Entidades solidarizam-se com William Bonner e Renata Vasconcellos, intimados a depor pela Polícia do Rio

Entidades defensoras do jornalismo prestaram solidariedade aos apresentadores do Jornal Nacional (Globo) William Bonner e Renata Vasconcellos, intimados a prestar depoimento à Polícia do Rio de Janeiro por suposto crime de desobediência a decisão judicial. O inquérito refere-se a publicações sobre o esquema de “rachadinhas” envolvendo o gabinete do senador Flávio Bolsonaro quando era deputado estadual.

Em setembro, a Justiça do Rio já havia imposto censura prévia a uma reportagem que mostrava documentos relacionados ao caso, impedindo a “divulgação informações e exposição do andamento do processo investigativo criminal”. Em novembro, o Jornal Nacional mostrou uma decisão do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) de pedir à Justiça para que Flávio Bolsonaro perca o cargo quando condenado. No dia seguinte à reportagem, a defesa do senador abriu o inquérito.

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) escreveu que “considera as decisões dos magistrados e do ministro censura prévia, uma flagrante violação aos direitos humanos e à liberdade de imprensa. A censura é inaceitável em democracias, sobretudo quando o alvo da cobertura jornalística é uma pessoa pública cujo mandato foi outorgado pelo voto, o que lhe traz a obrigação de prestar contas à sociedade. Tampouco o fato de o processo correr sob sigilo é impedimento para a realização de reportagens a seu respeito, conforme entendimento do próprio STF”.

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) manifestou espanto pelo fato de “terem sido Bonner e Renata os convocados a depor, e não Flávio Bolsonaro. (…) Nossa indignação vem do fato de que, uma vez mais, se tenta intimidar a imprensa e calar sua voz, num claro atropelo à Constituição”.

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