Paulo Campo Grande conta como foi acompanhar a criação da Toro 

Na disputa pelo furo de reportagem e pelas revelações de segredos automotivos, centenas de jornalistas do setor, representando um número cada vez maior de publicações especializadas, lutam a cada dia para ter acesso antecipado ao que ainda está por vir no mercado.

Acostumado a ser um entre tantos a batalhar pela informação em primeira mão, o editor de testes da Quatro Rodas Paulo Campo Grande viu-se em uma situação inusitada nos últimos meses: teve o privilégio de acompanhar durante um ano e meio cada etapa do nascimento da Toro, nova picape da Fiat. O resultado pode ser conferido na reportagem Como nasceu a Toro, que chegou às bancas na edição de abril da revista.

“A ideia era antiga”, conta Paulo. “Sempre falávamos sobre conseguir acompanhar o desenvolvimento de um automóvel diretamente da fábrica, mas as marcas não costumam nem querer ouvir esse tipo de proposta. A Fiat sempre foi um pouco mais aberta, mas ainda assim nunca havia aprovado nossa sugestão. Em 2010 até conseguimos acompanhar o desenvolvimento do design do Uno, mas era um modelo que já estava pronto e que o mercado conhecia. Dessa vez, com a informação de que o carro estava sendo projetado, fiz novamente a sugestão para a Elisa Sarti [N. da R.: assessora de imprensa da Fiat], que levou o tema à Diretoria de Comunicação. Eles gostaram da ideia e seguiram adiante com a proposta, chegando inclusive à direção da Fiat na Itália”.

Pauta aprovada, começou um grande jogo de segredos. Além de Paulo, apenas o redator-chefe Zeca Chaves e o então diretor de Redação Sergio Gwercman sabiam da pauta e das inúmeras idas do editor para as fábricas da Fiat em Betim e Goiana, e para a pista de testes no interior de São Paulo.

“Muitas vezes tive que me esconder de gente tirando foto dos carros camuflados que acabei dirigindo”, comenta. “Foi um período bastante curioso e engraçado para nós, dentro da Redação”, lembra Zeca. “Sempre que rolava algum furo da Toro, não podíamos deixar o Paulo escrever ou sequer ajudar o pessoal da equipe”.

Para manter o segredo, a fábrica só permitiu que as fotos fossem feitas por fotógrafo próprio deles, e que só fossem entregues após o lançamento. O projeto como um todo durou 30 meses, e foi dividido em oito fases, das quais Paulo acompanhou a partir da terceira, um ano após o início da concepção do carro: “Foi uma experiência muito legal. Já sou veterano e vi muita coisa, mas estar no olho do furacão foi totalmente diferente. Superou tudo o que eu já havia feito. No fim, acabei fazendo parte do segredo de fábrica”.