Onde estão os colunistas sociais de Belo Horizonte?

Ano a ano, os jornais impressos mineiros têm o número de colunistas sociais reduzido. Os motivos são diversos, desde o enxugamento das redações e diminuição no tamanho dos jornais, à migração desses profissionais para outras áreas da comunicação. Após o falecimento de alguns deles, vários jornais optaram em não os substituir.

Quem no meio jornalístico mineiro não se lembra do saudoso Cici Santos? Com seu falecimento, em 2010, o Diário do Comércio perdeu o espaço dedicado à sociedade, empresas e empresários. Há cerca de dois anos, foi criada a DC Mais, sem que haja, no entanto, um grande colunista responsável por ela. No jornal Edição do Brasil, sua filha Milly Santos assumiu o espaço, mas também abandou a função há cerca de seis meses, partindo para uma nova jornada em assessoria de imprensa.

No Hoje em Dia, houve anos de glória com até dois colunistas: Marcelo Rios, falecido em 2010, era focado em sociedade. Já Gustavo Mendicino, mais ligado a noite e baladas, deixou a função em 2012 para se dedicar a assessoria de imprensa. Desde então, o jornal tentou três diferentes colunistas, mas hoje o espaço continua vazio.

Em O Tempo, com o falecimento de Elder Martinho em 2013, também o espaço desapareceu, embora continuem a existir os de Paulo Navarro e Raquel Faria. Deles, Paulo é o mais focado em colunismo social. No Estado de Minas, Mário Fontana, Anna Marina e Helvécio Carlos ainda mantêm firmes seus espaços sociais, dedicados cada um a público diferente.

Para Aloísio Morais, diretor de Organização Administrativa do Sindicato dos Jornalistas de Minas e editor no Hoje em Dia, o que acontece é sinônimo de uma cidade que está se tornando um grande polo: “O colunista social é algo mais intimista, comum em cidades menores. Nas metrópoles, o colunismo evoluiu, se modificou. Até tem o colunista, mas que fala de assuntos diversos, não exclusivamente da sociedade. Antigamente, era muito direcionado à elite, aos personagens. Isso já não cabe mais”.

Symphronio Veiga, colunista do Jornal do Sindicato e que foi colaborador por um período deste J&Cia, acredita não mais haver espaço para colunismo social. “Hoje é pejorativo ser chamado de colunista social. Isso porque, há 50 anos, o colunista tinha como função badalar as pessoas ricas, empresas, conseguir benefícios e informações quentes. Chegavam a trabalhar de graça para o jornal, e receber remuneração por fora. Hoje, você não encontra profissionais que aceitam isso e os jornais também não querem, porque não pega bem. As colunas que existem são mais ecléticas e melhoram muito a qualidade da informação”.

Para Milly Santos, ex-colunista social do Edição do Brasil e atual assessora de imprensa na Primeiro Plano Comunicação, não resta dúvida de que a função tem ficado de lado: “Muitos mudaram de profissão, outros faleceram. Hoje, há muito atrito entre os colunistas e o formato do jornal, o que acaba inviabilizando alguns projetos. Por outro lado, a sociedade se diversificou e fica difícil fazer a cobertura”. Mas ela diz que a função continuará, uma vez que o tipo de informação prestada faz falta aos leitores: “A diversificação e renovação dos espaços seria uma solução. Para se tornar colunista, é muito complicado, precisa ter nome e ser muito respeitado, além de ter muita paciência para a apuração de informações”.