Rede Liberdade, grupo de advogados e jornalistas que atua em casos de violação de direitos e liberdade de expressão.
A iniciativa Sleeping Giants surgiu nos Estados Unidos em 2016, desmonetizando o site de extrema-direita de Steve Bannon, chefe da campanha vitoriosa de Donald Trump. Ao ler sobre o assunto para o trabalho de conclusão de curso da faculdade, Leonardo e Mayara decidiram criar o Sleeping Giants Brasil. Horas depois, tinham já muitos seguidores e foram oficializados como representantes brasileiros dos Sleeping Giants pelo criador do perfil americano, Matt Rivitz.
Até hoje, os donos fizeram com que três sites de notícias e dois canais de YouTube deixassem de arrecadar o equivalente a R$ 1,5 milhão. Segundo eles, 700 empresas já seguiram seus alertas e retiraram os anúncios de sites duvidosos. O Sleeping Giants Brasil tem 410 mil seguidores no Twitter e 170 mil no Instagram.
O grupo SBF, dono da loja de artigos esportivos Centauro, anunciou a compra da NWB, produtora de conteúdo sobre esporte e proprietária dos canais Desimpedidos e Acelerados no Youtube. Em fevereiro, a empresa já havia anunciado a compra da marca Nike.
Fundada em 2013, a NWB tem quatro canais sobre esportes no Youtube, além de 80 afiliados, que somam ao todo 81 milhões de seguidores no Instagram e 73 milhões de inscritos no Youtube. Os canais lançam em média 150 vídeos inéditos por semana, com cerca de 1,9 bilhão de visualizações por ano.
Uma das histórias mais marcantes que vivi no jornalismo ocorreu com um motorista de reportagem. Desculpem, leitores, não me recordo do nome dele. A memória, depois dos 50 anos, começa a ficar falha, mas acho que, na maior parte dos casos, o milagre é mais interessante do que o nome do santo. Pois bem, estava no Estadão, no início da década de 2000, atuando na editoria de Geral, sob a liderança da grande Ruth Bellinghini, na Chefia de Reportagem, e com o Pedro Autran, como editor. Autran é sobrinho do grande ator Paulo Autran. Um dia, tive que fazer uma entrevista com o infectologista David Uip, um dos maiores médicos da área no País, ali na Escola de Medicina da USP, na avenida Doutor Arnaldo, Zona Oeste de São Paulo.
Era um fim de tarde e tinha uma entrevista marcada com ele. No caminho, conversando com o motorista, ele me perguntou o que ia fazer na Secretaria. Até onde me lembro, iria conversar com o David Uip, um dos mais importantes médicos infectologistas brasileiros, sobre Aids e as tentativas de enfrentar essa terrível doença. Disse isso para o motorista, falei que ele podia me deixar lá, que pediria um carro para voltar à redação.
Para minha surpresa, ele perguntou se podia me acompanhar na entrevista porque gostaria de dar um abraço no amigo dele, o David Uip, que chamou de “Davizão”. Eu, com aquela ingenuidade típica da classe média que acredita até em mamadeira de piroca (ao menos a parte bolsonarista dessa classe social), perguntei que história era aquela. Disse que não havia problema algum nele me acompanhar, mas não havia entendido aquela história do “Davizão”.
Ele me explicou, então, que sempre morou na Casa Verde, bairro da Zona Norte de São Paulo, e, na juventude, gostava muito de jogar futebol nos vários campos de várzea que havia ao lado de rios e córregos da região. Disse até que era um craque, quase um Maradona da Casa Verde. Mas o grande diferencial do seu time era um goleiro alto para os padrões da época, com mais de 1,86 m, que pegava muito bem sob as traves; era como Lev Yashin, o grande goleiro soviético, mais conhecido como Aranha Negra, que parou os melhores atacantes do mundo, com sua roupa toda preta e 1,89 m de altura. Esse “Davizão”, assegurou ele, era o David Uip jovem, morador da Casa Verde, e apreciador do nobre esporte bretão.
Achei a história bem esquisita e imaginei até que ele estava mentindo. Decerto bateu aquela questão, carregada de preconceito, na minha mente: “Como um simples motorista vai conhecer o melhor infectologista do Brasil?”. De qualquer forma, decidi tirar a história a limpo. Cheguei, me anunciei e, depois de uma breve espera, comecei a fazer a entrevista com o Uip. Ao terminar, antes de me despedir, pedi licença para fazer uma pergunta pessoal a ele. Contei a história do motorista e perguntei se ele a confirmava. Para minha surpresa, o “Davizão” confirmou tudo, disse que morou na Casa Verde quando jovem, jogava futebol e, em razão da altura, era goleiro dos times de várzea. David Uip, com seu rosto grande e anguloso, é um homem muito inteligente e um verdadeiro gentleman no tratamento.
Perguntei se poderia pedir para o motorista subir ao gabinete dele. Sem pestanejar, o médico, um dos mais premiados infectologistas do País, pediu que eu avisasse ao colega motorista e o convidasse a nos juntar a nós. Este, visivelmente emocionado, entrou na sala do David Uip e o abraçou, sendo correspondido pelo médico, também muito feliz por encontrar um velho amigo. Ambos ficaram mais alguns minutos, ao meu lado, conversando e relembrando velhas histórias de amigos que ambos conheciam, em uma palestra franca e agradável.
Em seguida, voltei com o motorista para a Redação, não muito distante da Casa Verde, onde os dois amigos fizeram história no futebol de várzea. Aliás, esclareço que essa denominação tem a ver com a primeira partida de futebol no Brasil, disputada entre os times da São Paulo Railway (SPR) e Companhia de Gás (atual Comgás) na Várzea do Carmo, atual Parque d. Pedro II, Centro de São Paulo, no distante ano de 1895. No caminho, vim pensando como esse mundo é engraçado. Um goleiro de time varzeano chegou a médico infectologista e, um dia, teve a oportunidade que, decerto, não esperava, de rever um velho amigo, que participava da mesma atividade, mas havia se tornado motorista de reportagem. Como diria aquele cantor sertanejo: “Èta mundo véio sem porteira!”. Em um perfil publicado na revista IstoÉ, em que é retratado como uma celebridade, descubro que Uip, que dirigiu o Centro de Convergência contra o coronavírus na capital paulista, mantém o hábito de jogar futebol como um aplicado meio-campista, agora não mais como goleiro, no Esporte Clube Pinheiros, agremiação de elite da cidade.
Moacir Assunção
A história desta semana é de um estreante neste espaço: Moacir Assunção, jornalista e historiador, autor ou coautor de 12 livros, dois deles, Os homens que mataram o facínora e São Paulo deve ser destruída (ambos pela Record), finalistas do Prêmio Jabuti. Com passagens por Estadão, Diário Popular e Jornal de Brasília, também é professor do curso de Jornalismo da Universidade São Judas, em São Paulo.
Tem alguma história de redação interessante para contar? Mande para [email protected].
Estudantes do curso de Jornalismo da Faap lançaram o podcastEx-Foca, que coloca frente a frente um estudante e um profissional da área para debater o jornalismo em geral, crise no mercado e aumento dos campos de atuação. Cada aluno é responsável por contatar o jornalista convidado, pensar, editar e produzir o episódio.
O projeto foi idealizado pelos professores do Laboratório de Gestão de Carreira de Jornalismo da Faap: Álvaro Bufarah, Ana Roberta Alcântara, Carlos Alberto Gomes de Souza, Isabel Cristina de Araújo Rodrigues e João Gabriel de Lima, além da coordenadora do curso Edilamar Galvão.
O podcast tem o apoio deste Portal dos Jornalistas. Semanalmente, um episódio do projeto será reproduzido em nossas plataformas. O primeiro capítulo do Ex-Foca entrevista Natalie Gedra, correspondente da ESPN na Inglaterra, onde cobre a Premier League, campeonato inglês de futebol. O episódio foi produzido por Giordano Pienegonda, com direção do professor Carlos Gomes.