Maristela Mafei questiona contrato de venda da Maquina para o Grupo WPP

Maristela Mafei questiona os valores das parcelas relativas à compra da agência feitas com base na lucratividade da empresa

Maristela Mafei, fundadora e ex-presidente da Máquina da Notícia, agência adquirida em janeiro de 2016 pela Cohn & Wolfe, do Grupo WPP, entrou com reclamação na Câmara Arbitral do Canadá, denunciando o contrato.

Nota publicada pela Folha de S.Paulo nessa terça-feira (7/8) informa que o imbróglio tem como base o pagamento do chamado earn-out, ou seja, das parcelas relativas à compra da agência feitas com base na lucratividade da empresa. Como esta foi menor do que o esperado e mesmo planejado, o mesmo se dá com as parcelas a serem pagas a Mafei.

Estima-se que a agência foi vendida por R$ 80 milhões, com pagamento à vista de 50% desse valor e o restante em até cinco anos, sendo o valor atrelado a um crescimento no lucro da empresa – de maneira inusual, o início da contagem foi acertado para 2015 (ano inicialmente considerado bom para a agência, ainda que anterior ao contrato assinado).

Segundo apurou este J&Cia, embora o faturamento da Máquina tenha crescido 2% em 2017, seu lucro registrou queda de 23%, sobretudo pelo crescimento de despesas, entre alas a celetização completa da agência (inclusive em cargos de direção), perdas de alguns contratos lucrativos (repostos por outros, porém com margens menores) e também da taxa compulsória de administração paga ao Grupo comprador, da ordem de 5% sobre a receita bruta. Com isso, o pagamento do earn-out da compra da agência também despencou, elevando o grau de insatisfação.

Marcelo Diego, CEO da agência, está afastado da operação, mas, conforme informações de pessoas que lá atuam, continua assinando todos os documentos da empresa como seu representante legal.

Maristela deixou a operação da empresa em outubro de 2016, ocasião em que viajou para uma temporada de estudos nos EUA, inclusive com aval contratual da própria Cohn & Wolfe. Voltou ao Brasil meses atrás.

A WPP determinou que seus dirigentes e os da Máquina não se pronunciem sobre o episódio, o que deixa indefinido qualquer prognóstico sobre o desfecho da disputa.

Sobre a escolha da Câmara do Canadá para a arbitragem do conflito, é questão contratual e não escolha unilateral. Pelo que apurou este J&Cia, ela tem sido a Câmara Arbitral preferida para conflitos de natureza econômica, pela competência e agilidade de procedimentos.

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