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quinta-feira, fevereiro 22, 2024

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Jornalistas criam grupo contra assédio no jornalismo esportivo

Um grupo de mais de 50 jornalistas lançou em 25/3 a campanha #DeixaElaTrabalhar. A primeira ação do conjunto foi a divulgação nas redes sociais de um vídeo com um manifesto. A iniciativa é uma ofensiva contra os recorrentes casos de machismo e assédio dentro do universo do jornalismo esportivo, e teve como gancho dois episódios ocorridos em março.

No dia 11, um torcedor do Internacional gritou “Sai daqui, puta” e empurrou a repórter da Rádio Gaúcha Renata Medeiros, que cobria o clássico Gre-Nal. Três dias depois, um torcedor do Vasco tentou beijar Bruna Dealtry, repórter do Esporte Interativo, que fazia a cobertura do time carioca no jogo contra o Universidad do Chile, pela Libertadores. No dia do lançamento da campanha, outro caso: a jornalista Kelly Costa, da RBS TV, foi ofendida por um torcedor do São José-RS, que enfrentava o Brasil de Pelotas pelo campeonato gaúcho.

Segundo a diretora da Abraji Gabriela Moreira, que é uma das integrantes do grupo e já passou por situação parecida, os episódios são recorrentes e não partem somente dos torcedores. “Já teve repórter ouvindo de treinador que ‘mulher não entende de futebol’, e já teve um procurador do Tribunal de Justiça Desportiva falando que ‘ia explicar para as mulheres que não sabem o tamanho da trave’ em um julgamento”, explica.

O grupo pretende realizar ações práticas para combater o assédio e a violência contra as jornalistas, uma vez que o artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva determina punições para atletas e membros de comissões técnicas, assim como para clubes dos quais torcedores vierem a “praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”. Foi esse mesmo artigo que acarretou na eliminação do Grêmio da Copa do Brasil em 2014, após a torcida do clube gaúcho ofender o goleiro Aranha com xingamentos racistas.

Para Moreira, as redações também são ambientes machistas. Por isso, o grupo também pretende agir dentro dos veículos de comunicação, promovendo a discussão do tema e a criação de canais internos para que as jornalistas possam denunciar casos de machismo.

Segundo o relatório Mulheres no Jornalismo Brasileiro, feito pela Abraji e pela Gênero e Número, em parceria com o Google News Lab, 83,6% das jornalistas que responderam a pesquisa já sofreram algum tipo de violência psicológica, 65,7% já tiveram sua competência questionada e 64% já sofreram abuso de poder de chefes ou fontes.

* Com informações da Abraji

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