Prêmio Vladimir Herzog exclui foto por violação de direitos de imagem de indígenas

O júri do 42º Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos excluiu dos finalistas da categoria Fotojornalismo o trabalho Culturas em Conflito, do fotógrafo Joédson Alves (Agência EFE). O motivo foi uma reclamação formal da Hutukara Associação Yanomami (HAY), que alegou que a fotografia viola o direito de imagem dos indígenas retratados.

A foto mostra uma mulher Yanomami com uma máscara de proteção contra o coronavírus nas mãos. A imagem foi distribuída por representantes do governo e viralizou nas redes sociais.

Dario Vitório Kopenawa Yanomami, vice-presidente da HAY, envio um vídeo aos organizadores do Prêmio Vladimir Herzog, no qual declarou: “Eu não gosto do uso da imagem Yanomami no processo de concorrência de premiação de direitos humanos. Somos contra. Queremos a revogação dessa premiação porque não fomos consultados, não autorizamos. Em primeiro lugar, respeite a cultura yanomami. […] Hoje em dia, nós temos protocolo de consulta Yanomami e Ye’kwana”.

Em entrevista à LatAm Journalism Review, Joédson disse que “a desclassificação me colocou numa posição de violador dos direitos humanos, à qual me recuso a ser designado. Eu era os olhos da sociedade sobre a violação do governo, isso sim, aos povos indígenas. A foto foi inscrita num concurso sobre defesa dos direitos humanos porque julguei que a imagem fazia exatamente isso: onde estão os direitos humanos daquelas pessoas quando o máximo que o poder público acha que elas merecem é uma máscara simples, que não atende a protocolos de certificação, e que não pode ser usada por aquele grupo?”.

A foto foi tirada em julho, durante uma missão médica das Forças Armadas numa aldeia em Roraima. Vale destacar que, logo depois da missão, lideranças Yanomami já haviam reclamado por não terem sido consultadas sobre a viagem e a atuação dos profissionais de imprensa.

Alves também afirmou que “o representante que havia no local apenas pediu para evitar as crianças, no que prontamente acatei. Estava fazendo meu trabalho devidamente identificado, testado negativo para Covid (inclusive ultraprotegido com macacão, luvas, máscara certificada), à luz do dia, na frente de todos, num grupo grande de jornalistas e repórteres de imagem que fizeram as mesmas cenas que presenciei”. (Veja+)

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