A Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, em São Paulo (av. Paulista, 37), e a organização Poiesis – Instituto de Apoio à Cultura realizam nesta 3ª.feira (19/8), às 19h30, uma homenagem a Rodolfo Konder, ex-presidente da representação da ABI em São Paulo, falecido em 1º/5, aos 76 anos . A poeta Beatriz H. Ramos de Amaral coordenará um debate, com entrada gratuita, que terá a participação dos escritores Cláudio Willer, Fábio Lucas, Anna Maria Martins e Luís Avelina. Haverá apresentação ao público dos livros mais recentes de Konder, Desafios da Memória I e II e Um Longo Percurso, além de depoimentos, projeções e entrevistas. Rodolfo Konder foi escritor, jornalista, professor e tradutor, com passagens, entre outras, pelas redações de Realidade, Visão, IstoÉ, TV Cultura de São Paulo e Estadão. Autor de 33 obras, era defensor dos direitos humanos, da liberdade de imprensa e da democracia.
Matéria de Renan Oliveira é libelo contra o assassinato de reputações
Renan Antunes de Oliveira, um dos editores do Jornal Já, de Porto Alegre, publicou na edição de 19/7 do jornal a reportagem Tráfico: empresário leva 25 anos para provar inocência, reproduzida no Observatório da Imprensa de 29/7, que é um verdadeiro libelo contra o assassinato de reputações. Ele conta a história do empresário carioca José Germano Neto, de 65 anos, dono de uma revenda BMW, que o STJ acaba de absolver de um crime que nunca cometeu. Germano foi perseguido pela polícia como narcotraficante por 25 anos, enfrentou seis processos, pegou cadeia aqui, nos Estados Unidos e na França. Uma falsa denúncia feita por um alcaguete da polícia carioca, em 1989, deu início a um crescendo de acusações sem provas por parte de delegados e promotores, tudo reproduzido pela imprensa, sem filtros. Segundo Renan, “o linchamento de Germano não teve precedentes: o caso da Escola Base só aconteceria em 1994, cinco anos depois. Os jornais o moeram e jogaram na lama”. Tanto quanto a reportagem, o que chamou a atenção do Portal dos Jornalistas foi o fato de o próprio Renan acompanhar o caso há 15 anos, quase sempre por sua conta e risco e muitas vezes apesar de dúvidas sobre a inocência de Germano. Atitude, a bem da verdade, coerente com a sua linha de atuação profissional, pois é repórter conhecido pelo faro apurado para boas histórias e pela tenacidade com que enfrenta suas pautas. Foi por essas qualidades que ganhou o Prêmio Esso de Reportagem de 2004 com a matéria A tragédia de Felipe Klein, pelo mesmo Já, numa decisão que gerou polêmica – pois desbancou matérias de grandes veículos, entre elas o dossiê de Época sobre propinas nos Correios, que daria início ao escândalo do Mensalão –, o que inclusive levou o jurado Milton Coelho da Graça a publicar uma explicação no Observatório da Imprensa. A história de Felipe, quase um menino, filho de um político gaúcho muito influente na época, Odacir Klein – queria virar lagarto, fez tatuagens, piercings, mutilações diversas e acabou se atirando do prédio em que morava, num suicídio que a mídia escondeu –, é tão emocionante quanto a de Germano. Polêmica, aliás, é o que não falta na vida de Renan, que por suas atitudes teve cassadas suas credenciais em algumas oportunidades, foi demitido diversas vezes, preso outras tantas, algumas inclusive em locais distantes como a China e o Afeganistão. Bem a propósito, o título de seu perfil no portal Coletiva.net é Polêmica à vista. Renan está atualmente na Amazônia, certamente atrás de uma boa história. E como é de seu feitio, isolado do mundo, com pouco acesso a internet e telefone.
Vaivém das Redações!
Veja o resumo das mudanças que movimentaram nos últimos dias as redações de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Minas Gerais e Rio Grande do Sul: São Paulo Após um ano e cinco meses como editor de reportagens da revista GQ, Vitor Hugo Brandalise (ex-Estadão e La Voz de Galícia) deixou a função para se dedicar à produção de livros-reportagem e outros trabalhos freelancer. Vitor é mestre em Comunicação (Edição Jornalística) e já faturou seis prêmios nacionais e internacionais de reportagem, entre eles o Petrobras de Jornalismo 2013. É também autor do livro-reportagem O Theatro Municipal de São Paulo (Senac). Rio de Janeiro Paulo Marcos de Mendonça saiu de O Dia no final de julho. Ele era editor executivo de Fotografia, cargo que também desempenhou no Lance por 11 anos e, anteriormente no Globo. Ele continua a lecionar na Universidade Cândido Mendes. Distrito Federal Tainã Nalon deixou a sucursal da Folha de S.Paulo em 24/7 depois de um ano e meio de trabalho. Ela atuava na cobertura do Palácio do Planalto e sua substituição ainda não foi definida. Milena Lopes está de volta ao Jornal de Brasília, na cobertura de Política. Minas Gerais Luciana Flores, responsável pelo espaço de recursos humanos do Estado de Minas, deixou o jornal e foi substituída por Karina Sampaio. Carolina Mansur migrou da editoria de Economia para a gestão de redes sociais. Luciane Evas, que era repórter do núcleo de suplementos, assume a função no caderno econômico. Júlia Duarte, repórter do Diário do Comércio, deixou o jornal e mudou para a capital paulista, onde vai estudar jornalismo econômico e buscar reposicionamento no mercado de trabalho. A substituição dela ainda não foi definida. Juliano Azevedo, chefe de Redação da TV Alterosa, agora também é colunista no site Bastidores da TV, onde escreverá sobre televisão na ótica de telespectador. Júnia Letícia está de volta à redação da revista Wave e já recebe pautas para a próxima edição, prevista para setembro. Marcela Soares, responsável pela parte de gastronomia do portal Tudo, deixou o Grupo VB Comunicação e busca novas oportunidades profissionais. Temporariamente, pautas podem ser encaminhadas para Denise Motta ([email protected]) Enzo Menezes substitui Flávia Martins durante as férias desta na reportagem do R7. Rio Grande do Sul A equipe esportiva da Rádio Guaíba ganhou dois reforços: Carlos Guimarães é o novo comentarista do programa Jogando o Jogo, e Rodrigo Morel passa a integrar o time de produtores da rádio. Guimarães iniciou a carreira em 1999, na Rádio Gaúcha, como estagiário, passando para produtor, repórter, coordenador de jornadas e plantão de estúdio. Permaneceu até 2008, quando foi para a Rádio Bandeirantes, onde participou da cobertura de duas Copas e duas Olimpíadas, além de ocupar os cargos de coordenador de equipe e comentarista esportivo. Há um ano, retornou à rádio do Grupo RBS e, desde então, atuava como plantonista do Futebol na Gaúcha e, nos últimos meses, apresentava o programa Hoje nos Esportes, ao lado de Luciano Périco. Morel era produtor da Rádio Grenal há um ano, onde atuava ao lado de Farid Germano Filho no Grenal Futebol Clube, e realizava coberturas esportivas. Também foi estagiário nas rádios Bandeirantes e Gaúcha.
A fotografia no Portal dos Jornalistas (I)
Profissionais da imagem estão representados no Portal dos Jornalistas por 171 nomes, entre eles 39 mulheres. Seis estados têm a maioria repórteres fotográficos perfilados: São Paulo, com 53; Minas Gerais, 28; Rio de Janeiro, 22; Rio Grande do Sul, oito; Distrito Federal, cinco; e Amazonas, quatro. Os demais estão em outros 16 estados, embora sempre em trânsito, acompanhando os fatos. Dividimos em duas partes a apresentação de alguns dos que residem no Estado de São Paulo (Estado). Hoje, parte 1. A lista começa com Ari Paleta, coordenador de Fotografia do Diário do Grande ABC. Antes, foi repórter fotográfico do jornal, além de ter clicado para outros veículos. Imagens do trabalho dele estão registradas no Flickr. Veja no canal ABC Panorama uma entrevista dele sobre os desafios de uma editoria de Fotojornalismo. Antonio Milena conquistou alguns dos mais importantes prêmios jornalísticos brasileiros, como Esso, Vladimir Herzog e Líbero Badaró. Quando o Estadão fez uma enquete com 101 fotojornalistas de todo o mundo e perguntou “qual seria a única imagem que você levaria se fosse passar dez anos em Marte?”, a foto selecionada foi de Milena. Capa da revista Veja, a imagem escolhida mostrava, em meio a flores amarelas num caixão fúnebre, as mãos cruzadas de um dos três trabalhadores mortos pelo Exército no período da ditadura durante a ocupação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda (RJ), em protesto por melhores condições de trabalho e aumento salarial. Em 2013, Milena participou, com outros 19 repórteres fotográficos brasileiros, da exposição Brazilian Photojournalists – From Bossa Nova to Global Power no salão principal da sede da ONU, em Nova York. André Dusek assina o Foto Coleguinhas, que mostra rostos de fotógrafos, quase sempre protegidos pelas câmeras, e coberturas. Algumas histórias do site trazem comentários mostrando o “cômico” das situações, outras registram denúncias. Está lá, por exemplo, a foto de Che Guevara que virou símbolo de uma geração, clicada pelo cubano Alberto Korda. As fotos de Dusek já fizeram parte de várias exposições coletivas, como a Bienal Fotojornalismo Brasileiro, na Fundação Bienal, em São Paulo. Ele integra a equipe de fotógrafos do Estadão. Fotógrafa profissional de moda desde 2006, Aurea Calcavecchia é editora do site da jornalista Lilian Pacce, que aborda tudo o que rege o universo feminino. Ela já produziu figurinos de peças de teatro e foi fotógrafa do HSBC. Cacalo Kfouri fotografou para revistas especializadas em tênis e vela, clicou para Placar, Playboy, Quatro Rodas, Casa Cláudia, revista Mitsubishi e Superinteressante. Está na EBC desde 2006 e dedica tempo integral à Agência Brasil, como analista da qualidade da informação e imagem. Para ele, “agora, foto, só por diversão”. Repórter fotográfico premiado, Caio Guatelli passou por Estadão e Folha. Já clicou para diversas revistas, jornais e sites, entre eles Playboy, veículo que lhe garantiu o primeiro prêmio, em 2005. Sua especialidade são fotos que registram movimentos dos atletas em alta velocidade, com imagens congelando expressões que revelam o empenho e os sentimentos dos esportistas. Foi o vencedor do Prêmio Folha de Fotografia 2009 com imagens dos Jogos Olímpicos de Pequim e finalista do Prêmio Conrado Wessel 2009. Tem sua própria agência e estúdio de fotografia. Cassiana Der Haroutiounian é editora de Fotografia da revista Serafina, da Folha de S.Paulo, e edita o blog Entretempos. Em 2012, ao lado de Gary e Cesar Gananian, dirigiu Rapsódia Armênia, documentário no gênero road movie que, a partir de histórias individuais, constrói a cultura do povo armênio. Em julho do mesmo ano, o documentário foi exibido na nona edição do Festival Golden Apricot em Yerevan (capital da Armênia) e, de quebra, garantiu a premiação no British Council Award. Posteriormente, o filme foi convidado a participar da 36ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Com o olhar acostumado a analisar por detrás das lentes a imagem a ser registrada, as dificuldades e as oportunidades aliadas à técnica, Cesar Itiberê é editor executivo de fotografia da Editora Três. Antes, esteve por 13 anos na Folha de S.Paulo, período em que passou por todos os cargos na editoria de Fotografia. Foi um dos jornalistas fotográficos que participaram da criação do portal Fotos Públicas, endereço eletrônico que auxilia na busca de imagens públicas em jornais, revistas, sites, blogs, redes sociais e outros meios. Itiberê está no colunas e blogs da IstoÉ, espaço por onde desfilam fotógrafos e os melhores cliques do dia a dia das coberturas. Cláudio Belli fez algumas expedições fotográficas, uma delas no veleiro sul-africano Diel, do Rio de Janeiro até a Cidade do Cabo, em 2003. É fotógrafo do Valor Econômico desde fevereiro de 2009. Mantém um portfólio digital no portal CarbonMade desde 2010. Participou da exposição Vejoperas Fotografia – Nove Versos do Olhar, em São Paulo, em 2011. Publicou fotos nas revistas Globo Rural, Caminhos da Terra, Horizonte Geográfico, CartaCapital, Outdoor, TAM nas Nuvens, GOL, Prana Yoga, entre outras, e para os bancos de imagens OrangeLine e Stockphoto. Com atuação quase sempre na área dos esportes, Daniel Augusto Júnior passou por Folha de S.Paulo, O Globo, Lance e Placar, além de ter sido sócio da agência F4. Desde 2003 está no Sport Club Corinthians Paulista e fotografa oficialmente para o site do time. Produziu as imagens de alguns livros sobre as conquistas do clube, entre eles Eu voltei! – As melhores imagens de 2008, Corinthians Campeão Paulista 2009 – Invicto e Copa do Brasil – Do inferno ao paraíso, também de 2009, todos pela Gutenberg. Pela BB Editora lançou Pentacampeão 2011 e Libertados – Campeão da Libertadores Invicto 2012. Débora Klempous passou por jornais diários em Santa Catarina, assinou fotos em Folha de S.Paulo, O Globo e nas revistas CartaCapital, IstoÉ e Saúde, além de matéria especial na Azul Magazine sobre a Ilha Grande. Segue morando em São Paulo, onde trabalha como fotógrafa e jornalista freelancer. O portfólio de seus trabalhos está aqui. As fotos de Ed Viggiani estão em museus nacionais e internacionais e têm como destaque enquadramentos pouco convencionais. Segundo ele, “o jogo de sombra e luz é usado para revelar o que está oculto, o que está por trás da imagem”. Ed trabalhou para diversos veículos de comunicação em São Paulo, Rio e Fortaleza. Fotografou para Jornal da Tarde, revista Manchete, O Povo (CE), revistas Visão, IstoÉ, Veja e para a Folha de S.Paulo. Concebeu e fez a coordenação editorial do livro Brasil bom de bola (Tempo D’Imagem, 1998), lançado em várias capitais brasileiras e no Museu do Louvre, em Paris. É autor do livro de fotografia Brasileiros Futebol Clube (Tempo D’Imagem, 2006), patrocinado pelo Banco Votorantim. Impressa em preto e branco, a obra fez parte do currículo da Escola de Comunicação e Artes (ECA), da USP, ao longo de 2009. Epitácio Pessoa é fotógrafo do Estadão e ganhou o Prêmio Esso de Fotografia em 2011com imagem que fez para matéria em parceria com o repórter José Maria Tomazela, quando trafegavam por uma estrada rural em Lorena (SP) e presenciaram dois homens prestes a matar um garoto. A ação do fotógrafo impediu que o crime se consumasse. Ele diz que, ao registrar o fato, sentiu-se “usado por Deus, pois salvou uma vida”. Sérgio Branco é diretor de Redação do Núcleo de Imagem da Editora Europa, que inclui as revistas Fotografe Melhor, Fotografe Técnica&Prática, FilmMaker e Viaje Mais, além da edição de livros, guias, bookzines e aplicativos que envolvem fotografia e vídeo. O repórter fotográfico Paulo Pampolin, além de imagens, traz na bagagem uma coleção de prêmios. Na carreira recebeu Menção Honrosa no Prêmio Estadão de Fotografia de 2005, na categoria Megaphoto, pela obra Reflexo do frio; foi finalista nos prêmios Ayrton Senna e da revista Photo (França); um dos ganhadores do 1º Concurso Nacional de Fotografia Consigo a Melhor Imagem, promovido em 2008 pela Confederação Brasileira de Fotografia, com a foto Reflexo de São Paulo; e ficou em 2º lugar no Prêmio Leica Fotografe Melhor da revista francesa Multticlique, edição 2010-2011, na categoria Ensaio, entre outras homenagens. Tem passagem pela agência Digna Imagem (SP) e há cerca de dez anos fotografa para Folha de S.Paulo e Diário do Comércio de São Paulo. Em 2006 abriu a Hype Fotografia, onde atua como diretor responsável. Também há cerca de dez anos mantém uma exposição permanente no museu virtual e internacional Photo.net e desde 2009 edita o site e o blog Hype, onde publica obras, informações e comentários. Além de fotógrafos, o Portal dos Jornalistas reúne profissionais que trabalham com ilustrações, infográficos, charges e cartuns, artistas gráficos que transformam a informação em criações plásticas que remetem à notícia, à cena e ao cenário dos fatos. Na próxima semana, o Portal dos Jornalistas continuará a apresentar os profissionais da fotografia que têm São Paulo como base de trabalho. Depois, será a vez dos jornalistas fotográficos de outros estados.
Júri do Salão Internacional de Humor de Piracicaba se reúne neste sábado (16/8)
Os trabalhos vencedores do 41º Salão Internacional de Humor de Piracicaba, marcado para 23/8 a 12/10, serão escolhidos neste sábado (15/8) pelo júri do evento, composto pelo arquiteto e um dos criadores do Salão Fausto Longo, o radialista e humorista Paulo Bonfá, o presidente da Adjori-SP (Associação de Jornais do Interior de São Paulo) Carlos Balladas, o escritor e jornalista Jorge Cunha Lima, além dos cartunistas Luiz Carlos Fernandes, da colombiana Elena Ospina e do belga Luc Descheemaeker. Serão analisadas 368 obras. O evento distribuirá um total de R$ 51.500 aos vencedores das categorias cartum, charge, caricatura e tiras/HQ, e dos prêmios Águas do Mirante, Unimed, Câmara Municipal, Alceu MaroziRigheto e Indignação, além do Grande Prêmio, no valor de R$ 10 mil. Os vencedores serão anunciados na abertura da exposição, a partir das 19h30, no Teatro Erotídes de Campos e no Armazém 14, em Piracicaba (SP).
Rodrigo Ribeiro assume vaga de Anamaria Rinaldi no Agora São Paulo
O repórter Rodrigo Ribeiro, que no começo de maio havia se desligado da equipe de Carros do R7, é o novo reforço do caderno Máquina (Agora São Paulo), na equipe do editor Ricardo Ribeiro. Ele assume a vaga que até o mês passado era ocupada por Anamaria Rinaldi, hoje no iCarros. Antes do R7, onde esteve por dois anos, Rodrigo passou pelas redações de Car and Driver, Auto & Técnica, Webmotors e também pelo iCarros. Seus novos contatos são 11-3224-3912 e [email protected].
Memórias da Redação – Regra do jogo dentro do carro
A história desta semana é uma colaboração de Vicente Alessi, filho ([email protected]), diretor Editorial da AutoData. Regra do jogo dentro do carro A história que segue vem a propósito daquele texto com que nos brindou o Jornalistas&Cia comemorativo dos 50 anos do caminhante Ricardinho Kotscho por essa estrada de trabalhador da notícia, de operário da palavra, como diria Perseu Abramo, tio de nosso personagem Cláudio Abramo. Ricardo, ali, diz do privilégio de levar Cláudio para casa depois de fechamentos do nosso heróico Jornal da República, pois “ele não dirigia”. Pois é: Cláudio dirigia, sim, e mal pra cacete. Era uma temeridade. E quando ficava de mau humor com o eventual passageiro despejava-o na primeira esquina, sem dó nem piedade. Convivi no dia a dia com Cláudio no período 1974-1978, na Redação da Folha de S.Paulo, na qual ele gestava um novo Projeto Folha e da qual sou viúvo até hoje – viúvo de sentimentos de solidariedade, camaradagem, amizade que nunca mais experimentei em redação alguma, só naquela onde Aristides Lobo trabalhou por tanto tempo. Curiosamente, encontramo-nos os três, Cláudio, Ricardo e eu, logo depois, no próprio Jornal da República, no fim de 1979. No Folhão também era comum sairmos além das 10 da noite depois do exercício diário que era o fechamento na editoria Local ou na Economia. Um dia, e outro dia, e no terceiro também era praxe encostar a linha da cintura por longos momentos no balcão do bar do Japonês, garagem virada para a Barão de Limeira, a meio caminho da esquina da avenida Duque de Caxias, ou sentar a uma das mesas do 307, ou 708?, ali na rua de trás, a Barão de Campinas, onde Roland Marinho Sierra costumava entornar litros respeitáveis de generosas gin tônicas diárias na companhia de um sujeito igualmente generoso, Francisco Wianey Pinheiro, e do grande Ruy Lopes, que preferia scotch. Depois se via como voltar para casa, pois o ônibus passava ali bem perto, subia a alameda Helvetia rumo à avenida Angélica e a Pinheiros. Muitas vezes abri mão da cerveja para aproveitar a oferta de Emir Nogueira, nosso secretário de Redação, que morava no Butantã. Íamos para a Zona Oeste a bordo de seu Chevette jogando conversa fora e aprofundando nossos laços de amizade e carinho. Emir nem sempre exibia seu bom humor pois estava perto demais do centro de decisões do jornal e, muitas vezes, o via contrafeito com o rumo das coisas por ali – por ali e no País. Mesmo assim, e mui gentilmente, ele se desviava de seu caminho original, que era descer a avenida Rebouças, para me deixar na esquina de casa, na confluência da avenida Doutor Arnaldo com as ruas Cardeal Arcoverde e Sílvio Sacramento. Até que numa noite, trabalho encerrado, Cláudio e eu fomos ao mesmo tempo para o elevador e me ofereceu sua carona: estava a caminho de casa, no Jardim Paulistano, e poderia me deixar junto à avenida Doutor Enéas, aquela que atravessa o Hospital das Clínicas, com a Rebouças. Respondi que era mais fácil apanhar o ônibus, que me deixaria bem mais perto de casa. – E onde você mora? Contei onde, e ainda disse que Emir não discutia por bugigangas e sempre me deixava ali, a 50 metros de casa. (É preciso entender que, graças à minha amizade com Vinícius Caldeira Brandt, casado com Bárbara, filha mais velha de Cláudio, ficamos, ele e eu, amigos tão logo entrei no Folhão, em setembro de 1974. Conversávamos muito, principalmente sobre política, e nem sempre concordávamos, discutíamos o jornal e nem sempre concordávamos, e chegávamos ao ponto de exercer uma certa falta de polidez um com o outro. Com direito a uma magoazinha por alguns dias. Seria, hoje, uma situação muito improvável, pois um jovem repórter normalmente não tem certas liberdades com o seu diretor de Redação, como eu tinha, nem ele perscrutaria a opinião de seu jovem repórter, como Cláudio costumava fazer, e não apenas comigo. Em síntese, cumpríamos alguma liberdade de expressão um com o outro, o que sempre gera aprendizado e bem-querer.) – Então, vamos embora! Ele me deixou perto de casa, falou pelos cotovelos e demonstrou o que eu qualificaria como uma certa falta de atenção ao dirigir. No dia seguinte a pergunta de Emir me surpreendeu pouco: “Sobreviveu?”. Sim, claro, tudo direitinho. E aí Emir contou algumas proezas de Cláudio ao volante, que Radhá e as meninas escondiam a chave do Fusca para forçá-lo a andar de táxi, que ele era teimoso, que não reconhecia a autoridade das placas e dos sinais de trânsito, nem dos guardas, coisas assim, bem a propósito… Numa circunstância como esta sempre se pode tratar de fugir da situação, mas carona tem lá suas vantagens, como abreviar a hora da chegada a casa – e por isso persisti em aceitar o gentil oferecimento de Cláudio. Mas continuamos a discutir e também entrei no espírito da campanha familiar e passei a criticar a qualidade de sua direção… E não foi só uma vez que ele encostou na avenida Rebouças, abriu a porta do meu lado e disse “uma boa caminhada e uma muito boa noite para você…”. E ainda ria…
Fenaj recebe Prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação
O Prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação, promovido pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), divulgou os vencedores de suas quatro categorias. Na categoria Instituição Paradigmática, quem recebe o prêmio é a Federação Nacional dos Jornalistas, por sua luta em defesa da liberdade de imprensa e pelo estímulo à qualificação intelectual dos jornalistas e pela defesa da formação profissional de boa qualidade. Os outros vencedores são: na categoria Maturidade Acadêmica, a professora Maria Cristina Gobbi – mestre e doutora em Comunicação Social pela Umesp e pós-doutora pelo Programa da América Latina, da USP –, que atualmente coordena o Programa de Pós-Graduação em Televisão Digital da Unesp de Bauru; como Grupo Inovador, o curso de Comunicação da Universidade Federal do Piauí (UFPI); e em Liderança Emergente, a professora Rosiméri Laurindo, autora do projeto pedagógico do novo curso de graduação em Jornalismo da FURB (Universidade Regional de Blumenau). A cerimônia de entrega do prêmio será em 3/9, durante o congresso da entidade, em Foz de Iguaçu.
Afonso Borges começa coluna no Hoje em Dia (MG)
Afonso Borges, criador a apresentador do projeto literário Sempre um papo (31-3261-1501 / twitter e facebook sempreumpapo), aceitou convite de Ricardo Galuppo e estreou nesta 2ª.feira (11/8) uma crônica semanal no caderno Almanaque do Hoje em Dia (MG). A primeira, Gaza e os olhos de vidro de Lucas, é uma reflexão sobre o estado de insensibilidade geral de que estamos tomados. Para quem não conhece o trabalho de Afonso, Veja BH publicou matéria na edição desta semana.
Mais tensão entre profissionais do RJ e a diretoria do Sindicato dos Jornalistas
O Portal dos Jornalistas recebeu do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro um pedido de retificação da nota publicada na semana passada sobre a realização de uma reunião plenária para discutir as diferenças entre a diretoria da entidade e os profissionais do movimento Esse Sindicato dos Jornalistas não me representa: “Ao contrário do que dizia a nota, a plenária foi convocada pela diretoria do Sindicato e não pelo movimento”. A reunião, realizada em 7/8 na Escola da Magistratura, teve mais de 400 presenças. Nela, a presidente Paula Máiran convidou Chico Otávio para fazer parte da mesa, representando o grupo da oposição. Chico relata: “Tive chance de falar no início. Não queria representar ninguém, e isso foi instantaneamente corrigido pela presidente. Disse que, ao mesmo tempo que reconhecia a legitimidade da diretoria eleita, também pedia à direção do Sindicato que reconhecesse a oposição, mas dentro de um espaço para entendimento. Subi para ajudar a garantir a civilidade, contribuir para diálogo, mas me decepcionei. No dia seguinte, Paula radicalizou o discurso, não demonstrou o menor interesse em negociar nada. Fiquei, então, do lado dos colegas que estão nas ruas. Assinei o manifesto [N. da R.: que condena a postura da entidade diante das agressões sofridas por profissionais que cobrem as manifestações de rua], porém acho que a agenda tem que mudar numa direção mais propositiva, nas questões mais emergentes sobre agressões praticadas contra jornalistas nas ruas, sejam de autoridades policiais como de manifestantes. Não dá, nada justifica a violência. Reconheço completamente o midialivrismo, tenho até ex-alunos meus. Acho que há lugar para todo mundo, existe uma democracia. Para mim, é a questão central”. Na mesma plenária, foi anunciado que Iara Cruz deixava a Comissão de Ética do Sindicato. A Comissão não é parte da diretoria e tem seus membros eleitos como pessoas físicas, independentemente das chapas que propõem seus nomes. Iara, boa de voto, foi eleita apesar de alinhada a uma chapa que não venceu a eleição. Sobre os motivos para a saída, disse ao Portal dos Jornalistas: “Faço questão de reafirmar o meu apreço, respeito e carinho por todos os membros da CE, pessoas da melhor qualidade, ética e competência. Minha saída é tão-somente porque a Paula me prometeu que esta assembleia seria só para jornalistas e que não teria militantes. No entanto foi aquilo que se viu. Na verdade, adiei o máximo que pude, mas a realidade é que desde o início foi muito difícil a relação com a diretoria do Sindicato, considerando que eu era tratada como ‘do outro lado’ ”. Mesmo que Iara não se estenda sobre os motivos, comenta-se nos bastidores que a gota d’água foi um diálogo áspero com Rafael Duarte, sem cargo formal, que lhe disse para se retirar de uma reunião de diretoria. “900 pessoas não podem ser acusadas de patronais” Os midiativistas pegaram pesado em quem assinou o manifesto. Entraram nas páginas de quem trabalha na Globo, chamaram-nos de prostituídos e chegaram a ameaçar: “Você não merece viver”. Neise Marçal, da Rádio Nacional, foi duramente atacada por Victor Ribeiro no grupo Sou+EBC, por participar do movimento. Ela reagiu levando o caso à Comissão de Ética da EBC como assédio moral. Nesta 3ª.feira (13/8), em reunião interna, o movimento Esse Sindicato dos Jornalistas não me representa decidiu, talvez tardiamente, organizar-se, definir responsabilidades, criar comissões. Fernando Molica explica: “Nos comunicávamos pelas páginas, mas essa foi a primeira reunião física. Não posso adiantar muitas coisas, ainda precisam ser amarradas. O fundamental é que a diretoria procura ter um discurso agora mais tranquilo, enquanto pessoas e entidades aliadas, de maneira equivocada e irresponsável, tomam versões absurdas como verdadeiras, de que esse seria um movimento patronal, incentivado pelas Organizações Globo. Queremos respeito pela categoria: 900 pessoas não podem ser acusadas de patronais. É direito de todo cidadão brasileiro se manifestar, e cobrir as manifestações. Vários jornalistas foram feridos, um foi morto – isso é muito sério”. E prossegue: “Nenhum grupo profissional pode ser condenado por lutar pela própria segurança. Como se sentiriam os membros de outras categorias – os petroleiros, por exemplo – caso o presidente do seu sindicato tomasse a iniciativa de defender autores confessos da morte de um petroleiro? Movimentos populares que tanto reclamam da manipulação de informações deveriam ser mais cuidadosos. Já fizemos muitas e muitas matérias denunciando. Quando se fala em arbitrariedade da polícia, foi porque saiu no jornal. Não é justo, não é digno, que nosso movimento seja desqualificado por aliados da diretoria do Sindicato. A situação é tensa. O manifesto está mantido, continua aberto, recebendo adesões”. O Sindicato formou um grupo de trabalho para discutir as sugestões da plenária da semana passada. A primeira reunião será esta 5ª feira (14/8), no próprio auditório da entidade, às 19 horas. Entre outros assuntos, está a criação de um Conselho de Representantes e uma Comissão de Segurança dos Jornalistas. Vamos acompanhar.






