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quinta-feira, dezembro 2, 2021

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O adeus a Luis Humberto Pereira

Luis Humberto Pereira / Foto: Zuleika Souza (divulgação)
Luiz Humberto Pereira / Foto: Zuleika Souza (divulgação)

Morreu em 12/2, aos 86 anos, Luis Humberto Pereira, um dos mais renomados repórteres fotográficos do País. Ele estava internado no Hospital DF-Star desde dezembro em decorrência de complicações geradas por um linfoma no sistema nervoso central.

Um dos fundadores do Instituto de Artes da UnB, Luis Humberto registrou com maestria tanto a arquitetura como a vida política da Capital da República. Chegou a Brasília em 1961, com a então mulher, Eloá, que veio transferida da Câmara dos Deputados no Rio de Janeiro para a nova capital. Formado em Arquitetura e funcionário do Ministério da Educação, Luis Humberto foi trabalhar nos projetos de construção do campus da UnB. Ali, registrando a flora local, começou os primeiros cliques que o levariam a empenhar-se em registrar a arquitetura e a política que permeiam o Planalto Central.

Em 1965, com a ditadura, juntou-se a outros professores da UnB e pediu demissão do cargo de professor, por não se alinhar à linha dura do então reitor Laerte Ramos de Carvalho. Foi trabalhar como repórter fotográfico para veículos como Veja, Visão, Realidade, IstoÉ e Jornal do Brasil. Com seu olhar instigante, crítico e muitas vezes carregado de ironia, registrou de forma única e inusitada a rotina do poder instalado entre os militares.

Nos anos 1980, deixou as redações para retornar ao magistério, na Faculdade de Comunicação da UnB, onde formou várias gerações e tornou-se referência no ensino da fotografia. Publicou os livros Fotografia: Universos & arrabaldes (1983); Brasília, sonho do Império, capital da República (1981); e Do lado de dentro de minha porta, do lado de fora de minha janela (2007).

Nos últimos anos, afetado pelo Parkinson, passou a registrar o ambiente ao redor a partir da perspectiva da cadeira de rodas. “Comecei a fotografar, a olhar as coisas de outra maneira, descobrir coisas, trabalhar num universo de dimensões menores, o que não desqualifica, mas faz você mergulhar em outra escala de coisas. Você vai descobrindo coisas que têm um certo encanto, é um jogo”, revelou ao Correio Braziliense. A trajetória de vida dele também foi contada no documentário Luis Humberto: O olhar possível.

Com velório restrito a familiares, por causa da pandemia, o corpo do fotógrafo foi enterrado no Cemitério Campo da Esperança. Foi vestido com a camisa do Fluminense e teve no caixão a bandeira do time do coração.

Algumas despedidas

“Luis Humberto Pereira é o filósofo das práticas e respectivas reflexões. Os processos de descobertas, partindo do universo particular de cada um, sempre foram sua maior aposta, seja para seu olhar pessoal seja para instigar outros olhares”, disse o fotógrafo e ex-aluno Rinaldo Morelli.

“Luis praticamente fundou o movimento da fotografia na capital. Primeiro, como professor, e depois como militante da fotografia na imprensa. Ele tem um apuro tal, com relação às artes fotográficas, que é uma referência quando se trata de fotografia artística. Ele era uma espécie de líder de todos os companheiros que estavam no batente, especialmente na época da ditadura”, disse o cineasta Vladimir Carvalho, também professor da UnB e seu amigo pessoal.

“Luis Humberto, para mim, foi como um irmão: nós convivemos, lutamos juntos dentro da mesma trincheira, à época da resistência à ditadura. Acho que ele transmite o espaço imenso de Brasília e a figura humana presente neste espaço. São imagens que ficaram célebres”, afirmou José Carlos Coutinho, amigo arquiteto e professor da UnB.

* Por Katia Moraes, correspondente de Jornalistas&Cia no Rio de Janeiro

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