Octavio Guedes, diretor de Redação do Extra, assume cumulativamente o CBN Rio como âncora, na Rádio CBN. Ele participa do programa há quatro anos como comentarista, e ficou conhecido pelo tom informal, bem-humorado e crítico. Aliando isso à experiência jornalística premiada com dois Esso, Octavio pretende apenas, nas suas próprias palavras, “dar notícia relevante e útil”. O CBN Rio era comandado por Lúcia Hippólito, que há um ano se afastou por motivo de doença. Maurício Martins substituiu-a interinamente e agora deixa a casa. A companheira de bancada Lilian Ribeiro continua no posto, assim como a produtora Simone Magno. O programa vai ao ar de 2ª a sábado, das 9h às 12 horas. Guedes conta que sua ligação com o rádio vem desde o tempo em que era repórter. Quando trocou o Jornal do Brasil por O Dia, jornais que tinham leitores com perfis bastante diferentes, passou a ouvir rádio sistematicamente para entender aquela audiência. Em 1998, antes de o Extra entrar em circulação, ele foi chamado para treinar a equipe inaugural. O trabalho do dia começava com todos lendo os jornais e ouvindo o noticiário de rádio, e em seguida discutindo por que algumas notícias iam para o rádio e outras para o jornal, o que era informação e o que era serviço. Já como editor do Extra, participou do programa Debates populares da Rádio Globo, com Lúcia Hippólito e o juiz, hoje ministro do STJ, Luís Felipe Salomão. Havia quatro anos era comentarista do CBN Rio, no quadro Aconteceu e não virou manchete. Acredita que, em sua nova atribuição, o Extra tem a ganhar, pois vai passar as manhãs debatendo as principais notícias do dia.
Luiz Carlos Azenha deixa a direção do Viomundo
Luiz Carlos Azenha voltou atrás na decisão de descontinuar seu blog Viomundo, que havia informado aos seus leitores no último dia 29/3, mas vai se afastar “do compromisso diário de passar de cinco a 10 horas diante de um computador aprovando comentários, traduzindo e publicando textos. Torno-me um repórter voluntário e não remunerado, além de escrever os tradicionais comentários sobre mídia e política”.
Após ser condenado em primeira instância na semana passada (cabe recurso) a indenizar em R$ 30 mil Ali Kamel, diretor de Jornalismo e Esporte da Rede Globo, Azenha mudou de ideia para atender a pedidos dos leitores, principalmente de João Carlos Cassiano Ribeiro, que escreveu a ele via facebook: “Respeito sua decisão e compreendo sua necessidade, mas me sinto um pouco órfão com o fim do Viomundo e triste em ver o jornalista abandonando uma das frentes de trabalho por força da opressão. Choro ao escrever essas palavras pois sei que perdemos um espaço vital para nossa luta. Não sou colaborador e nem costumo interagir com o blog, sou um leitor anônimo e aprendi a observar o seu blog como um filho observa o pai e aprende e se orgulha de estar por perto. Nossa luta não é partidária ou governamental, é pelos mais fracos e pela dignidade humana. Sempre o terei como amigo sem nem o conhecer, pois me orgulho dos meus amigos e me orgulho muito de você!”.
Em post que publicou no Viamundo na 2ª.feira (1º/4), Azenha informa que Conceição Lemes ([email protected]) passa a editora-chefe do site, encarregada também da relação com os 40 mil seguidores no twitter/facebook; e que Leandro Guedes ([email protected]), da agência digital Café Azul, “que há meses já vinha estudando o assunto, adotará um mix de todas as sugestões que nos foram feitas por vocês sobre crowdfunding, além de perseguir eventuais patrocinadores que vocês nos sugerirem; o dinheiro arrecadado com o crowdfunding será todo reinvestido no site e não será utilizado para bancar advogados, dos quais já contamos com os competentíssimos Cesar Kloury, Idibal Pivetta, Airton Soares e um importante escritório de Brasília que ofereceu ajuda solidária”.
Na nota, Azenha informa ainda que passa a aceitar, sempre que compatível com sua agenda profissional, “todos aqueles pedidos de entrevistas de estudantes, palestras em universidades e conferências” e “acima de tudo, passo a me dedicar à área de minha especialidade, que é a produção de vídeos, minidocs e docs”.
Manifestações sobre o episódio Foram diversas as manifestações na internet e nas redes sociais tanto sobre a sentença quanto pela decisão original de Luiz Carlos de suspender o blog, a maioria carregada de opiniões apaixonadas, contra ou a favor – como, aliás, é comum nesse tipo de episódio.
Marcelo Moreira, ex-editor de Economia do Jornal da Tarde, disse: “Até entendo a comoção que cause a condenação do jornalista Luiz Carlos Azenha, em ação movida pelo diretor da Globo Ali Kamel – em especial entre os blogueiros de esquerda independentes e sérios e entre os cooptados e chapas-brancas. O problema é que a questão, por enquanto, é uma contenda pessoal entre dois cidadãos, nada mais. A mesma coisa em relação ao jornalista Rodrigo Vianna, outra ‘vítima’ de Kamel. Os blogueiros escreveram o que quiseram, alguém se sentiu ofendido e foi à Justiça. O que tem demais isso? Ganhar ou perder na Justiça faz parte. Tratar isso como escândalo me parece demais. Ou alguém prova que a decisão judicial foi corrupta e manipulada ou então a questão não passa de uma contenda pessoal. A decisão judicial, em si, me desagradou, pois não havia nenhum indício de que Azenha tenha feito qualquer ‘campanha’ de perseguição. A sentença de primeira instância é simplesmente esdrúxula e Azenha merece a solidariedade, mas sem os exageros típicos de uma parte da esquerda que só sabe bater bumbo. É triste, mas não vejo a mesma energia dessa gente em protestar contra o gravíssimo caso de censura e decisões judiciais perigosas no caso do jornalista Fabio Pannunzio, que está sofrendo um assédio judicial impressionante de um ex-secretário de Segurança de São Paulo, fato que obrigou o jornalista a encerrar temporariamente seu blog interessante. Pannunzio não tem simpatia pelo governo do PSDB em SP, mas também não tem simpatia pelo governo Dilma. Será esse o motivo de ser ignorado por esse pessoal que se ‘escandalizou’ com o caso Azenha? E o que dizer do bombardeio que Juca Kfouri sofreu e sofre de Ricardo Teixeira? Acho um tema interessante para discussões entre os profissionais da área”.
Mais uma indenização – Outro condenado a pagar indenização, mas a José Serra, por danos morais pelo “oportunismo eleitoral do livro A privataria tucana”, é Amaury Ribeiro Jr., que finalizou a obra às vésperas da última eleição presidencial e a lançou pela Geração Editorial (também condenada). O que chama a atenção nesse caso é a sentença do juiz André Pasquale Scavone, da 10ª Vara Cível de São Paulo: ao mesmo tempo em que afirma que “não é este o juízo que vai dizer se os fatos narrados [no livro] são ou não verdadeiros” e reconhece que é “inequívoca a intenção dos réus de atingir a imagem de Serra”, considera “curioso” o fato de a ação ter caráter indenizatório e não de “impedir a venda do material ofensivo” – daí ter fixado a indenização pelo valor “simbólico” de R$ 1 mil. As duas partes vão recorrer.
GloboNews reestreia Conta Corrente com formato mais dinâmico
Marcado originalmente para estrear novo formato em 18/3, o programa Conta Corrente, da GloboNews, vai ao ar com as mudanças na próxima 2ª.feira (8/4), a partir das 21h, que, segundo comunicado da emissora, devem torná-lo mais dinâmico e com linguagem mais clara. Apresentado por Dony De Nuccio – atual editor de Economia do Jornal das Dez –, o programa focará temas relacionados à economia com uma abordagem que facilite a compreensão do telespectador. “Queremos falar de economia sem economês, tudo de uma forma simples, dinâmica e direta”, explica Dony. “Vamos tirar o nó da notícia, explicar o que ela significa e como afeta a vida do telespectador. Transformar em claros e interessantes os assuntos que poderiam parecer chatos ou difíceis. Além disso, vamos incluir no cardápio temáticas úteis para quem assiste: a economia que pode melhorar sua vida profissional e financeira, que pode ajudá-lo a avançar mais rápido na carreira, a juntar mais dinheiro e investir melhor”. O telejornal terá um assunto principal por dia: Mercado de trabalho (às 2as.feiras), Educação financeira (às 3as), Empreendedorismo (4as), Investimentos (5as) e Sucesso e inspiração (6as). O programa também terá entradas nos jornais da Globo News às 10h, 16h e 18 horas. Outra novidade é o lançamento do aplicativo Conta Corrente, disponível para iPhone e Android, que organizará os gastos pessoais do usuário por categorias estabelecidas de acordo com as necessidades de cada um, e ainda alertará quando as despesas forem superiores à programada. Tudo ficará anotado na agenda do aplicativo, que mostrará, mensalmente, gráficos das despesas, rendimentos e investimentos.
Egressos de O Jornal lançam O Dia Alagoas
Jobson Pedrosa, Eliane Pereira e Deraldo Francisco – todos egressos de O Jornal, diário que deixou de circular em dezembro passado – uniram forças e lançaram no início do mês o semanário O Dia Alagoas. Com tiragem de três mil exemplares, o jornal circula com 24 páginas de reportagens especiais, além das colunas de Deraldo – que também assina como diretor-geral –, Roberto Bahia, Jair Barbosa e Roberto Vilanova. Da equipe de O Jornal também vieram os repórteres Iracema Ferro, Luciano Milano, Pedro Barra, Laisa Santa Rosa, Igor Pereira e a estagiária Candice Almeida. Completa o time o estagiário Eduardo Leite. Jobson também lidera, com o Sindicato de Jornalistas de Alagoas (Sindijornal), o grupo de ex-funcionários de O Jornal que está cobrando na Justiça encargos devidos pela empresa: a última parcela da multa rescisória, além de FGTS e INSS – este, de acordo com o repórter, não era pago desde 2007: “Foi descontado do nosso salário, mas não foi repassado para o INSS”. O jornal é vendido a R$ 0,50 em bancas de todo o Estado e em alguns cruzamentos de Maceió. Os contatos são [email protected] e 82-3023-2092. Alexandre Lino – Ex-repórter de Política de O Jornal, Alexandre Lino está na assessoria de Imprensa da Câmara de Vereadores de Maceió. Seus novos contatos são [email protected] e [email protected].
Estadão extingue dois cargos de editor-executivo
Laura Greenhalgh e Luiz Américo Camargo estão em novas funções no Estadão. Ela, de Cultura, passou a atuar como repórter especial e estreará, em data a ser definida, uma coluna quinzenal no Caderno 2, reportando-se diretamente à editora-chefe Cida Damasco. Nesse ínterim, passará 60 dias em Londres, em período de estudos. Luiz Américo, de Publicações, continuará como colunista de Paladar e também atuará como consultor do projeto Paladar em todas as suas frentes, em parceria com a área de Produtos e Projetos, sob a responsabilidade do Ilan Kow, além de se dedicar a empreendimentos pessoais ligados à gastronomia. Os cargos que ocupavam, de editores executivos, foram extintos. No comunicado dirigido à redação, o diretor de Conteúdo, Ricardo Gandour, afirmou que “o movimento se situa no contexto do amadurecimento das equipes e da evolução da carreira dos profissionais, fatores que ao mesmo tempo viabilizam a simplificação da estrutura e a redução de níveis hierárquicos, providências inerentes à permanente gestão de recursos”. Aguardam-se para abril novas mudanças estruturais no jornal, entre elas a transferência da Agência Estado para o espaço da antiga redação do Jornal da Tarde no 6º andar do prédio da empresa, para onde deverá seguir também a editoria de Economia&Negócios, inclusive com o portal de Economia, a fim de formar uma grande redação econômica integrada. Os suplementos semanais, que lá estão atualmente, mudam-se para a redação do Estadão.
Renato Andrade é o novo secretário de Redação da Folha no DF
Renato Andrade, coordenador de Economia da sucursal de O Estado de S. Paulo, Em Brasília, despediu-se no último dia 25/3 e assume a partir desta semana a sucursal da Folha de S. Paulo, em substituição ao secretário de Redação Igor Gielow, que passou a dirigir a publicação em Brasília, no lugar de Melchíades Filho. Por enquanto, o posto de Renato no Estadão permanece vago. Ele estava em sua segunda passagem pelo jornal, onde permaneceu, por último, quatro anos – entrou pela primeira vez em 1996 e voltou em 2009. Ele brinca: “Agora saí do Real Madri para o Barcelona”.
André Chaves assume iG e BRZ Tech
André Chaves foi promovido, na semana passada, a presidente do iG e membro do Conselho Executivo da BRZ Tech, empresa de desenvolvimento de tecnologia (as chamadas “tecnologias disruptivas”). Ele havia sido contratado em outubro de 2012 como vice-presidente de Operações do iG. Tanto iG como BRZ Tech são integralmente controlados pelo grupo Ongoing, que detém ainda 30% da Ejesa, editora dos jornais Brasil Econômico, O Dia e Meia Hora. Juntamente com a Oi, de telefonia, compõem o braço Ongoing TMT (telecomunicações, mídia e tecnologia) no Brasil. O grupo Ongoing, multinacional portuguesa na origem, tem atuação bastante diversificada, constando de seu portfólio empresas nas áreas financeira, de consultoria, mercado imobiliário, infraestrutura e energia. Sua prioridade declarada é o mercado global de língua portuguesa, no qual o Brasil responde por três quartos do volume. A importância dos negócios locais ficou clara no início deste mês (7/3), quando Nuno Vasconcellos, presidente do Conselho de Administração da Ongoing, veio ao Rio de Janeiro para um evento que talvez não justificasse essa movimentação: o lançamento de mais uma página regional do iG (ver J&Cia 887). Sua presença foi saudada pelo governador Sérgio Cabral como demonstração de que “o grupo Ongoing acredita no Estado” e os investimentos no Rio são “uma reintegração dos laços entre Brasil e Portugal”. Na rápida abertura do evento, André Chaves disse, entre outras coisas, que o iG pretende trazer para o Brasil avanços tecnológicos. Ora, se uma empresa de mídia conta, no mesmo grupo, com uma operadora de telecomunicações, isto significa considerável vantagem competitiva. A Oi, da holding Brasil Telecom, é a segunda do País no seu segmento e pertence em 22% à Portugal Telecom, que também faz parte da Ongoing. Ao final do encontro, André Chaves falou a Jornalistas&Cia. Perguntado se a Oi no Brasil pode acompanhar o que há de avanço tecnológico na Portugal Telecom, respondeu: “O tamanho do mercado brasileiro não se compara com o de Portugal. Por exemplo, instalar fibra ótica lá é completamente diferente de atingir todo o território aqui”. Sem dúvida, qualquer inovação tecnológica no Brasil fica muito mais difícil de ser implantada do que em qualquer país da Europa, tanto pela extensão geográfica como pelo tamanho mesmo do mercado. No ano passado, a BRZ Tech foi considerada pelo The Huffington Post como uma das mais inovadoras e com grande potencial de crescimento no mercado de tecnologia mundial. A empresa é a criadora do Realtime Messaging System & Framework. Chaves traduziu essa marca: “É algo que o iG iniciou no Brasil. Está funcionando experimentalmente. Significa o publisher saber, sem o delay comum de dois minutos, quem está lendo o quê, e quando. Isso é importante para organizar a cobertura, os posts – entregar para o leitor o que ele quer, imediatamente, enquanto ele ainda está lendo a notícia”. Interessa saber em que isso amplia a participação do iG, hoje o quinto portal mais acessado do Brasil. Chaves comenta: “O iG não deve necessariamente ser o maior, mas o mais rentável. Vai voltar a ter o perfil de inovação de seu lançamento, tanto editorial como no e-commerce. E aderir à mentalidade das telecoms, como B2B para o mercado. Vamos também prestar serviços para outros veículos, um benchmarking das telecoms, que já fazem isso entre si. A tecnologia tem um motivo: é cada vez mais relevante para o usuário. O que falta é o Brasil se enxergar como protagonista. Nossas empresas, hoje, exportam tecnologia de ponta. Precisamos encontrar nossa vocação, não podemos nos considerar coadjuvantes”. Apesar do pouco tempo de casa, André Chaves parece pronto para suas novas atribuições. Entre elas, a de ser um dos rostos mais visíveis do grupo Ongoing no Brasil.
Memórias da Redação ? O furo
Texto de Plínio Vicente da Silva ([email protected]) ressalta a importância do bom e velho furo de reportagem. O furo Bons tempos aqueles em que a maior glória de qualquer jornalista era dar furo na concorrência. Esse, aliás, não era prazer único daqueles que atuavam nos grandes jornais e nas emissoras de rádio e televisão de ponta da capital, mas também de quem trabalhava em veículos de todos os tamanhos nos mais distantes rincões da Pátria. Muitos foram os que se fizeram jornalistas aprendendo a importância da boa notícia, aquela bem apurada, bem escrita e por isso bem dada. Coisa que nos tempos modernos, o da volúpia de quem abusa das redes sociais e da total ausência de responsabilidade com a informação, parece já não ter a mínima importância. Internet era assunto de visionários, coisa futurista que hibernava nos laboratórios de pesquisa e nas cabeças dos gênios que se dedicavam a uma nova ciência, a informática. As oficinas gráficas mais modernas já haviam substituído os tipos móveis de Gutenberg pela composição a quente, mas nas redações o máximo que se via dessa modernidade era a chegada das novíssimas Olivetti Línea 98, que vieram substituir as mais velhas, como a Lexicon 80, minha companheira de tantos anos. Eu adorava essa pequena notável, pesada, com estrutura de metal – a que, de longe, melhor aguentou o batente pesado das redações. Salete, minha mulher, a chamava de “a outra”, alegando que eu passava mais tempo com a velha máquina do que com a própria esposa. Aqueles não eram tempos fáceis. Em 1978 vivíamos sob o tacão de uma ditadura que fazia jus ao nome, principalmente devido ao controle da informação e à repressão imposta aos informadores que ousavam escrever ou falar com independência. Entretanto, o regime militar já sinalizava no horizonte com a possibilidade de dar início à distensão, o que nós, jornalistas, víamos como uma luz surgindo no fim do túnel. Nessa época eu tocava o Jornal da Cidade, de Jundiaí, depois de suceder a Waldemar Gonçalves na Chefia de Redação, e fazia frilas domingueiros para a Edição de Esportes do falecido JT. Foi nesse tempo que comecei a cultivar um sonho: atravessar o corredor do 6º andar e ir trabalhar na redação do Estadão. O que acabaria fazendo em julho de 1979, convidado para cobrir férias na editoria de Interior, chefiada por Ademar Orichio, um dos melhores amigos que conquistei na minha passagem pelo jornal da família Mesquita. Voltando ao JC, Sandro Vaia, um dos seus criadores, ao dar-lhe vida o transformara numa espécie de clone gráfico do Jornal da Tarde, onde trabalhava. O concorrente – o mesmo de ainda hoje – era o Jornal de Jundiaí, o JJ, e a disputa diária pelo mercado e pela notícia beirava as raias de uma guerra. Quem trabalhava num, odiava o outro. Dificilmente alguém trocava de camisa, foram raros os casos ao longo daqueles tempos. Orgulha-me dizer que foi nas minhas mãos que o diário comandado por Pedro Geraldo Campos e Gustavo Maryssael de Campos passou por uma grande transformação. O projeto que comandei lhe deu as condições necessárias para levar aos seus leitores – os de banca e assinantes – um produto de qualidade bastante aceitável. Como, por exemplo, a implantação de um novo parque gráfico, que entre outras melhorias ganhou uma impressora offset. Com ela, o tempo de rodagem da edição – que nos dias de semana chegava a 20 mil exemplares e a até 30 mil aos domingos – foi reduzido de várias horas para no máximo 40 minutos. Isso nos permitia trabalhar com um fechamento em que o deadline podia avançar até alta madrugada. As mudanças incluíram também a redação, cuja modernização, entretanto, devido ao momento político, não foi além de algumas novidades tecnológicas, pois os computadores eram ainda um sonho distante e pensar livre ainda não era um livre pensar. Entretanto, as matérias eram agora compostas não em linotipos e sim em máquinas eletrônicas IBM, com a incrível capacidade – pasmem!!! – de armazenar até seis mil caracteres na memória. Outra novidade foi a instalação de um telex, que abastecia a redação com o noticiário nacional distribuído pela Agência JB e o internacional, pela Associated Press. Isso permitiu que aposentássemos o rádio-gravador, com o qual capturávamos o Grande Jornal Falado Tupi para podermos “chupar” e copidescar as notícias mais importantes de fora de Jundiaí. Com tamanha folga no deadline, podíamos nos dar ao luxo de fechar a edição altas horas, pois o ganho de tempo com a impressão garantia o compromisso de o jornal ser entregue aos assinantes sempre antes das 5 horas da manhã. Numa dessas madrugadas estávamos à espera de uma matéria sobre jogo do Paulista de Jundiaí, o time de futebol profissional da cidade, que o saudoso Sidney Mazzonni fora cobrir no interior. A foto e um texto de não mais que 20 linhas tapariam o buraco aberto na página 8. Enquanto o repórter não chegava, de vez em quando eu ia ao telex ver se pintara alguma notícia interessante. Mas nada que merecesse reabrir a edição. Na metade da madrugada desse dia, 28 de setembro de 1978, lá pelas 3 e tanto, a notinha de meia linha, carimbada de urgente, me chamou a atenção: “Morreu o papa João Paulo I. Mais informações em instantes”. Instintivamente, chamei José Luiz, o Marrom, secretário-gráfico e clicherista do jornal, e pedi que removesse do past-up a manchete sobre um acidente de trânsito e abrisse espaço para uma nova. Nesse meio tempo Mazzoni chegou, escreveu a matéria de esportes, fechou a 8 e veio me ajudar na mudança da 1ª. Mas o deadline estava no limite, não dava para esperar por muito mais informações e o máximo que fizemos foi uma manchete: “Morre Paulo 1º, papa por um mês”; e sob ela, um olho: “Oriundo de família humilde, o ex-cardeal de Veneza, Albino Luciani, empossado chefe da Igreja Católica, Apostólica, Romana em 26 de agosto passado, nasceu em Forno di Canali em 17 de outubro de 1912. Foi o primeiro papa nascido no século XX e também o primeiro a usar um nome composto”. Naquele dia pude sentir o verdadeiro prazer proporcionado pelo bom jornalismo. Numa época em que o telex e o telefone eram apenas os mais evoluídos ancestrais de meios de comunicação instantâneos dos tempos atuais, como MSN, Twitter e Facebook, furamos o JJ e só isso já era apoteótico. Mas é bem provável também que a manchete do Jornal da Cidade tenha-se transformado num furo nacional. Desmintam-me se estiver errado…
Abril lançará Veja Brasília
A Editora Abril anunciou a publicação, provavelmente na primeira semana de junho, da Veja Brasília, nos mesmos moldes e projetos das já existentes em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. O comando da Redação será de Ricardo Castanho, que já foi repórter e editor de Gastronomia do Guia Quatro Rodas.
Desde o lançamento de Veja BH, em maio de 2012, ele estava à frente do núcleo Veja Cidades, em São Paulo, responsável pelas edições Comer & Beber nas cidades de Porto Alegre, Salvador, Manaus, Goiânia, Belém, Brasília e ABC Paulista.
Com a mudança de Ricardo, a editora Fernanda Guzzo deverá ser promovida à Chefia de Veja Cidades. Vale dizer que Fernanda não tem nenhum parentesco com José Roberto Guzzo, ex-diretor da revista e que hoje é colunista de Exame. A revista também prepara um novo projeto gráfico, que está sendo tocado pela equipe de Arte de Veja São Paulo.
De papo pro ar – Cristo em teste
O paraibano de Umbuzeiro Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, o Chatô, que implantou a televisão no Brasil em 1950 e foi chamado de gênio da raça etc., certa vez foi procurado por um jornalista que lhe pediu emprego como redator de um de seus jornais.
Como teste, Chatô exigiu um texto sobre Jesus Cristo. Ao que o candidato teria perguntado:
– Contra ou a favor?
Diz a lenda que ele ganhou o emprego na hora.
Chatô tem sido tema de sambas de enredo e até de um xaxado do rei baião Luiz Gonzaga, que lá pras tantas diz: Vou chamar dr. Assis/Meu patrão sabe o que diz….







