O coronavírus e os veículos de comunicação − II

Como não poderia deixar de ser, o Portal dos Jornalistas dá continuidade ao balanço dos reflexos da pandemia do coronavírus no trabalho dos veículos de comunicação – dentro, é claro, dos limites inerentes aos nossos porte e abrangência.

As informações que nos chegam sobre a atuação dos veículos neste conturbado período e o acompanhamento do que divulgam permitem-nos classificar a cobertura da pandemia propriamente dita e a preservação da saúde de seus colaboradores como os principais desafios que enfrentam. Ao mesmo tempo, precisam contornar dificuldades impostas pela situação em si e por decisões de autoridades (veja nota sobre a Lei de Acesso à Informação, na capa), bem como da disseminação de fake news e desinformações de toda ordem.

De uma forma geral, veículos de todas as plataformas criaram canais, editorias e produtos especiais, liberaram acesso a conteúdos, TVs e rádios alteraram suas grades em função da cobertura e têm buscado proteger seus profissionais, notadamente os mais velhos, fazendo-os trabalhar em casa. Como o volume de informações é muito grande, optamos por destacar alguns exemplos, o que fazemos a seguir.

TVs e jornais lideram índice de confiança em informações sobre coronavírus, diz Datafolha

Os meios de comunicação da imprensa profissional, com TVs e jornais à frente, são vistos pela população como os mais confiáveis na divulgação de informações sobre a crise do novo coronavírus, segundo pesquisa do Datafolha. Já redes sociais e aplicativos de mensagens são considerados pouco confiáveis em meio à pandemia.

Segundo o levantamento, programas jornalísticos da TV (61%) e jornais impressos (56%) lideram no índice de confiança sobre o tema, seguidos por programas jornalísticos de rádio (50%) e sites de notícias (38%). Em posição oposta à imprensa profissional estão os conteúdos que vêm de WhatsApp e Facebook. Nas duas plataformas, apenas 12% dizem confiar em informações sobre o coronavírus. Nelas, o índice dos que dizem não confiar nas informações atinge 58% (WhatsApp) e 50% (Facebook). O índice dos que dizem não confiar nas informações sobre a pandemia é de 11% nos jornais e de 12% nos telejornais. Os sites de notícias têm a desconfiança de 22%.

pesquisa do Datafolha foi realizada na semana passada (de 18 a 20/3), por telefone, e não presencialmente, devido à pandemia. Foram ouvidas 1.558 pessoas, e a margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.​ (Com informações da Folha de S.Paulo)

Covid-19 chega às redações

Marcelo Magno, apresentador da TV Clube, afiliada Globo no Piauí, está internado num hospital da capital Teresina. Com 37 anos, foi diagnosticado como portador da Covid-19 e passou a respirar por aparelhos. Na segunda-feira (23/3) William Bonner, no Jornal Nacional, informou que Magno apresentou melhoras e, apesar de continuar internado, não precisa mais de equipamento para respiração.

Márcia Peltier postou no Instagram (@marciapeltieroficial), em 20/3), sua foto usando máscara e um longo texto. Diz, entre outras coisas: “Meu teste de Covid-19 saiu ontem e deu positivo. Já estava em isolamento social desde a semana passada quando algumas pessoas da minha família também testaram positivo. (…) Para os que perguntam se eu viajei. Não viajei, mas me encontrei com amigos que voltaram de viagem. Ninguém sabia que era portador do vírus”.

Chico Caruso despediu-se temporariamente dos leitores de O Globo, pois passa à quarentena. Em dezembro, ele completou 70 anos de idade e 35 no jornal, com charge na primeira página.

Natália Ariede, repórter da TV Globo em São Paulo, passou para a quarentena em casa, trabalhando na medida do possível. Ela também está com 37 anos e foi afastada por estar grávida. A notícia é da revista Quem.

Também por pertencer ao grupo de risco, Boris Casoy, com 79 anos, foi afastado da ancoragem do telejornal RedeTV News, pelo superintendente da emissora, Franz Vacek. A informação, de Flavio Ricco no UOL, acrescenta que Mariana Godoy terá Mauro Tagliaferri como companheiro de bancada, por período indeterminado.

William Waack faz participações diárias no Jornal da CNN de um estúdio montado em sua residência. Aos 67 anos, foi afastado pela emissora, assim como as grávidas e os funcionários com mais de 60 anos, ainda que nenhum tenha sido diagnosticado com a Covid-19. Desde 19/3, Daniel Adjunto, da sucursal de Brasília, substitui Waack na bancada, em São Paulo.

Regina Volpato (52 anos) deixou em 23/3 a apresentação do programa Mulheres, da TV Gazeta, de São Paulo. Ela não contraiu o vírus, mas a direção da emissora achou melhor afastá-la como prevenção.

O jornal digital Poder360, que suspendeu viagens e implementou um sistema de trabalho em home office, publicou um infográfico em que resume medidas de proteção adotadas por grandes Redações nacionais e internacionais. Confira.

Júlio Lubianco, do BRIO, também fez para o Centro Knight um levantamento em Redações da América Latina sobre como adaptaram suas operações por causa do coronavírus. Veja.

A Fenaj reuniu informações sobre ações e orientações dos Sindicatos de Jornalistas em todo o País aos profissionais sobre o coronavírus e as publicou em seu site. Elas compreendem recomendações às empresas jornalísticas, orientações aos jornalistas e funcionamento das entidades de acordo com situação em cada Estado.

Adiamentos, prorrogações, cancelamentos…

A Abraji decidiu adiar a realização do 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, previsto para os dias 25, 26 e 27/6, em São Paulo. A entidade ainda estuda uma nova data. Fica suspensa também a seleção de trabalhos de conclusão de curso, assim como a chamada para o VII Seminário de Pesquisa em Jornalismo Investigativo.

O Google adiou os processos de seleção e início do Startup Lab, projeto piloto, lançado em fevereiro, que busca acelerar novas empresas jornalísticas em estágio inicial de desenvolvimento. Novas datas ainda serão definidas e informadas a todos os que já se inscreveram.

A Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) postergou para o segundo semestre seus cinco congressos regionais (confira as novas datas). O 43º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom 2020), que seria realizado de 2 a 7 de setembro, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, será realizado após os congressos regionais, em data a ser definida. (Veja+)

Checagem de fatos

A Agência Pública conversou com representantes de Aos Fatos, Lupa, E-farsas e Estadão Verifica para saber quais são as notícias falsas mais compartilhadas sobre o coronavírus, como se informar e o que eles estão fazendo para barrar o fluxo de desinformação. Leia.

Cristina Tardáguila

A Rede Internacional de Verificação de Fatos (IFCN) tornou pública a base de checagens da aliança #CoronaVirusFacts / #DatosCoronaVirus. A colaboração reúne 112 checadores de mais de 45 países e 15 idiomas. Em dois meses de parceria, mais de mil verificações de fatos foram realizadas. À frente da iniciativa, a brasileira Cristina Tardáguila conversou com a Abraji sobre os principais desafios que a aliança tem enfrentado, as “ondas de desinformação” e a importância da colaboração no jornalismo. Leia mais.

Com o objetivo de frear a propagação de notícias falsas sobre o coronavírus, o WhatsApp elaborou uma divisão especial para conter esse tipo de conteúdo em sua plataforma de conversas. Em parceria com OMS, Unicef, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e IFCN, criou o Centro de Informações sobre coronavírus. Em comunicado, representantes do WhApp afirmaram que a plataforma doará US$ 1 milhão para o combate às fake news que versem sobre a pandemia.

E mais…

A Associação Mundial de Editores de Notícias (WAN-IFRA) criou um ambiente digital que possibilita o compartilhamento de informações sobre o coronavírus entre redações de todo o mundo. A iniciativa busca unir a imprensa global na luta contra a pandemia, pela troca de experiências, ideias, dicas, pesquisas, dados, entre outros.

No site, os interessados também podem responder a uma pesquisa sobre a situação de sua redação. É possível receber os informativos com notícias, links e informações práticas ao fazer uma inscrição simplificada. Confira a plataforma (em inglês).

Desde 23/3 a XP Educação está oferecendo o curso gratuito online Como investir no cenário instável do coronavírus, com dicas e sugestões sobre investimentos no contexto pandêmico atual. As aulas ficarão na plataforma por tempo indeterminado.

O curso, de cinco módulos, é ministrado por especialistas da XP, incluindo o estrategista-chefe Fernando Ferreira, a estrategista e criadora do canal ExplicaAna Ana Laura Magalhães e a analista de ações Betina Roxo. A abertura do curso foi feita por Guilherme Benchimol, CEO da XP Inc. As aulas contextualizam o cenário atual, explicando os impactos da pandemia na economia ao redor do globo, além darem exemplos de mecanismos que podem ser acionados em tempos de crise (como o circuit breaker e o VIX) e dicas para quem quer investir neste conturbado momento do setor de investimentos. Acesse as aulas gratuitamente.

Assis Ângelo escreve primeiro cordel sobre coronavírus

É comum os artistas da cultura popular, incluindo músicos, registrarem as mazelas que desabam sobre um país ou o planeta. O jornalista e estudioso da cultura popular Assis Ângelo, colaborador deste J&Cia, paraibano de João Pessoa radicado na capital paulista desde 1976, é o primeiro autor a escrever um folheto de cordel contando as diabruras do coronavírus. O folheto Piolho do cramunhão faz o mundo todo tremer acaba de ser publicado pela editora especializada Tupynanquim, do Ceará. A capa é assinada por Antônio Klévisson Viana, autor de centenas de folhetos, entre os quais A quenga e O delegado, este adaptado pela TV Globo, em 2001. Assis é autor de vários livros sobre cultura popular e presidente do Instituto Memoria Brasil (IMB).

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