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quarta-feira, abril 22, 2026

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Jovem Pan é condenada a indenizar militar vinculado de forma equivocada ao caso Marielle

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Jovem Pan foi condenada a pagar uma indenização de R$ 15 mil a um capitão da Polícia Militar que foi vinculado de forma equivocada pela emissora ao assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes em 2018. Em 2023, durante a cobertura dos desdobramentos do caso, a Jovem Pan utilizou uma foto do militar como se ele fosse o ex-bombeiro Maxwell Simões Correa, o Suel, acusado de ter participado do crime.

Na ação contra a emissora, o capitão da PM declarou que ficou “atordoado e atônico” quando descobriu que havia sido vinculado de forma equivocada a um indivíduo suspeito de ter envolvimento no assassinato. O militar explicou que, por causa do erro, passou por diversas situações de constrangimento. Para o desembargador Alexandre Bucci, que confirmou a indenização de R$ 15 mil, houve uma “falha grotesca” por parte da Jovem Pan, que “atuou sem qualquer zelo ou compromisso com a verdade dos fatos”.

A Jovem Pan foi condenada em primeira e segunda instâncias, mas ainda pode recorrer da decisão. Na defesa apresentada à Justiça, a emissora declarou que cometeu um “equívoco técnico”, um erro pontual, e que corrigiu a informação pouco tempo depois, junto de um pedido de desculpas pela falha. Além disso, o veículo disse que em nenhum momento divulgou o nome do capitão da PM, não cometeu ato ilícito e não teve intenção de difamar o militar.

Projeto voluntário leva jornalismo e combate à desinformação para crianças e adolescentes

Projeto voluntário leva jornalismo e combate à desinformação para crianças e adolescentes
Fernanda Elen (esq.) e Fernanda Beatriz em atividade com crianças do ensino fundamental de uma escola municipal (Crédito: Divulgação/Moara Comunicação)

Fernanda Beatriz e Fernanda Elen, sócias-diretoras da agência Moara Comunicação, passaram a desenvolver, de forma voluntária, aulas, simulações e debates sobre jornalismo e a importância da imprensa em escolas públicas e privadas. A ideia é incentivar crianças e adolescentes a pensar sobre o papel do jornalista na sociedade e no combate à desinformação.

Na iniciativa, as duas apresentam o jornalismo de forma acessível, mostrando como a circulação de informações está inserida no cotidiano dos estudantes. As ações incluem encontros presenciais e online com diferentes faixas etárias, com conversas, recursos visuais e simulações. Em uma das atividades, realizada em dupla, uma pessoa assume o papel de repórter e outra o de cinegrafista, com o objetivo de mostrar o dia a dia do jornalista e a importância de aprender a distinguir fato, opinião e desinformação.

“A escola sempre foi um espaço de formação para leitura, escrita e pensamento crítico, mas hoje ela também precisa ser um espaço para a compreensão da informação”, declarou Fernanda Beatriz. “Quando a gente leva o jornalismo para a sala de aula, não está falando apenas de profissão. Está falando de escuta, responsabilidade, curiosidade, repertório e cidadania”.

“Hoje, esse trabalho nasce de forma voluntária, muito ligado ao nosso propósito como jornalistas e ao desejo de contribuir com a educação. Mas, como empresárias, também enxergamos que existe aí uma necessidade real e uma possibilidade concreta de estruturação como frente de negócio para a Moara, com conteúdo e experiências pensados para escolas”, destacou Fernanda Elen.

O feedback das atividades tem sido muito positivo: as crianças e adolescentes que participam dos encontros não só aprendem sobre jornalismo e a importância de checar informações, como também passam a se interessar na profissão. Além disso, levam os ensinamentos para fora da sala: coordenadoras de escolas onde a iniciativa já foi realizada relataram que as crianças continuaram a falar sobre a atividade por dias e perguntaram quando ela seria realizada novamente.

Camila Busnello substitui Carolina Ferraz no comando do Domingo Espetacular

Camila Busnello e Roberto Cabrini, nova dupla de apresentadores do Domingo Espetacular

A Record TV anunciou na última semana o fim do contrato da atriz Carolina Ferraz, que estava na emissora há seis anos e apresentava o Domingo Espetacular ao lado de Roberto Cabrini. Para o seu lugar, foi promovida Camila Busnello, que em janeiro completou 20 anos de casa, tendo atuado neste período como repórter especial, correspondente em Nova York e apresentadora substituta do próprio Domingo Espetacular. Recentemente, ela também esteva à frente de edições vespertinas do Jornal da Record.

“Encerro um ciclo muito importante no Domingo Espetacular, marcado por projetos relevantes e uma relação construída com respeito e admiração mútua. Meu muito obrigada a todos os colegas de Redação, editores, produtores, cinegrafistas e redatores que me acompanharam nesse período”, afirmou Carolina em suas redes sociais.

Camila Busnello e Roberto Cabrini, nova dupla de apresentadores do Domingo Espetacular

A estreia de Camila à frente da atração aconteceu já no último domingo (12/4).

Senador Alessandro Vieira protocola projeto de lei contra assédio judicial e violência a jornalistas

Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou o Projeto de Lei (PL) 1647/2026, que tem o objetivo de criar medidas de segurança e proteção para profissionais de imprensa contra casos de violência e de assédio judicial. O texto foi elaborado a partir de uma proposta redigida por Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e Fiquem Sabendo, com apoio de organizações da Coalizão em Defesa do Jornalismo (CDJor).

Os principais pontos do PL são: criação de protocolos para transferência e acompanhamento de jornalistas em situação de risco; instrumentos processuais para conter ações judiciais abusivas contra o exercício profissional; foco na proteção de mulheres e jornalistas LGBTQIA+, frequentemente alvo de violência de gênero; e obrigação de órgãos públicos de reportar com clareza crimes contra a liberdade de imprensa.

O PL é uma resposta ao cenário de violência e agressão contra a imprensa no Brasil. Segundo o relatório Violações à Liberdade de Expressão, da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), em 2025, ocorreram cerca de 900 mil ataques virtuais a profissionais de imprensa, o equivalente a 2,5 mil agressões por dia.

O PL foi protocolado no Senado em 7 de abril, Dia do Jornalista.

Rodrigo Flores é o novo head do InfoMoney

Rodrigo Flores é o novo head do InfoMoney
Rodrigo Flores (Crédito: Divulgação/InfoMoney)

O InfoMoney anunciou a contratação de Rodrigo Flores, que chega para ser head do portal com foco em expansão, inovação e geração de valor. Seu principal objetivo será ampliar a base de usuários do site, com o intuito de democratizar o conhecimento econômico no País.

“Nosso objetivo estará cumprido se, após ter contato com nossos conteúdos, os investidores sejam capazes de tomar as melhores decisões para as suas vidas financeiras”, declarou Rodrigo sobre o novo desafio profissional. Antes do InfoMoney, estava no Estadão, onde ocupou os cargos de diretor de publishing house e de marketing. Trabalhou também por muitos anos do UOL, como diretor de conteúdo e âncora. Passou ainda por Folha de S.Paulo e C6 Bank.

Antonia Pellegrino é a nova presidente da EBC

Antonia Pellegrino (Crédito: Instagram)

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) anunciou Antonia Pellegrino como sua nova presidente. Desde 2023, ela atuava como diretora de conteúdo e programação. Antonia substitui a André Basbaum, que deixou a EBC no começo de abril e retornou à RecordTV como diretor editorial.

Na EBC, Antonia esteve à frente de reformulações de conteúdos, como o programa Sem Censura, apresentado por Cissa Guimarães. Também criou o Seleção TV Brasil, edital voltado à produção independente. Foi resposnável ainda pela expansão da programação esportiva da TV Brasil, incluindo transmissões de futebol feminino.

“Sua trajetória à frente do conteúdo da EBC demonstra capacidade de inovar, ampliar o alcance e reafirmar o papel estratégico da comunicação pública para a democracia, que é o cerne da nossa gestão da Secom”, afirmou Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.

Formada em ciências sociais, Antonia atuou por muitos anos como roteirista, em novelas de sucesso do Grupo Globo, como A Lua Me Disse (2005), Cobras e Lagartos (2006), Negócio da China (2008) e Aquele Beijo (2011). Colaborou ainda para o roteiro do documentário Democracia em Vertigem, indicado ao Oscar de 2020. Por sua trajetória, recebeu homenagens e foi reconhecida por Academia Brasileira de Letras, Academia do Cinema Brasileiro e diversos festivais internacionais.

Brasileiros confiam mais em conteúdos recebidos de amigos do que na imprensa, diz pesquisa

Brasileiros confiam mais em conteúdos recebidos de amigos do que na imprensa, diz pesquisa
Crédito: Panos Sakalakis/Unsplash

O estudo TIC Domicílios 2025, sobre hábitos de consumo de informação, revelou que os brasileiros confiam mais em conteúdos recebidos por amigos e familiares do que informações publicadas por veículos de imprensa tradicionais. Segundo dados da pesquisa, cerca de 48% desconfiam sempre ou na maioria das vezes de conteúdos produzidos por empresas jornalísticas. Em contrapartida, postagens de amigos e familiares em redes sociais ou aplicativos de mensagens inspiram confiança em 39% dos entrevistados.

A pesquisa, conduzida pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), com execução do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), ouviu 25.520 pessoas com 10 anos ou mais em todas as regiões do País. Os dados obtidos revelam um cenário preocupante no que se refere à confiança no trabalho jornalístico: 60% dos entrevistados se informam por meio de aplicativos de mensagem, enquanto 53% preferem feeds de vídeos curtos, como o TikTok, como fonte de informação.

Tais números são superiores aos que se informam por empresas jornalísticas: 50% utilizam sites e aplicativos de notícias; 45% assistem a programas de televisão; 28% se informam pelo rádio; e apenas 11% leem notícias em jornais impressos. O estudo abordou ainda o quanto os entrevistados checam as informações que recebem. Pouco mais de um terço do total, cerca 36%, dizem checar sempre a veracidades das informações recebidas na internet e em aplicativos de mensagem. 34% raramente ou nunca fazem essa checagem, e apenas 28% fazem a verificação com frequência.

A pesquisa também destacou os motivos que fazem as pessoas não checarem as informações, com a falta de hábito (36%) sendo a principal justificativa. Os dados mostram ainda as diferenças de acesso à informação por classe social.

Leia mais sobre o estudo aqui.

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (51)

Por Assis Ângelo

I

Senhora! A Poesia outrora era Estrangeira, 

Pálida, aventureira, errante a viajar,
Batendo em duas portas – ao grito das procelas –
Ao céu – pedindo estrelas, à terra – um pobre lar!

Visão de áureos lauréis porém de manto esquálido,
Mulher de lábio pálido e olhar cheio de luz.
Seus passos nos espinhos em sangue se assinalam…
E os astros lhe resvalam à flor dos ombros nus…

II

Olhai! O sol descamba… A tarde harmoniosa
Envolve luminosa a Grécia em frouxo véu.
Na estrada ao som da vaga, ao suspirar do vento,
De um marco poeirento um velho então se ergueu.

Ergueu-se tateando… é cego… o cego anseia…
Porém o que tateia aquela augusta mão?…
Talvez busca pegar o sol, que lento expira!…
Fado cruel… mentira!… Homero pede pão!

III

Mas ai! volvei, Senhora, os vossos belos olhos…

 

Como se vê no trecho aí do poema Poesia e Mendicidade, publicado no livro Espumas Flutuantes (1870), tema algum escapou da visão aguçada e privilegiada de Castro Alves. Falou e escreveu tudo que lhe vinha à mente. Escreveu sobre sol, lua, céu, estrelas, flor, justiça, Deus, natureza, amor, paixão, liberdade, liberdade, liberdade… Também não deixou de referir-se nos seus textos a nomes consagrados na literatura universal, como Victor Hugo, Dante, Camões e Homero.

O autor de Os Escravos conheceu de perto José de Alencar e o bruxo Machado de Assis.

Castro Alves não foi vítima da seca ou de qualquer outra catástrofe natural, mas entendia perfeitamente as mazelas do tempo.

As desgraceiras da vida ocorrem em todo e qualquer lugar, mas parece que Deus escolheu o Nordeste brasileiro para testar a força e a paciência do povo que vive lá.

As três maiores secas ocorridas no Brasil até hoje ocuparam espaço violento e fatal no Ceará de José de Alencar. Essas catástrofes tiveram lugar nos calendários de 1877, 1915 e 1932.

A seca de 1877 durou até 1879, deixando mais de meio milhão de mortos.

Essa primeira grande seca, que durou três anos, passou incrivelmente despercebida pelos poderosos de plantão daquele tempo. Entre esses e mais aqueles se achavam intelectuais e políticos do porte de José Martiniano de Alencar. À época, o autor de O Sertanejo, livro publicado em 1875, não dava bola para os miseráveis da vida.

Jornais da Corte começaram a dar uma nota aqui e outra acolá sobre o que acontecia no Ceará a partir do momento em que um cara de nome José do Patrocínio (1854-1905) arrumou as malas e decidido partiu rumo ao local para cobrir, jornalisticamente, a tragédia que caía sobre os cearenses. Essa viagem deu-se no dia 10 de maio de 1878. Alguns colegas seus, de jornal, chegaram a ironizar sua ida à região, dizendo algo como “não vá morrer de fome por lá, hein?”.

Patrocínio retornou são e salvo ao Rio, nem mais magro nem mais gordo, no dia 12 de agosto do trágico ano de 1878. Mais triste: é verdade.

No geral, deve ser dito que os textos de Patrocínio chamaram a atenção dos leitores que mais e mais pareciam ter interesse ou curiosidade do que se passava na terra de Alencar.

No jornal Gazeta de Notícias (RJ) os textos de Patrocínio ganhavam destaque na primeira página, sob o título Viagem ao Norte, por ele mesmo assinada.

Destaque também ganhavam os textos e fotos que Patrocínio enviava para o semanário anarquista O Besouro, criado e editado pelo chargista de origem portuguesa Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905).

As duas primeiras fotos, de uma série de 14, foram publicadas na edição do dia 20 de julho de 1878. Chocantes.

Essas fotos podem ser classificadas hoje como fotorreportagens do repórter fotográfico Joaquim Antônio Correia ou J. Correia. Detalhe: à época, as expressões fotorreportagem e repórter fotográfico ainda não existiam.

Depois de tudo, em 1879, José do Patrocínio pôs à praça o livro Os Retirantes. Arrepia. Personagens masculinas e femininas movimentam-se como podem e até morrendo à míngua. É romance. Entre as personagens desse livro, achavam-se crianças e idosos. Mulheres, muitas delas ainda na flor da idade, entregavam seus corpos por migalhas oferecidas por canalhas, como o padreco sem escrúpulos denominado Paula.

No livro de Patrocínio, o pai de uma das jovens vítimas da seca, Rogério Monte, acaba morrendo doente e cego. A essa altura, a sua família já estava destroçada.

Cenas igualmente violentas são narradas no livro de poucas páginas, mas denso, intitulado Violação (1898). O autor foi o baiano radicado no Ceará Rodolfo Teófilo (1853-1932).

Teófilo era farmacêutico de formação, como coincidentemente o fluminense José do Patrocínio.

Sem dúvida, esses são dois dos grandes heróis do Brasil.

Cá pra nós, considero também Joaquim Maria Machado de Assis um herói. Das letras, pelo menos.

E, coincidência por coincidência, não será impróprio dizer que Castro Alves estreou na literatura com 15 anos de idade, mesma idade em que estreou em jornal o bruxo do Cosme Velho.

O poema de estreia de Castro Alves foi A Destruição de Jerusalém.

Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com.

100 anos de Rádio no Brasil: Jornalismo público americano está sob ataque

Por Álvaro Bufarah (*)

Em um cenário de crescente polarização política e pressão sobre instituições de mídia, a nova campanha da rede norte-americana National Public Radio (NPR) surge como mais do que uma ação publicitária – ela se posiciona como uma resposta estratégica a um momento crítico para o jornalismo público nos Estados Unidos.

Sob o lema Pelo seu direito de ser curioso, a iniciativa foi lançada após um período de forte tensão institucional, marcado por críticas recorrentes de setores conservadores e pela redução significativa de financiamento federal – estimada em mais de US$ 1 bilhão. Em um ambiente em que o financiamento da mídia pública torna-se alvo de disputas ideológicas, a NPR opta por reposicionar sua narrativa não em torno da defesa institucional, mas de um valor universal: a curiosidade.

A campanha, desenvolvida em parceria com a agência Mischief @ No Fixed Address, aposta em uma estratégia multiplataforma que combina mídia tradicional e digital. Vídeos, ativações em redes sociais, inserções impressas – incluindo um manifesto publicado no The New York Times – e até produtos físicos compõem uma ação que busca ampliar o debate para além do público habitual da emissora.

Mas é no campo simbólico que a campanha revela sua maior força. Pela primeira vez em seus mais de 50 anos de história, a NPR altera seu próprio logotipo, substituindo as tradicionais iniciais por palavras como “HOW”, “WHY” e “WHO” – ou “COMO”, “POR QUÊ” e “QUEM”. A mudança não é meramente estética: trata-se de uma tentativa de redefinir a identidade da marca a partir de sua função essencial.

Ao deslocar o foco do nome institucional para o ato de perguntar, a NPR constrói uma narrativa que associa o jornalismo à prática da investigação contínua – um elemento central para o funcionamento de sociedades democráticas. Em um contexto marcado por desinformação, bolhas algorítmicas e erosão da confiança pública, essa estratégia busca reposicionar o jornalismo não como produto, mas como processo.

Esse movimento dialoga diretamente com tendências identificadas por centros de pesquisa como o Reuters Institute e o Pew Research Center, que apontam uma queda global na confiança nas notícias, especialmente em ambientes digitais. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que o jornalismo precisa reafirmar seu papel como mediador qualificado da realidade, capaz de oferecer contexto, verificação e profundidade.

A escolha da curiosidade como eixo central da campanha também revela uma inflexão importante na comunicação institucional. Em vez de adotar um discurso defensivo – centrado na legitimidade da organização –, a NPR opta por um apelo mais amplo, que transcende disputas políticas e se conecta a uma dimensão quase antropológica: o desejo humano de compreender o mundo.

Nesse sentido, a campanha opera em dois níveis. No plano imediato, busca mobilizar apoio público e reforçar a relevância da emissora em um momento de fragilidade financeira e política. No plano estrutural, tenta reposicionar o jornalismo público como uma “infraestrutura cívica” – um conceito cada vez mais presente no debate internacional sobre o papel dos meios de comunicação em democracias contemporâneas.

Essa ideia de infraestrutura é particularmente relevante. Assim como sistemas de saúde ou educação, a mídia pública passa a ser entendida como um serviço essencial para o funcionamento da sociedade. Sua fragilização, portanto, não afeta apenas uma organização, mas o próprio ecossistema informativo.

Ao mesmo tempo, a campanha evidencia uma mudança na forma como marcas de mídia constroem sua comunicação. A incorporação de elementos de branding – como redesenho de logotipo, storytelling e produtos licenciados – indica uma aproximação cada vez maior entre jornalismo e estratégias típicas do marketing contemporâneo.

Essa convergência, por sua vez, levanta questões importantes. Até que ponto a adoção de estratégias de marca fortalece o jornalismo? E em que medida pode gerar tensões entre identidade editorial e posicionamento institucional? No caso da NPR, a aposta parece clara: utilizar as ferramentas do marketing para proteger – e não diluir – os valores jornalísticos.

A campanha Pelo seu direito de ser curioso também pode ser interpretada como uma resposta indireta ao ambiente digital dominado por algoritmos. Em plataformas onde o conteúdo é frequentemente guiado por engajamento e polarização, a valorização da pergunta – em vez da resposta imediata – funciona como um contraponto simbólico.

No fundo, a NPR não está apenas defendendo seu financiamento ou sua operação. Está defendendo uma ideia de jornalismo baseada na dúvida, na investigação e na complexidade – elementos cada vez mais raros em um ecossistema midiático orientado pela velocidade e pela simplificação.

E talvez seja justamente essa a principal mensagem da campanha: em tempos de certezas fáceis e respostas prontas, continuar fazendo perguntas pode ser, por si só, um ato de resistência.

 

Fontes para pesquisa


Leia também: Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (51)

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