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domingo, fevereiro 28, 2021

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Pandemia: bolha de confiança estourou, com recuo para a imprensa e avanços para as corporações

Por Luciana Gurgel, especial para o J&Cia

Luciana Gurgel

No início da crise do coronavírus, no ano passado, uma pesquisa da agência Edelman em 11 países (Brasil não incluído) divulgada em maio apontou que a confiança do público nos quatro setores que vêm sendo pesquisados há 20 anos pelo Edelman Trust Barometer havia atingido os recordes históricos.

Mas a edição 2021, que acaba de ser publicada, mostra que o resultado era uma bolha, cujo estouro, embora tenha feito os índices dos quatro setores caírem nos últimos seis meses, foi desastroso para os governos, que sofreram as maiores perdas no período, e péssimo para a mídia e para as ONGs, que perderam mais do que tinham ganhado na fase inicial.

O setor empresarial foi o que menos perdeu nos últimos seis meses e teve ótimas notícias: além de reassumir a liderança como o mais confiável, que havia perdido para os governos, foi o único considerado competente e ético pelas mais de 33 mil pessoas em 27 países entrevistadas em outubro e novembro de 2020.

Efeito residual ao fim de um ano é positivo para empresas e governos

No retrato divulgado em maio, tomando por base 11 países, as urgências médicas, econômicas e sociais tinham feito a confiança nos governos subir 11 pontos em poucos meses, chegando a 65 numa escala até 100. Pela primeira vez em 20 anos, os governos foram vistos como o setor mais confiável. Considerando-se a queda de 8 pontos nos últimos seis meses, o resultado manteve-se positivo (+3) ao final de um ano, assim como o do setor empresarial (+1).

Com a queda de 6 pontos que apresentaram nos últimos seis meses, tanto as ONGs (-2) como a mídia (-1) retrocederam em relação a janeiro de 2020 no ranking dos 11 países comparáveis.

No retrato de 27 países, resultado da mídia melhora

Quando se observa o retrato de janeiro deste ano em 27 países (Brasil incluído), o efeito bolha do meio da pandemia não é captado. As posições permaneceram inalteradas em relação a janeiro passado, com o setor empresarial mantendo-se na liderança e as ONGs sem terem perdido a segunda posição. Os governos aparecem em terceiro e a mídia em último.

Assim como no ranking dos 11 países comparáveis, ao fim de um ano os índices do setor empresarial (+2) e dos governos (+3) avançaram. A confiança nas ONGs também retrocedeu (-1), mas a diferença é que a confiança na mídia avançou 2 pontos.

Percepção de competência e ética não andaram juntas

A pesquisa com os dados dos 27 países também mostra que o setor empresarial foi o único visto como competente e ético, aparecendo como líder em competência e o segundo mais ético. A liderança em ética permanece com as ONGs, que no entanto tiveram resultado negativo em competência. A mídia aparece com resultados negativos em ética (embora tenha melhorado) e em competência. As piores avaliações nos dois atributos foram as dos governos.

A confiança dos funcionários em seus empregadores é um dos pilares da performance das corporações. O Brasil aparece com o oitavo maior escore nesse quesito (79%) dentre os 27 países pesquisados. CEOs estão em segundo lugar (63%) como os líderes mais confiáveis na amostra global, atrás apenas dos cientistas (73%).

A liderança do setor, associada ao declínio da confiança no governo, faz aumentar as expectativas quanto à atuação dos CEOs: 86% dos respondentes acham que eles devem se posicionar sobre desafios sociais e 68% esperam que se envolvam quando governos não resolverem os problemas.

O valor da comunicação interna na crise do coronavírus

Adicionalmente, o declínio da confiança nas notícias veiculadas pela imprensa, que na nova pesquisa atingiu seu mais baixo índice na série histórica, também faz com que mais da metade dos respondentes (53%) acredite que quando a imprensa não cumpre o papel de informar cabe às corporações preencher o vácuo.

As informações recebidas da empresa foram vistas como as mais confiáveis por 61% dos entrevistados, à frente dos comunicados dos governos (58%) e de reportagens com fontes identificadas (57%). As mídias sociais lideram em desconfiança: um em cada quatro dos respondentes (24%) disse não acreditar em informações recebidas somente por elas.

O acesso a informações de qualidade foi considerado pelo público como o fator mais importante para reforçar a confiança entre funcionários e empresas. Uma boa comunicação interna emergiu como a segunda maior expectativa relatada por eles, atrás apenas da garantia de manter os funcionários seguros.

Por outro lado, a crise fez com que 50% dos respondentes tenham se mostrado mais propensos do que há um ano a se manifestarem contra atos da gerência dos quais discordem ou a se engajarem em manifestações no trabalho.

As tendências apresentadas pela pesquisa aumentam os desafios, as responsabilidades e a importância cada vez mais estratégica das áreas de comunicação corporativa no novo normal que emerge da pandemia.

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