Morre, aos 98 anos, Harold Burson, pioneiro das Relações Públicas

Harold Burson

Cofundador da Burson-Marsteller (atual BCW) e nomeado em 1999 a pessoa mais influente no mercado de Relações Públicas no mundo, Harold Burson faleceu em 10/1, aos 98 anos, em Memphis, cidade norte-americana onde nasceu e na qual morava. Segundo Donna Imperato, CEO da BCW, o executivo continuava ativo no mercado e vinha trabalhando três dias por semana até o final de 2019, quando sofreu uma fratura no quadril. Ele deixa dois filhos e cinco netos.

Em 1953, fundou uma das maiores agências de comunicação do mundo. A empresa foi vendida para a agência de publicidade Young & Rubicam em 1979, e comprada pela WPP em 2000. Em 2018, foi incorporada à Cohn & Wolf na BCW.

Veterano da II Guerra, trabalhou como repórter para a American Forces Network e foi designado para cobrir os julgamentos de Nuremberg após o término do conflito, incluindo o de Hermann Göring.

Ao longo de sua lendária carreira como líder de PR, assessorou numerosos CEOs e o ex-presidente norte-americano Ronald Reagan. Em 2017, publicou o livro The Business of Persuasion, em que conta parte de sua trajetória e dá dicas sobre gerenciamento de negócios e aconselhamento a clientes.

O Portal dos Jornalistas pediu a Francisco Carvalho, que por 12 anos comandou a Burson-Marsteller no Brasil e hoje atua com sua própria consultoria, a FC2, para resumir a trajetória de mais de 40 anos da agência no País. Segue a colaboração dele:

História de pioneirismo e muitos aprendizados

A Burson-Marsteller abriu seu escritório em São Paulo (o primeiro da rede na América Latina) em dezembro de 1976.  Nesses 43 anos de história no Brasil, a agência sempre foi um exemplo de liderança e ética nas práticas de relações públicas, formando profissionais talentosos, lançando tendências e contribuindo para o desenvolvimento do setor. Seus cases para empresas líderes em diversos segmentos, principalmente os de gerenciamento de crises, sempre foram referência de estudo nas faculdades de relações públicas.

Minha história na Burson-Marsteller Brasil divide-se em dois momentos distintos. O primeiro aconteceu em 1988, quando decidi interromper minha carreira no jornalismo para aprender a disciplina de relações públicas. Na época, a Burson liderava um mercado ainda pequeno, mas muito promissor. Lembro de alguns poucos concorrentes, como Hill & Knowlton, AAB (Ogilvy & Mather), LVBA e Inform. O presidente era Luís Carlos Andrade, que ficou na posição por mais de uma década, como primeiro brasileiro na liderança da agência. Antes dele, a Burson foi dirigida pelos americanos Paul Adams e, em seguida, por Paul Pasternak. Depois do Luís Andrade, a agência teve como presidentes os jornalistas João Fortunato e, na sequência, o saudoso Sidnei Basile. E no final da década de 1990 passou a ser comandada por Ramiro Prudencio, que se transferiu para o Brasil depois de alguns anos dirigindo a Burson do Chile.

O meu segundo e mais longo período na Burson começou no final de 2005, quando voltei para a agência, desta vez na posição de presidente, em substituição a Ramiro, que se transferiu para a Burson Miami. Durante o período de 12 anos em que a dirigi tive a felicidade e o orgulho de trabalhar com profissionais muito competentes, que me ajudaram a expandir os negócios, a abrir escritórios no Rio de Janeiro e em Brasília, e a ampliar do portfólio de práticas, incluindo Digital e Public Affairs. Graças ao trabalho de uma equipe talentosa, o escritório brasileiro tornou-se um dos cinco maiores da Burson-Marsteller no mundo e ganhou mais reconhecimento em termos de competividade, eficiência operacional e criatividade. Em 2007, comemoramos 30 anos de atividades no País com a visita inesquecível do próprio Harold Burson, que se encontrou com os colaboradores, clientes e representantes da mídia.

Em 2017, fui convidado para assumir como CEO da Burson-Marsteller na América Latina, novamente em substituição a Ramiro, que fora promovido ao cargo de CEO para Europa, Oriente Médio e África. No meu lugar, na liderança do Brasil, assumiu Patrícia Ávila, que ocupava o cargo de COO e estava sendo preparada havia alguns anos para ser minha sucessora. Com a decisão da WPP de fundir a Burson-Marsteller com a Cohn & Wolfe, em 2018, a agência passou a se chamar BCW (Burson Cohn & Wolfe), dando início a um novo capítulo na sua história de pioneirismo e inovação.

Eu me desliguei da BCW em março do ano passado, com a sensação do dever cumprido e a firme decisão de abrir minha própria consultoria em gestão de reputação, focada em poucos clientes que possam dispor mais do meu tempo e da minha energia. No entanto, como os colegas bursonianos sempre gostam de enfatizar, “once a Burson person, always a Burson person”. Seja qual for o meu futuro profissional, eu sempre me pautarei pelos princípios de integridade ensinados pelo guru Harold Burson, procurando honrar o legado do mestre.

Harold Burson e Francisco Carvalho na sede da empresa, em Nova York

Frases de Harold Burson:

“Comunicação é apenas uma parte da atividade de Relações Públicas. A parte mais importante é influenciar o comportamento dos clientes para que eles ajam da forma correta, conciliando os seus interesses de negócio com o interesse público.”

“Todas as instituições têm a obrigação de se justificarem perante o público a que servem, o que significa que o sucesso da maioria das empresas depende de relações públicas.”

“As percepções representam um papel fundamental no sucesso ou na falência de um negócio. Percepções são reais e podem ser gerenciadas para motivar comportamentos e criar resultados positivos.”

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