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Jornal do Commercio e Rádio Tupi reivindicam salários

Profissionais dos Diários Associados no Rio – Jornal do Commercio e Rádio Tupi – pararam o trabalho por uma hora e desceram para a porta da empresa na 2ª feira (11/1) para protestar contra os salários atrasados. Eles receberam 30% do salário de dezembro na semana passada. Não há uma data estabelecida para o restante e para o 13º salário, mas existe a expectativa de que entrem recursos no caixa da empresa mais para o final desta semana, ou na próxima. O Sindicato dos Jornalistas reuniu-se com o presidente Maurício Dinep e divulgou o resultado do encontro: “A perspectiva é pagar […] o 13º apenas se um empréstimo já solicitado ao Banco do Brasil sair, mas isso não seria antes do dia 15”. Uma nova assembleia está marcada para esta 4ª feira (13/1), na sede do Sindicato. Vale lembrar que desde meados de dezembro funcionários dos Diários Associados em Minas (O Estado de Minas e TV Alterosa) vêm fazendo paralisações pelo mesmo motivo.

Audiência pública discutirá modelo de escolha para Conselho da EBC

O Conselho Curador da EBC vai realizar em 27/1, às 14h, no auditório principal do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (rua Genebra, 25), uma audiência pública para discussão do tema Modelo de escolha dos novos e novas integrantes do Conselho.

A atividade pretende debater com a sociedade parâmetros para a próxima consulta pública que escolherá novos membros para substituir cinco conselheiros cujos mandatos se encerram em fevereiro: Claudio Lembo, Heloisa Starling, Ima Vieira, Paulo Derengoski e Wagner Tiso.

Interessados em participar da reunião devem se inscrever pelo [email protected] ou pelos 61-3799-5554 / 5636, informando nome completo, RG e entidade à qual são associados (caso houver). Devem informar ainda se pretendem manifestar-se durante a audiência. Também serão aceitas inscrições no local. As contribuições do público deverão ser feitas preferencialmente de forma antecipada, pelo [email protected].

Durante a audiência, serão garantidas as falas das pessoas inscritas por e-mail e, em não preenchidas todas as inscrições, estas serão reabertas para os demais presentes. A audiência poderá ser acompanhada também pela internet ou pelos perfis do Conselho em twitter e facebook.

Ranking J&Cia dos +Premiados Jornalistas da História ? Região Norte

Lúcio Flávio Pinto segue na ponta e puxa domínio paraense na Região Norte Em um levantamento em que publicações e jornalistas de grandes grupos de comunicação tendem a se destacar, o paraense Lúcio Flávio Pinto é um caso à parte. Fundador e editor do Jornal Pessoal, que conta com o apoio de contribuições e doações para manter seu jornalismo independente, e que traz matérias denunciando os malfeitos na Amazônia, ele conquistou ao longo da carreira respeito, admiração e muitos prêmios. Único brasileiro integrante da lista de Heróis da liberdade da informação, publicada em 2014 pela organização francesa Repórteres sem Fronteiras, segue por mais um ano líder da pesquisa na Região Norte, com 255 pontos. O Pará, aliás, onde nasceu e atua, mantém um amplo domínio no ranking histórico da região, ocupando as cinco primeiras posições. No segundo lugar manteve-se o diretor-geral de O Paraense Ronaldo Brasiliense, com 190 pontos, enquanto o gerente de Jornalismo da rádio O Liberal Celso Freire, jornalista mais premiado do ano na região e 35º no levantamento nacional, saltou da 17ª posição, em 2014, para 3º, em 2015, com 157,5 pontos. Seguem-nos Manoel Dutra (O Liberal) e Ulisses Campbell (A Província do Pará), empatados em quarto com 150 pontos, e Orlando Pedrosa Lima Júnior (TV Amazonas), na sexta colocação, com 140 pontos.

Ranking J&Cia dos +Premiados Jornalistas da História ? Região Nordeste

Demitri Túlio, de O Povo, amplia vantagem na liderança Editor executivo, colunista e repórter especial de O Povo, de Fortaleza, Demitri Túlio segue mais um ano na liderança do Ranking dos Jornalistas Mais Premiados da História – Região Nordeste, com 417,5 pontos. Com a conquista em 2015 do Prêmio BNB – Mídia Impressa e a inclusão dos resultados do Prêmio Petrobras, no qual ele conquistou dois troféus em 2013, ampliou sua vantagem sobre Silvia Bessa, do Diário de Pernambuco, que terminou o levantamento com 365 pontos. Na terceira posição, uma novidade: sexto colocado no último levantamento, o paraibano Wendell Rodrigues da Silva, da Rádio e TV Correio, segue em ascensão, chegando aos 352,5 pontos. Curiosamente, sua chegada ao pódio fez da Região Nordeste a única do Brasil a ter profissionais de três estados diferentes entre os três primeiros colocados. Completam os Top 10 Juliana de Melo Correia e Sá, do Jornal do Commercio/PE, em 4º lugar, com 337,5 pontos; Claudio Ribeiro, de O Povo, em 5º, com 317,5; Ciara Nubia de Carvalho, do Jornal do Commercio/PE, em 6º, com 315; Teresa Maia, do Diário de Pernambuco, em 7º, com 300; Fabiana Moraes, do Jornal do Commercio/PE, em 8º, com 292,5; Maria Inês Calado, também do Jornal do Commercio, em 9ª, com 290; e Vandeck Santiago, do Diário de Pernambuco, fechando a lista na 10ª posição, com 277,5 pontos.

Ranking J&Cia dos +Premiados Jornalistas da História ? Centro-Oeste

Ainda com ampla vantagem, Fernando Rodrigues lidera, mas vê Dimmi Amora reduzir a diferença Em nenhuma outra região a diferença do primeiro para os demais colocados é tão ampla proporcionalmente quanto no Centro-Oeste. Com 517,5 pontos, o colunista e blogueiro de política do UOL Fernando Rodrigues segue liderando, 160 pontos à frente de Dimmi Amora, da Folha de S.Paulo, que termina esta edição do levantamento na segunda posição, com 357,5 pontos. Curiosamente, no ranking histórico nacional, Dimmi está à frente de Fernando, com 675,5 pontos, mas como 300 deles foram conquistados quando ele ainda atuava no Rio de Janeiro, sua pontuação regional é dividida entre Centro-Oeste e Sudeste. Apesar da ampla distância entre os dois, essa diferença já foi bem maior, de 252,5 pontos, conforme registrado na edição do ano passado deste ranking. Quarto mais premiado do ano na região, o editor de Economia do Correio Braziliense Vicente Nunes deu um belo salto na pesquisa, pulando da sexta posição, em 2014, para a terceira em 2015, com 272,5 pontos. Atrás dele estão Ana Beatriz Magno (ex-Correio Braziliense), na quarta posição, com 250; em quinto aparece o correspondente de O Globo no Distrito Federal Vinícius Sassine, com 227,5; empatados na sexta posição, com 225, aparecem Catia Seabra, da Folha de S.Paulo, e Fernando de Castro Lopes, do Correio Braziliense; na oitava posição, com 210, está o repórter fotográfico do Estadão e Jornalista Mais Premiado do Brasil em 2015, Dida Sampaio; ele é seguido por Leandro Colon, da Folha de S.Paulo, na nona colocação, com 195; e Diego Amorim, do Correio Braziliense, fecha os Top 10, com 172,5 pontos.

Ranking J&Cia dos +Premiados Jornalistas da História ? Região Sul

Mauri König supera domínio gaúcho e é o mais premiado da Região Sul Em uma região onde nove dos dez mais premiados da história são gaúchos, terminar em primeiro, à frente de tantos profissionais conceituados é, sem dúvida, um grande feito para o paranaense Mauri König. Com quase toda a sua carreira construída na Gazeta do Povo, de onde se despediu em 2015, ele acumulou 817,5 pontos, que lhe garantiram não apenas a primeira colocação na região, mas também o terceiro posto geral nacional. Ele é seguido de perto por Cid Martins, da Rádio Gaúcha, na segunda colocação, com 782,5 pontos, e por Giovani Grizotti, do Grupo RBS, que ganhou uma posição e termina o levantamento em terceiro na Região Sul, com 682,5 pontos. Completam os Top 10 Carlos Wagner (ex-Zero Hora), em 4º, com 662,5 pontos; Humberto Trezzi (Zero Hora), em 5º, com 495; Nilson Mariano (ex-Zero Hora), em 6º, com 470; Leticia Duarte (Zero Hora), em 7º, com 407,5; Fabio Almeida (RBS TV e Rádio Gaúcha), em 8º, com 370; Carlos Etchichury (Zero Hora), em 9º, com 357,5; e Mario Marcos de Souza (Blog do Mario Marcos), em 10º, com 325 pontos.

Ranking J&Cia dos +Premiados Jornalistas da História ? Região Sudeste

Pódio reúne Miriam Leitão, Caco Barcellos e Eliane Brum O pódio do Ranking J&Cia dos +Premiados Jornalistas da História – Região Sudeste tem apenas uma mudança em relação ao pódio nacional: a troca de lugares entre Caco Barcellos e Eliane Brum, ele agora em 2º e ela em 3º, com Miriam Leitão em primeiro. Com seus 1.005 pontos, atualizados nesta edição da pesquisa, Miriam abriu uma vantagem de mais de 200 sobre o repórter especial e apresentador da TV Globo, que termina o ano mais uma vez na segunda posição, com 787,5 pontos. À frente de Caco no levantamento nacional, Eliane aparece na 3ª posição no regional, com 750 pontos. É que 155 dos 905 pontos acumulados pelos prêmios que conquistou foram pelo Zero Hora, quando trabalhava em Porto Alegre, estando vinculados ao ranking da Região Sul. O mesmo acontece, aliás, com o próprio Caco, mas numa escala bem menor: dos pontos que acumulou, 25 referem-se a premiações obtidas no Rio Grande do Sul, no início de carreira. Na quarta colocação, com 722,5 pontos, aparece João Antonio Barros, de O Dia; em quinto, com 662,5 pontos, outro gaúcho com carreira construída na Região Sudeste, o repórter da TV Globo Marcelo Canellas; na sexta, com 600, vem Clovis Rossi, da Folha de S.Paulo. Nas sétima e oitava posições estão dois dos nomes que mais subiram no ranking: o repórter e apresentador da GloboNews André Trigueiro (570 pontos), que em 2014 ocupava a 13ª posição; e o repórter fotográfico de O Globo Domingos Peixoto (560 pontos), 18º no ano passado. Completam os Top 10 Gilberto Dimenstein (Catraca Livre), com 545 pontos, e Monica Bergamo (Folha de S.Paulo e BandNews FM), com 492,5 pontos.

Os +Premiados Jornalistas Brasileiros da História nas cinco regiões do País

Os campeões são Miriam Leitão (Sudeste), Mauri König (Sul), Fernando Rodrigues (Centro-Oeste), Demitri Túlio (Nordeste) e Lúcio Flávio Pinto (Norte) O novo Ranking J&Cia debruça-se esta semana sobre Os +Premiados Jornalistas Brasileiros da História nas cinco regiões brasileiras.

Os campeões de cada uma das regiões já haviam se destacado no ranking nacional, publicado na semana passada, entre os 250 jornalistas mais premiados da história: Miriam Leitão, no Sudeste, com 1.005 pontos; Mauri König, no Sul, com 817,5; Fernando Rodrigues, no Centro-Oeste, com 517,5; Demitri Túlio, no Nordeste, com 417,5; e Lúcio Flávio Pinto, no Norte, com 255 pontos.

Coordenado pelo editor Fernando Soares, o ranking histórico regional traz, entre os Top 10 das cinco regiões, várias novidades em relação a 2014, caso, por exemplo, da ascensão excepcional de André Trigueiro e Domingos Peixoto no Sudeste. Veja quem são os mais premiados da história em cada região: + Centro-Oeste + Nordeste + Norte + Sudeste + Sul

Record e O Globo ganham o Prêmio Rei da Espanha

A reportagem Kalungas: As eternas escravas, realizada pelo programa Repórter Record Investigação, da Rede Record, e a série de fotos de Márcia Foletto sobre a pobreza no Rio de Janeiro para a matéria Os miseráveis, publicada em O Globo, venceram nessa 3ª.feira (12/1), em Madri, respectivamente, as categorias Televisão e Fotografia do Prêmio Rei da Espanha. Promoção da agência de notícias EFE e da Agência Espanhola de Cooperação Internacional, o concurso dará a ambos seis mil euros (cerca de R$ 26 mil) e uma escultura em bronze do artista Joaquín Vaquero Turcios. A reportagem da Record – que levantou documentos exclusivos e investigou a exploração e tortura de crianças descendentes de escravos de um quilombo, a 320 km de Brasília – já havia vencido, no ano passado, o Prêmio ExxonMobil (ex-Esso) de Telejornalismo e o 32º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo. A equipe do programa é formada pelo apresentador Domingos Meirelles, o repórter Lúcio Sturm, o editor Marcelo Magalhães, o editor executivo Gustavo Costa, o cinegrafista Michel Mendes, o auxiliar Valmir Leite, o editor de pós-produção Caio Laronga, a finalizadora Natália Florentino e os sonoplastas Rafael Ramos e Julio Cesar. Além dos brasileiros, foram contemplados o peruano e Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa (Prêmio Dom Quixote), a portuguesa Catarina Gomes (Imprensa), o uruguaio Jerónimo Giorgi Boero (Jornalismo Digital), os bolivianos Abdel Padilla Vargas e José Luis Mendoza (Rádio), os colombianos Santiago Cárdenas Herrera e Manuel Saldarriaga Quintero (Jornalismo Ambiental) e o espanhol Carlos Herrera (Prêmio Ibero-americano de Jornalismo, que voltou a ser concedido este ano).

O adeus a Célia Chaim

Morreu nessa 3ª.feira (12/1), em São Paulo, aos 64 anos, Célia Chaim, considerada por todos os que a conheceram como uma das mais competentes, dedicadas e éticas profissionais do jornalismo brasileiro. Ela travava desde o final dos anos 1990 uma batalha contra um câncer no cérebro, que a fez passar por diversas cirurgias e ficar internada por longos períodos

Segundo José Trajano, com quem foi casada e teve seu filho mais novo, Pedro, de 22 anos, ela estava em casa, passou mal, foi levada ao hospital, mas teve duas paradas respiratórias e faleceu por volta das 20 horas. O corpo foi cremado na Vila Alpina na tarde desta 4ª.feira (13/1). Célia deixa outro filho, Bruno, de 33 anos, do casamento com Marco Antonio Antunes.

Natural de Avaré, no interior de São Paulo, Célia graduou-se em Jornalismo pela Cásper Libero e trabalhou na maioria dos principais veículos da imprensa brasileira. Começou como repórter do extinto DCI, foi chefe de Redação do Jornal do Brasil, no Rio, repórter especial da Folha de São Paulo e coordenadora de Economia em O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde. Também teve passagens por IstoÉ, IstoÉ Dinheiro, Gazeta Mercantil, Exame e Valor Econômico.

Segundo Cley Scholz, quando Hélio Campos Mello era editor-chefe da IstoÉ, citou-a em editorial por uma reportagem especial sobre o Dia do Trabalho: “Profissional brilhante, no sentido mais amplo da palavra, ela própria é um raro exemplo de persistência e resistência. Célia nasceu em Avaré, interior paulista, fez jornalismo na Cásper Líbero em São Paulo e já passou pelas melhores publicações do Brasil. Se sua especialidade atual é economia, sua preocupação maior é o ser humano, o que a leva muito além dos números e das estatísticas”.

Sobre ela, Eduardo Ribeiro, diretor de J&Cia e deste Portal dos Jornalistas, escreveu o texto que vai a seguir:

“Estrela de luz Somos privilegiados. Fomos o último veículo em que Célia Chaim trabalhou. E o fez até enquanto sua capacidade física e intelectual permitiu. Com liberdade total, como ela sempre gostou. E que texto, meu Deus!! Foram dez edições de nosso projeto especial J&Cia Entrevista, em que Célia viajou pelo mundo de vários amigos, todos famosos em nosso meio, mas que para ela eram simples mortais, humildes seres humanos.

Para nós, cada uma das dez edições foi única. Eram quadros de um jornalismo poético, emoldurados e afixados em nosso espírito, em nossa mente, em nosso modo de ver e fazer um jornalismo de qualidade, com arte, liberdade, criatividade e ousadia – como ela gostava. A doença? Ora, a doença… Ela que esperasse. Nem a falta de um olho, que o câncer agressivo no cérebro subtraiu, nem as dificuldades de fala e movimento a impediram de a cada mês entregar uma joia jornalística para nossos leitores. De início, com regularidade.

Mais ao final, já em 2010, sem a mesma regularidade, mas com a mesma qualidade de sempre. Até que não deu mais para ela, pois já sem autonomia e com a saúde muito debilitada não teve mais condições de seguir trabalhando, ainda que esporadicamente. E, para nós, o ciclo também se fechou. Sem ela, o projeto não tinha mais sentido. Quem encontrar para escrever daquele jeito sublime, solto, coloquial, criativo, que dava bronca nas fontes em pleno texto, como foi o caso de Hebe Camargo, que não a atendeu para falar de sua amizade com Faustão, o último dos personagens que ela desenhou em palavras? Assim foi também com os demais perfilados que escolhemos a quatro mãos: Zuenir Ventura, Tostão, Lillian Witte Fibe, Reali Jr., Eleonora de Lucena, Ancelmo Gois, Eliane Brum, Ricardo Kotscho e Evandro Teixeira.

Célia era incrível. Quando menos esperávamos, lá aparecia ela com um bolo e alguns salgadinhos, que trazia para a equipe, na redação da Vila Mariana, onde então estava o Jornalistas&Cia. E ali ficava a prosear, a contar os bastidores da apuração e da pesquisa que fazia. Se o personagem era difícil, mais ela vibrava e ia até o fim. Só mesmo ela para conseguir fazer um perfil do craque Tostão, arredio como ninguém à exposição.

Mas era amiga dele, que era amigo de seu marido José Trajano. Cedeu aos seus encantos e argumentos e acabou dando um belo perfil. Foi tomar um chá da tarde com Eliane Brum e ali ficaram horas tricotando, falando da admiração que ambas tinham entre si. Uma conversa, como ela nos contou, emocionante do começo ao fim, que resultou num texto maravilhoso, digno de um prêmio Esso, que nunca veio.

Convidei-a para pilotar esse projeto porque achei que tinha a cara dela. E tinha. E ela de pronto disse isso. E foi um estímulo para que continuasse a lutar contra a doença e pela vida, pelos dois filhos que sempre amou e para os quais se dedicava com todas as suas forças, Bruno, de seu primeiro casamento, com Marco Antonio Antunes, e Pedro, de seu matrimônio com José Trajano. E pensa que falava em dinheiro? Nunca quis falar, nunca questionou, nunca pediu absolutamente nada, embora tivéssemos garantido ao menos um pagamento decente – mas muito longe do que ela merecia – dentro de nossa capacidade de pequena empresa.

E antes? Sim, porque Célia tem uma história pessoal comigo praticamente desde comecei no jornalismo, nos anos 1970. Quando ela ainda estava no Shopping News, jornal dominical que era distribuído de graça em São Paulo nas décadas de 1960 e 1970, com grande sucesso, fizemos um curso de criatividade em redação juntos, que também contou com as participações da saudosa Cida Taiar e de Beth Caló, ambas na época no mesmo jornal. Foram alguns meses com uma professora da USP, em que dávamos asas à imaginação, na busca de construir textos criativos, interessantes, atraentes. Não sei se fui um bom aluno, mas quanto a Célia…

Basta ler sua produção jornalística para se certificar. E continuamos juntos e separados, professando crenças políticas semelhantes, um olhar de mundo muito parecido, militância sindical em tempo quase integral, até que nasceu o Moagem, coluna criada por José Hamilton Ribeiro no jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, que assumi desde o início.

A partir daí, Célia virou fonte permanente de informação para mim, qualquer que fosse a redação em que estivesse. Semana sim, semana não, eu ligava para ela no JT, na Folha, no JB, na IstoÉ, na IstoÉ Dinheiro, no Valor Econômico, atrás de notícias, que nunca eram negadas, mesmo as mais cabeludas, que poderiam lhe trazer dissabores no trabalho. Era uma defensora da transparência, da verdade, da independência jornalística e, estivesse onde estivesse, lutava por esses princípios diuturnamente. Veio a doença e pude acompanhar, ainda que à distância, o drama que se instalou em sua vida.

O câncer detectado, o tratamento iniciado, as sequelas que viriam com a doença, a dificuldade de continuar trabalhando numa redação de hardnews, mas nunca a vi entregar os pontos. Falava da doença e dos problemas com absoluta naturalidade, sem se exasperar, sem maldizer o destino. E não abria a guarda quanto aos valores que trouxe do interior, na dura vida de infância, que lhe emoldurou o caráter. De nossa parte, a ela só gratidão. Conviver com Célia Chaim foi uma benção, uma alegria e um privilégio. Sua luz certamente nos acompanhará eternamente.

Em tempo: Em homenagem a ela, vamos veicular novamente, a partir desta 5ª.feira (14/1), as dez edições de J&Cia Entrevista, uma a cada semana.

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