A 4ª Vara Criminal de Brasília rejeitou pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para retirar do ar duas reportagens do UOL sobre o uso de dinheiro vivo para a compra de imóveis pela família do presidente Jair Bolsonaro (PL).
A decisão, tomada nesta segunda-feira (19/9), foi do juiz Aimar Neres de Matos, que também rejeitou a abertura de processo criminal contra os repórteres Juliana Dal Piva e Thiago Herdy, autores das reportagens, por calúnia e difamação, e um pedido para que eles parassem de publicar matérias sobre o tema.
Na última sexta-feira (16/9), o promotor Marcos Juarez Caldas de Oliveira já havia se manifestado pelo não recebimento da denúncia oferecida pelo senador por considerar que não havia indícios de crimes de calúnia e difamação nas reportagens publicadas pelo UOL.
Entenda o caso
O UOL revelou que a família do presidente adquiriu metade do patrimônio com o uso de dinheiro vivo. Dos 107 imóveis adquiridos pelo presidente Jair Bolsonaro, seus filhos, ex-mulheres e irmãos desde os anos 1990, em 51 deles as aquisições foram feitas total ou parcialmente com o pagamento em dinheiro.
Conforme as escrituras, os 51 imóveis custaram, em valores da época, R$ 13,5 milhões. A parte apenas em dinheiro vivo destas transações é de pelo menos R$ 5,7 milhões, ainda em valores da época. Se corrigidos pelo IPCA a partir da data da compra de cada imóvel, este valor equivale a R$ 11,1 milhões apenas em dinheiro vivo, de um valor total de R$ 25,6 milhões.
Para reconstituir três décadas de transações imobiliárias do Clã Bolsonaro, repórteres se basearam em documentos públicos dos cartórios, investigações do Ministério Público, entrevistas com funcionários de cartórios e de pessoas que venderam imóveis à família e confirmaram os pagamentos em dinheiro vivo.
A reportagem preferiu correr o risco de subestimar o número de imóveis pagos com dinheiro. Dos 107 imóveis negociados entre os anos 1990 e 2020, em 26 casos não foi descrita a forma de pagamento e, portanto, estes foram eliminados da conta do dinheiro vivo.
Nesta segunda-feira (19/9), o UOL mostrou que o senador Flávio Bolsonaro, que tem 16 imóveis comprados parcialmente com dinheiro vivo, também fez uso de valores em espécie para pagar despesas pessoais, funcionários e impostos. Além disso, a conta bancária de sua antiga loja de chocolates registrou alto volume de depósitos de dinheiro vivo sem identificação. Ao todo, esse montante movimentado em espécie ultrapassa os R$ 3 milhões.
Os dados constam das quebras de sigilo obtidas pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio). Flávio ainda foi apontado nas investigações como líder de uma organização criminosa que funcionava em seu antigo gabinete na Alerj (Assembleia Legislativa fluminense). O total de desvios apurado pela Promotoria foi de, no mínimo, R$ 6,1 milhões.
A decisão judicial que autorizou o acesso do MP-RJ aos dados financeiros foi anulada em fevereiro de 2021. Atualmente, a PGJ (Procuradoria-Geral de Justiça) refaz a investigação. Na época da denúncia, o senador Flávio negou que tenha cometido crimes.
Depois de sete anos longe das telas como entrevistadora, Marília Gabriela está lançando um novo programa, desta vez na internet. Em sua primeira temporada, o Gabi de Frente de Novo trará influenciadores digitais como convidados e estará disponível no YouTube, em plataformas de áudio e nas redes sociais da apresentadora.
Em formato pensado para a web, terá nove episódios de cerca de 40 minutos, com atualização semanal, às quartas-feiras. O primeiro, que vai ao ar nesta quarta-feira (21/9), terá a ex-BBB e cantora Juliette como entrevistada. Também estão confirmadas as presenças de Camila Coutinho, Hugo Gloss e Lu, do Magalu.
“Comecei a entrevistar pessoas em 1969, e estava realmente satisfeita e cansada de fazer aquilo”, explica Marília. “Por ironia, acho que acabei tendo tempo para prestar atenção em coisas novas e, de repente, percebi que o poder de comunicação atual está muito nas mãos dos influenciadores. São pessoas com enorme poder de atração. O que elas falam e o que fazem vale ouro, e eu queria entender quem são elas, o que elas pensam, por que despertam essa atração”.
Os episódios de Gabi de Frente de Novo ficarão disponíveis em seu canal no Youtube: https://www.youtube.com/c/mgabrielareal e em todas as plataformas digitais de áudio.
Na cerimônia do Troféu Mulher Imprensa, Zileide Silva (TV Globo) foi homenageada com o prêmio de Contribuição ao Jornalismo.
Na cerimônia do Troféu Mulher Imprensa,Zileide Silva (TV Globo) foi homenageada com o prêmio de Contribuição ao Jornalismo como reconhecimento por sua atuação no desenvolvimento da comunicação no País. Realizada em 16/9 na capital paulista, a edição deste ano teve como tema Pertencimento e Inovação.
Com 25 anos de TV Globo, Zileide foi a primeira profissional de imprensa negra a apresentar na emissora, como titular, um telejornal diário nacional, o Bom Dia Brasil. Também foi correspondente internacional da Globo em Nova York, de 2000 a 2003, e, em 2006, a primeira repórter negra a integrar uma comitiva presidencial.
A coluna de Rubens Valente, publicada nesta segunda-feira (19/9) pela Agência Pública, teve acesso a 15 depoimentos assinados por jornalistas, e entregues a uma comissão de sindicância interna da EBC, com relatos graves de assédio moral, censura, clima de medo por perseguição no trabalho, desvalorização e falta de diálogo. Todos os casos foram registrados após a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência da República.
Os depoimentos dos empregados foram anexados a uma sindicância aberta pela EBC contra a jornalista Kariane Costa, contratada por meio de concurso público em 2012 e eleita em 2016 e 2021, pelos colegas da redação, representante dos empregados no Conselho de Administração da estatal.
Após receber de seus colegas inúmeras queixas com conteúdo semelhante, em 2021 Kariane fez uma comunicação à Ouvidoria da EBC para pedir que tudo fosse apurado. Porém, ela rapidamente passou de denunciante a investigada, sob a acusação de 12 gestores, justamente os mesmos sobre os quais ela pediu uma apuração.
Eles pediram providências contra Kariane por supostos “ataques”. Seis deles foram à Justiça comum para fazer uma interpelação criminal contra Kariane. Em 18 de agosto último, a comissão sugeriu a demissão da jornalista. A decisão final caberá ao diretor-presidente da EBC, o publicitário Glen Lopes Valente.
A consultoria Cause e a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) promovem nesta terça-feira (20/9), a partir das 8h30, o encontro Causas urgentes para profissionais de Comunicação. O encontro contará com três painéis:
9h30 – Crise climática e ESG: Rodolfo Guttilla, sócio cofundador da Cause e especialista em sustentabilidade, deve conduzir um papo com associados da Aberje sobre como as empresas estão respondendo à crise climática, e como isso impacta as estratégias de ESG (boas práticas ambientais, sociais e de governança).
10h15 – Cultura e Diversidade: Mônica Gregori, diretora executiva da Cause e especialista em marketing, fala sobre a importância de políticas de inclusão de diversidade dentro das empresas, de modo a reduzir abismos sociais: como é possível olhar para essas demandas de forma sensível e profunda e não apenas midiática?
11h – Defesa da democracia: Leandro Machado, sócio cofundador da Cause e cientista político, apresenta argumentos, dados e mecanismos que evidenciam a responsabilidade das organizações, diante de constantes ataques à democracia: o que é necessário fazer para frear movimentos que tendem ao autoritarismo, à censura e à desinformação?
O encontro é gratuito e acontecerá na sede da Aberje (rua Amália de Noronha, 151 – 6º andar). Inscreva-se.
O cineasta Walter Salles Jr. fará uma série sobre a trajetória de Sócrates, um dos maiores ídolos do Corinthians. A informação foi dada em primeira mão por Juca Kfouri. Com quatro episódios, o projeto terá depoimentos de familiares e amigos do falecido jogador, que foi um dos protagonistas da Democracia Corinthiana.
Entre os nomes que darão depoimentos estão o próprio Juca Kfouri, José Trajano e os ex-jogadores Casagrande e Raí (este irmão de Sócrates), além dos filhos e outros irmãos do biografado.
Formado em Medicina, Sócrates ganhou o apelido de “doutor”. Era extremamente engajado em movimentos sociais e em ativismo político. Foi o único jogador de futebol a integrar a lista dos seis esportistas mais inteligentes da história, segundo levantamento feito pelo jornal The Guardian, em 2015.
Sócrates foi a única unanimidade em pesquisa realizada em 2006 pela revista Placar para escolher o time de todos os tempos do Corinthians. Em 1983, foi eleito o melhor jogador sul-americano do ano, e em 2004, incluído por Pelé na FIFA 100, lista dos 125 melhores jogadores vivos da história na ocasião.
Sócrates morreu aos 57 anos, em dezembro de 2011, em decorrência de infecção generalizada. Ele enfrentava problemas de alcoolismo.
O Sindicato dos Jornalistas do Norte do Paraná (Sindijor Norte PR) repudiou ataques e assédio eleitoral aos jornalistas da RICtv, afiliada da Record no Paraná. Tal assédio teria resultado na demissão de Carol Romanini, apresentadora da emissora em Londrina, na terça-feira (13/9).
Segundo o sindicato, a demissão ocorreu após pressão do deputado federal Filipe Barros, declaradamente bolsonarista. Ele utilizou como pretexto uma confusão envolvendo a torcida Falange Azul, do Londrina Esporte Clube, e integrantes de seu comitê de campanha, no último sábado (10/09). O “crime” da jornalista foi estar próxima à confusão, disse o Sindijor Norte PR.
Vale lembrar, porém, que em 12/9, um dia antes de sua demissão, Romanini apresentou o Hora da Venenosa, quadro do Balanço Geral Londrina, vestindo uma roupa vermelha. A emissora havia proibido o uso de vestimentas das cores vermelha e bordô por repórteres e apresentadores, “cores a que atribui associação com a candidatura do ex-presidente Lula”, declarou o Sindijor Norte PR.
“O dono do Grupo RIC no Paraná, Leonardo Petrelli Neto, aliado de Barros, tem engajamento notório na campanha pela reeleição do presidente Jair Bolsonaro. E histórico de assédio eleitoral”, diz a nota do sindicato. “Felipe Barros, o deputado bolsonarista, possui influência direta sobre a linha editorial do Grupo RIC. E essa influência levou à demissão da jornalista. Em um evidente abuso de autoridade e assédio eleitoral contra os trabalhadores”.
Ao Na Telinha, do UOL, Romanini contou que está sofrendo perseguições e ameaças desde a demissão. Os ataques envolvem também seus familiares, incluindo a filha de 16 anos. A jornalista disse que fez boletins de ocorrência contra os ataques e contra a exposição causada pelo deputado Filipe Barros.
Estão abertas até 22/9 as inscrições para a segunda edição do curso gratuito Cinema e Jornalismo: Luzes sobre São Paulo.
Estão abertas até 22/9 as inscrições para a segunda edição do curso gratuito Cinema e Jornalismo: Luzes sobre São Paulo, iniciativa voltada a estudantes de cursos de graduação em Jornalismo, Rádio e TV, Multimeios, Audiovisual e/ou Cinema de instituições públicas e privadas do Estado de São Paulo.
Realizado pelo Instituto de Pesquisa, Formação e Difusão de Políticas Públicas e Sociais (IPFD), em parceria com a Oboré Projetos Especiais, a formação disponibiliza 100 vagas. Serão oito encontros com palestrantes e conferências de imprensa, entre 24/9 e 12 de novembro.
Os estudantes terão também a oportunidade de produzir uma obra audiovisual sobre a capital paulista. Os materiais cinematográficos serão disponibilizados na plataforma daSpcine, que guiará as reflexões, discussões, pautas, reportagens, documentários, narrativas audiovisuais e produção multimídia dos participantes.
Falecido no domingo, 4 de setembro, o jornalista Antonio Carlos Antunes Scartezini passou por todos os grandes veículos e por todos os episódios políticos de 40 anos da história brasileira. Tinha um estilo próprio de trabalho, tanto na apuração quanto na redação. Era um paciente cultivador de fontes de informação, o que lhe rendia muita conversa de bastidor, além de material para dois livros, Segredos de Médici e Doutor Ulysses. Era também um fanático pela qualidade de texto, o que trazia dos tempos em que se via como poeta na sua Goiás natal. Dizia que não se podia ser poeta em Goiás ou jornalista em qualquer lugar sem conhecer os nomes de todos os rios goianos e de como a poesia deveria ditar o ritmo do texto.
Quando chegou de Goiânia para estudar na Universidade de Brasília, não havia ainda cursos de Jornalismo na capital. Formou-se em Sociologia, dando ênfase a Antropologia e a Ciência Política. Começou então a trabalhar no Jornal de Brasília, seguindo logo para o Estadão, onde ficou por longo tempo, até aceitar um convite de Veja, que vivia seus áureos tempos. Pela Veja, trabalhou em Brasília, Belo Horizonte e São Paulo, quase sempre cobrindo política. Desde o início de carreira assinava seus textos como A.C. Scartezini, motivo pelo qual muitos dos colegas não percebiam, ao atender a uma ligação para Antonio Carlos, que o chamado era para Scarta.
Era um admirador do ritmo de trabalho de Veja, com seus fechamentos alucinados, mas encarava com humor a pressão desse trabalho. Tarde da noite de uma sexta-feira, Scartezini jantava com a mulher, Virgínia, e um casal de amigos no Piantella, a essa época já o point de políticos de todos os matizes. Ainda não havia celular, claro, e os repórteres de Veja eram obrigados a informar para a revista os telefones dos locais em que estivessem após enviarem as matérias para a sede. Minutos antes da meia noite, o maître foi à mesa para dizer que Scartezini era chamado com urgência. Atendeu e recebeu um pedido: precisavam que alguém de peso bancasse uma frase sobre o então czar da economia, Delfim Netto. Com a paciência que o marcava, Scartezini sentou-se ao telefone, ligou para o deputado Tancredo Neves, mais uns dois políticos até que, enfim, o senador Roberto Saturnino concordou em assumir o texto, embora quisesse algumas modificações. Seguiu-se a inevitável negociação com a editoria, até se chegar a um consenso. O repórter voltou à mesa. Raposa velha, prolongou a conversa, pois conhecia as regras do jogo. Não deu outra. Passadas as duas da manhã, foi de novo chamado ao telefone. Do outro lado, a ordem: “Mudou o texto”. Seguiu-se nova negociação com Saturnino até que, madrugada alta, fez-se a paz.
Roberto Saturnino (Crédito: Senado Federal / Plenário do Senado, CC BY 2.0)
Não era o único caso. Pouco mais de um ano depois, Scartezini e uma jovem repórter de Brasília, hoje professora universitária, participaram de uma matéria nacional, que deveria ser a capa seguinte de Veja, sobre controle de natalidade. Caberia a eles ouvir o Ministério da Saúde, o Ministério da Justiça e mais uma série de parlamentares que se interessavam pelo tema. Pelas contas de Scartezini, ouviram 12 pessoas cada um. Já no meio da semana seguinte foram avisados de que a matéria deixaria de ser capa e seria reduzida a uma simples página. Não gostaram de ver perdido o esforço, mas não havia o que fazer, aparentemente. Havia, sim. No mesmo pico do fechamento, veio o telefonema da editoria. Pediram que ambos ouvissem todas as fontes entrevistadas para saber que método anticoncepcional utilizavam. A repórter telefonou para o senador e ex-ministro Roberto Campos. Sempre um lorde com os jornalistas, Roberto Campos disse que não poderia dar uma resposta a ela, mas que gostaria de mandar sua posição à revista. Aliás, não era exatamente uma resposta. A repórter transmitiu lealmente o recado de Campos e pediu demissão. Scartezini ficou ainda mais uns meses em Veja.
Foi ainda nesse período que ele levou um ousado projeto à direção da revista. Governante no período mais repressivo do regime militar, o ex-presidente Emílio Garrastazu Médici jamais havia falado à imprensa. Entrevistas, nem pensar. A essa altura, Médici já estava fora do circuito político e passava a maior parte do tempo em seu apartamento de Copacabana ou na fazenda que tinha em Dom Pedrito, Rio Grande do Sul. Scartezini propunha fazer o que mais gostava: cultivar a fonte. Procurar conversas com Médici, sem nada publicar, até que se chegasse a um consenso a respeito. Para surpresa geral, Médici concordou. Desde – claro! − que algo só fosse divulgado com sua autorização – que nunca veio. Mas as conversas ocorreram, em geral no Rio de Janeiro e com a presença tanto de D. Scylla, mulher do ex-presidente, quanto do general Carlos Alberto Fontoura, que fora chefe do Serviço Nacional de Informações de Médici. O ex-presidente usava frequentemente Fontoura para passar posições suas: “O Fontoura, aqui, acha que…” e aí vinha. Após a morte de Médici, Scartezini publicou Segredos de Médici, único livro independente já publicado sobre o ex-ditador.
Nele há revelações históricas importantes, como o reconhecimento, por Médici, da tortura nos quartéis, embora ele não admita que era aplicada de forma sistemática, institucional. Assumia a responsabilidade, porém, pelas mortes que costumava atribuir a confrontos armados. Além disso, demonstra que as preocupações políticas do ex-presidente, já fora do governo, referiam-se principalmente a comparações de imagem com os sucessores. Médici gostava de dizer, por exemplo, que o general Ernesto Geisel posava de favorável à abertura, mas cassara parlamentares oposicionistas e até fechara o Congresso, enquanto ele, Médici, nunca cassara ninguém e exigira, para assumir, que se reabrisse o Congresso, fechado desde a assinatura do Ato Institucional nº 5. “Eu era o arbítrio, mas quem fechou foram eles”, insistia. Prestava muita atenção, ainda, em atritos nos meios militares, indignando-se quando os sucessores aplicavam sanções contra oficiais que os hostilizavam. Da mesma forma, o outro livro de Scartezini, Doutor Ulysses, utiliza informações de bastidores para mostrar a trajetória do líder que conseguira pautar a redemocratização brasileira.
Essa era uma das características básicas de Scartezini. Quando investia em uma matéria, não poupava esforços para obtê-la e para sofisticá-la. Para conversar com Médici, seguiu o general do Rio de Janeiro para Petrópolis, para Porto Alegre, onde o ele tinha apartamento no mesmo prédio de um dos filhos, e mesmo para a fazenda do ex-presidente em Dom Pedrito, interior gaúcho. O mesmo fez com Ulysses Guimarães, acompanhando-o até em momentos em que nada poderia conseguir para a cobertura do dia a dia.
Esse detalhismo valia para o estilo. Guardava matérias feitas até em seus tempos de foca, como a cobertura que fez da invasão armada da Universidade de Brasília. Em 1968, agentes das polícias Militar, Civil, Política (Dops) e do Exército invadiram a UnB e detiveram mais de 500 pessoas na quadra de basquete. Sessenta delas acabaram presas. Os invasores agiram com violência, retirando alunos de sala de aula, espancando e agredindo. Scartezini registrava, em seu texto, pormenores como as gotas de sangue de um aluno pingaram no jaleco branco de um professor de Medicina.
De volta a Brasília, ainda passou pela Folha de S.Paulo e pelo Correio Braziliense, sempre na cobertura política. Trabalhou algumas vezes em assessorias de imprensa, mas era óbvio que sua praia era a Redação. Foi o rumo seguido também pelo filho Bernardo, embora priorizando a cobertura de Cultura, especialmente de música.
Já estava semiaposentado quando apresentou sinais de problemas cardíacos. Ficou internado um mês no Hospital Regional da Asa Norte, em Brasília, onde faleceu, aos 77 anos.
Eduardo Brito Cunha
A história desta semana é novamente uma colaboração de Eduardo BritoCunha, ex-Estadão, Jornal do Brasil, Correio Braziliense e Jornal de Brasília.
Nosso estoque do Memórias da Redação continua baixo. Se você tem alguma história de redação interessante para contar mande para [email protected].
Segundo informações de Gabriel Vaquer, do Notícias da TV, a Jovem Pan fez uma reunião com profissionais do Jornalismo para reduzir a quantidade de elogios feitos ao presidente Jair Bolsonaro e também evitar ataques gratuitos a Luiz Inácio Lula da Silva. As decisões teriam sido tomadas pelo receio de sofrer sanções da Lei Eleitoral e até ser tirada do ar.
Na semana passada, em 6/9, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) notificou a Jovem Pan por divulgação de notícias falsas contra Lula e espaço desigual de elogios a Bolsonaro durante a cobertura das campanhas eleitorais. Segundo o Notícias da TV, a chefia de Jornalismo da emissora pediu a compreensão dos profissionais que estão à frente dos programas de maior audiência, como Os Pingos nos Is e 3 em 1. Apesar da reunião ter sido considerada produtiva, ainda há consenso de que, no calor do momento, possa haver exagero por parte de comentaristas.
Segundo fontes do Notícias da TV, alguns oficiais de Justiça foram à sede da emissora, em São Paulo, para entregar a notificação à equipe do programa 3 em 1 por divulgar informações falsas sobre Lula e fazer propaganda sistemática em favor de Bolsonaro. A Justiça Eleitoral afirmou que a Jovem Pan descumpriu regras da cobertura jornalística da Lei Eleitoral ao, por exemplo, não ouvir a versão do PT sobre as informações divulgadas.
“O pedido para tentar uma cobertura mais equilibrada e menos pró-Bolsonaro foi aceito, justamente para se evitar algo pior”, diz o Notícias da TV. “Mesmo assumidamente simpática à direita e ao atual governo, para a Jovem Pan seria vergonhoso ser tirada do ar por causa de uma cobertura parcial na disputa eleitoral”.
Procurada pelo Notícias da TV, a emissora confirmou a reunião com seus jornalistas após a notificação do TSE.