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quarta-feira, abril 8, 2026

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Sidney Rezende deixa a EBC

Laerte Rímoli é o novo diretor-presidente da empresa Menos de um mês após ser anunciada sua contratação, Sidney Rezende não é mais apresentador da Rádio Nacional. De acordo com o Comunique-se, o contrato do jornalista com a EBC foi suspenso, e a última edição do Nacional Brasil – programa que ele liderava – foi ao ar em 20 de maio. O motivo seria uma decisão do presidente interino Michel Temer de contenção de gastos. Logo após sua chegada à empresa, o valor do contrato de Sidney – que chegaria a R$ 1 milhão – teria sido motivo de burburinho nos bastidores da empresa e causado indignação de funcionários. Em 14/5, Sidney publicou um texto sobre o tema em seu site, dando detalhes de sua contratação e atribuições. “O que você lerá aqui é um esclarecimento sobre os detalhes da minha contratação pela EBC”, inicia o texto, que ainda questiona as publicações de Estadão (que relatava o protesto de funcionários pela contratação) e O Globo (intitulada Com dívida de R$ 22 milhões, EBC pagará a jornalista R$ 507 mil) à época. Novo diretor-presidente Além da dispensa dos serviços de Rezende, Temer divulgou em 20/5, por meio do Diário Oficial da União, a nomeação de Laerte Rímoli, então assessor na Câmara dos Deputados, como novo diretor-presidente da EBC, função até a semana passada de Ricardo Melo, que recorreu ao STF para continuar na gestão da empresa. Em nota publicada pela Agência Brasil, Rímoli aponta como preocupação da nova direção valorizar os funcionários do quadro permanente da empresa, de modo a que as três diretorias – de Jornalismo, Engenharia, e Administração, Finanças e Pessoas – serão ocupadas por servidores da EBC. O novo presidente disse ainda, de acordo com a nota, que buscará cumprir a regra, estipulada pelo Acordo Coletivo de Trabalho da EBC, de destinar 70% de todos os cargos de chefia para empregados concursados. Formado pela Universidade Federal de Goiás, o Rímoli foi diretor regional da TV Globo, no Rio de Janeiro, e chefe da Assessoria de Comunicação Social do Ministério do Esporte e do Turismo durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Também coordenou a comunicação da campanha presidencial do candidato Aécio Neves em 2014 e, recentemente, trabalhou na Secretaria de Comunicação Social da Câmara dos Deputados, durante a gestão do presidente afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Bob Garfield encerrará o Congresso Abraji 2016

O jornalista Bob Garfield, que há 15 anos comanda o programa On The Media na WNYC (filial da NPR, rádio pública dos Estados Unidos, em Nova York) encerrará o Congresso da Abraji de 2016 tentando responder à pergunta: O que vem depois da crise da imprensa?. Em seu programa semanal, apresentado também por Brooke Gladstone, Garfield faz uma análise crítica de como a imprensa dos Estados Unidos cobre grandes temas de atualidade. On The Media, no entanto, não é só sobre o conteúdo dos jornais: o jornalismo como modelo de negócio frequentemente entra em discussão. É nesse programa que as estratégias das grandes empresas para voltarem a operar no azul são discutidas, bem como a interferência cada vez maior das redes sociais nos hábitos de consumo de noticiário. Garfield é autor do livro The Chaos Scenario (2007), em que analisa o colapso da mídia de massa e da publicidade. As previsões apocalíticas que ele fez no livro sobre a economia da mídia na era digital acabaram por se tornar realidade. Como palestrante, já passou por mais de 37 países em seis continentes. No Congresso Abraji, Bob encerra também a viagem que ele e sua equipe farão pelo Brasil. Durante uma semana, junto à produtora Alana Casanova-Burgess, tentará entender as crises sanitárias, políticas e econômicas que o País atravessa e o papel que o jornalismo brasileiro tem desempenhado em meio ao caos. Outra participação confirmada para o congresso é a de Caco Barcellos. Repórter referência da TV Globo, onde está à frente do Profissão Repórter, Caco falará sobre os dez anos do programa. Sua sessão será às 9h do dia 25 de junho. Para inovar, a edição deste ano do congresso também apostará na Abraji Talks, versão inspirada no modelo TED Talks. No dia 24/6, às 16 horas, quatro jornalistas – Conrado Corsalette (Nexo), Laura Diniz (Jota), Leandro Demori (Medium Brasil) e Mariana Castro (F451) – exporão em breves palestras os desafios da inovação no jornalismo e as dificuldades da sustentabilidade de novos projetos. Seguem abertas as inscrições para o congresso, que tem o apoio deste Portal dos Jornalistas e do Jornalistas&Cia.

Oportunidade de bolsa para participação de congresso na Alemanha

Jornalistas e blogueiros com pelo menos três anos de experiência podem inscrever-se até 31/7 para uma bolsa de participação na Conferência da Falling Walls Foundation – plataforma para líderes em ciência, administração, política, arte e sociedade –, nos dias 8 e 9/11, em Berlim. A bolsa cobrirá despesas de viagem, três noites de hospedagem, taxas da conferência e alimentação. Os selecionados também terão acesso às iniciativas Falling Walls Lab e Falling Walls Venture. Em 2015, o jornalista brasileiro Carlos Henrique Fioravante, da revista Pesquisa, foi contemplado com a bolsa. A Falling Walls Foundation é patrocinada pelo Ministério da Educação e Pesquisa alemão, com o apoio de outras entidades. 

Maurício Stycer lança Adeus, controle remoto nesta segunda-feira

Mauricio Stycer lança esta noite em São Paulo Adeus, controle remoto, seu primeiro livro sobre televisão. A sessão de autógrafos será a partir das 19h, na Blooks Livraria do Shopping Frei Caneca (rua Frei Caneca, 569). A obra traz um panorama abrangente, apresentando a visão do autor sobre a transformação nas formas de produzir e consumir televisão, e explicando porque a tevê nunca mais será a mesma.

Embrapa de Reportagem também tem edição de 2016 suspensa

Antes mesmo de confirmada a interrupção do Prêmio Esso em 2016, anunciada em primeira mão em 18/5, outra tradicional iniciativa já havia divulgado ao mercado a suspensão de suas atividades neste ano. Em sua 14ª edição, o Prêmio Embrapa de Reportagem chegou a abrir inscrições em outubro do ano passado, mas por causa de cortes no orçamento e indefinições na estrutura atual do Governo Federal, os organizadores se viram obrigados a suspender a realização do prêmio em 2016. Segundo a assessoria de comunicação da entidade, a previsão é que a premiação volte já no ano que vem, e reabra inscrições em outubro. Com isso, a temática deste ano (Defesa da agropecuária) e os trabalhos já inscritos seguem valendo para 2017. Concedido a profissionais de jornal, revista, tevê, rádio e internet, o Prêmio Embrapa distribuiu no ano passado R$ 15 mil aos vencedores de cada categoria. 

Cycle World Brasil chega ao fim

Durou pouco menos de três anos a experiência de publicar no Brasil uma edição local da norte-americana Cycle World: a revista deixa de circular a partir de junho. Projeto anunciado em maio de 2013 pela Editora Escala, e que chegou às bancas em setembro do mesmo ano, a Cycle World Brasil apostou nos moldes que até então garantiam o sucesso de outra publicação da casa, a Car and Driver (marca internacional também licenciada no País pela Escala). Com estrutura enxuta, mesclava produção local de reportagens com material internacional cedido pela edição norte-americana, e apostava em pautas menos convencionais. “Sabíamos que se chegássemos com a mesma abordagem das publicações mais tradicionais nossas chances seriam mínimas. Por isso, desde o princípio, assim como na Car and Driver, procuramos sempre pensar e escrever ‘fora da caixinha’”, explica o diretor de Redação do Núcleo Motor da Escala Luiz Guerrero. “Para se ter uma ideia, na edição de estreia fizemos um comparativo entre uma Honda Pop, modelo de muito sucesso no Nordeste, e um jegue. A ideia era mostrar como essa moto estava acabando com o uso do jegue no sertão”. A abordagem rendeu à revista algumas conquistas importantes, entre elas o Prêmio Abraciclo 2015, na categoria Impresso, com a reportagem Uma rua chamada General Osório, de Moisés Rabinovici. Foram publicadas 32 edições, mas os altos custos dos royalties, fixados em dólar, tornaram a operação deficitária nos últimos meses. O baixo volume de vendas, em torno de cinco mil exemplares mensais, também contribuiu para o fim prematuro da revista. Vale lembrar que a Cycle World existe desde 1962 nos Estados Unidos, onde é editada pela Bonnier International Magazines. Com a decisão, o chefe de Arte Demetrios Cardozo foi realocado na Escala Educacional, enquanto o editor Ícaro Bedani deixou a casa. Ele, a propósito, deve começar nesta segunda-feira (23/5) na assessoria de imprensa de uma marca automotiva, ainda a ser confirmada. Na revista desde o final de 2014, Ícaro passou anteriormente por Jornal do Carro (Estadão), Car and Driver, iCarros e revista Carro. Além deles, integravam o time o próprio Guerrero, que segue à frente das revistas Car and Driver e Auto Fácil, além de freelances.

A Capa publica galeria de primeiras páginas sobre o impeachment

Dezenove designers e ilustradores do País foram desafiados por A Capa para produzirem suas capas de jornal dos sonhos, com absoluta liberdade de criação, sobre o lendário dia 12 de maio de 2016, em que se abriu o processo de impeachment contra Dilma Rousseff. “Todo designer e jornalista visual sempre quis publicar uma ‘capa dos sonhos’, mas o espaço nem sempre existe nas mídias tradicionais”, explica em nota Renata Maneschy, responsável pelo convite aos profissionais. “Foi a oportunidade para todos realizarem suas ideias sem limites e em cima de um tema tão forte que é o impeachment”. Participaram a própria Renata e Gil Dicelli, Fábio Nienow, Ary Moraes, Alexandre Lucas, Toni D’Agostino, Cláudio Duarte, Luiz Iria, Fabio Salles, Claudio Prudente, Jorge Braga, André Hippert, Vitor Iwasso, William Mur, Sandro Mesquita, Crystian Cruz, Christiano Mascaro, Guilhes Damian e Daniel Chaves. A galeria está disponível no facebook.

Ian Borges deixa a Diretoria de Comunicação da L?Oréal

Ian Borges, que há oito anos dirige as áreas de Comunicação e Digital da Divisão de Produtos de Consumo da L’Oréal Brasil, deixará o posto em 25/5 para, como ele mesmo diz, seguir carreira de empreendedor e escrever a sua própria história: “Vou me associar ao Ricardo Semler para ajudar organizações e líderes a mudarem seu mindset e comportamento através de uma metodologia de gestão mais democrática e colaborativa. Vamos tentar desenvolver o próximo ‘Uber’ da transformação organizacional”.

Aos cinco anos, JR News mantém foco em isenção e interatividade

Primeiro telejornal multiplataforma da tevê aberta no Brasil, o Jornal da Record News completa cinco anos na próxima segunda-feira (23/5) com um desenho bem diferente em relação ao modelo original mas mantendo os pressupostos básicos de quando foi criado. Segundo Ailton Nasser, diretor de Redação e de Programação da Record News (que já incorporou definitivamente ao nome o apelido Mineiro), o telejornal segue com linha editorial que busca isenção, imparcialidade e interesse público, mas tem como diferencial a forte interatividade, principalmente nas redes sociais: no ar de segunda a sexta-feira, a partir das 21h, simultaneamente na tevê (aberta e paga) e na internet, tem suas reuniões de pauta das 16h transmitidas pelo Facebook e pelo Periscope (Twitter), usa sonoras e vídeos feitos com WhatsApp e mensagens dos telespectadores ao vivo, encaminhadas via mobile. “De janeiro a abril o JR News acumulou 8,6 milhões de telespectadores em todas as suas edições, segundo dados do Painel Nacional de Televisão do Kantar Ibope”, diz Mineiro. “Mas a audiência é bem maior, pois estamos também na internet, na parabólica, na Record Internacional e na Record News Internacional, com boa penetração em países de Europa e África”. O JR News também se diferencia dos outros telejornais por ter abandonado a tradicional bancada, dando mais mobilidade ao apresentador Heródoto Barbeiro, e por seguir uma linha que mescla hardnews e análises e interpretações dos três principais fatos do dia. “Todos os dias temos dois ou três convidados em entrevistas monotemáticas, contra e a favor, para explicar as questões mais importantes, em blocos de oito minutos na tevê e de 12 na internet, sem apologia religiosa”, ressalta Heródoto. Mineiro afirma que isso é essencial para manter o equilíbrio da cobertura e dar ao telespectador a oportunidade de formar o seu próprio juízo sobre os assuntos: “Como muitos dos fatos já foram noticiados ao longo do dia, procuramos debater ao menos os principais”. Outra peculiaridade do JR News é o fato de sempre apresentar um número musical no encerramento. “É uma forma de descontrair, depois de assuntos muitas vezes polêmicos e pesados, e incentivar a cultura do nosso País. Recebemos tanto talentos iniciantes como músicos e cantores renomados”. Os canais para sintonizar a Record News nas tevês abertas e por assinatura estão listados no Portal R7. Estrutura – Segundo Mineiro, a Record News dispõe hoje de 40 jornalistas próprios e em afiliadas, de um total de mais de cem funcionários: “Uma equipe enxuta, mas que dá conta do recado. E usamos também a estrutura da Record, como na cobertura do impeachment, além das tevês públicas (Câmara, Senado e Justiça). Tivemos que fazer um ajuste em 2012, mas aos poucos estamos voltando a crescer. Devemos começar a transmitir em HD até o início de junho. Já teríamos feito isso se não fosse a crise. E aguardamos com ansiedade a conversão para o sinal digital, pois ele acabará com as diferenças entre VHF e UHF. Nossa audiência seria muito maior em São Paulo se transmitíssemos em VHF”. Festa de aniversário – Para comemorar o aniversário, o JR News promove em São Paulo na próxima quarta-feira (25/5), a partir das 17h, um talk show na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Com entrada gratuita, o evento, sob o comando de Heródoto Barbeiro, terá convidados especiais para falar sobre os Rumos do Brasil: os comentaristas do JRN Ricardo Kotscho, Nirlando Beirão (que falarão de política) e Richard Rytenband (economia e negócios), a editora-chefe Maria das Neves, o diretor Ailton Mineiro Nasser e o diretor de Conteúdo do R7 Luiz Pimentel. Haverá também apresentação da banda Tihuana.

A reinvenção do jornalista ? #6 Jornalismo no Path

São Paulo recebeu em 14 e 15 de maio passados a quarta edição do Festival Path. Criado por O Panda Criativo, o evento aborda inovação e criatividade e é destinado “a todos os que querem inovar a forma de pensar e agir”, em diferentes áreas de atuação. O Panda Criativo – fundado por Fábio Seixas e Rafael Vettori – é uma plataforma para criar, promover e gerir iniciativas que usam a criatividade como ferramenta para transformar a sociedade. De formato múltiplo, o festival valeu-se de palestras, shows, filmes, exposição de arte, feiras de startups, maker de robótica e gastronomia distribuídos no que a organização batizou como a Cidade Path, uma ocupação pelo bairro de Pinheiros: Instituto Tomie Ohtake, Estúdio, praça dos Omaguás, Centro Cultural Rio Verde e arredores (identificados com bandeirolas) fizeram parte do circuito, estimulando os cerca de dez mil participantes a explorarem a pé aquela parte da cidade. E o jornalismo também estava lá. Não só com o patrocínio de mídia de mais de uma dúzia de empresas do ramo – entre elas Globo, Trip, UOL, ESPN e F451 – nem com a presença de uma penca de profissionais, entre palestrantes, participantes e quem cobria o evento. Mas com discussões sobre plataformas, influência digital, comunicação de guerrilha social, storytelling, documentários, branded content… De todas as sessões, destaco uma em especial, que nos diz respeito diretamente. Em É possível reinventar o mercado da notícia, Bruno Torturra (Fluxo) e Camilo Rocha (Nexo), mediados por Renata Simões, contaram sobre as experiências que vivenciam nas iniciativas de que participam, convidando o público a uma reflexão coletiva sobre o fazer jornalístico. Caminho tecnológico: streaming e tevê interativa Bruno Torturra foi o primeiro profissional no Brasil a fazer uma transmissão via streaming. Foi em 2011, logo após a marcha da maconha ter sido duramente reprimida. A ideia da transmissão veio de supetão, como ele conta: “O streaming que a gente fez foi por acaso (sou meio gago, muito tímido de falar, nunca tinha feito nada parecido). O Rafael Losso, então na MTV, estava trazendo o Live Stream pra cá e me fez a proposta de transmitir a marcha para a minha conta, já que o ensejo era de que a imprensa estaria fazendo um cobertura porca daquela repressão. Foram seis horas e meia de streaming, ao vivo”. A repercussão dessa longa transmissão foi tão importante que resultou, em seguida, numa decisão do STF liberando a realização de marchas em favor da maconha. “Só quando cheguei em casa foi que vi que o streaming tinha sido assistido por 90 mil pessoas, o que representa um ponto no Ibope. Um escândalo, já que a gente não tinha um veículo”, disse Bruno. E relatou: “Naquele momento caiu uma ficha enorme na minha cabeça. Eu estava há onze anos na revista Trip, no impresso. Sentia de alguma forma que a relevância do que a gente fazia estava sumindo. Era mais ‘vi a sua matéria’, do que ‘li a sua matéria’. Nós já estávamos num ecossistema de comunicação diferente, e o jornalismo estava pronto para usar esse ecossistema de outra forma. Foi isso o que eu comecei a explorar”. Na sequência dessa “luz” vieram a PósTV (rede nacional, descentralizada e experimental de streaming) e o Mídia Ninja, em 2012, coletivo que ganhou expressão nacional e internacional durante os protestos de junho de 2013. No final desse mesmo ano, Torturra afastou-se do Mídia Ninja para criar o Estúdio Fluxo, espaço no centro de São Paulo em que repórteres, cinegrafistas, fotógrafos, editores e artistas podem explorar novas possibilidades para o jornalismo – e que em breve será esmiuçado nesta coluna. De acordo com Bruno, transformação maior acontecerá quando a tevê fundir-se completamente com a internet: “A tendência é de o laptop desaparecer, as pessoas ficarem só com o smartphone, com uma tela pequena, e a outra tela ser a tevê, que vai juntar tudo – um conteúdo digital bom para ver na tevê. Isso eu acho que vai mudar completamente, vai ser a grande quebra dos veículos de comunicação ‘tevê’”. Editorial: vício do furo vs. jornalismo explicativo “Jornalismo explicativo é uma palavra que está na moda. Parece meio besta, porque jornalismo ter que explicar as coisas é pleonasmo”, comentou Camilo Rocha. “O jornalismo explicativo, porém, acabou por ter um sabor de novidade porque a gente vive num overload de notícias sem contexto, sem explicação. Todo mundo produz informação, desde veículos tradicionais até os menores. E cada pessoa, no facebook, é uma espécie de editor. No meio disso tudo, existe uma demanda por entender um pouco melhor, ir uma camada além. Dar o que chamamos no Nexo de salto interpretativo”. Bruno complementou: “O furo virou um vício meio burro. Qual é o sentido do furo clássico? Quando saía no papel, o concorrente só divulgaria no dia seguinte, e isso tinha um valor comercial enorme. Hoje, com a mídia pulverizada, perde o sentido. Mais valor se agrega com a análise daquele fato dentro um contexto”. Trazer mais elementos e dados para o debate é o que Camilo aponta como tendência: “Há demanda para isso. As pessoas querem falar com mais propriedade sobre as coisas, argumentar melhor, sair do nível raso de debate. O hardnews alimenta discussões rasas quando fica aquela desova de fatos e informações”. Para Bruno, entender algo dentro de uma visão de sistema é a coisa mais valiosa no contexto de hiperinformação e hiperconectividade: “Isso que é capaz de criar valor dentro do ruído, tem valor para quem ler, para quem está em busca do próprio sentido do jornalismo, que é qualificar a conversa pública. Para mim, é o novo furo”. Pensador editorial de programação “Eu me questionava muito”, prosseguiu. “Como é o que o profissional da informação está em falência na era da informação? Até que caiu a ficha: a gente não é mais o profissional da informação. A virada é justamente essa: informação, a partir da era da informação, não é mais notícia. É bit. O bit é a informação. A programação é o projeto editorial”. “Quando você cria um aplicativo para cumprir a função do jornalismo, ele se cumpre melhor na era da informação, porque vira um projeto editorial. A migração para o jornalismo digital foi feita nos últimos 20 anos com o jornalista achando que ele tem o monopólio do que é a informação. Ele não se viu como um pensador editorial de programação, mas só de forma, de audiência, de venda de espaço”. E não é isso. O jornalista da era digital precisa estar disposto a analisar com cuidado, empacotar da melhor forma possível (em texto, áudio, vídeo, foto, desenho…) e entregar da forma mais eficiente. Dá trabalho, mas há de valer a pena.

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