Juca Ferreira, atual secretário de Cultura da Prefeitura de São Paulo, foi fazer compras num supermercado usando uma camiseta com estampa do rei do baião. Ao passar pelo caixa, uma moça muito simpática perguntou-lhe se tinha algum parentesco com Luiz Gonzaga. Ele riu, dizendo que não. A moça então contou que o filme De pai pra filho lhe fizera muito bem. E, com lágrimas, acrescentou: – Eu tinha vergonha da minha condição de nordestina, até assistir a esse filme.
As discretas mudanças no expediente do Estadão
No mesmo mês de maio em que o Estadão foi notícia com Alberto Tamer e Ruy Mesquita, falecidos respectivamente nos dias 19 e 21, mudanças significativas no Conselho de Administração da empresa passaram quase despercebidas. Olhos atentos, no entanto, perceberam a ausência de dois nomes no expediente da página A3: Plínio Villares Musetti e Patrícia Mesquita. Eleito para a Presidência do Conselho de Administração da Natura em 24/4, Plínio deixou igual cargo no Estadão e não foi ainda substituído. Ele permaneceu no Grupo Estado por um ano e nove meses (havia assumido o posto em 25/7/2011). Antes dele, presidiram o Conselho Luiz Vieira de Carvalho Mesquita (1984-1996), Ruy Mesquita (1996-1997), Francisco Mesquita Neto (1998-2005), Roberto C. Mesquita (2005-2007) e Aurélio de Almeida Prado Cidade (2007-2011). Patrícia, a maior acionista individual da empresa, com 16,6% de seu controle acionário, deixou o Conselho de Administraçao e indicou, para substituí-la, o pai de seus filhos, o jornalista Getúlio Luiz de Alencar. Opinião – Outra mundança no expediente da página A3 foi a natural exclusão do nome do diretor de Opinião Ruy Mesquita, e a inclusão como editor responsável de Opinião do nome de Antonio Carlos Pereira. Muitos estranham, porém, que o nome de Ruy Mesquita não tenha sido incluído no expediente da página A2, onde estao os Mesquitas que dirigiram o jornal. Nele constam Julio Mesquita (1891-1927), Julio de Mesquita Filho (1927-1969), Francisco Mesquita (1927-1969), Luiz Carlos Mesquita (1952-1970), José Vieira de Carvalho Mesquita (1959-1988), Julio de Mesquita Neto (1969-1996) e Luiz Vieira de Carvalho Mesquita (1959-1997). Ainda a propósito do jornal, a Agência Estado mudou esta semana para o sexto andar do edifício-sede da empresa, em São Paulo, onde antes ficava o extinto Jornal da Tarde. Com isso, integrou-se a uma grande redação de Economia junto com a editoria da área no Estadão, o Portal de Economia & Negócios, o Link (suplemento de informática, que desde a última reforma gráfica e mudança dos cadernos também passou a fazer parte do caderno de Economia) e Broadcast. O espaço foi todo reformado, e as persianas trocadas, para receber as equipes.
Seguem abertas inscrições para Prêmio Petrobras de Jornalismo
Estão abertas até 10/7 as inscrições para o Prêmio Petrobras de Jornalismo. Dividido nas categorias Nacional e Regional, poderão ser inscritas matérias sobre os temas Cultura, Responsabilidade Socioambiental, Esporte e Petróleo, Gás e Energia, veiculadas em mídia impressa, rádio, televisão ou portais de notícias entre 10/5/2012 e 9/5/2013. A Petrobras também vai premiar a melhor fotografia nas categorias Nacional e Regional em qualquer um desses temas e veículos. As melhores reportagens de cada tema na categoria nacional, assim como a melhor fotografia nacional, receberão R$ 17.200. Já os vencedores regionais ganharão R$ 7.150. Além dessas categorias, haverá ainda o Grande Prêmio Petrobras de Jornalismo, que oferecerá R$ 30.000 à melhor reportagem entre todas as enviadas. Os prêmios são em valores brutos. Cada jornalista pode inscrever até seis diferentes reportagens; no entanto, a mesma reportagem não pode ser inscrita em mais de uma categoria (Regional e Nacional). Os participantes do Fotojornalismo podem inscrever um trabalho para cada tema, sendo também vedada a participação simultânea nas categorias Regional e Nacional. A ficha de inscrição e o regulamento estão disponíveis no site da Agência Petrobras. O material deve ser enviado para a sede da Petrobras (av. República do Chile, 65, 10º / sala 1001, Centro, Rio de Janeiro/RJ – CEP 20031-912). Mais informações pelo [email protected], 21-3224-3932 ou 3224-4281. Os vencedores serão conhecidos em outubro.
Isabela Barros e Isaura Daniel lançam página As Poupadoras
Isabela Barros, que hoje atua como freelancer, e Isaura Daniel, editora da Agência de Notícias Brasil-Árabe, lançam o site As Poupadoras (www.poupadoras.com), a fim de dividir informações sobre educação financeira. “Nosso principal objetivo é trocar experiências sobre o uso do dinheiro, o nosso diferencial”, diz Isabela. “Sites de finanças pessoais existem muitos, mas não com esse objetivo e de forma tão cotidiana. Queremos contar como poupamos e ouvir leitores, consultores, personalidades e especialistas sobre o tema”. Amigas há mais de dez anos, as autoras contam que a ideia de criar a página surgiu naturalmente durante conversas, quando perceberam a convergência de escrever sobre um tema de gosto mútuo das duas e que ainda iria ao encontro da necessidade de existir um site sobre finanças pessoais com uma linguagem informal, que facilitasse o entendimento do público. A proposta editorial é mesclar notícias, encontradas na seção Cofre de Notícias; histórias reais de leitores, em Duas Moedas de Prosa; e de ficção, em Vida e Fortuna de Bárbara e Elis. Sobre a novidade da abordagem fictícia Isaura comenta: “A ideia das personagens veio justamente da proposta de descomplicar o tema das finanças. É muito melhor ler a história de alguém, gente como a gente, que fez fortuna, do que ler um manual com a teoria da fortuna, não é? Essa é a proposta, contar histórias do cotidiano com as quais os leitores se identifiquem”. Com atualizações diárias, de 2ª à 6ª.feira, os leitores poderão ainda tirar dúvidas pessoais com economistas e especialistas da área, acompanhar relatos de famosos contando sobre sua relação com o dinheiro e conferir dicas de livros sobre finanças pessoais.
Morte de Santo Cristo ressuscita Notícias Populares
Uma campanha publicitária promovida para o lançamento do filme Faroeste Caboclo, de René Sampaio, publicou uma edição especial do extinto Notícias Populares, jornal do Grupo Folha que circulou entre 1963 e 2001.
A ação, criada pela agência Click Isobar, contou com a participação de alguns profissionais que marcaram a história do jornal, como seu editor-chefe por 18 anos Ebrahim Ramadan e o secretário de Redação e autor da célebre reportagem sobre o “bebê diabo” José Luis Proença, além de José Luís da Conceição e Antonio Marcos Soldera, respectivamente fotógrafo e repórter policial da publicação. Com tiragem de 300 mil exemplares, o encarte circulou com a edição da Folha de S.Paulo de 24/5, além de ter sido reproduzido pelo site www.ultimonp.com.br.
Na versão online também é possível acompanhar o making of do trabalho dos ex-integrantes do NP discutindo sobre as manchetes para a peça publicitária após assistir ao filme, que será lançado nesta 5ª.feira (30/5). A propósito, o Santo Cristo do título é o personagem principal do filme e da música, que vive um perigoso triângulo amoroso com Maria Lúcia e Jeremias (traficante de renome que apareceu por lá…).
História também ganha infográfico no G1 O G1 também reproduziu a história de Faroeste Caboclo em formato de infográfico interativo (http://glo.bo/10E7gjf), com entrevistas em vídeo com integrantes do elenco e o diretor do filme. Com edição de Gustavo Miller (Conteúdo) e Leo Aragão (Arte), o especial tem reportagens de Caue Muraro e Rodrigo Monteiro, ilustração de Dalton Soares e infografia de Daniel Roda e Elvis Martuchelli.
João Anacleto é o novo editor de Car and Driver
A equipe da Car and Driver passou a contar desde o início do mês com o reforço do editor João Anacleto. No ano em que completa dez anos de carreira, ele deixou após nove anos a Motorporess Brasil, onde também era editor.
Começou por lá após um período de oito meses na revista Auto&Técnica, tendo passado por diversas publicações da casa, como Max Tuning, Carro Online, Carro e no projeto da Carro Hoje, descontinuado em 2012. Seus novos contatos são [email protected] e 11-3855-1948.
Ainda na C/D, o repórter Carlos Cereijo ([email protected]), que acaba de completar um ano de casa, e o designer Pablo Gonzalez ([email protected]) foram promovidos respectivamente a editor-assistente e editor de Arte, e foi contratado o repórter Marcelo Moura, que irá atuar junto com o time do site de Car and Driver. A publicação hoje conta com 18 profissionais fixos.
Memórias da Redação ? A greve dos jornalistas, há 34 anos
A história desta semana é novamente uma colaboração de Milton Saldanha, que edita o jornal mensal Dance, dedicado à dança de salão, e mantém um blog de crônicas sobre assuntos variados. Como o texto, embora condensado, é extenso (a íntegra pode ser solicitada ao autor), J&Cia optou por publicá-lo em duas –partes. A greve dos jornalistas, há 34 anos Dia 22 de maio foi o 34º aniversário da greve dos jornalistas de São Paulo, ocorrida em 1979. Tanto tempo depois, o assunto ainda continua tabu nas redações e, por incrível que pareça, ainda divide os velhos jornalistas. Certamente porque, acima de um movimento reivindicatório, a greve teve uma forte conotação ideológica. Vale lembrar que era uma época em que ainda existiam esquerda e direita, conceitos que foram se pulverizando a partir da queda do Leste europeu. Os jornalistas formam uma classe curiosa. Alguns ganham bem, mas a maioria sempre ganhou mal. No entanto, a profissão lhes dá acesso a oportunidades que não teriam em outras carreiras. Desde bons almoços no melhores restaurantes, pagos por empresários interessados em operar seus interesses, até viagens internacionais, nos melhores hotéis. Não poucos utilizaram também a profissão como fonte de faturamento paralelo. O suborno vinha na forma charmosa e acima de qualquer suspeita de convidar para proferir palestras. O cara ganhava em duas horas o equivalente a outro salário mensal, ou até mais. Depois passava o resto do ano escrevendo a favor daquele setor, sobretudo na pressão ao governo por renúncias fiscais. O suborno é relevado nas redações. Leva o divertido nome de jabaculê, ou simplesmente jabá, para os íntimos. Que atire a primeira pedra quem resistiu a eles, não importa o valor. Conheci jornalistas, não provindos de famílias ricas, vivendo com um padrão de vida totalmente incompatível com a realidade dos salários praticados no mercado. Então, essa é uma classe curiosa, integrada pelos mais diferentes perfis humanos. E que desfruta de todas as aspirações típicas da classe média alta, o que não é nenhum desdouro, digo isso apenas para mostrar seu modo de ser. E mais: independentemente de suas convicções ou inclinações ideológicas, o jornalista é um ser que assume a bandeira da empresa onde trabalha. Enche a boca para dizer que trabalha em tal jornal, revista, rádio ou tevê de grande audiência. Faz horas extras sem ganhar para isso. Alguns se ofendem com críticas à instituição a que servem. E não poucos veneram seus patrões com fidelidade canina. Até o dia em que levam o solene pontapé na bunda. Mesmo assim nunca aprendem. No próximo emprego já estão novamente puxando o saco do patrão. São todos assim? Claro que não. Alguns são apenas mais ou menos assim. Outros, certamente a maioria, são de independência intelectual e dignidade impecáveis. Mas do jabazinho, vamos dizer a verdade, ninguém escapa… Agora imaginem o que seja fazer uma greve numa categoria assim. É claro que não pode dar certo, como não deu em 1979. A categoria paulista já tinha feito uma greve antes, em 1961. Existe até uma foto famosa, tomada na frente dos Diários Associados, de um piquete sendo atingido por jatos de água de uma mangueira dos bombeiros. Essa greve foi vitoriosa, mas vale lembrar que os salários eram realmente de fome. A greve dos jornalistas de São Paulo durou oito dias (incluindo o final de semana), de 22 a 29 de maio de 1979. No dia 28 o TRT julgou a greve ilegal. A desobediência, nesses casos, submete o sindicato a pesadas multas diárias. O nosso Sindicato é pequeno, não tem como suportar algo assim. O único caso que se conhece na história, de algum organismo sustentando uma greve, foi no Chile, onde a CIA bancou os mais de seis meses da greve dos caminhoneiros, para ferrar com a economia do país, e assim fomentar condições ideais para a derrubada do democraticamente eleito Salvador Allende, em 11 de setembro de 1971. Em 1979 eu chefiava a redação, com meia dúzia de repórteres, da Sucursal do ABC do Grupo Estado, então integrado por Estadão, Jornal da Tarde, Agência Estado e Rádio Eldorado. Fiquei lá quatro anos e tinha muito a perder: trabalhava com total liberdade; estava satisfeito com o salário; tinha prestígio na empresa e orgulho do cargo; me dava ao luxo de ter uma sala exclusiva e com telefone direito; escolhia minhas próprias pautas; saia quando bem entendia para as ruas para fazer matérias ou ficava na redação coordenando; estava fisicamente a 45 km das cobras criadas das grandes redações da matriz e sem nenhum superior hierárquico por perto. Enfim, o que mais poderia querer? Resposta: que nunca tivessem inventado aquela greve. A inspiração para o movimento, ninguém poderá negar, veio do sindicalismo metalúrgico do ABC, com vários grandes líderes, e que tinha em Lula sua principal estrela. Eles tinham peitado a ditadura em 1978, quebrando um jejum de muitos anos sem greves. Com planejamento e organização impecáveis, a primeira foi uma impressionante greve sem piquetes: os trabalhadores entravam nas fábricas e simplesmente não ligavam as máquinas, permanecendo ao lado de braços cruzados. Eu tinha na minha equipe uma excelente jornalista, a Valdir dos Santos, que roubei do Diário do Grande ABC. Era encarregada da cobertura sindical. Quando a greve começou, primeiro na Scania, foi a única repórter lá dentro, percorrendo a fábrica ao lado do delegado do Trabalho. Ele entrou anunciando aos gritos a prerrogativa do cargo e arrastou a Valdir junto. Naquele dia fizemos cabelo, barba, bigode e depilação, mostrando a qualidade da Sucursal, que já tinha uma tradição de excelentes equipes e chefes, como Enock Sacramento, Dirceu Martins Pio, José Maria Santana. Foi José Marqueiz, repórter da Sucursal, o detentor de um famoso Prêmio Esso. É longa a lista de ótimos jornalistas que lá trabalharam. Pio foi quem me indicou para a Sucursal, ao Raul Martins Bastos, que chefiava a fantástica e inesquecível rede de sucursais e correspondentes, de uma qualidade que o jornalismo brasileiro nunca mais verá. Em 1979, os metalúrgicos mudaram a estratégia: a greve passou a ser com piquetes nos portões das fábricas. Agora já esperando, a ditadura, aliada com a Fiesp, montou um forte aparato repressivo. Ocorreram assembleias memoráveis no Estádio de Vila Euclides, uma delas sobrevoada por helicópteros do Exército, com atiradores apontando metralhadoras. O prefeito de São Bernardo, Tito Costa, dava apoio e suporte logístico aos grevistas. A Igreja Católica guardava o Fundo de Greve, estocando mantimentos na casa paroquial da matriz. O arcebispo Dom Claudio Hummes apoiava Lula e fazia o meio de campo nas negociações. Teve a intervenção militar no Sindicato, numa madrugada, e a prisão de Lula, pelo Deops, dirigido por Romeu Tuma. Tudo isso ocupava as manchetes dos jornais e capas das revistas semanais. Lula foi capa da Time e da Newsweek, revistas internacionais. O ABC era o centro de todas as atenções no País. Outras categorias poderosas, como os químicos e petroleiros, ou desprovidas de charme, como os motoristas de ônibus, também fizeram suas greves. Todo o sindicalismo brasileiro estava inoculado pelo vírus da greve. A interpretação, naqueles dias, era a de que sindicato bom era o sindicato capaz de fazer uma grande greve. O resto era visto como sindicato pelego e bundão. O Sindicato dos Jornalistas não precisava nem deveria, cometendo um grande erro de avaliação, mas inventou que teria que ter também a sua greve. No fundo, era uma forma de afirmação política da liderança sindical. O grande problema é que um jornal não é como uma fábrica de parafusos… Mas, ao contrário do que muita gente fez depois da derrota, não culpo totalmente o então presidente, David de Morais. Culpo apenas parcialmente. Ora, todo mundo era maior, vacinado, consciente dos seus atos. Ele não fez nada sozinho. Mesmo levando em conta que toda assembleia envolve táticas de manipulação. A grande prova é que antes de qualquer votação, nas grandes assembleias metalúrgicas, a gente, com boas fontes, já sabia o que seria decidido. Era raríssimo, quase impossível, a multidão confrontar a posição de suas lideranças. Jamais, por exemplo, ouvi de um palanque um discurso de alguém contra a greve. Esse tipo de democracia era impensável no ABC. Entre jornalistas não funciona assim. A gente cobra espaço à opinião, afinal é o que fazemos a vida inteira. E foi o que fiz na primeira assembleia, na Igreja da Consolação, emprestada ao nosso Sindicato, porque seu pequeno auditório não comportaria os cerca de dois mil jornalistas presentes. Já iam começar a votação, praticamente sem discussão, todo mundo claramente intimidado (a mesa havia oferecido encaminhamento contrário e ninguém se inscreveu), quando levantei uma questão de ordem, sob forte tensão. Fui ao microfone e ponderei, sob vaias de radicais, que não se poderia decidir uma greve por aclamação e sem ampla discussão. Aí foi a rebordosa: um monte de gente, finalmente pedindo a palavra, debates pró e contra, incluindo baixarias e até palavrões, inevitáveis nessas horas. Depois do aterrador silêncio inicial, quebrado por minha questão de ordem, a assembleia se transformou numa grande confusão. A mesa teve grande dificuldade para conduzir os trabalhos. O corredor central que divide os bancos da igreja em duas alas foi transformado em fronteira. Solicitou-se que os favoráveis à greve ficassem à esquerda, os contrários à direita. Um nada sutil simbolismo. Nossa ala, a dos contrários, era maciçamente ocupada por pessoal do Estadão, incluindo a turma do Jornal da Tarde. As discussões avançaram a madrugada e ficou célebre a intervenção do jornalista Emir Macedo Nogueira, da Folha, dizendo: “O meu maior medo é ver amanhã nossa greve como manchete dos jornais”. Os patrões e os fura-greve adoraram a deixa e, quando a greve finalmente aconteceu, lá estavam as manchetes. Incluindo, claro, a famosa frase. Era o primeiro passo para desmoralizar a greve dos jornalistas. A divisão entre os dois grupos era tão clara que tiveram que contar cada pessoa antes da proclamação da decisão final. Vencemos por reduzida margem. A greve estava rejeitada pela categoria. Ou, como alguns diziam, pelo Estadão. No dia seguinte, na Sucursal, recebi várias ligações telefônicas de jornalistas da matriz, principalmente editores, me cumprimentando pela atuação na assembleia. Mas não foi nada agradável. Esses embates são desgastantes, nos deixam muito expostos. Tem a turma sem argumentos, e covarde, porque não se apresenta para a discussão, só sabe vaiar, escondida na multidão. Radicais de esquerda que não são de nada, na hora H se borram nas calças, como já cansei de ver. E tem o outro radical, de direita, pensando que você é cretino como ele. A única razão que me colocou contra a greve é que tive a percepção de que aquilo era uma aventura juvenil, sem a menor chance de vitória. E que colocaria nossos empregos em risco. Os fatos provaram que eu estava certo. As greves de outras categorias, politizadas e bem organizadas, quase sempre tiveram a minha simpatia e, quando possível, apoio.
Morre Roberto Civita
Exatos cinco dias após a morte de Ruy Mesquita, do Grupo Estado, aos 88 anos, morreu em São Paulo na noite desde domingo, 26 de maio, aos 76 anos de idade, no mesmo Hospital Sírio Libanês, Roberto Civita, presidente do Grupo Abril. Civita estava internado havia três meses para a correção de um aneurisma abdominal, mas o rompimento da veia aorta e uma hemorragia de grandes proporções, durante a cirurgia para a implantação de um stent, tornaram o quadro grave, a ponto de já naquele momento a empresa ter anunciado a transferência interina da Presidência Executiva do Grupo para o filho Giancarlo Civita, o Gianca. Desde então, embora representantes da empresa tentassem mostrar algum otimismo, garantindo que em alguns meses Civita voltaria ao comando, já se sabia que isso seria quase impossível pelo seu estado de saúde. Rumores, à época, davam conta de que ele recebera 17 litros de sangue até que a hemorragia fosse estancada, não sem as consequências que se seguiram. Nota no site da Abril (www.abril.com.br) informa que Civita deixa a mulher Maria Antonia, os filhos do primeiro casamento Giancarlo, Roberta e Victor, além de seis netos e enteados. O corpo foi cremado nesta segunda-feira, 27 de maio, no Crematório Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, São Paulo. Morte de Civita é destaque nos principais portais informativos A morte de Roberto Civita entrou para as manchetes dos principais portais de notícias já na noite do próprio domingo. Embora todos trouxessem um pouco da história de RC, caso de sua origem italiana (nasceu em Milão), da saída da família da Itália para fugir do nazismo, do período em que viveu e estudou nos Estados Unidos, da volta ao Brasil quando convenceu o pai a bancar lançamentos editoriais que mudariam a face da Abril, como Veja, Exame e Playboy, há em cada matéria curiosidades que se complementam. O G1 (Globo.com), por exemplo, lembra que no ranking da revista Forbes, publicado em março, Roberto Civita e família aparecem como a 11ª maior fortuna do Brasil e a 258º maior do mundo, com um patrimônio estimado em US$ 4,9 bilhões. O UOL, do Grupo Folha, destaca a entrevista que Civita deu ao Valor Econômico em 2012, quando falou sobre a agressividade da revista Veja: “Se você não está gerando reações fortes, está fazendo algo errado. Não acredito em imprensa que quer agradar a todo mundo. Por que você faz uma revista? Só para ganhar dinheiro? Eu acho que vem junto uma responsabilidade. Eu falo isso há 50 anos… Para todo mundo. Para os meus filhos. Eles não gostam, mas eu falo. Se você não quer ter a responsabilidade, vai fazer álcool, vai plantar batata”. Ainda no UOL, Carlos Costa, que trabalhou por 23 anos na Abril, lembra que “RC, como Roberto Civita assinava os bilhetes, foi o primeiro filho de Sylvana Alcorso, da nobreza romana, e de Victor Civita, fundador da Editora Abril, casados em 1935”. Ele também diz que Roberto “sempre foi reservado, mais reflexivo, talvez marca da convivência com o pai, pouco efusivo com o primogênito e mais aberto com Richard, seu irmão, que também era o preferido de Sylvana – “os olhos azuis da mamãe”. Prudente, ouvia e se aconselhava quando se via frente a decisões complexas – como publicar a entrevista de Pedro Collor, detonadora do impeachment de Collor”. No texto especial para o UOL Carlos Costa diz ainda que o ano de 1982 marcou o racha entre Roberto e seu irmão Richard, e que, por decisão do pai, Roberto passou a cuidar da linha editorial, enquanto Richard ficou com a administração. Ou seja, daquela vez o pai se alinhara ao lado do primogênito, que ficou com a Abril, deixando para Richard a divisão de livros, fascículos, frigoríficos e hotéis. “Com um perfil mais técnico – diz Costa em seu texto –, Roberto contrastava com os arroubos criativos do pai. Era RC quem conseguia plasmar as intuições de VC, tornando-as sucessos editoriais. Se Victor era um excelente relações públicas, Roberto implantou na empresa uma visão profissional de gestão editorial, nos moldes americanos. A independência editorial e a separação dos interesses comerciais do trabalho jornalístico foram obras de RC. Por ocasião da morte do pai, Roberto se reconciliou com seu irmão Richard”. O Estadão.com, em meio às informações sobre a morte de Roberto Civita e sua trajetória, destaca que “em seu mais recente balanço, a Abril S/A registrou receita de R$ 2,975 bilhões em 2012, queda de 5,9% sobre o ano anterior. O lucro líquido foi de R$ 64,2 milhões no ano passado, ante os R$ 185, 9 milhões registrados em 2011”. A matéria do Estadão aborda os altos e baixos dos vários empreendimentos do Grupo Abril sob a gestão de Roberto Civita, como a criação da MTV, da TVA, do BOL, da ESPN, entre outros. Diz o texto do Estadão.com: “O cenário piorou com a desvalorização cambial, em 1999. A companhia viu sua dívida em dólares disparar. Civita, então, viu-se forçado a iniciar um processo de venda de ativos, como sua participação na ESPN Brasil e no próprio UOL. Somente em 2006 a companhia conseguiu vender a TVA para a empresa espanhola Telefônica”. E acrescenta: “Numa tentativa de melhorar a situação financeira do grupo, Civita vendeu, em 2006, 30% da Abril para a companhia de mídia sul-africana Naspers. Com o aporte dado pelos estrangeiros, a companhia conseguiu uma redução de sua dívida líquida, alongando o perfil para cinco anos e diminuindo juros. Em 2007, o saldo da dívida líquida era de R$ 178 milhões, abaixo dos R$ 681 milhões de 2006”. Ao tratar do atual perfil de controle do Grupo, diz a nota do Estadão.com que “atualmente, a Abrilpar, holding da família Civita, controla a Abril S/A e detém o comando do capital da Abril Educação S/A – empresa líder em conteúdo para alunos e professores dos níveis infantil ao fundamental. A Abril Educação inclui as editoras Ática e Scipione (compradas por Civita em 1999) e os sistemas de ensino Anglo e SER (adquiridos pelo empresário em 2010 e 2011), além dos colégios pH, do Rio de Janeiro, e ETB, de São Paulo. Em 2010, a Abril Educação passou a atuar separadamente da Abril S/A por meio de uma reorganização societária. No mesmo ano, 20% das ações da Abril Educação foram vendidas para o fundo de private equity BR Investimentos. Também naquele ano, o Grupo Abril fez a aquisição de 70% da Elemidia, empresa de mídia digital em elevadores e painéis. Os 30% que haviam permanecido com a família Forjaz, fundadora da empresa, foram comprados em 2012. Em 2011, a Abril anunciou a contratação de Fábio Barbosa, ex-presidente do conselho de administração do Santander Brasil, como presidente da companhia. Barbosa respondia diretamente ao presidente do conselho, Roberto Civita”. O próprio Portal do Grupo Abril (www.abril.com.br), ao destacar que RC “dedicou 55 de seus 76 anos à paixão de editar revistas”, destaca uma das coisas que ele sempre costumava dizer aos recém-chegados à empresa: “Ninguém é mais importante que o leitor, e ele merece saber o que está acontecendo. Veja existe para contar a verdade. A fórmula é muito simples. Difícil é aplicá-la o tempo todo”. “Risonho, cordial, otimista, Roberto Civita sempre acreditou que nenhuma atividade vale a pena se não for praticada com prazer”, diz a nota do site da Abril, acrescentando a pergunta que ele sempre fazia aos profissionais com os quais convivia: “Você está se divertindo?”. A nota da Abril conclui dizendo que ele “mantinha-se otimista mesmo quando contemplava a face sombria do País. Para ele, o Brasil só conseguiria atacar com eficácia seus muitos problemas se antes aperfeiçoasse o sistema educacional, modernizasse o capitalismo nativo, removesse os entraves à livre iniciativa e consolidasse o estado democrático de direito. ‘O que Veja defende, em essência, é o cumprimento da Constituição e das leis’, repetia. Também essa fórmula parece simples. Difícil é colocá-la em prática. Foi o que o editor de Veja sempre soube fazer”.
De papo pro ar ? Tristeza de morte
Eleito presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas de Salvador exatamente no dia da decretação do AI-5 (13/12/1969) pela ditadura militar, o atual secretário de Cultura do Município de São Paulo Juca Ferreira teve de exilar-se na Suécia, onde viveu tempos difíceis. Seu lenitivo eram as visitas de compatriotas. Mas o que lhe fazia bem, mesmo, eram as músicas do rei do baião, Luiz Gonzaga, que recebia em fitas cassete. Asa Branca e Juazeiro eram as que mais lhe tocavam. A um amigo, confessou: – Se não fosse Gonzaga, acho que eu teria morrido de tristeza.
Automotive Business prepara especial sobre 20 milhões de flex no Brasil
A Automotive Business, em parceria com a Anfavea, prepara para junho uma edição especial em celebração aos 20 milhões de veículos com tecnologia flex produzidos no Brasil. Com tiragem de seis mil exemplares e previsão de 64 páginas, a publicação será bilíngue (português e inglês), com distribuição durante o Ethanol Summit 2013, que acontece em São Paulo nos dias 27 e 28/6, e para um mailing de empresas ligadas ao setor. Com coordenação editorial do diretor de Relações Institucionais da Anfavea Fred Carvalho, e de redação de Paulo Ricardo Braga e Marta Pereira, da Automotive Business, a publicação terá texto de abertura de Fernando Calmon sobre a consolidação do sistema flex, cenários e as tecnologias hoje existentes; além de matérias sobre o uso do etanol no exterior como matriz energética; cultura da cana no Brasil; um comparativo entre o etanol brasileiro e o produzido com milho nos Estados Unidos; a nova geração do etanol celulósico; biotecnologia e distribuição; e reportagens de Igor Thomaz sobre meio ambiente e as vantagens do etanol, e Lucia Camargo Nunes sobre as gerações do flex e a importância da tecnologia para o Inovar-Auto.“A gente acredita que para as empresas se adaptarem a essa nova regulamentação, a utilização do etanol pode ser muito importante, principalmente nas partes de emissões”, explica Paulo Braga, diretor da AB. A publicação conta ainda com textos e reportagens de Pedro Kutney, editor do portal Automotive Business, e Sueli Osório, editora do blog Notícias Automotivas. Além da produção, a Automotive Business é responsável pela comercialização do produto. Informações pelo 11-5095-8888 e [email protected], com Carina Costa.






