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Livro-reportagem discute o controle sobre a Polícia Federal

Polícia Federal – Como a PF se transformou numa das instituições mais respeitadas do País e as disputas por seu controle, de Anderson Sanchez, é o lançamento desta semana da editora Máquina de Livros.

A obra traz os bastidores das grandes investigações, a partir do caso PC Farias, nos anos 1990, que resultou na renúncia do então presidente Fernando Collor, até os dias de hoje, com a Operação Lava Jato. Mas detalha também os tropeços da PF e seu passado associado à ditadura. Tudo com riqueza de detalhes e narrado de maneira direta, levando o leitor ao epicentro dos fatos. Além de nomes determinantes na reestruturação da instituição, e que comandaram ou dirigiram setores estratégicos da Federal, o autor entrevistou dezenas de agentes, escrivães, peritos e até ministros.

Polícia Federal mostra que o Estado pode ser bom gestor e a população, contar com uma polícia independente, que investiga e prende também quem está dentro de sua estrutura. Uma instituição que passou a ter em sua mira ex-presidentes, governadores, grandes empresários, magnatas do mercado ­financeiro, mafiosos e traficantes internacionais. Mas, que ainda assim, não está imune a interferências e pressões que podem pôr seu futuro em risco. Justamente por essa razão, é uma leitura essencial para se entender por que o controle da Federal tornou-se chave no centro do poder, capaz de abater políticos de prestígio.

Sanchez, o autor, é jornalista e policial penal, com especialização em gestão penitenciária e MBA em segurança pública. Dirigiu o Centro de Estudos e Pesquisa da Secretaria de Administração Penitenciária e trabalha na Associação dos Servidores da Fundação para a Infância e Adolescência. É autor do livro O carcereiro do Cabral.

CPJ divulga número recorde de jornalistas presos no mundo em 2020

Crédito: Emiliano Bar / Unsplash

O Comitê para Proteção de Jornalistas, organização com sede em Nova York que promove a liberdade de imprensa desde 1981, divulgou o relatório de profissionais de imprensa presos em todo o mundo. Pelo quinto ano consecutivo, governos repressivos encarceraram mais de 250 jornalistas. Em 2020 o total chegou a 274, superando o recorde anterior, de 272, registrado em 2016, tomando por base o dia 1º de dezembro de cada ano.

Segundo a entidade, em meio à pandemia governos atrasaram julgamentos, restringiram visitas e ignoraram o aumento do risco à saúde na prisão. Pelo menos dois jornalistas morreram atrás das grades após contraírem a Covid-19.

A China, que prendeu vários jornalistas por sua cobertura da pandemia, manteve-se na liderança do ranking pelo segundo ano consecutivo. Em seguida aparece a Turquia, que continua a processar jornalistas em liberdade condicional e a prender outros. O Egito completa o pódio.
 
Depois de apontar que a hostilidade do presidente americano Donald Trump em relação à imprensa contribuiu para a atual onda de repressão da mídia global, o CPJ elaborou uma série de recomendações ao futuro presidente Joe Biden. O objetivo é restabelecer a liderança dos Estados Unidos na promoção da liberdade de imprensa no mundo, tornando-a parte da nova política externa do país.

Leia mais sobre o relatório e as propostas para o presidente americano em MediaTalks.


Justiça condena Bolsonaro a indenizar Bianca Santana por falsa acusação de fake news

O juiz César Augusto Vieira Macedo, do Tribunal de Justiça de São Paulo, condenou o presidente Jair Bolsonaro a pagar uma indenização no valor de R$ 10 mil para a jornalista Bianca Santana, após acusá-la de produzir fake news contra ele.

Em maio, Bianca publicou uma matéria na qual questionava a ligação de amigos e familiares de Bolsonaro com o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco. O presidente acusou-a de produzir fake news contra ele. Alguns meses depois, ele desculpou-se por citar o nome de Bianca, mas ela seguiu com o processo.

A jornalista declarou que “uma condenação na Justiça, ao presidente da República, que tenha atacado a jornalistas, a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão, é uma vitória coletiva importante. Eu espero que abra precedente para outras condenações e que ele pare de atacar a liberdade de imprensa, os jornalistas, as mulheres jornalistas, os movimentos por direitos humanos, o movimento negro e o movimento feminista. É inaceitável que o presidente da República faça esse tipo de ataque à população, à Constituição e aos direitos humanos”. Se vencer a ação, ela diz que vai doar a indenização para o Instituto Marielle Franco.

Abraji questiona ação do MP-RS contra jornalista

David Coimbra

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) questionou uma ação ajuizada pelo promotor de justiça Voltaire de Freitas Michel, da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público de Porto Alegre, que pede indenização de R$ 200 mil do jornalista David Coimbra e da Rádio Gaúcha devido a comentários sobre o assalto em Criciúma (SC), em 1º de dezembro. O jornalista desculpou-se por ironizar o tema durante o programa Timeline.

Para o promotor, os comentários de Coimbra visaram a “enaltecer a prática criminosa supostamente sem agressão aos cidadãos, e desmerecer a ação dos policiais militares que intervieram para impedir maiores danos à pessoa e ao patrimônio”. Porém, segundo a Abraji, a ação falha em presentar evidências de que o jornalista tenha tido a intenção de enaltecer o crime e mostra-se vaga quanto ao bem público que teria sido lesado pela ironia.

A entidade escreveu que “ausência de substância na petição ajuizada pelo MP-RS, apontada pelo TJ-RS, sugere que a ação se configura em mera tentativa de intimidação contra o jornalista e a empresa na qual trabalha. A Abraji lembra que a liberdade de expressão e de imprensa também são direitos cuja defesa está sob responsabilidade do Ministério Público, e a atitude do promotor Voltaire Michel os coloca em risco”.

Guilherme Gomes Pinto deixa o Lance e começa no Cruzeiro do Sul, de Sorocaba

Guilherme Gomes

Ex-Fluir, Folha de S.Paulo, IstoÉ e Diário de S.Paulo, entre outros veículos, Guilherme Gomes Pinto acaba de deixar o posto de editor e gerente de produto do esportivo Lance, onde esteve por mais de 20 anos, em duas passagens, e assumiu como editor-chefe do Cruzeiro do Sul, de Sorocaba. Propriedade da Fundação Ubaldino do Amaral, o grupo tem o jornal, com 117 anos de existência, além de site, redes sociais e uma rádio. É o veículo mais tradicional de Sorocaba e região.

“São vários objetivos: fazer a definitiva integração entre online e papel, promover projetos de conteúdo com o Comercial, rejuvenescer o jornal, otimizar conteúdos das várias plataformas etc. Há um potencial enorme de crescimento, sobretudo no digital”, diz Guilherme

Para substituí-lo, o Lance já acertou o retorno de Valdomiro Neto, que volta a atuar como editor na casa.

Crianças são o alvo da nova lei do Reino Unido sobre conteúdo digital

Crédito: Unsplash

Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

Na live de lançamento do segundo capítulo da série Efeitos da Pandemia sobre o Jornalismo do MediaTalks, o médico Dráuzio Varella externou inconformismo com as fake news online e perguntou: “Onde isso vai parar?”. O Reino Unido começa a dar a resposta, ao invocar o conceito de duty of care (dever de cuidar) para disciplinar as empresas digitais.

O anúncio de uma lei para regulamentar serviços que permitem postagem de conteúdo por usuários (feito na terça-feira, 15/12) é um passo concreto para obrigá-las a remover conteúdo ofensivo de suas plataformas. A Online Harm Bill entra em vigor em 2021 e inclui medidas duras, como multas de até 10% do faturamento global ou £18 milhões (o que for mais alto) para as empresas que não seguirem as regras.

Em um lance perfeito para assegurar apoio popular à lei, o Governo elegeu como alvo principal as crianças. Todo o plano é baseado na intenção de impedir que sejam expostas a informações associadas a suicídio, automutilação, pornografia, abuso sexual, discurso de ódio e terrorismo. O caso das adolescentes britânicas que fugiram do país rumo à Síria para se casarem com terroristas − as Isis Brides − é um exemplo de aliciamento de jovens pelo terror.

A lei dará ao Governo até o poder de bloquear o acesso de serviços no país, embora não esteja claro o mecanismo tecnológico para isso. As empresas foram divididas em duas categorias, com graus de responsabilidade diferentes. Os da categoria 1, onde estarão Facebook, Instagram, Twitter e TikTok, são mais elevados.

Redes sociais, aplicativos de namoro, buscadores, plataformas de compartilhamento de vídeo, serviços de mensagem públicos e privados e até jogos interativos serão regulados. E-mails ficaram de fora. Sob o argumento de proteção à liberdade de expressão, as regras não se estendem às seções de artigos e comentários em sites jornalísticos.

Uma vitória para o Daily Telegraph

Apesar de anunciado quando as fake news assustam ainda mais pelo impacto sobre o controle do coronavírus, o plano não é novo. Ele ganhou impulso sobretudo depois de a adolescente Molly Russel ter tirado a própria vida após ver conteúdo sobre suicídio nas redes, em 2017.

O pai da jovem virou um ativista da causa. O Daily Telegraph empreendeu uma campanha para pressionar o governo a impedir a exposição de crianças a informações nocivas. Em abril de 2019 foi publicada uma consulta pública que deu origem ao projeto de lei, a ser validado no Parlamento.

O jornal comemorou a vitória, exemplo do chamado jornalismo de campanha, comum no Reino Unido. E foi agraciado por Oliver Dowden, secretário de Mídia, com um simpático artigo assinado no dia do anúncio. ”Elogio o The Telegraph por ser um dos primeiros defensores da necessidade de novas leis”, escreveu o secretário.

Criminalização de gestores não foi contemplada

Como seria de se esperar em uma iniciativa que envolve tantos interesses, as críticas começaram logo que a lei foi anunciada. Ativistas questionaram a ausência da responsabilização criminal dos gestores das plataformas. Isso não parece ser sinal, no entanto, de bondade do governo para com as gigantes de tecnologia.

Há duas semanas, como mostramos no MediaTalks, o Reino Unido havia anunciado a criação da Unidade de Mercados Digitais (DMU), um órgão regulador dentro da poderosa CMA, a agência de controle de competição do país, dedicado a reequilibrar a relação comercial entre plataformas e empresas jornalísticas para garantir a sustentabilidade do setor.

Parece um plano bem orquestrado. Enquanto a DMU delibera sobre questões comerciais, as ações ligadas ao conteúdo determinadas pela nova lei ficam nas mãos do Ofcom, órgão regulador das telecomunicações e emissoras de TV e rádio, que já detém experiência no tema. E exibe no currículo um histórico recente de sanções a emissoras que veicularam entrevistas com teóricos da conspiração na crise do coronavírus.

O movimento britânico tem o potencial de encurtar o caminho para outros países, que poderão aproveitar o modelo depois de já testado na prática.


  • Leia em MediaTalks: detalhes da lei, cujo objetivo é defender as crianças do que elas acessam online, sobretudo envolvendo violência, suicídio, pornografia, abuso sexual, terrorismo e bullying.

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ONU News tem novo perfil em português no Twitter

A ONU News em português está com uma nova conta oficial no Twitter, @ONUNews, após três anos longe da rede social. O objetivo é aumentar a interação digital com usuários de língua portuguesa de todas as faixas etárias, profissionais da mídia e de educação, comunidade diplomática, influenciadores e todos os interessados em notícias, reportagens e análises sobre o trabalho da ONU.

Durante a pandemia, a entidade percebeu um aumento na busca por informações confiáveis sobre a Covid-19, e a audiência em países de língua portuguesa aumentou significativamente. Além do português, a ONU News opera em mais oito línguas diariamente: árabe, chinês ou mandarim, espanhol, francês, hindi, inglês, russo e suaíle.

Disney assume o controle do Fox Sports no Brasil por meio da ESPN

Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de J&Cia no Rio de Janeiro

O prédio da Fox no Rio

Os canais Fox Sports encerraram as atividades na sede do Rio de Janeiro. O comando passa agora ao prédio da ESPN, no bairro do Sumaré, em São Paulo. O belo prédio Fox, na Barra da Tijuca, no Rio, inaugurado em julho de 2016 para a cobertura dos Jogos Olímpicos, deve ser desocupado. A Disney, que assumiu a empresa, informou que ali continuam os setores de produção e operação, e que ainda não há uma definição sobre o imóvel.

Como lembrou Flávio Ricco, no R7,em maio do ano passado o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a aquisição – não se trata de uma fusão – da 21st Century Fox pela The Walt Disney Company, dona da ESPN, desde que fosse mantida a operação até 2022. Já ocorreram 34 demissões na Fox, entre comentaristas, narradores, apresentadores e repórteres. Houve três casos de contratos com validade até 2022 e que não foram cumpridos, como os de Leandro Quesada, Éder Reis e Marco de Vargas, com grande repercussão no meio.

O Fox Sports tinha cinco diretores. Eduardo Zebini, vice-presidente, saiu em março deste ano para assumir a diretoria de mídia da CBF. Marcio Moron, o segundo na hierarquia, saiu em 3/12, e ainda Paula Young, diretora artística, e o diretor de Engenharia, todos por decisão da Disney. Mario Quaranta, diretor de Produção, sairia no fim deste mês − assim como a maioria, cujos contratos vencem em 31/12 −, mas deixou a empresa no último dia 7.

Em 3/12, foi a vez de oito repórteres: André Cavalcante, Fernando Caetano, Diego Bertozzi, Bruna Carvalho, Álvaro Loureiro, Flávio Winicki, Flávio Amendola e Gudryan Neufert. Mais o apresentador Jackson Pinheiro e o narrador Rodrigo Cascino.

Segunda-feira passada (7/12), oito comunicaram suas saídas: o diretor Quaranta, os apresentadores José Ilan e Lívia Nepomuceno, os comentaristas Fábio Azevedo, Luís Carlos Quartarollo e Flávio Gomes.O apresentador Benjamin Back foi o único que recebeu proposta para permanecer, mas recusou e já assinou com o SBT. A narradora Renata Silveira pediu para sair e assinou com a Globo.

Na terça-feira (8/12), foram avisados que não teriam seus contratos renovados a apresentadora Vanessa Riche, os narradores Silva Junior e Eduardo Savoia, e os comentaristas Jorge Luiz Rodrigues e Paulo Lima. Aos poucos, todos os programas foram saindo do ar.

No Brasil, a Disney alega que a Fox Sports teve prejuízo financeiro nos últimos anos, e por isso optou por fechar a empresa. Mas o argumento é questionado no mercado. O canal está no azul e, há dois meses, a diretoria parabenizou os funcionários pelos bons resultados. O objetivo da Disney seria reforçar seus canais ESPN com os direitos esportivos que Fox detém. Por exemplo, da Copa Libertadores até 2024, que mantém as melhores audiências do ano na TV fechada. Também a Liga Europa da Uefa – segunda competição de clubes mais importante da Europa, e só perde para a Liga dos Campeões, que é da Turner Esporte Interativo – tem rodadas às quintas-feiras, com quatro jogos em dois canais Fox.

Mais do que tudo, a decisão obedece aos negócios internacionais, materializados nos interesses da Disney nos estúdios da Fox nos Estados Unidos, para produções do serviço de streaming Disney+, com a extinção da marca Fox.

O Globo corta perto de 20, entre Rio, SP e DF

Começaram as demissões desta temporada na Editora Globo. Os nomes mais sonoros são os de Ramona Ordoñez, da Economia – considerada uma das pessoas, não necessariamente jornalistas, que mais entendem de petróleo e gás no Brasil –, há 30 anos na casa, e Jason Vogel. Após a extinção do caderno Carrodo jornal, que passou a ter apenas uma capa para os classificados, Vogel foi alocado na Economia, por conhecer demais a indústria automobilística. Mas o setor também o conhecia demais, e continuou a passar-lhe pautas exclusivas sobre lançamentos e a convidá-lo para exposições internacionais.

Deixam a empresa, informados por chamada de vídeo: Gustavo Goulart Célia Costa, e também Maria Elisa, da editoria Rio; Cristina Azevedo, de Mundo, Fátima Sá Helena Aragão, do Segundo Caderno; Bruno Calixto e Sérgio Luz, do suplemento Rio Show. Do Extra, Luciano Garrido, que atendia também a Rio do Globo, e Celso Oliveira, do fechamento. Da área administrativa, Felipe Gomes, do CCR, e a secretária Lucieni Varella.

Da sucursal de São Paulo, saem o editor Flávio Freire e a repórter Sílvia Amorim. De Brasília – onde O Globo não circula na forma impressa desde junho – foram Eduardo Campos, da Economia, e o fotógrafo Jorge William.

O suplemento Boa Chance, sobre empregos, foi extinto. O caderno Morar Bem, sobre imóveis, passa a ser feito por frilas. Como uma onda anunciada, há cerca de um ano (19/11/2019), houve 30 demissões nos jornais do grupo.

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