BuzzFeed denuncia assédio na Globo Condé Nast

Em reportagem publicada em 28/8, o BuzzFeed News reuniu uma série de casos de assédio e humilhações ocorridas na redação da Edições Globo Condé Nast.

Daniela Falcão

As denúncias tem como alvo Daniela Falcão, diretora-geral da joint venture entre o Grupo Globo e a editora internacional Condé Nast, responsável pela publicação no Brasil das revistas Vogue, Glamour, GQ e Casa Vogue.

O texto é de Chico Felitti, que recentemente postou um relato nas redes sociais sobre uma contribuição editorial que fez para a Glamour em 2019 e só depois publicada descobriu tratar-se de conteúdo publicitário. Segundo Chico, após as criticas viralizarem, ele passou a ser procurado por ex-funcionários com os relatos de assédio que deram origem a reportagem atual.

No total, ele ouviu entre julho e agosto 27 pessoas que passaram pelo grupo e relataram uma cultura tóxica arraigada na editora. Feliti destaca em trecho da reportagem: “Conhecida por sua ética de trabalho incansável, seu perfeccionismo implacável e estilo de microgestão, Daniela Falcão é principal responsável pela cultura trabalhista da Globo Condé Nast, disseram os ex-funcionários ouvidos pelo BuzzFeed News, e mais de um deles a comparou à editora que ganhou vida na interpretação de Meryl Streep no filme O Diabo Veste Prada (2006)”,.

Entre as principais denúncias, estão situações de abuso, gritos e xingamentos, muitas vezes durante jornadas de 24 horas ininterruptas de trabalho, além de casos recorrentes de colaboradores que tinham de assumir funções profissionais que fugiam aos seus contratos sem receber nada por isso.

Mônica Salgado

Dentre os entrevistados, destaque para o relato de Mônica Salgado, que chegou a ser redatora-chefe da Vogue e lançou em 2012 a versão brasileira da revista Glamour. Ela dirigiu a revista por cinco anos, até se desligar da Globo Condé Nast, em março de 2017, um ano após passar a se reportar a Daniela Falcão.

A jornalista fez coro a reclamação de outros entrevistados, que alegaram que denúncias à diretoria do grupo ou ao RH eram inúteis. “Já houve profissional de RH chorando comigo em sua sala, confessando se sentir impotente e injustiçada tanto quanto nós, que recorríamos ao departamento em busca de ajuda”, explicou Salgado.

Segundo o BuzzFed News, tanto as Edições Globo Condé Nast, quanto Daniela Falcão foram procuradas para comentar as alegações. Os contatos foram feitos por e-mail, WhatsApp e telefone, e, após os primeiros contatos, a empresa pediu datas específicas das alegações dos ex-funcionários ouvidos pela reportagem, a fim de verificá-las.

As informações foram enviadas pela reportagem, mas o grupo não respondeu a nenhuma das alegações específicas de abuso. Em nota, a empresa afirmou apenas que não tolea comportamentos abusivos ou qualquer forma de assédio em suas equipes e que há um canal de Ouvidoria para o recebimento de denúncias e uma área de Compliance independente.

A empresa, porém, não negou nem confirmou as alegações de abuso e preferiu não responder a alegações específicas, já Daniela Falcão preferiu não se manifestar publicamente.

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