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Raphael Hernandes lança guia para jornalistas que sofrem ataques nas redes

Raphael Hernandes, da Folha de S.Paulo, fundador da versão brasileira do projeto Privacidade para Jornalistas, lançou um guia para profissionais de imprensa que sofrem ataques nas redes sociais. O conteúdo, gratuito, está disponível no site do projeto, e aborda tópicos como recuperação de contas após tentativas de hackeamento e limpeza digital de rastros online.

O projeto também apresenta guias para segurança de e-mails, como mensagens criptografadas; como utilizar aplicativos de mensagem seguros e encriptados; as ferramentas mais seguras e confiáveis para fazer troca de arquivos e mensagens; formas seguras de navegar na internet; segurança de arquivos; e segurança de operações. 

Hernandes contou ao Portal Imprensa que fez uma pesquisa informal com colegas de redação e percebeu que ou os veículos nada fazem no que se refere ao treinamento sobre cibersegurança ou estão fazendo um treinamento totalmente voltado para o sistema da própria empresa, não pensando na segurança do jornalista. 

“As redações não estão preparadas para lidar com isso, pensando em grandes redações ou em quem não sofreu recentemente com isso. A gente aprende muito no susto”, diz Hernandes. “Quando a gente pensa em cibersegurança, é meio uma história de Cassandra, que uma pessoa fica gritando que vai dar problema, e só acordam quando acontece”.

Fotojornalista é ameaçado de morte após denunciar queimadas na Amazônia

O fotojornalista Edmar Barros recebeu uma ameaça de morte em seu celular após registrar queimadas no município de Lábrea, no Sul do Amazonas.
O fotojornalista Edmar Barros recebeu uma ameaça de morte em seu celular após registrar queimadas no município de Lábrea, no Sul do Amazonas.

Edmar Barros, fotojornalista que viajava a trabalho para a agência Futura Press, a revista Amazônia Latitude e a norueguesa Rainforest Foundation, recebeu uma ameaça de morte em seu celular após registrar queimadas no município de Lábrea, a 853 km de Manaus, no Sul do Amazonas. Ele fez um boletim de ocorrência na Polícia Civil do estado.

Edmar Barros/Arquivo pessoal
Edmar Barros/Arquivo pessoal

Durante a viagem, o repórter publicou algumas fotos em suas redes sociais mostrando a devastação local. Segundo o UOL, este é um período em que os focos de fogo aumentam na região, e Lábrea costuma liderar o ranking de incêndios irregulares na Amazônia.

“Você vai queimar junto na queimada”, dizia a mensagem afirmando que o jornalista teria o mesmo fim que a vegetação do ramal do km 42 da BR-230.

Edmar afirmou que “o ramal 42 é um ramal gigantesco que tem lá, com áreas clandestinas, e há quilômetros e quilômetros queimados. Fica na beira da estrada da BR-230. Grileiro é o que mais existe nesta região. É sempre perigoso, é uma terra sem lei. Mas nunca havia recebido ameaça no meu celular”.

A mensagem de ameaça foi enviada via WhatsApp e com um número de remetente registrado no Amazonas. Ela chegou ao telefone do fotógrafo às 19h21 da segunda-feira (23/8).

A mensagem, reproduzida do mesmo modo como foi enviada, dizia: “Edmar estou lhe trazendo um recado para vc, do pessoal do 42, se vc vier meter seu rabo aqui em Lábrea para denunciar as derrubadas vc vai queimar junto na queimada, vou te dar dois dias para vc sumir aqui da região, fica dito seu vagabundo, x9 do caralho, seu relógio está contando, fique ligeiro”.

De acordo com o boletim de ocorrência, a ameaça foi enviada quando o repórter fotográfico já estava em Manaus, após ter passado dez dias registrando queimadas e desmatamento, de 9 a 19 de agosto.

“Se a mensagem foi enviada por alguém da região mesmo, é impossível saber quando foi enviada, porque a internet é muito ruim lá. Então, você envia uma mensagem e, às vezes, leva dias para chegar”, disse.

Com anos de experiência fotografando queimadas recorrentes no Sul do Amazonas, essa foi a primeira vez que o fotojornalista foi ameaçado. “O que aconteceu é o de sempre numa cobertura, mas nada de ameaça ou agressão”.

No ano passado, o Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) classificou 2020 como sendo o ano mais violento para jornalistas no Brasil desde o começo da década de 1990, quando a entidade sindical iniciou a série. O título foi dado após a Fenaj registrar 428 ataques a profissionais da imprensa, incluindo dois assassinatos.

 

Opinião: CSO em tempos de ESG

CSO
CSO

Por Ciro Dias Reis (*)

Em outubro de 2014 a Forbes citava o estudo Chief Sustainability Officers: Who Are They and What Do They Do? em artigo dedicado a uma tendência daquele momento no ambiente corporativo: o surgimento de posições destinadas a profissionais focados em sustentabilidade no topo das grandes empresas, os CSOs.

O índice Fortune 500 da mesma publicação apontava que no ano passado 95 das empresas da lista já tinham CSOs, sendo que 31 daquelas posições tinham sido recém-criadas. Hoje a sustentabilidade é um universo que vai muito além da problemática ambiental. Investidores, colaboradores, parceiros de negócio e clientes aumentam a pressão sobre a adoção pelas empresas do leque de premissas representado pela abordagem ESG. Além de elo indissociável da engrenagem dos negócios no presente, a sigla tornou-se sinalizador da solidez e da competitividade projetadas para o futuro. 

A chegada da geração Z ao mercado de trabalho corporativo ajudou a subir a régua. Seus integrantes demonstram maior propensão a temas como sustentabilidade e transparência. Pesquisa mostra que 72% dos funcionários do ambiente administrativo de empresas no Reino Unido mostram-se preocupados com o nível ético de seu empregador. 64% dizem-se inclinados a recusar oportunidade profissional em organização de histórico ambiental negativo.

O cenário europeu é onde as mudanças de hábitos nos consumidores mostram-se mais claras. Segundo Rebecca Marmot, Chief Sustainability Officer da Unilever, quase metade das pessoas diz preferir “marcas que tenham valores ambientais e de sustentabilidade mais amplos associados a elas. As pessoas já estão fazendo escolhas ativas”. Essas escolhas avançam para ações como a troca da carne por alimentos com base vegetal e interesse acerca do nível de emissão de poluentes no transporte dos produtos consumidos. 


(*) Ciro Dias Reis é fundador e presidente da Imagem Corporativa, Global Chair da PROI Worldwide, board member da International Communications Consultancy Organisation (ICCO) e ex-presidente da Abracom.

 


Mais artigos de Ciro Dias Reis:

Morre José Carlos Fonseca Ferreira, pioneiro das relações públicas no Brasil, aos 85 anos

Faleceu em 20/8, aos 85 anos, José Carlos Fonseca Ferreira, pioneiro das relações públicas do Brasil ao lado de José Rolim Valença.
Faleceu em 20/8, aos 85 anos, José Carlos Fonseca Ferreira, pioneiro das relações públicas do Brasil ao lado de José Rolim Valença.

Faleceu em 20/8, aos 85 anos, José Carlos Fonseca Ferreira, pioneiro das relações públicas do Brasil, que fundou, em janeiro de 1964, ao lado de José Rolim Valença, a AAB – Assessoria Administrativa do Brasil, agência que abriu caminho para o desenvolvimento de um segmento que hoje fatura cerca de R$ 3 bilhões por ano e agrega perto de 1.500 empresas em todo o País. Afastado há quase dez anos de suas atividades profissionais, em decorrência de uma profunda depressão, teve uma piora em seu quadro e, hospitalizado, acabou vitimado pela Covid-19.

Gerente de Comunicações Públicas da Ford por três anos, entre 1960 e 1963, optou por empreender com sua própria empresa ao vislumbrar a janela de oportunidades que o mercado oferecia para essa atividade, então inexistente no Brasil. Liderou a AAB, ao lado de Rolim, por 15 anos, vendendo o controle da agência para o Grupo Ogilvy & Mather, do qual acabou sendo executivo, ao presidir a Ogilvy & Mather Direct por cinco anos.

Integrante daquele primeiro time da AAB, Carlos Eduardo Mestieri lembra: “Entrei na AAB em 1963, quando ela estava sendo realmente estruturada. Ocupei o Departamento de Relações Governamentais. Também chegaram para o time Vera Giangrande, que ocupou o Departamento Educacional, e Antônio De Salvo, responsável pelo Departamento de Imprensa. As áreas de Publicaçōes e Arte, Pesquisa de Opinião e Estratégia eram orientadas e coordenadas pelo próprio José Carlos e pelo Rolim. Durante anos a AAB representou no Brasil as maiores empresas de relações públicas internacionais. Como se vê, foi uma verdadeira escola da atividade. Saí de lá em 1975 para montar a Inform, que hoje é tocada por minha filha, Roberta, agora com o nome de Mestieri PR. De Salvo havia criado a ADS e Vera, convidada, assumiu a Diretoria de Relações Públicas da Squibb e tempos depois seria minha sócia na própria Inform. Com as saídas dos pioneiros, começava o segundo capítulo da AAB, com outros nomes que também se destacariam nas relações públicas do País”.

Sobre a AAB, disse Lalá Aranha, profissional de RP que também esteve na agência e a conheceu de forma profunda, em texto publicado em 10/11/2016 no Portal Aberje: “A AAB foi o berço dos profissionais de RP mais reconhecidos do Brasil. (…) Em 1979, José Carlos e Rolim inauguraram as AAB-RS e Brasília, das quais me tornei sócia. Convivi, de perto ou de longe, com estes mestres por quase duas décadas. Estudei seus cases, li seus livros e trabalhei com alguns deles. (…) Embora com outras formações de origem, todos se tornaram oficialmente relações públicas, pois foram beneficiados pelo provisionamento e se registraram no Sistema Conferp. E fizeram escola no Brasil. A escola do planejamento, das auditorias de opinião, das ações estratégicas, dos grandes eventos e das coalizões e alianças corporativas. Esta escola, da qual me orgulho de ter pertencido com um grupo de profissionais da geração seguinte, como o jornalista Celso Barata, as RPs Sandra Martinelli, Gisela Heitzman, Elisa Prado e Suzel Figueiredo e os publicitários Rogério Ruschell e Luiz Marcio Caldas Junior, dentre outros, era uma agência sem ‘firulas e ações múltiplas’. Ações 100% voltadas para a administração da comunicação, construção positiva da imagem e do relacionamento dos clientes – empresas e organizações – que atendíamos”.

 

Portal dos Jornalistas associa-se à Ajor

Veículos jornalísticos digitais lançaram a Associação de Jornalismo Digital (Ajor), que já reúne 30 organizações de todo o País.
Veículos jornalísticos digitais lançaram a Associação de Jornalismo Digital (Ajor), que já reúne 30 organizações de todo o País.

O Portal dos Jornalistas é o novo associado da Associação de Jornalismo Digital (Ajor). Fundada no início de junho, a entidade já conta com quase 50 publicações associadas e tem como objetivo o fortalecimento do jornalismo brasileiro a partir de três eixos de atuação: profissionalização e fortalecimento das associadas; defesa do jornalismo e da democracia; e a promoção de diversidade.

“Os veículos digitais estão há alguns anos liderando a inovação no jornalismo brasileiro”, destaca Natalia Viana, diretora executiva da Agência Pública e presidente da Ajor. “A associação vem para fortalecer esse cenário e, portanto, melhorar o nosso jornalismo como um todo em um momento em que ele enfrenta sérios desafios”.

Eduardo Ribeiro, diretor da Jornalistas Editora, complementa: “A diversidade e a pluralidade das associadas da Ajor mostram que a entidade chegou para abraçar e defender o bom jornalismo, não importa o tamanho da equipe de uma publicação ou a partir de onde ela é produzida”.

> Vale destacar que mais da metade das organizações que integram a Ajor têm mulheres e pessoas negras em posição de liderança, e que a entidade conta com associadas em todas as regiões do Brasil, com diferentes modelos de negócio e tipos de produção de conteúdo.

“Para nós, do Portal dos Jornalistas, fazer parte de uma associação que contempla tantas publicações inovadoras, plurais e de qualidade é uma honra, além de um desafio para produzirmos conteúdos ainda mais relevantes para o nosso leitor, que é tão qualificado”, completa Fernando Soares, editor do Portal dos Jornalistas.

Completam a equipe do Portal dos Jornalistas o repórter Victor Felix e a redatora Anna França.

In Press Oficina anuncia rebranding e novo modelo de negócios

Empresa do Grupo In Press em Brasília, a In Press Oficina lançou nesta quarta-feira (25/8) seu novo modelo de negócios, que inclui reformulação da marca. A agência, que passa a atuar também como consultoria de reputação e gestão de relacionamento, oferecendo metodologias proprietárias com inteligência de análise dos Três Poderes, além de todos os outros serviços de comunicação corporativa, agora atende apenas por Oficina.

Sócia-diretora da agência, Patrícia Marins explica que o novo modelo visa a oferecer aos clientes uma comunicação assertiva e estratégica, motivada pela crise de confiança na sociedade pós-pandemia: “Diante desse cenário, as instituições começaram a ser questionadas e a terem seus propósitos revisitados e essa transformação da sociedade mostrou que o nicho de atuação não pode se limitar à atividade de relações públicas e relacionamento com a mídia”.

Patrícia Marins, sócia-diretora da Oficina
Patrícia Marins, sócia-diretora da Oficina

Segundo ela, o novo modelo de negócios da agência está ancorado em três frentes prioritárias: ”Relacionamento e reputação (com inteligência aplicada aos Três Poderes) e ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança), aliados a uma nova jornada personalizada e customizada de atendimento ao cliente, por meio de metodologias proprietárias de consultoria”.

A Oficina também reestruturou suas operações e criou novas áreas. Para isso, contratou João Chequer (ex-CNI), que assume a área de Inteligência de Mercado; Felipe Linzmayer (ex-Sistema Fiep), que cuidará de Operações; e Érica Abe (ex-ABCPública e FSB), responsável por Digital Business. Além disso, ampliou a estrutura da área de Public Affairs, com a chegada de Ronald Freitas (ex-Light e Cemig).

Soluções sob medida para a necessidade dos clientes

Outra novidade envolvendo a Oficina foi a criação de um LAB de Inovação, que irá apresentar soluções sob medida para a necessidade dos clientes na perspectiva de ESG, relacionamento e reputação. Para isso, a agência firmou parcerias com grandes empresas de tecnologia, dentre elas estão XRBR, XCave, Quaest, Virbela e Data Driven.

“Firmamos parcerias para criar projetos com propósito, impacto social e metodologias de causa, que aproximem uma demanda setorial do interesse da sociedade. Já inauguramos nosso LAB e este novo momento com uma plataforma de gestão de Stakeholders”, destacou Patrícia.

O LAB de Inovação irá se somar a outras metodologias proprietárias que já estão na empresa, como SOS Reputação, Gestão Integrada à Comunicação (GIC), Power Leadership e Business Intelligence, dentre outras soluções inovadoras que já estão em atividade ou fase de implementação. Essas metodologias são de propriedade exclusiva da empresa e  garantiram à Oficina vários cases vencedores e o reconhecimento do valor estratégico junto aos clientes.

Repórter do Matinal Jornalismo sofre ataques por reportagem sobre proxalutamida

Repórter do Matinal Jornalismo sofre ataques por reportagem sobre proxalutamida

O repórter Pedro Nakamura, do Grupo Matinal Jornalismo, vem sofrendo ataques cibernéticos desde segunda-feira (23/8) após reportagem sobre estudos clínicos de proxalutamida, sem supervisão de comitês de ética e com medicamentos importados sem supervisão da Anvisa. O site do Matinal também sofreu ataques.

Durante a apuração da reportagem, Nakamura entrou em contato com os médicos responsáveis pela pesquisa para ouvir o que tinham a dizer. Um deles, em vez de responder às perguntas, expôs as mensagens do repórter em suas redes, e o acusou de assédio e injúria. Depois disso, Nakamura passou a receber diversas ofensas e ameaças online. Uma delas dizia que ele “merecia ser empalado em praça pública na frente de seus filhos”.

No dia seguinte, o site do Matinal Jornalismo sofreu ataques que tinham o objetivo de sobrecarregar o servidor e impedir o acesso das pessoas ao conteúdo publicado.

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) destacou que a tática de expor conversas com jornalistas é “uma forma de intimidação cada vez mais frequente no Brasil”. A entidade condenou a exposição das conversas e também “as tentativas de derrubar os websites veículos de imprensa para dificultar o acesso a denúncias graves e de extrema relevância para o interesse público”.

Já Associação de Jornalismo Digital (Ajor) informou que acompanha o caso e avalia em conjunto com o Grupo Matinal diferentes medidas para proteger o profissional, a empresa jornalística e o direito de os cidadãos se informarem.

Repórter Brasil lança segunda temporada do podcast Jornadas

A Repórter Brasil lançou a segunda temporada do podcast Jornadas, feito em parceria com a Radio Novelo, que aborda as dificuldades enfrentadas por trabalhadores durante a pandemia de Covid-19. O projeto tem seis episódios e vai ao ar às quartas-feiras até 22 de setembro.

O podcast é apresentado por Natália Suzuki e Thiago Casteli, que acompanharam a jornada e o dia a dia de trabalhadores. O objetivo do projeto é ir além do relato e da entrevista, testemunhando a vida dessas pessoas de perto.

“Sepultadores, agricultores, feirantes, lixeiros, pedreiros. O que eles têm em comum? Todos esses profissionais cumprem suas jornadas ao ar livre, faça chuva, faça sol, literalmente. Eles não param independentemente da intempérie climática”, diz o comunicado de divulgação da segunda temporada.

Na primeira, lançada em 2020, o projeto mostrou a vida de trabalhadores de serviços essenciais: um professor, um bombeiro, uma cobradora de ônibus, uma enfermeira, um agente de saúde e uma assistente social.

Os episódios estão disponíveis nas principais plataformas de áudio, no canal da Repórter Brasil no YouTube e no reporterbrasil.org.br/radiobatente, que apresenta também fotos de bastidores dos episódios.

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Opinião: Erros e acertos na crise

Opinião: Erros e acertos na crise

Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

Em situações sensíveis como a crise do Afeganistão um passo em falso pode virar um desastre de relações públicas de escala planetária. Ou alçar ao panteão dos heróis da causa aqueles que fazem o movimento correto na hora certa.

A última semana proporcionou exemplos de erros e acertos envolvendo celebridades.

De um lado, a supermodelo e atriz britânica Lily Cole, que abusou da insensibilidade ao publicar no Instagram fotos usando a burca. De outro, a atriz Angelina Jolie, que fez jus ao histórico de engajamento em questões sociais para estrear em grande estilo na plataforma.

Em comum, apenas o uso do Instagram. Mas foi diametralmente oposta a forma que cada uma escolheu para associar-se aos acontecimentos no Afeganistão pela rede social.

Quando as tropas do Taliban já chegavam a Cabul e crescia o temor pelo fim da liberdade das mulheres no país prestes a voltar ao domínio da lei islâmica Sharia, Lily Cole postou duas fotos vestindo o traje que se tornou símbolo de opressão.

Poderia ter sido um manifesto, mas não foi. A intenção era promover seu novo livro sobre mudanças climáticas, com o convite “vamos abraçar a diversidade em todos os níveis”.

Mesmo que a postagem não tenha tido intenção de pegar carona em um tema em evidência para uma ação de marketing, foi desastrosa por não levar em conta os riscos de reação negativa.

O mais impressionante, porém, foi a lentidão da resposta. Cole levou quatro dias para se desculpar. E, ao fazê-lo, disse que “seu coração se partiu ao ler sobre o que estava acontecendo no Afeganistão”.

A não ser que estivesse vivendo em Marte, é difícil crer que não soubesse o que se passava no país, com a imprensa e as redes sociais falando exaustivamente sobre as projeções sombrias para as afegãs.

Também é surpreendente que tal erro tenha sido cometido por Cole. Diferentemente de muitas modelos que deixam os estudos para seguir carreira, ela graduou-se em História da Arte pela Universidade de Cambridge em 2011. É ativista de causas ambientais.

Conhecimento não lhe falta, nem maturidade, pois tem 33 anos. Mas faltou bom-senso. E talvez um bom assessor de comunicação.

Ela até tentou remediar, postando conteúdo de apoio a mulheres afegãs. Mas não vai ser fácil consertar o estrago.

Legitimidade

Já Angelina Jolie acertou a mão.

Era uma das poucas celebridades globais fora do Instagram. O momento de estrear na rede social tão associada a moda, glamour e culto a personalidades foi coerente com as atitudes da atriz, embaixadora da Boa Vontade da Agência de Refugiados da ONU.

A forma também foi irretocável. Ao postar a carta recebida de uma jovem afegã, Jolie disse estar usando seu espaço para dar voz aos que foram impedidos pelo Taleban de se manifestarem pelas redes sociais.

A mensagem incorporou um dos principais elementos de sucesso em comunicação, senão o principal: legitimidade.

A atriz falou de suas impressões ao visitar o Afeganistão duas semanas antes do ataque àsTorres Gêmeas, quando conversou com pessoas submetidas ao rigor do Taleban. Nada mais convincente do que a experiência pessoal.

A aprovação foi quase unânime. Uma das poucas a questionar o ato foi a escritora paquistanesa Fatima Bhutto, que classificou a tomada de posição da atriz como “hipocrisia”, por não incluir também as palestinas e as mulheres oprimidas da Cachemira.

Mas a percepção positiva foi esmagadora. A conta passou de nove milhões de seguidores em três dias. O post inaugural teve mais de 3,6 milhões de likes. Entre os que comentaram estão fãs anônimos e entidades como a Anistia Internacional.

O post seguinte de Angelina Jolie foi sobre o drama dos migrantes obrigados a deixar o local onde vivem devido a conflitos, com referência à situação da Etiópia.

Sinal de que a conta não vai mesmo ser um canal para saber sobre o batom da moda ou a grife usada em uma festa. E vai consolidar a imagem da atriz como uma das que usa sua popularidade para ajudar a melhorar o mundo.

Uma aula de RP de verdade, em todos os sentidos.


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Morreu Nilson Lage, formador de gerações de jornalistas

Morreu Nilson Lage, formador de gerações de jornalistas

Nilson Lage morreu na noite de segunda-feira (23/8), em Florianópolis. Tinha 84 anos e lutava há dois anos contra um câncer no pulmão. Por vontade dele próprio, não houve velório e o corpo foi cremado no dia seguinte (24/8), no crematório Catarinense, na cidade de Palhoça. Deixa filhas, entre elas a também jornalista Janaína Lage.

Nascido no Rio de Janeiro, começou em 1955 como redator do Dário Carioca e passou depois a editor de textos do Jornal do Brasil. Foi também redator-chefe, editor de Política e de Geral do Última Hora, redator-chefe da revista Manchete, editor em O Globo e gerente da TVE do Rio (hoje TV Brasil).

Graduado em Letras, mestre em Comunicação, doutor em Linguística e Filologia, começou a carreira de professor em 1971, na Universidade Federal Fluminense. Lecionou ainda em Universidade Gama Filho, Universidade Estácio de Sá, Faculdades Hélio Alonso, Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade Federal do Rio de Janeiro. Aposentou-se em 2006, como professor titular do Departamento de Jornalismo da UFSC, após 50 anos de atividade.

Formou gerações de jornalistas e produziu extensa bibliografia, que inclui 11 livros, 31 capítulos de livros, e diversos artigos. Suas obras são referência acadêmica das técnicas e da teoria do jornalismo.

A Fenaj, os Sindicatos dos Jornalistas de Santa Catarina e do Município do Rio de Janeiro distribuíram nota lamentando a perda. Lage participou de diversos eventos sindicais e, em 2010, durante o Congresso Nacional dos Jornalistas, em Porto Alegre, foi homenageado com a Comenda da Fenaj em reconhecimento por sua contribuição.

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