TV Gazeta de SP demite 80, entre eles 30 jornalistas

Parte dos demitidos e dos que ficaram confraternizam na rua, com o prédio da Gazeta ao fundo: “Noiz tá sorrindo assim mas precisa de emprego, tá?”

Decisão praticamente extingue o Departamento de Jornalismo da emissora

O que o mercado paulista comentava já há algum tempo acabou se confirmando: na manhã de 5/11 a Fundação Cásper Líbero, mantenedora da TV Gazeta de São Paulo, demitiu 80 funcionários, entre eles 30 jornalistas, o que reduziu ao mínimo as atividades da área. A entidade justificou a medida como necessária para “equalizar suas despesas à realidade das receitas do momento” (ver mais adiante). Com isso, saíram o diretor Dácio Nitrini, há nove anos no posto, editores, produtores, repórteres, apresentadores e comentaristas, além de pessoal técnico e administrativo. Permaneceram apenas 14 profissionais.

Especula-se qual teria sido o papel da Igreja Universal no episódio. Sabe-se que a receita que ela injetava na Gazeta com a compra de horários na grade subsidiava o Jornalismo. O contrato venceu no final de setembro, o que tecnicamente extinguiu a fonte de recursos. Mas em 1º/11, sem aviso prévio, ela voltou a ocupar os mesmos horários de antes: das 6h às 7h e das 20h às 22 horas. Os valores dessa negociação não são conhecidos.

Segundo J&Cia apurou, além de Dácio, saíram o chefe de Redação Wagner Kotsura, o editor-chefe Sérgio Galvão, a chefe de produção e reportagem Juliana Kunc Dantas, as produtoras Laísa Dall’Agnol e Paula Forster, a estagiária de produção Isabela Gomes, os editores de texto Rodrigo Rodrigues, Gabriela Forte, Ione Veloso, Aline Alhadas, Regiane Stella Jouclas e Marcelle Sansão, a responsável por rede Suellen Fontoura,  os repórteres Vinícius Marra, Sabrina Pires, Carla Rodeiro e Mariana D’Angelo (que havia saído do Departamento de Mídias Sociais da Fundação e conseguiu voltar), os apresentadores Gabriel Cruz, Stella Gontijo e Rodolpho Gamberini (que estava em Paris), os produtores de switcher Paulo Camilo Silva e Natália Gallego, e os comentaristas Vinícius Torres Freire, João Batista Natali, José Nêummanne Pinto, Denise Campos de Toledo, Bob Fernandes e Joseval Peixoto, recentemente contratado. Caio Canavieira e Bárbara Fava não haviam sido demitidos, mas decidiram sair, o que permitiu a readmissão de dois dos que haviam sido cortados.

Permanecem na emissora a editora executiva Valeska Stanczik, a subchefe de reportagem Lígia Neves (readmitida), os produtores Igor Franca (readmitido) e Caroline Machado, o estagiário de produção Fernando Oda, os editores de texto Rodrigo Oliveira e Kátia Gonzaga, o produtor de switcher Felipe, os apresentadores Luciana Magalhães, Mariana Armentano e Tássia Sena, os repórteres Luciano Penteado e Fernanda Azevedo, e o comentarista em Brasília Josias de Souza.

Procurada por J&Cia, a Fundação Cásper Líbero limitou-se a enviar uma nota informando que “está promovendo uma reestruturação interna, com o objetivo de equalizar suas despesas à realidade das receitas do momento e, com isso, preservar seu equilíbrio financeiro e manter os resultados econômicos administráveis. Essa reestruturação tem foco prioritário na TV Gazeta, devido à situação macroeconômica, cujos efeitos têm atingido continuamente o setor de comunicações, com uma forte retração no mercado publicitário”. E prossegue: “O impacto dessa decisão na TV Gazeta inclui a redução substancial da Central de Jornalismo, área que demanda subsídio majoritário da Fundação Cásper Líbero, incompatível com as possibilidades do momento, além de outras reduções em pessoal, colaboradores e contratos de terceiros. Na programação, serão cancelados os boletins jornalísticos exibidos durante os programas femininos e o Jornal da Gazeta Edição das Dez. A TV Gazeta informa que seus planos são incrementar a produção de jornalismo o mais breve possível, tão logo a situação econômica permita, com o devido apoio do mercado publicitário”.

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