Gustavo Faleiros assumiu em novembro como editor de investigações ambientais no Pulitzer Center, em São Paulo, onde coordena a Rainforest Investigations Network, rede de jornalistas investigativos em Amazônia, Congo e Sudeste Asiático. Segundo ele, dez bolsistas serão selecionados para receber salários por todo um ano e produzir reportagens investigativas, e os meios de comunicação que os apoiarem também vão receber recursos financeiros na produção das matérias, seja em viagens ou fotografias.
Gustavo era editor do site InfoAmazonia, que fundou em 2012 e é dedicado à cobertura da região com o uso de jornalismo de dados. Antes, teve passagens, entre outros, por Valor Econômico, O Eco e Centro Knight. Com a saída dele, Juliana Mori, ex-editora do Fantástico, também cofundadora do InfoAmazonia, assume a edição do conteúdo. Na parte de dados e tecnologia, o InfoAmazonia conta com Stefano Wrobleski, ex-Repórter Brasil, que recentemente trabalhou em projetos dados da Abraji
Apesar do ânimo com o início da vacinação contra a Covid-19 no Reino Unido, o coronavírus ainda nos assombrará por um bom tempo. A crise nem chegou ao fim, mas as sequelas já se fazem sentir. Por outro lado, nem todas as previsões catastróficas se confirmaram.
Houve perdas no jornalismo. Títulos sumiram, muita gente ficou sem o emprego, a vida ou teve o equilíbrio emocional abalado. Mas a ideia de que a pandemia geraria uma “carnificina”, feita pelo Financial Times em junho, pode ter sido excessiva.
Ao produzirmos o segundo capítulo do especial examinando os efeitos da pandemia sobre o jornalismo global, que circula nesta quinta-feira (10/12), encontramos exemplos de veículos − tradicionais e independentes − que se fortaleceram, aceleraram a marcha para o online e começam a recontratar.
Jornalistas se reinventaram criando seus próprios canais. Uma ex-repórter de polícia fez história na Nova Zelândia ao comprar a empresa em que era CEO, a Stuff, para evitar sua falência.
Isso não reduz o tamanho do impacto, que vai além das fronteiras das redações e da área comercial das empresas. O legado mais importante que a crise pode deixar é seu efeito sobre a confiança na imprensa e nas mídias sociais como fontes de informação.
O Instituto Reuters para Estudos do Jornalismopublicou um documento analisando pesquisas realizadas ao longo dos últimos anos e a opinião recente de 82 profissionais de vários países, incluindo brasileiros. Concluiu que há uma erosão mundial na confiança nas notícias, maior em algumas nações, como Brasil e Reino Unido.
Nos primeiros meses da pandemia, acesso e confiança dispararam, em uma corrida por notícia confiável. As mídias sociais declinaram como fonte segura.
Era um mundo em choque, tendendo a permanecer unido. Movimentos recentes − negacionistas da Covid, anti-vacina, teorias conspiratórias − que avançam pelas mídias sociais emergem como ameaças reais à confiança no jornalismo.
Muitos fazem questão de atacar a imprensa, até fisicamente, conclamando seguidores a não acreditarem na grande mídia. E assim tornam mais difícil para o público distinguir o que é confiável.
O relatório global Digital News, publicado pelo Instituto no início do ano, cobrindo 40 países, apontava que menos de quatro (38%) em cada dez pessoas diziam normalmente confiar na maioria das notícias a que tinham acesso. E agora, qual seria o resultado?
Vamos torcer para que sejam melhores, porque, como salienta o trabalho, “uma das principais premissas encontradas é a de que a confiança não é uma preocupação abstrata, mas sim parte das bases sociais do jornalismo como profissão, da notícia como instituição, e da mídia como negócio”.
Uma prévia: no Reino Unido, o Reuters apurou que o percentual de pessoas que não consumiam notícias sobre a Covid e que não confiaria nelas mesmo que as consumisse havia crescido de 6% no início da pandemia para 15% no final de agosto.
Não adianta só culpar os políticos ou os lunáticos que propagam fake news. O Instituto ressalta que, embora grande parte do público culpe plataformas digitais e autoridades como origem da desinformação, uma parcela também identifica os jornalistas como fontes de informações falsas. Errada ou certa, esta é a percepção.
O estudo também aponta a diferença entre confiança e credibilidade, destacando que não se trata só de avaliação da precisão da notícia, mas também de como a pessoa se sente em relação a ela. Um embate entre a crença sobre a integridade do jornalista e a visão de mundo de quem lê.
Os pesquisadores consideraram que o depoimento que melhor descreveu essa diferença foi o de Felipe Harmata, da BandNews em Curitiba: “Quando gostam de determinado fato ter sido denunciado, gostam de nós. Quando não gostam da denúncia, não gostam de nós”.
As plataformas digitais devem ter um ano duro pela frente, com o progresso de iniciativas em prol da regulação. Mas o jornalismo também vai ter trabalho para juntar os cacos depois que o pior da Covid-19 passar.
Leia em MediaTalks: estudo da Reuters enfatiza que confiança é a base do jornalismo como profissão, da notícia como instituição e da mídia como negócio.
Grasielle Castro justa-se ao time como coordenadora da equipe
Após o sucesso da cobertura das Eleições 2020 em São Paulo, o Metrópoles decidiu efetivar a equipe contratada temporariamente e abrir filial na capital paulista. O portal permanecerá operando com as repórteres Ana Saito (ex-Metro), Débora Sögur-Hous (ex-Folha de S. Paulo) e o fotógrafo Fábio Viera. Grasielle Castro (ex-Huff Post) junta-se ao time para atuar como coordenadora da equipe. A redação paulista também terá um fotógrafo. A equipe vai cobrir o governo estadual, economia, segurança pública, entretenimento e qualquer outro assunto relevante aos leitores do portal. Há planos para abrir em 2021 uma filial no Rio de Janeiro.
Segundo a direção do Metrópoles, a decisão de ampliar a redação do portal ocorre após uma reestruturação na equipe de Nacional. Em setembro, Leonardo Meireles, Lourenço Flores e Olívia Meireles assumiram a editoria. Com a mudança, o portal pretende aumentar a cobertura política e de assuntos relevantes nacionalmente. Apenas no último mês, os repórteres do Metrópoles estiveram em Macapá cobrindo o apagão; em Porto Alegre, acompanhando o caso do assassinato de João Beto; e no Rio de Janeiro, entrevistando os candidatos à Prefeitura da cidade. A equipe de repórteres também cresceu: juntaram-se ao time Flávia Said, Leilane Menezes, Marcelo Montanini, Mariana Costa, Rebeca Borges, Talita Laurino e Victor Fuzeira. Chico Felitti também passa a contribuir mensalmente com o portal, publicando matérias especiais.
Outra novidade por lá é o novo programa no YouTube. O Metrópoles Entrevista recebeu os candidatos do segundo turno às prefeituras de Rio de Janeiro e de São Paulo. O governador afastado do Rio, Wilson Witzel, e o de São Paulo, João Doria, também conversaram com a apresentadora Raquel Sheherazade. Nos próximos programas, além de Raquel outros jornalistas renomados entrevistarão personalidades brasileiras. A atração será comandada por Gabriela Furquim, com o auxílio de Juliana Barbosa.
O médico Dráuzio Varella comentará em live gratuita nesta quinta-feira (10/12), às 14h, o fato de tanto as populações do Brasil como a do Reino Unido estarem entre as que mais consideram necessária a vacina contra a Covid-19, mas também as que tiveram mais desistências entre as pessoas dispostas a se vacinar no período entre agosto e outubro.
Além de discutir como manter os níveis adequados de aceitação da vacina entre os brasileiros até que ela comece a ser distribuída no País, a live promovida pelo site MediaTalks by J&Cia, com apoio do Portal Comunique-se, debaterá também como jornalistas e agências de fact-checking podem colaborar no esforço contra a desinformação. Participarão junto com Drauzio Varella Emmanuel Colombié, diretor para a América Latina da organização Repórteres Sem Fronteiras, e Natália Leal, diretora de conteúdo da Lupa, uma das maiores agências verificadoras de notícias do Brasil. A mediação será de Eduardo Ribeiro (J&Cia) e Luciana Gurgel (MediaTalks). Inscreva-se!
Foram anunciados nesta quarta-feira (9/12) os vencedores do 1o Prêmio de Jornalismo Inclusivo, concurso cultural realizado por este Jornalistas&Cia com o apoio da HBO Latin America para incentivar e reconhecer os melhores trabalhos jornalísticos que fazem uso da linguagem neutra ou inclusiva.
Dividida nas categorias Impresso, Online, Áudio e Vídeo, a premiação reconheceu reportagens publicadas na Folha de S. Paulo, Estadão.com, Rádio Tabajara e TV Liberal como os melhores trabalhos da primeira edição.
As matérias vencedoras abordam temas que vão desde a organização de coletivos para ajudar pessoas da comunidade LGBTQIA+ vulneráveis e a adoção de pronomes neutros por pessoas e empresas até a cobertura de eventos do Dia do Orgulho LGBTQIA+ e a importância do uso do vocabulário inclusivo.
Confira a lista dos trabalhos vencedores:
Impresso: Rede ligada à Parada LGBT reúne coletivos e vai às ruas para ajudar gays e travestis vulneráveis, de Fabiana Schiavon, para a Folha de S. Paulo.
Vídeo: Ativistas falam sobre Dia do Orgulho LGBTQIA+, de Luiz Gustavo Ferreira, Alexandre Gibson, Silvio Monteiro, Moisés Gonzaga e Maurício de Sousa Neves, para a TV Liberal, de Belém.
Áudio: Linguagem Inclusiva, de Mateus Silomar e João Lucena Lira, para a Rádio Tabajara, de João Pessoa.
A organização também concedeu Menção Honrosa ao Manual de Sobrevivência da Quarentena, produzido por alunos da Faap, sob a coordenação das professoras Edilamar Galvão e Mônica Rodrigues da Costa.
Integraram a equipe Ana Luiza Sousa Peixoto, Beatriz Novik Falcão, Caio Lucca Fraga Fluckiger, Daniel Chammas, Giovanna Oriani, Isabela Andrade, João Quartim, Maria Paula Trilha Storti, Maria Sampaio, Marianna Morais e pedro a duArte.
Entidades defensoras do jornalismo prestaram solidariedade aos apresentadores do Jornal Nacional (Globo) William Bonner e Renata Vasconcellos, intimados a prestar depoimento à Polícia do Rio de Janeiro por suposto crime de desobediência a decisão judicial. O inquérito refere-se a publicações sobre o esquema de “rachadinhas” envolvendo o gabinete do senador Flávio Bolsonaro quando era deputado estadual.
Em setembro, a Justiça do Rio já havia imposto censura prévia a uma reportagem que mostrava documentos relacionados ao caso, impedindo a “divulgação informações e exposição do andamento do processo investigativo criminal”. Em novembro, o Jornal Nacional mostrou uma decisão do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) de pedir à Justiça para que Flávio Bolsonaro perca o cargo quando condenado. No dia seguinte à reportagem, a defesa do senador abriu o inquérito.
Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) escreveu que “considera as decisões dos magistrados e do ministro censura prévia, uma flagrante violação aos direitos humanos e à liberdade de imprensa. A censura é inaceitável em democracias, sobretudo quando o alvo da cobertura jornalística é uma pessoa pública cujo mandato foi outorgado pelo voto, o que lhe traz a obrigação de prestar contas à sociedade. Tampouco o fato de o processo correr sob sigilo é impedimento para a realização de reportagens a seu respeito, conforme entendimento do próprio STF”.
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) manifestou espanto pelo fato de “terem sido Bonner e Renata os convocados a depor, e não Flávio Bolsonaro. (…) Nossa indignação vem do fato de que, uma vez mais, se tenta intimidar a imprensa e calar sua voz, num claro atropelo à Constituição”.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) completou em 7/12 18 anos de existência. A criação da entidade ocorreu em 2002, durante o segundo seminário Jornalismo investigativo: ética, técnicas e perigos, promovido pelo Centro Knight para o Jornalismo das Américas.
O que deu origem à Abraji foi uma troca de e-mails entre 45 jornalistas uma rede iniciada em setembro de 2002 pelo jornalista Marcelo Beraba, que se sensibilizou com o caso Tim Lopes, perseguido, sequestrado, torturado e assassinado enquanto fazia uma investigação no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro.
O objetivo era criar uma entidade que apoiasse e incentivasse o jornalismo investigativo e a imprensa como um todo. (Veja+)
Francisco Soares Brandão, o Chiquinho, sócio-fundador da FSB, anunciou que reduzirá sua participação na agência de 52% para 30% do capital ao longo dos próximos cinco anos. Além disso, a FSB passa de sete para nove sócios, com a admissão de Gabriela Wolthers, head de contas públicas no Rio de Janeiro e em Brasília, e de Marcelo Diego, que comanda um núcleo de contas privadas em São Paulo e foi CEO da antiga Máquina da Notícia. Os sócios Alexandre Loures, Renato Salles, Diego Ruiz, Magno Trindade e Flávio Castro aumentaram sua fatia na sociedade.
Ao Brazil Journal, Brandão declarou que “você tem que saber a hora de entrar no palco e a hora de sair. Quero sair pela porta da frente, devagarinho”. Segundo o site, ele vem deixando há algum tempo o dia a dia da operação, tocada pelo sócio-CEO Marcos Trindade e os outros sete sócios principais. A partir de 2025, a tendência é que Brandão diminua ainda mais sua participação na FSB.
O Itaú realiza em 9/12 (quarta-feira), a partir das 9h45, a sexta edição do PR³ Itaú – novamente online. Com o tema Sustentabilidade: comunicando iniciativas de impacto positivo, terá a participação de Cristiana Xavier de Brito, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade para América do Sul da Basf, e Michel Blanco, head de Reputação e Comunicação Corporativa da Natura & Co América Latina. Inscreva-se para receber o link.
O documentário Toque de Recolher, de Patrícia Vasconcellos, correspondente do SBT, venceu as categorias Melhor Direção e Melhor Filme de Justiça Social do New York International Film Awards 2020. A produção foi ainda finalista da categoria Melhor Documentário Curta Metragem.
O filme mostra os bastidores da cobertura jornalística da equipe do SBT durante o toque de recolher na cidade de Nova York entre os dias 1 e 6 de Julho de 2020. O documentário já tinha sido premiado como Melhor Curta Metragem no New York Film Awards.